Como evoluiu o plano de investimento financeiro que sugeri à minha filha

Já faz mais de ano que sugeri a criação de uma carteira de investimentos para minha filha, guiado pela estratégia de alocação de ativos. Acredito que esse método é o mais eficiente para capturarmos os maiores ganhos possíveis no mercado financeiro, seja em períodos de alta ou períodos de baixa.

Está na hora de atualizarmos esse plano e analisarmos as mudanças que ela já fez em seu portfólio, comentando seus direcionamentos. Esse é o objetivo desse texto.

Para entender o estabelecimento do plano de investimento inicial e o objetivo na construção de um sólido patrimônio financeiro, leia "O nascimento de uma carteira de investimentos. E uma planilha para download".

Talvez você tenha acompanhado o nascimento da carteira de investimentos de minha filha. Aqui vemos como ela evoluiu no último ano e quais mudanças foram feitas.

Nesse texto usarei também alguns fundamentos da estratégia de alocação de ativos. Já escrevi um texto bem detalhado explicando porque essa diversificação de investimentos é essencial para ganhos a longo prazo. Caso não conheça, é interessante a leitura: "A alocação de ativos ao alcance de todos".


Plano de investimentos financeiros e liberdade


Há tempos tenho procurado passar à minha filha o valor da independência financeira. Possuir essa liberdade de não depender da renda de um emprego ou de um trabalho qualquer nos dispensa de trocarmos nosso tempo por dinheiro. Isso significa ser protagonista em escolher o que fazer na sua vida. Liberdade financeira é, muito antes de ser algo relacionado ao dinheiro, é algo totalmente vinculado a tempo livre.

Construir um plano de investimentos financeiros é muito mais do que simplesmente "economizar". É investir de manteira correta. Com as taxas de juros em níveis nunca antes vistas no Brasil, manter o dinheiro na renda fixa básica não ajudará a chegada da independência financeira rapidamente. Pior: poderá ser um empecilho para seu alcance. Infelizmente, a maioria das pessoas não pensa em economizar e muito menos, investir bem hoje em dia.

No caso dos jovens, em particular, essa mudança de modelo mental é algo que não deve ser desperdiçado, uma vez que eles possuem um privilégio fundamental: são donos de um tempo maior para que os juros compostos atuem em seu patrimônio, usufruindo a rentabilidade de juros sobre juros desde cedo.

Aproveitar essa fase da vida permite que a liberdade financeira seja alcançada em uma idade que, ainda com boa saúde e com tempo livre, eles possam direcionar seu destino para o rumo que desejarem. Se você é um desses jovens, sugiro a leitura de "Jovens, aproveitem seu tempo! Pensem em liberdade financeira!". No texto há links para outros relatos sobre o assunto.

A evolução do plano financeiro de minha filha


Não vou estender muito o texto explicando em detalhes quais foram os pilares e o porquê das escolhas iniciais na montagem da estratégia de alocação de ativos de seu portfólio. Para isso, reforço que pode ser interessante a leitura da postagem original. Vou focar na consolidação de suas estratégias e as mudanças que ocorreram desde então.

O software de gestão financeira - uma planilha eletrônica


Ela não se adaptou bem à gestão moderna de receitas e despesas dos aplicativos modernos de gestão financeira. Aliás, ele não se adaptou bem a nenhum controle de gestão de finanças pessoais que envolva fluxo de caixa :/

Assim, ela não tem um domínio pleno em seu controle de gastos mensais. Porém (e aqui não é mais um pai coruja falando) possui bom senso em seus gastos e todo mês reserva um valor razoável para investir na sua carteira pessoal (exceto no mês de Janeiro quando ela paga com um bom desconto o valor anual da academia que frequenta - ao menos, fica livre desse gasto no restante do ano).

Se ela não tem uma boa gestão no controle das finanças pessoais do dia a dia, ela tem um bom domínio de seu patrimônio, contabilizando suas compras, seus dividendos recebidos e seu montante mês a mês. Acredito que isso é imprescindível para percebermos o crescimento do patrimônio e enxergar a independência financeira lá na frente.

Para isso ela usa uma planilha eletrônica, que compartilhei com os leitores na postagem original. Se o leitor é fã desse tipo de controle, veja as planilhas eletrônicas disponibilizadas pelo blog.

Consultoria financeira de investimentos


Na criação de seu planejamento financeiro pessoal, havia explicado que ela tinha ao menos três alternativas para escolher em função do interesse que teria pelo mundo dos investimentos e pela disponibilidade de tempo que teria que doar para controlar seu portfólio:
  1. Ser uma analista própria: estudar muito, analisar empresas, mercados e definir ela mesma onde investir e como alocar seu dinheiro. Nesse caso, é patente que ela iria usar muito tempo em sua vida para controlar todos seus ativos e finanças pessoais. Essa alternativa geralmente é escolhida por quem não tem um emprego ou trabalho próprio, justamente em função do tempo dispendido.
  2. Ler análises de terceiros e ela mesmo gerir sua alocação: uma opção intermediária, onde ela assina uma consultoria financeira de investimentos através de casas de análises (Empiricus, Suno ou Eleven Financial), usando as recomendações para gerir seu patrimônio. Nessa alternativa, disse a ela que não poderia seguir cegamente o que os analistas recomendam. Ela teria de ter ainda um conhecimento bem razoável de alocação de ativos, diversificação e riscos envolvidos. Ou seja, ainda teria que usar um tempo para entender sobre gestão de carteiras de investimentos, embora terceirizasse a análise de empresas individuais.
  3. Aportar somente em fundos de investimentos: terceirizar totalmente a gestão de seu patrimônio para fundos de investimentos, reservando um tempo apenas para estudar e escolher bons fundos e gestores. Nesse caso, ela teria tempo totalmente livre para dedicar-se à sua profissão.

Veja que não há escolhas melhores e piores nas opções acima. Tudo depende do tempo que possui disponível e de seu interesse pelo mercado financeiro. Para quem não tem tempo algum para algum aprendizado e análise, a opção 3 é a recomendada, por exemplo. Querer fazer day-trade na hora do almoço de seu emprego pode ser a pior escolha possível.

E também fica claro que as três opções não são totalmente fechadas, havendo alguns tons de cinza entre elas. Minha filha vem consolidando nesse último ano uma opção entre a 2 e 3 acima. Ela tem escolhido individualmente seus fundos imobiliários e opções em renda fixa, mas tem terceirizado a escolha das ações nos ETFs, que são fundos de investimentos de índice. Vamos agora aos detalhes.

A evolução do plano de investimento


No artigo original, ela começou uma carteira de investimentos bem simples, dividindo 50% de seus aportes para fundos imobiliários e 50% para renda fixa de longo prazo (reforço que sua reserva de emergência já estava formada e não faz parte das alocações). Lá expliquei o racional por trás dessa alocação inicial.

Rentabilidades no último ano

Minha filha não reclamou dos resultados que seus ativos proporcionaram nesse período. Os dois fundos imobiliários proporcionaram excelentes ganhos. O HGRE11 disponibilizou um rendimento (até o momento) de mais de 40% (incluindo os dividendos) e o KNRI, de mais de 10%.

A queda dos juros longos propiciaram rendimentos de mais de 30% em seus títulos de longo prazo. Porém, a situação atual pede uma mudança de posicionamento, seja para explorar melhores rentabilidades, seja para usar melhor a diversificação e diminuir os riscos do portfólio.

Mudanças na alocação da carteira de ativos


Em junho, quando a carteira fez um ano, acreditei que o objetivo inicial da alocação dos investimentos de minha filha estava (ao menos parcialmente) concluído e, com o aumento de seu patrimônio, seria melhor começar a diversificar mais.

A queda dos juros longos e a expectativa de melhores dias para o mercado acionário brasileiro também provocava uma alteração nos percentuais da carteira.

Considerando que ela ainda é jovem, não teria sentido ficar fora de um possível boom do mercado acionário e, em uma várias reuniões entre a gente, onde voltamos a conversar sobre o tempo que ela disponibilizaria para o controle de seus investimentos, decidimos alterar a alocação para 1/3 de renda fixa de longo prazo, 1/3 fundos imobiliários e 1/3 em ações brasileiras.

Dessa forma, ela ficaria exposta a uma possível apreciação dos ativos brasileiros, sem se expor demasiadamente ao risco.

Alteração em cada pilar de investimentos


  1. Renda fixa de longo prazo: com a queda abrupta dos juros, resolvemos alterar um pouco o que chamamos de "longo prazo" para entender melhor se a estabilidade do país será algo duradouro ou não. Seus novos aportes estão sendo direcionados para renda fixa de médio prazo, em LCIs ou CDBs de bancos menores com vencimento de 3 a 5 anos, proporcionando um ganho relativo maior e um resgate mais curto.
  2. Fundos imobiliários: ela mantém as posições em HGRE11 e KNRI11, e comprou no período cotas de um fundo de shopping center: o XPML11.
  3. Ações: como preferiu não se aprofundar nas análises das empresas, nem assinar consultorias especializadas, está dividindo esse terço do patrimônio entre dois ETFs: BOVV11 e SMAL11.

Comentários sobre as mudanças na carteira de investimentos e futuro


Renda variável - ações


Vamos iniciar pela adição da renda variável utilizando ETFs. Provavelmente, pode ter sido uma fonte de decepção para as pessoas que gostam e acreditam que podem ser melhores que o mercado financeiro escolhendo ações de empresas específicas.

Não tiro a razão delas: sim, é plenamente possível e a minha própria evolução patrimonial deixa claro que a seleção de ações, quando bem feita, pode trazer resultados melhores a longo prazo. Porém, minha filha prefere gastar seu tempo com seu trabalho, que para ela também é uma fonte de prazer. Devemos aceitar que as pessoas são diferentes, e não julgar com base nos nossos princípios e propósitos.

Particularmente, considerei que foi uma boa estratégia considerando suas aspirações e interesses. Aceitando colocar 1/3 de seu patrimônio em ações, ela está bem preparada para surfar a onda de otimismo que, esperamos, deve chegar ao país nos próximos anos. Está avisada, porém, que teremos muitos altos e baixos até lá...

Talvez algum leitor me questione, inconformado do porquê eu não definir para ela quais ações individuais comprar. Nunca tive o hábito de sugerir empresas para compra ou venda a ninguém basicamente por 3 motivos:
  1. Gera dependência: quando uma pessoa depende de outra para definir suas compras no mercado financeiro ela se torna alguém incapaz de aprender. Além de viver uma vida de parasita para os próximos movimentos;
  2. Pensamento de longo prazo: minha filha precisa ter uma estratégia que funcione em todos os cenários, inclusive caso eu morra amanhã. Se a gente dá sempre o peixe, como ela irá pescar no futuro?
  3. Eu posso estar errado: minhas escolhas de compras e vendas no mercado financeiro devem implicar consequências somente a mim, não a mais ninguém. Assumir a responsabilidade por escolhas erradas dói muito, mesmo para nós, imagine assumi-las para pessoas próximas que amamos!
Apesar disso, por vezes conversamos sobre o mercado e costumo passar a ela muitas diretrizes sobre setores, novos ativos que ela pode pensar em adquirir, etc. E conforme seu patrimônio aumenta, ela pode sim decidir investir em ações específicas, inclusive em ativos no exterior através da escolha de bons fundos de investimentos.

Renda variável - Fundos imobiliários

Quando analisamos a decisão de minha filha em possuir 2/3 de seu portfólio em renda variável, percebemos que ela, apesar de não se envolver no mercado financeiro, tem um perfil financeiro arrojado. Ao menos até o próximo grande mercado de baixa...

Ela decidiu comprar um novo fundo de shopping center, o XPML11, em virtude de algumas conversas que tivemos sobre o setor no Brasil. Apesar de haver algumas rupturas que poderiam apontar um declínio dos shoppings-center no Brasil como o comércio eletrônico, acredito que a aposta no lazer vai continuar gerando boas receitas para esses fundos. Sem contar que ele ainda é sub-penetrado, principalmente nas cidades menores.

Para o futuro, acredito que ela deve pensar em fundos de recebíveis, uma vez que a renda fixa está cada vez menos interessante no país.


Renda fixa - curto ou longo prazo?


Acredito que a atratividade da renda fixa é o grande debate atual. Alguns analistas tomam partido dela, dizendo que entramos em um longo período de juros baixos e travar taxas reais brutas em torno de 3,5% é algo positivo.

Por outro lado, muitos também afirmam que a atratividade da renda variável nos próximos anos superará muito o potencial risco e depositar as fichas na renda fixa é bobagem.

É um bom debate. Ela manteve sua renda fixa de longo prazo intacta em títulos do Tesouro Direto, mas esse ano, parou de investir por lá. Está mantendo novos aportes em títulos privados de curto e médio prazo para analisarmos juntos como fica o horizonte da queda das taxas de juros. Nos próximos 5 anos, ela terá esses vencimentos disponíveis para decidir o que fazer.

E vocês, leitores, como estão realizando os novos aportes? De forma mais conservadora ou agressiva?


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