Fechamento anual da planilha do plano patrimonial, da TNRP e algumas mudanças para o futuro

Você sabe o que é TNRP?

Veja qual foi sua redução após a atualização de meu plano patrimonial em 2019 e as próximas tendências de mudanças em meus investimentos.

Leia também sobre algumas ideias que pretendo aplicar na alocação dos ativos de minha carteira.


Fala pessoal! Virada de ano é sempre um momento de revisitarmos nossos planos e objetivos futuros, não? Ao mesmo tempo que o calendário anual nos auxilia nesse replanejamento, uma vez que nos fornece uma referência temporal para reavaliações, também pode ser responsável pela armadilha das procrastinações. Mas estou certo de que os leitores desse blog o usam a seu favor ;)

No começo de 2018 escrevi sobre a TNRP. Eu a defini como a Taxa Necessária de Remuneração do Patrimônio. Taxa necessária para quê? Para que você consiga cumprir todas suas metas que dependam de um fluxo financeiro. Isto é alcançado através de uma planilha que disponibilizei na mesmo texto do ano passado. Para acessá-la e entender melhor sobre o conceito e compará-lo com a famosa TSR (taxa segura de retiradas), a qual não gosto de usar e teci algumas críticas, acesse a postagem aqui.

Na planilha desse ano, fiz uma estimativa de meus gastos nos próximos 40 anos, ou seja, tenho um planejamento até os meus 87 anos. Otimismo? Alguns diriam que sim, alguns diriam que não, por diversas razões, a maioria válidas. Por via das dúvidas, vou manter esse horizonte de 40 anos por mais 13 anos, quando então eu me garantia financeiramente até o centenário.


Resultados 2018 x 2019


Em 2018, mostrei um gráfico decrescente de minha TNRP durante os anos. A cada ano que passava, eu necessitava cada vez menos de juros para cumprir todas as necessidades financeiras referentes às que me propunha na minha vida. A planilha anterior, que iniciava em 2018 acusava uma taxa de 3,5%. Assim, tecnicamente, mesmo que eu aplicasse todo meu dinheiro em renda fixa que me remunerasse em termos reais esse valor, eu estaria relativamente tranquilo financeiramente.

Mas com sempre investi em renda variável, é muito difícil pensar dessa forma. Além do que, se esse país realmente decidir dar certo (ao menos economicamente), não seria tão fácil conseguir esses 3,5% reais anuais na renda fixa. No mundo desenvolvido, por exemplo, é algo totalmente utópico. Assim, ainda vai demorar um pouco para eu pensar em diminuir minha alocação em RV.

Pela experiência desses últimos anos, entretanto, foi apenas no ano passado que defini que só um evento muito catastrófico me faria voltar a ter um emprego "tradicional" com o intuito de renda. Pelo método de alocação de ativos e com a experiência que adquiri, arrisquei-me dizer que isso era uma hipótese muito, mas muito remota. Apenas no caso de um crash histórico, pior do que 1929 ou do final da última década, ou ainda um sequestro governamental, tal fato poderia ocorrer.

Os resultados de 2019 corroboraram ainda mais essa afirmação. Minha TNRP caiu para 3,3% esse ano. Veja no gráfico abaixo:

Anualmente, atualizo uma planilha que planeja minha situação patrimonial para 40 anos no futuro. E descubro qual a taxa de rendimentos que preciso buscar para assegurar todos meus planos.


O diferencial da queda vem diminuindo ano a ano, principalmente porque, usando a planilha de plano patrimonial e o conceito de TNRP, acabamos por ajustar as despesas (para gastar mais), mantendo o equilíbrio com as receitas e assim, a meta de patrimônio ano a ano. Isso ajuda a evitarmos economias sem muito sentido, uma vez que o atingimento de suas metas não dependem de grandes desafios. E, claro, nos ajuda a aproveitar melhor a vida.

Em 2018, a despeito do bom rendimento geral de carteira acima de 18%, gastei bem mais, seja entre gastos do dia a dia ou em uma viagem à Europa com o euro a quase R$ 5,00... Porém, é possível, pelo orçamento, definir uma meta de gastos considerando uma queda suave da TNRP até que ela lhe dê uma segurança financeira definitiva.

Novas ideias para o futuro


Durante os últimos 5 anos ao menos, a única parcela de meu patrimônio sob gestão de terceiros foi composta por uma previdência privada feita em parceria com meu antigo empregador. Sim, eu sei que previdência nunca foi o melhor dos mundos, mas essa é aquela em que o empregador colabora com você. Ou seja, nesse caso acaba valendo a pena pelos seus aportes adicionais.

Anualmente, atualizo uma planilha que planeja minha situação patrimonial para 40 anos no futuro. E descubro qual a taxa de rendimentos que preciso buscar para assegurar todos meus planos.Tenho resgatado anualmente o máximo possível dessa alocação de forma que eu receba de volta integralmente o imposto de renda de 15% pago a cada saque. Como faço a declaração anual simplificada, com o desconto de 20% na base de cálculo, esse valor não chega a R$ 30mil anuais, o que faz com que o saldo de minha previdência nunca zere, pois seus rendimentos vêm sendo maiores que a retirada anual.

Mesmo assim, não satisfeito com as rentabilidades perante o CDI, em dezembro passado tomei a decisão de mudar o gestor: migrei para uma previdência composta por 10 grandes fundos do mercado: a "superprevidência" FoF , uma parceria da Vítreo com a Icatu e patrocinada pela Empiricus. Hoje sua carteira é composta como mostra a figura.

Com isso, espero que ela renda ainda mais quando estava hospedada na antiga gestão do Itaú. E, com isso, meu portfólio gerido por terceiros continue a ser ampliado.

Essa ideia de ampliar a gestão de terceiros já estava maturando há algum tempo. No caso da previdência foi uma simples mudança de gestão, mas pretendo aos poucos alocar cada vez mais montantes em outros fundos. O objetivo é que, a cada ano, eu passe a ter mais tempo livre para outras atividades, ao invés de estar no computador administrando minha carteira de investimentos e alocando ativos. Não que eu gaste muito tempo nisso, mas... quanto menos tempo gasto, melhor, não?

Estou usando alguns resgates no Tesouro Direto, aproveitando dessa queda de juros de longo prazo, para iniciar algumas dessas alocações. Uma delas os leitores do blog já sabem: as carteiras digitais de investimentos. Estou fazendo um teste de comparação de rendimentos entre 4 gestoras e apresentando mensalmente aqui no blog. Apesar de já ter aportado mais do que investi inicialmente, até agora não estou plenamente satisfeito com seus rendimentos, mas vamos dar tempo ao tempo.

Estou também alocando em alguns dos fundos bambambans do mercado como o Alaska Black, do Henrique Breda e Kapitalo Kappa, de Carlos Woelz, sempre atentando para uma boa alocação dos ativos. Estou fazendo isso através da plataforma da Genial Investimentos, mesmo local para onde migrei minha previdência. Além deles possuírem uma boa oferta de fundos, CRIs e debêntures, gosto da ideia de não espalhar em muitas corretoras meus investimentos. Já são 5 instituições nas quais possuo ativos, e não pretendo aumentar muito mais.

A ideia daqui para a frente é dividir o portfólio em dois: sob minha gestão e sob a gestão de terceiros. Anualmente faço um balanço dos rendimentos reais de cada um. Se não houver uma grande discrepância entre ambos de forma que não prejudique minha TNRP futura, vou tomando mais confiança em aumentar o percentual sob gestão de terceiros.

Com isso, diminuirei cada vez mais minhas atividades no mercado financeiro, incluindo todas as leituras necessárias para avaliação de empresas, FIIs, perspectivas de mercados, etc. Determinados fundos, inclusive, investem muito no exterior, que é uma área que está ficando mais interessante após as quedas dos últimos meses. E isso pode me economizar um bom tempo em estudos, mão-de-obra e controles para entrar solo nesse mercado, algo que venho postergando a tempo. Três das carteiras digitais e o fundo Kapitalo atuam fora do Brasil.

Enfim, no fundo, tudo se resume a maximizar o maior ativo que temos: o tempo. É através dele e da segurança financeira que estamos aptos a realizar todas as metas e sonhos que aspiramos. Se existisse um único conselho a ser dado, eu diria: use bem seu tempo, o bem mais valioso que temos. Se precisar de alguma inspiração, sugiro os textos abaixo:

Investimentos: uma viagem lenta à liberdade e independência financeira?
Sonhos, liberdade financeira e lições da raposa e do Pequeno Príncipe
Jovens, aproveite seu tempo: pense em independência financeira!

E você leitor? Qual a sua TNRP?  E o quanto confia na gestão de sua carteira de ativos aos terceiros?


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Leia também:

Minha biografia e os 5 elementos que compõem a inteligência financeira
O essencial do orçamento e fluxo de caixa. E uma planilha de brinde ao final


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Se você ainda não viu, nesse blog existe uma página que agrega artigos que fornecem gratuitamente planilhas e calculadoras financeiras para download. Virão outras adiante.


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