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Fernando Pessoa, o liberalismo e a lógica em sonhar com o bem comum

O dia em que Fernando Pessoa deu algumas dicas sobre sonhar como bem comum para os progressistas da esquerda, paladinos da justiça e bem estar social.

Qual a influência do liberalismo em Fernando Pessoa?

Veja o dia em que o poeta deu algumas dicas sobre "sonhar com o bem comum", alcunha que se ajusta perfeitamente aos progressistas da esquerda, supostos paladinos da justiça e bem-estar social.


Fernando Pessoa nem sempre escreveu sobre vieses liberais, mas ao final de sua vida empenhou-se em publicar vários textos para a Revista de Comércio e Contabilidade na segunda metade da década de 20 do século passado.

Esses escritos foram agrupados por Gustavo Franco, economista, ex-presidente do banco central e atualmente colaborador do Partido Novo, em seu livro "A economia em Pessoa: verbetes contemporâneos e ensaios empresariais do poeta".


O liberalismo de Fernando Pessoa


Nessas publicações, Pessoa defende ideias liberais como a desregulamentação do comércio visando a diminuição das restrições impostas pelo Estado, antevê o crescimento da globalização, comenta as vantagens das privatizações e a importância da governança corporativa. Dirigido a um público mais pragmático, o poeta impôs a esses textos uma linguagem leve, alegórica e com alguma dose de auto-ajuda.

Esses ideias podem ser atribuídas à rotina de juventude do poeta, onde trabalhou com comércio após ter estudado em escola britânica em Durban, na África do Sul, antiga colônia inglesa e adepta à melhor tradição liberal da maior potência da época. Frases como "quanto mais o Estado intervém na vida espontânea da sociedade, mais risco há, se não positivamente mais certeza, de a estar prejudicando" vieram de alguém que viu na pele, a ação nefasta de ideologias que pregam o Estado grande e o Estado-babá, como os movimentos nazi-fascistas da década de 20. Ideias hoje disseminadas pelos partidos de esquerda globalistas pelo mundo que adoram chamar seus adversários liberais de... "fascistas"!

Isso é tão verdade que, mesmo com a obra-prima que deixou em vida, nunca foi vencedor de prêmios significativos. Talvez a ausência de um Prêmio Nobel, que ama agraciar escritores comunistas e socialistas, seja significante para clarear como o estudo das ciências humanas sempre foi ideologizado. Atualmente a moda é a confusão (consciente) entre globalismo e globalização pela mídia mainstream e seus asseclas após a indicação do novo ministro de Relações Exteriores pelo presidente Jair Bolsonaro.

Afinal, Pessoa deixou bem claro que "sovietes, comunismo, fascismo, nacional-socialismo - tudo isto é o mesmo fato, o predomínio da espécie, isto é, dos baixos instintos, que são de todos, contra a inteligência, que é do  indivíduo só". Ou seja, o coletivismo sobrepondo-se ao individualismo.

Interessante que Pessoa argumentou essas ideias em um período em que o liberalismo no mundo estava em baixa. Desde 1870, a hegemonia dos conceitos liberais vinha sendo solapada pelo crescimento desses regimes coletivistas comunistas e fascistas. Ele escreveu contra o Zeitgeist da época, demonstrando uma filosofia particular, chamada por alguns de nacionalismo liberal.

O liberalismo na poesia


Fernando Pessoa não só descreveu seus pensamentos liberais através de seus textos econômicos. Como grande poeta, soube incorporar o sentido prático de sua filosofia transcendendo-o em numerosas passagens de suas obras. Uma das mais belas envolve o que nós, liberais, combatemos hoje como o roubo que pessoas fazem das narrativas, ajustando-as para seu proveito próprio.

O poeta sabia que alguns indivíduos têm um ideal. Ou um sonho. Maravilhoso aos seus próprios olhos, essas pessoas estão dispostas a tudo para torná-lo realidade. Na mão dos paladinos da justiça e do bem coletivo, importam-se pouco com os direitos individuais. Respeitam menos as opiniões divergentes. Nessa ânsia de mudança, a certeza de sua alma caridosa e do resultado de suas ações para o bem comum transpassam a tudo. Inclusive ao respeito à individualidade e direitos de cada pessoa. Os fins justificam seus meios.

Mas se esquecem que, “se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres”, como dizia Alberto Caieiro, heterônimo do poeta, que nos dá uma lição de resistência à patrulha dos politicamente corretos, à patrulha apocalíptica, à patrulha da guerra das classes, à patrulha das minorias… enfim, aos “progressistas” de plantão, que dia após dia, nos dizem como ser boas pessoas. Ou bons cachorrinhos amestrados.


“Falas de Civilização, e de não Dever Ser

Falas de civilização, e de não dever ser, Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!”

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos", heterônimo de Fernando Pessoa



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