Teste comparativo de gestores digitais e seus robôs: qual é o melhor?

Você já ouviu falar dos gestores digitais de carteira de investimentos operados, ao menos parcialmente, através de robôs?

Acompanhe meu processo de abertura de conta, o relacionamento com os analistas, depósito e a comparação de rendimento das minhas carteiras em cada uma das maiores casas do Brasil.


No início do mês publiquei um artigo com comentários sobre gerentes de banco, casas de análise e gestoras digitais. A certa altura do texto, comentei um desejo de testar essa nova forma oferecida para investir no Brasil: a montagem de uma carteira de ativos através da ajuda de robôs de investimentos. Nesse artigo explico como foi essa prática e como estão estruturadas as carteiras a serem comparadas pelos próximos meses.


A ideia, premissas e alguns comentários




O objetivo da simulação é, além de conhecer melhor como funcionam as gestoras, avaliar se elas são uma alternativa interessante para o pequeno investidor que não deseja ficar imerso no controle de sua carteira de investimentos. Recentemente contei como estou montando uma carteira de investimentos para minha filha, citando que o seu perfil assemelha-se à pessoas que "desejam criar um bom portfólio, mas não querem perder muito tempo com isso". Acredito que seja para esse público que a gestão digital das carteiras pode ser interessante. A conferir, com o tempo.

Para os investidores ativos, que conhecem mais profundamente o mercado financeiro e possuem tempo e interesse em cuidar de sua carteira de investimentos, confio na estratégia que tenho seguido durante os últimos 15 anos: a alocação de ativos. Escrevi um artigo onde explico detalhadamente como construir uma carteira através desse método. Dá mais trabalho, mas você não pagará taxas de administração adicionais. Ou seja, a escolha acaba baseando-se em seu perfil, interesse e tempo.

O perfil das carteiras de investimento


Para efeito de comparação de rentabilidades, a ideia baseou-se na criação de carteiras de investimentos com o mesmo percentual de renda variável. No cadastramento de suas respectivas plataformas, o cliente responde algumas perguntas e define seu objetivo de investimento. Com essas respostas, o robô de cada casa sugere uma carteira com base no perfil que ele definiu para você. Ainda sou meio cético com esse tipo de "milagre", até porque as perguntas realizadas são simples demais, mas fiquei satisfeito em saber que podemos alterar, com algumas limitações, a composição de nossa carteira posteriormente conversando com assessores (de carne e osso).

Esse perfil de carteira de investimentos foi possível de ser criada apenas em 3 gestoras digitais: Magnetis, Monetus e Warren. Na Vérios não foi possível, pois o investimento deveria ser de, no mínimo, R$50mil: abaixo disso, segundo eles, as taxas de corretagem em renda variável não seriam competitivas, tendo à minha disposição apenas carteiras de renda fixa. Assim, a comparação da rentabilidade da carteira da Vérios com as demais ficará prejudicada. Resolvi mantê-la no teste para avaliar seu operacional, plataforma, atendimento e sua performance com base no CDI.

O percentual de renda variável nas demais carteiras foi estabelecido em 33%, ou 1/3 do patrimônio. A escolha desse percentual deve-se ao equilíbrio de dois fatores. O primeiro é não exagerar na agressividade do portfólio, de forma que seja palatável para um grupo maior de interessados. O segundo é estabelecer minha tese de que investir e pagar taxas de administração através de gestoras digitais só compensa ser estivermos minimamente alocados em renda variável.

Uma vez que investir em renda fixa é relativamente fácil (podemos facilmente encontrar CDBs que pagam mais de 110% do CDI ao ano), não parece lógico pagar para que uma gestora faça isso para você. É verdade que, com uma gestão ativa com títulos de longo prazo a rentabilidade pode ser melhor (ou menor), mas são poucos os fundos de renda fixa com histórico de rentabilidades líquidas muito acima do CDI.

Já no investimento em renda variável, o investidor vai demandar mais de seu tempo, mesmo que escolha investir somente em ETFs. Será importante o momentum de proceder rebalanceamentos, com a compra e venda de ativos, algo que alguns gestores digitais podem alertá-lo oportunamente. Ou seja, nesse caso, vejo algum sentido em pagar uma taxa para manter uma boa gestão do patrimônio, considerando aquele público que não deseja imergir ativamente em seu portfólio.

Assim, para a Magnetis, Monetus e Warren, teremos uma carteira com 1/3 em renda variável e estas poderão ser comparadas entre si, com benchmarks pelo IBOV e CDI. Já a carteira da Vérios, apenas em renda fixa, será comparada apenas com o CDI.

Custos


Algumas das restrições da Vérios comentadas anteriormente ocorrem em função de eles operarem na plataforma da corretora Rico com ETFs nas carteiras que possuem o pilar da renda variável . Isso faz com que montantes menores não sejam muito bem remunerados em função dos custos relativos envolvidos em cada movimentação, comparativamente a aportes diluídos em fundos de investimentos.

As demais gestoras possuem uma maior flexibilidade de operação porque trabalham com fundos de investimentos, onde, com cotas reduzidas, o investidor pode aplicar valores iniciais menores. Vale lembrar que suas taxas, entretanto, podem ser impactadas por cobranças indireta de taxas de administração específicas de cada fundo.



Dentre elas, a Magnetis informa que seus fundos de investimentos possuem uma taxa de administração de 0,3 a 0,5% ao ano. Embora eles usem contratos de reversão, onde parte dessa taxa retorna para o patrimônio do fundo, a taxa líquida de administração da gestora situa-se acima do valor de sua comissão própria, de 0,4% ao ano.

Perceba que o investidor pagaria de qualquer forma essas taxas caso sua escolha recaísse em aportar  individualmente em cada fundo. O que a Magnetis e as demais casas oferecem, através de sua comissão, é a construção da carteira através de seu perfil e as possíveis alocações no patrimônio, que como já comentei em outras ocasiões no blog, é imprescindível para que a alocação de ativos seja de fato, efetiva.

A Monetus e Warren informaram que seus fundos não possuem taxas de administração, embora todos eles sejam obrigados a cobrar o come-cotas semestralmente (antecipação do imposto de renda). O que valerá, entretanto, será o rendimento líquido ao final, que acompanharemos mês a mês. Afinal, é isso que mais queremos, correto? Vamos conhecer na sequência a operacionalização das gestoras digitais.


As quatro gestoras digitais de investimentos e suas características


O processo de abertura da conta de todas as gestoras digitais foi muito tranquilo, e o atendimento exemplar. Você conhece o estilo Nubank? Pois é! Exceto na Monetus, em todas elas recebi, sem solicitar, um e-mail de uma pessoa disposta a ajudar. Desde então, tenho trocado vários e-mails para tirar algumas dúvidas e o atendimento (inclusive na Monetus após o primeiro contato) sempre se mostrou efetivo, talvez com alguma dificuldade na Warren. Achei meu interlocutor muito afoito em responder rapidamente não lendo corretamente minhas dúvidas, sendo assim, meio confuso nas respostas.

As plataformas são atrativas e possuem uma extensa área de ajuda, que explica sobre a empresa, suas carteiras de investimentos e como funciona todo o operacional. Recomendo fortemente que o futuro investidor leia todo o material de ajuda, pois é impossível nesse texto abranger muitos aspectos de cada uma delas. A ideia nessa breve apresentação, é citar apenas alguns pontos relevantes sobre a gestora, segurança e a composição da carteira que decidi realizar o investimento.

Deixo claro que, em nenhum momento desse texto estou sugerindo que invistam em qualquer uma das casas. Se houver interesse, portanto, antes de qualquer coisa, simule seu perfil, avalie o portfólio sugerido, conheça muito bem sobre cada uma delas e, principalmente, sinta-se confortável antes de transferir seu dinheiro, combinado?

Magnetis


A Magnetis opera em conjunto com a plataforma da corretora de valores Easynvest. No artigo onde escrevi minhas experiências com as corretoras de valores, comento que esta é a corretora na qual sou cliente há mais tempo, embora hoje eu divida meu patrimônio entre a Clear e a Socopa, em virtude de custos de operação. O texto citado também apresenta uma tabela dos custos dessas instituições financeiras.

A taxa de gestão cobrada pela Magnetis é de 0,40% ao ano para carteiras com montantes menores que R$ 500mil, a menor, se considerarmos isoladamente, dentre todas as gestoras digitais participantes do teste, alcançando 0,2% para investimentos superiores a R$ 2 milhões. Além desses valores, cobra de 0,30 a 0,50% de taxa de administração de seus fundos, como comentei anteriormente.

A casa oferece 5 perfis diferentes de carteiras para o investidor, desde carteiras com investimentos apenas em renda fixa, bem como carteiras mais arrojadas vinculadas, em sua maior parte, à renda variável. Para aportes menores, a carteira escolhida opera apenas com fundos de investimentos, na seguinte proporção:

Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.

Chequei os fundos multimercados que compõem o fundo da Magnetis e suas respectivas alocações de ativos: são fundos de gestão ativa bem expostos à renda variável. No fundo AZ Quest Total Return FIC FIM, por exemplo, a alocação alcança 79% e, na média, a alocação total na carteira de nível 3 deve ficar próxima a 33%, embora esse percentual seja variável. Para conhecer os fundos de renda fixa e multimercado alocados na carteira da Magnetis, bem como os ETFs que compõem sua carteira de ações, clique nessa página.

Para investimentos maiores do que R$ 10mil, 50% de toda a carteira passa a ser aplicado em CDBs selecionados pelo algoritmo (no momento, o Banco Máxima é o selecionado), com percentuais atraentes sobre o CDI, e apenas 11,8% permaneceria em fundos de investimentos. Assim, uma carteira mais volumosa pode performar melhor, inclusive com a diminuição das taxas de administração secundárias dos fundos participantes da carteira. É claro que os riscos, também existem, embora que, para os CDBs, existe a "garantia" do FGC.

Todas as cotas do investidor são registradas sob seu CPF nos fundos onde a carteira de investimento é alocada. O rebalanceamento dos 3 pilares dessa carteira não é automático, mas, segundo a empresa, seu detentor é sempre avisado quando houver algum descolamento de percentuais para que seja autorizada uma realocação. Veremos no futuro como isso de fato, funciona.

O processo de aplicação do investimento na Magnetis é o que possui a melhor experiência: a partir de seu saldo na Easynvest, o investidor pode, na plataforma da Magnetis, escolher o valor que deseja investir e confirmar  o procedimento. Logo em seguida, a Easynvest envia um e-mail confirmando todos os investimentos. Claro e rápido.

Monetus


Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.
A Monetus opera de forma similar à Magnetis, e é associada à corretora Amaril Franklin. Eles possuem dois fundos de investimento, sem taxa de administração e cobram 0,6% ao ano para gerenciar sua carteira de investimentos.

Nessa gestora, você compõe o percentual de renda variável de sua carteira da forma que desejar: sua plataforma possui um botão deslizante onde você mesmo define o percentual que deseja aportar em renda variável. O restante, é investido em um fundo de investimento de renda fixa, alocado somente em LFTs do Tesouro Direto.

Se você possui mais do que R$ 5.000,00 investidos em renda fixa dentro do seu portfólio, é possível mover uma barra deslizante e definir o percentual dessa alocação que deseja aportar em títulos privados com resgate de, no mínimo, 3 anos. É uma forma de possibilitar um rendimento maior em sua carteira, sacrificando sua liquidez.

O fundo de ações da Monetus é um fundo ativo, que, no momento em que escrevo esse texto, possui a composição do recorte ao lado e algo interessante: um ETF da Black Rock que busca emular a variação das 500 principais ações norte-americanas. Ou seja, você possuirá parte de seu capital investido nos Estados Unidos. Assusta um pouco, porém, a alta exposição em determinados ativos como a ação da Natura, em uma alocação maior do que o ETF PIBB11, que reúne a variação das 50 ações mais líquidas do Brasil. O gestor é bem confiante em si mesmo. Tomara que ele seja bom mesmo, né?

O rebalanceamento, contudo, é feito somente em novas aplicações. Segundo o assessor que conversei por telefone, eles ainda disponibilizarão um método em que esse rebalanceamento possa ser feito sem a necessidade de novos investimentos, e sim somente com o dinheiro disponível na carteira. Isso é essencial para pessoas que já possuem um patrimônio e desejam investir um valor maior e "esquecer" esse montante para ser bem administrado pela gestora. Enquanto essa facilidade não for disponibilizada, a Monetus não será uma boa opção para esse perfil de investidor.

O processo de investimento é simples: apenas é necessária uma transferência para sua conta na corretora Amaril Franklin. Ela foi realizada por volta das 08:00hs da manhã e foi confirmada pouco antes das 11:00hs, através de um aviso por e-mail e pelo app, confirmando que o dinheiro já está sendo investido.

Warren


Prosseguindo na apresentação das gestoras, chegamos na Warren, uma fintech nascida nos EUA que desembarcou no Brasil em 2016 e possui sua própria corretora de valores. Para transferir seus investimentos, eles disponibilizam contas correntes do Banco do Brasil, Bradesco e Itaú (em breve no Santander) ou através de um boleto de cobrança, que infelizmente, é cobrado (R$ 1,90). Para resgatar seus investimentos, caso a conta de recebimento não seja uma desses 3 bancos, também será cobrado um TED de R$ 2,90.

A taxa de comissão da Warren é de 0,5% ao ano, e segundo eles, não são cobradas taxas de administração de seus fundos, custodiados pelo Banco Santander. Dessa forma, essa é a alternativa mais barata entre as gestoras digitais, uma vez que a taxa de 0,4% da Magnetis não considera nesse percentual as taxas de administração de seus próprios fundos. Veremos se isso traduz-se em vantagem na rentabilidade líquida do montante investido.

Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.


A forma de operação através do site da gestora é bem similar à Monetus, com a possibilidade de escolher milimetricamente o percentual que você deseja investir em renda variável. Assim como a Monetus, a Warren trabalha atualmente com dois fundos: um de Renda Fixa, com investimentos em títulos públicos e outro de Renda Variável, baseado em ações americanas e brasileiras.

A composição do fundo de renda variável é baseada em ETFs: PIBB11, DIVO11 e SMALL11 para ações brasileiras e  IVVB11 para ações norte-americanas. Segundo a empresa, o rebalanceamento é realizado de forma automática e o cliente não é avisado, uma vez que a operação está embutida na teoria de alocação de capital utilizada na gestão do patrimônio. Estou curioso para ver como isso funcionará na prática.

A transferência solicitada foi direcionada para uma conta do Banco do Brasil e feita ao mesmo tempo do que a transferência à corretora da Monetus. Sua confirmação levou apenas meia hora a mais, sendo realizada pouco antes das 11:30hs, prazo também completamente aceitável.

Vérios


A Vérios, dentre todas as gestoras, é a única que possui um diferencial para o pequeno investidor com valores menores do que R$ 50mil: eles são impedidos de investir em renda variável. Ela é a fintech que exige um valor inicial maior: R$12 mil. Nesse mês de Agosto, aniversário da empresa, estão abrindo uma exceção para investimentos iniciais de R$ 2mil para contas criadas até 03/08 e aportes até 17/08. De qualquer forma, dobrou minha intenção de investimento inicial em cada uma delas: a ideia era fazer o teste com R$ 1mil apenas.

Essas restrições estão relacionadas ao fato de que a Vérios não opera com fundos de investimentos: eles aplicam os valores em títulos públicos (Tesouro Direto) e, na renda variável, em ETFs (ações  no Brasil e exterior), através da corretora Rico. Esses ativos podem ser agrupados em 5 carteiras, sendo que há limite para investimentos em renda variável: pouco mais de 20%, na carteira mais exposta, sem possibilidades de customização. Veja que, mesmo com valores elevados, a comparação não seria perfeita com as demais, visto que a alocação escolhida em renda variável foi de 33%. Nesse sentido, a Vérios acaba eliminando pessoas com perfis mais arrojados dentre sua base de clientes.

Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.


Nessa simulação, minha carteira na Vérios está composta apenas em renda fixa, sendo 51% em títulos públicos pós-fixados (LTNs), 29% em títulos pré-fixados (LFTs) e 20% em inflação (NTNBs). OS resgates são de até 5 dias úteis. Segundo a empresa, os rebalanceamentos são realizados automaticamente se a alocação afastar-se demais da proposta inicial, embora sejam baseados primariamente em aportes e retiradas.

Algo meio surreal na parceria entre a Vérios e a Rico: o investidor não consegue operar outros ativos na corretora porque todo o saldo disponível na conta vai para a carteira Vérios. Não há opção alguma de mantê-lo para poder comprar outros títulos ou ações. Novamente, surreal... Como consequência, os valores transferidos para a corretora são aplicados instantaneamente, já que não há uso algum a se fazer com o saldo na corretora. Enfim, se for usar a Vérios, esqueça da corretora Rico para outros investimentos. No caso da parceria da Magnetis e Easynvest, isso é possível, pois o investidor pode direcionar o saldo de sua conta livremente para os ativos que desejar.

A taxa total cobrada pela fintech é de 0,95% ao ano, considerando todos os gastos envolvidos, seja em corretagens de ETFs pela Rico e custódia do Tesouro Direto (0,3%). Considerando que minha carteira possuirá apenas títulos públicos, a administração efetiva da Vérios ficará em 0,65% ao ano, relativamente alta para uma carteira de renda fixa (existem fundos de investimentos com taxas menores). Aqui cabe ratificar a observação que fiz na apresentação dos perfis das carteiras nesse texto: é possível que a vantagem de usar uma gestora digital só seja considerável se adicionarmos renda variável na carteira, uma vez que, para fundos com esse perfil, as taxas de administração sejam mais elevadas.

Palavras finais


Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.
Clique e conheça a parceria do blog!
Essa forma de gestão de portfólio digital foi disponibilizada recentemente no Brasil e foram inspirados em startups americanas como a Betterment e Wealthfront. Acredito que esses serviços podem mostrar-se viáveis para pessoas com pouca experiência com investimentos, ou mesmo para aquelas que não desejam aprofundar seus conhecimentos na área, em virtude de outras prioridades.

Reitero, porém, que acredito que esse método só vale para gestão de carteiras digitais com um percentual significativo em renda variável. Veja que não estou incentivando a alocação total de seu patrimônio, e sim apenas ao percentual destinado à essas fintechs. Você pode possuir 90% investidos em Tesouro Direto ou títulos privados e disponibilizar 10% para a carteira de uma delas. Mas, nesses 10%, acredito que essas opções valham a pena somente se a alocação em renda variável for relevante.

A razão deve-se ao fato de que elas se utilizam das estratégias de alocação de ativos, que tanto eu já defendi nesse blog, tornando-me simpático à proposta. A variável principal a ser monitorada é, claro, o rendimento líquido dos investimentos, que vou acompanhar mensalmente. As variáveis secundárias serão consequências da rentabilidade, como a gestão dos ativos, o rebalanceamento das alocações e a taxa de administração de cada uma. Outras situações como facilidade de interação na plataforma e atendimento ao cliente também podem ser relevantes para a maioria do público.

Confesso que estou, talvez, um pouco mais animado do que deveria quanto aos rebalanceamentos, atividade essencial para qualquer carteira de ativos. Em nenhuma das gestoras ficou muito claro sob qual método ele é, de fato, realizado. Em algumas ele só funcionará em aportes ou resgates, o que pode fazer com que a carteira perca muito de seu rendimento com o tempo. Ao menos para as gestoras que trabalham com fundos, os custos envolvidos no rebalanceamento não deveriam ser impedimentos para sua realização frequente. E, se os "robôs" forem de fato, eficazes e eficientes, nem mão-de-obra adicional seria gerada com o procedimento.

Talvez elas estejam em um estágio ainda indefinido entre deixar realmente todo o trabalho na mão dos algoritmos ou ser, na verdade, uma consultoria de investimentos de pessoas reais usando os robôs apenas como auxiliares na captação de clientes, definições de perfis, etc. Mas, uma vez que passarem a agir mais como consultores, terão sua responsabilidade ampliada e encararão o desafio em fazer com que essas pequenas taxas de administração sejam eficientes para cobrir o custo de equipes cada vez maiores. Quer saber? Eu voto para que o algoritmo ganhe essa batalha! E vocês?


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Vários textos deste blog, além dos citados, mostram minhas ideias para montar uma boa carteira de investimentos, como:
Minha biografia e os 5 elementos que compõem a inteligência financeira
O que é melhor para seus investimentos? Renda fixa ou renda variável?
A importância do foco na montagem de uma carteira de investimentos

Veja mais artigos sobre investimentos e liberdade financeira nessa página
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