Teste comparativo das gestoras digitais e seus robôs: qual é a melhor?

Você conhece as gestoras digitais de carteiras de investimentos operadas, ao menos parcialmente, através de robôs?

Acompanhe meu processo de abertura de conta, o relacionamento com os analistas, depósito e a comparação de rendimento das minhas carteiras em cada uma delas.


No início de 2019 publiquei um artigo com comentários sobre gerentes de banco, casas de análise e gestoras digitais. A certa altura do texto, comentei um desejo de testar essa nova forma oferecida para investir no Brasil: a montagem de uma carteira de ativos através da ajuda de robôs de investimentos.

Nesse artigo explico o que as corretoras digitais oferecem, como foi essa prática de alocação das carteiras de investimentos e sua estruturação. Atualizo-o sempre que houver mudanças nos produtos disponibilizados pelas corretoras ou alterações de alocação.

Há um outro artigo atualizado mensalmente que mostra os rendimentos das carteiras digitais. Assim, você pode primeiro ler a proposta inicial nesse texto e posteriormente, analisar como cada uma delas está se saindo no ranking da rentabilidade.

A ideia, premissas e alguns comentários


O objetivo da simulação é, além de conhecer melhor como funcionam as gestoras, avaliar se elas são uma alternativa interessante para o pequeno investidor que não deseja ficar imerso no controle de sua carteira de investimentos.

Deseja conhecer as carteiras de investimentos geridas por robôs? Veja o teste de rentabilidade das principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.


Já contei como ajudei minha filha a montar uma carteira de investimentos, citando que o seu perfil assemelha-se à pessoas que "desejam criar um bom portfólio, mas não querem perder muito tempo com isso". Acredito que seja para esse público que a gestão digital das carteiras pode ser interessante. A conferir, com o tempo.

Para os investidores ativos, que conhecem mais profundamente o mercado financeiro e possuem tempo e interesse em cuidar de sua carteira de investimentos, confio na estratégia que tenho seguido durante os últimos 15 anos: a alocação de ativos e o constante rebalanceamento. Dá mais trabalho, mas você não pagará taxas de administração adicionais. Ou seja, a escolha acaba baseando-se em seu perfil, interesse e tempo.

Novamente, se posteriormente quiser checar a rentabilidade atualizada dessas carteiras digitais de investimento, acesse "Rendimento das carteiras digitais e seus robôs de investimentos".

O perfil das carteiras de investimento


Para efeito de comparação de rentabilidades, a ideia baseou-se na criação de carteiras de investimentos com o mesmo percentual de renda variável. No cadastramento de suas respectivas plataformas, o cliente responde algumas perguntas e define seu objetivo de investimento. Com essas respostas, o robô de cada casa sugere uma carteira com base no perfil que ele definiu para você.

Ainda sou meio cético com esse tipo de "milagre", até porque as perguntas realizadas são simples demais, mas fiquei satisfeito em saber que podemos alterar, com algumas limitações, a composição de nossa carteira posteriormente conversando com assessores (de carne e osso).

Esse perfil de carteira de investimentos foi possível de ser criada apenas em 3 gestoras digitais: Magnetis, Monetus e Warren. Na Vérios não foi possível, pois o investimento deveria ser, na época, de, no mínimo, R$ 50mil: abaixo disso, segundo eles, as taxas de corretagem em renda variável não seriam competitivas, tendo à minha disposição apenas carteiras de renda fixa. Em agosto de 2019, a Vérios baixou a exigência para R$ 25mil.

Assim, a comparação da rentabilidade da carteira da Vérios com as demais ficará prejudicada. Resolvi mantê-la no teste para avaliar seu operacional, plataforma, atendimento e sua performance com base no CDI.

O percentual de renda variável nas demais carteiras foi estabelecido na faixa de 1/3 da alocação. A escolha desse percentual deve-se ao equilíbrio de dois fatores. O primeiro é não exagerar na agressividade do portfólio, de forma que seja palatável para um grupo maior de interessados. O segundo é checar minha tese de que investir e pagar taxas de administração através de gestoras digitais só compensa ser estivermos minimamente alocados em renda variável.

Uma vez que investir em renda fixa é relativamente fácil (podemos facilmente encontrar CDBs que pagam mais de 100% do CDI ao ano), não parece lógico pagar para que uma gestora faça isso para você. É verdade que, com uma gestão ativa com títulos de longo prazo a rentabilidade pode ser melhor (ou menor), mas são poucos os fundos de renda fixa com histórico de rentabilidades líquidas muito acima do CDI. A Vérios, alocada somente em renda fixa, será a cobaia nessa checagem.

Já no investimento em renda variável, o investidor vai demandar mais de seu tempo, mesmo que escolha investir somente em ETFs. Será importante o momentum de proceder rebalanceamentos, com a compra e venda de ativos, algo que alguns gestores de investimentos digitais podem alertá-lo oportunamente. Ou seja, nesse caso, vejo algum sentido em pagar uma taxa para manter uma boa gestão do patrimônio, considerando aquele público que não deseja imergir ativamente em seu portfólio.

Assim, para a Magnetis, Monetus e Warren, teremos uma carteira com 1/3 em renda variável e estas poderão ser comparadas entre si, com benchmarks pelo IBOV e CDI. Já a carteira da Vérios, apenas em renda fixa, será comparada apenas com o CDI.

Custos para manter as carteiras de investimentos


Algumas restrições da Vérios comentadas anteriormente ocorrem em função de eles operarem na plataforma da corretora Rico com ETFs, nas carteiras que possuem o pilar da renda variável. Isso faz com que montantes menores não sejam muito bem remunerados em função dos custos relativos envolvidos em cada movimentação.

As demais gestoras possuem uma maior flexibilidade de operação porque trabalham com fundos de investimentos, onde, com cotas reduzidas, o investidor pode aplicar valores iniciais menores, que são diluídos no patrimônio do fundo. Vale lembrar que suas taxas, entretanto, podem ser impactadas por cobranças indireta de taxas de administração específicas de cada fundo.

Dentre elas, a Magnetis informa que seus fundos de investimentos possuem uma taxa de administração de 0,3 a 0,5% ao ano. Embora eles usem contratos de reversão, onde parte dessa taxa retorna para o patrimônio do fundo, a taxa líquida de administração da gestora situa-se acima do valor de sua comissão própria, de 0,4% ao ano.

Perceba que o investidor pagaria de qualquer forma essas taxas caso sua escolha recaísse em aportar  individualmente em cada fundo. O que a Magnetis e as demais casas oferecem, através de sua comissão, é a construção da carteira através de seu perfil e as possíveis alocações automáticas no patrimônio, que como já comentei em outras ocasiões no blog, é imprescindível para que a alocação de ativos seja de fato, efetiva.

A Monetus e Warren informaram que suas taxas de administrações dependem da composição entre fundos de renda fixa e renda variável. Todas as gestoras baseadas em fundos de investimentos têm a obrigação de cobrar o come-cotas semestralmente (antecipação do imposto de renda). O que valerá, entretanto, será o rendimento líquido ao final. Afinal, é isso que mais queremos, correto? Vamos conhecer na sequência a operacionalização das gestoras digitais.

As quatro gestoras digitais de investimentos e suas características


O processo de abertura da conta de todas as gestoras digitais foi muito tranquilo, e o atendimento exemplar. Você conhece o estilo Nubank? Pois é! Exceto na Monetus, em todas elas recebi, sem solicitar, um e-mail de uma pessoa disposta a ajudar.

Durante o processo inicial, troquei vários e-mails para tirar algumas dúvidas e o atendimento (inclusive na Monetus após o primeiro contato) sempre se mostrou efetivo, talvez com alguma dificuldade na Warren. Achei meu interlocutor muito afoito em responder rapidamente não lendo corretamente minhas dúvidas, sendo assim, meio confuso nas respostas.

As plataformas são atrativas e possuem uma extensa área de ajuda, com explicações sobre a empresa, suas carteiras de investimentos e como funciona todo o operacional. Recomendo fortemente que o futuro investidor leia todo o material oferecido, pois é impossível nesse texto abranger muitos aspectos de cada uma delas. A ideia nessa breve apresentação, é citar apenas alguns pontos relevantes sobre a gestora, segurança e a composição da carteira que decidi realizar o investimento.

Deixo claro que, em nenhum momento desse texto estou sugerindo que invistam em qualquer uma das casas. Se houver interesse, entretanto, simule seu perfil, avalie o portfólio sugerido, conheça muito bem sobre cada uma delas e, principalmente, sinta-se confortável antes de transferir seu dinheiro, combinado?

1) Magnetis


A Magnetis opera em conjunto com a plataforma da corretora de valores Easynvest. No artigo onde escrevi minhas experiências e os custos das corretoras de valores, comento que esta é a corretora na qual sou cliente há mais tempo, embora hoje eu divida meu patrimônio entre outras cinco, em virtude de custos de operação e gerenciamento de riscos. A confiança é plena nessa parceria.

A taxa de gestão cobrada pela Magnetis é de 0,40% ao ano para carteiras com montantes menores que R$ 500mil. Ela é a menor, se considerarmos isoladamente, dentre todas as gestoras digitais participantes do teste, alcançando 0,2% para investimentos superiores a R$ 2 milhões. Além desses valores, cobra de 0,30 a 0,50% de taxa de administração de seus fundos, dependendo do percentual dos fundos alocados. Veja aqui uma tabela mais detalhada dos custos totais, por alocação.

A casa oferece 5 perfis de risco diferentes de carteiras para o investidor, desde carteiras com investimentos apenas em renda fixa, bem como carteiras mais arrojadas vinculadas, em sua maior parte, à renda variável. A carteira escolhida opera apenas com fundos de investimentos, em uma proporção que varia em torno de 33% a 34% de renda variável, e varia conforme as valorizações e realocações:

Carteiras de investimentos geridas por robôs: teste de rentabilidade das fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.


Chequei os fundos multimercados que compõem o fundo da Magnetis e suas respectivas alocações de ativos: são fundos de gestão ativa bem expostos à renda variável, como o AZ Quest Total Return FIC FIM e Gávea Macro Plus II FIC FIM, embora esse percentual seja variável. Para conhecer os fundos de renda fixa e multimercado alocados na carteira da Magnetis, bem como os ETFs que compõem sua carteira de ações, clique aqui.

Para investimentos maiores do que R$ 10mil, há a possibilidade de investir em CDBs de bancos médios com percentuais atraentes sobre o CDI. Assim, uma carteira mais volumosa pode performar melhor, inclusive com a diminuição das taxas de administração secundárias dos fundos participantes da carteira. É claro que os riscos, também existem, embora que, para os CDBs, existe a "garantia" do FGC.

Todas as cotas do investidor são registradas sob seu CPF nos fundos onde a carteira de investimento é alocada. O rebalanceamento dos 3 pilares dessa carteira inicialmente não é automático, mas atualmente, percebo que meu percentual sempre está sendo mantido constante, o que mostra a atuação do robô da Magnetis no portfólio.

O processo de aplicação do investimento na Magnetis é o que possui a melhor experiência: a partir de seu saldo na Easynvest, o investidor pode, na plataforma da Magnetis, escolher o valor que deseja investir e confirmar  o procedimento. Logo em seguida, a Easynvest envia um e-mail confirmando todos os investimentos. Claro e rápido.

2) Monetus


A Monetus opera de forma similar à Magnetis, e é associada à corretora Amaril Franklin. Eles hoje são uma plataforma ampla de investimentos, com fundos próprios e de terceiros, possuindo uma taxa combinada que depende da proporção de cada um na sua carteira de investimentos. Nessa simulação, estou atualmente com três de seus fundos próprios na carteira (que podem ter em sua composição fundos de terceiros): de renda fixa, de debêntures e ações, essa última com 33% da alocação, similarmente à Magnetis e Warren.

Carteiras de investimentos geridas por robôs? Teste de rentabilidade das fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.

O fundo de renda fixa cobra, por exemplo, 0,30%, enquanto o de ações, debêntures e multimercado cobram 0,6%, sendo que esse possui uma taxa de performance de 10% sobre o que exceder o CDI. Veja aqui a informação completa.

Você compõe o percentual de renda variável de sua carteira da forma que desejar: sua plataforma possui um botão deslizante onde você mesmo define o percentual que deseja aportar em renda variável e em multimercados. O restante, é investido em um fundo de investimento de renda fixa.

A Monetus, com seus três fundos, procura atuar ativamente em vários mercados, como títulos privados como debêntures, ações no Brasil e exterior (possui uma alocação considerável) e mantém uma gestão dinâmica mesmo no mercado de renda fixa brasileiro. Pelo que tenho percebido até agora, a maior rentabilidade que proporciona também vem acoplada com um risco maior (veja no artigo sobre as rentabilidades).

Assusta um pouco, porém, a alta exposição no fundo de ações em determinados ativos como a ação da Natura e Banco Inter, em uma alocação maior do que o ETF PIBB11, que reúne a variação das 50 ações mais líquidas do Brasil. O gestor é bem confiante em si mesmo. Tomara que ele seja bom mesmo, né?

Se você deseja saber mais sobre as carteiras de investimentos geridas por robôs, veja esse teste de rentabilidade com as principais fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.
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O rebalanceamento é feito automaticamente, e, em Agosto de 2019, a Monetus passou a permitir que o próprio cliente rebalanceie seu portfólio, com o lançamento de dois fundos de fundos, geridos pela gestora, além dos fundos de ações e renda fixa: um fundo multimercado e um fundo de debêntures incentivadas. No primeiro há nomes como Absolute e Exploritas e no segundo, CA Indosuez e RB Capital.

O processo de investimento é simples: apenas é necessária uma transferência para sua conta na corretora Amaril Franklin. Ela foi realizada por volta das 08:00hs da manhã e foi confirmada pouco antes das 11:00hs, através de um aviso por e-mail e pelo app, confirmando que o dinheiro já está sendo investido.

3) Warren


Prosseguindo na apresentação das gestoras, chegamos na Warren, uma fintech nascida nos EUA que desembarcou no Brasil em 2016 e possui sua própria corretora de valores. Para transferir seus investimentos, eles disponibilizam contas correntes do Bradesco e Itaú. Para resgatar seus investimentos, caso a conta de recebimento não seja uma desses 3 bancos, será cobrado um TED de R$ 2,40.

A taxa de comissão da Warren é de 0,5% ao ano, para um patrimônio até R$100mil . Acima disso, a taxa cai para 0,4%. Assim como a Monetus, hoje a Warren é uma plataforma aberta de investimentos desde abril/2019, com centenas de fundos à disposição. Originalmente, entretanto, a criação da carteira foi feita com três fundos próprios da Warren, com o objetivo de comparar a gestora digital com as demais.

Para esses fundos, a Warren não cobra taxa de administração adicional, estando incluída na taxa geral de 0,5%. É a taxa mais barata dentre as gestoras digitais. Veremos se isso traduz-se em vantagem na rentabilidade líquida do montante investido. Para os fundos de terceiros, entretanto, a taxa fica combinada com as taxas dos fundos, embora a Warren ofereça o rebate das comissões recebidas pelos fundos.


Carteiras de investimentos geridas por robôs? Teste de rentabilidade das fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.

A forma de operação através do site da gestora é bem similar à Monetus, com a possibilidade de escolher milimetricamente o percentual que você deseja investir em renda variável. A Warren trabalha atualmente com mais fundos além dos mostrados na figura acima, coo multimercados e créditos privados. Mas diferentemente da Monetus, não permite o rebalanceamento da carteira sem novos aportes. De qualquer forma, nosso percentual de renda variável está em 1/3 do portfólio como as gestoras já citadas.

A composição dos fundos de renda variável são baseadas em ETFs. Para o fundo de ações americanas, o portfólio pode ser conferido aqui, e para ações brasileiras, aqui.

As transferências para aportes sempre foram rápidas, como na Monetus. No aporte inicial, sua confirmação levou apenas meia hora a mais, sendo realizada pouco antes das 11:30hs, prazo também completamente aceitável.

4) Vérios


A Vérios, dentre todas as gestoras, é a única que possui um diferencial (negativo) para o pequeno investidor: eles são impedidos de investir em renda variável se não aportarem ao menos R$ 25mil na plataforma. Ela também é a fintech que exigiu um valor inicial de investimento bem alto: R$12 mil. A partir de agosto/2019, entretanto, esse exigência caiu para R$ 2mil.

A restrição do investimento em renda variável está relacionada ao fato de que a Vérios não opera com fundos de investimentos: eles aplicam os valores em títulos públicos (Tesouro Direto) e, na renda variável, em ETFs (ações  no Brasil e exterior), através da corretora Rico. Esses ativos podem ser agrupados em 5 carteiras, sendo que há limite para investimentos em renda variável: pouco mais de 20%, na carteira mais exposta, sem possibilidades de customização.

Veja que, mesmo com valores elevados, a comparação não seria perfeita com as demais, visto que a alocação escolhida em renda variável foi de 33%. Nesse sentido, a Vérios acaba eliminando pessoas com perfis mais arrojados dentre sua base de clientes. Repare que, na alocação permitida para minha carteira, eles classificam o risco como máximo, mesmo que não haja alocação em renda variável. Excesso de preciosismo?

Carteiras de investimentos geridas por robôs? Rentabilidade das fintechs do mercado: Magnetis, Monetus, Vérios e Warren.
Nessa simulação, a carteira na Vérios está composta com 51% em títulos públicos pós-fixados (LTNs), 29% em títulos pré-fixados (LFTs) e 20% em inflação (NTNBs). O prazo dos resgates são de até 5 dias úteis. Os rebalanceamentos são realizados automaticamente se a alocação afastar-se demais da proposta inicial, embora sejam baseados primariamente em aportes e retiradas.

Algo meio surreal na parceria entre a Vérios e a Rico: o investidor não consegue operar outros ativos da corretora de valores porque todo o saldo disponível na conta vai para a carteira Vérios. Não há opção alguma de mantê-lo para poder comprar outros títulos ou ações. Novamente, surreal... Como consequência, os valores transferidos para a corretora são aplicados instantaneamente, já que não há uso algum a se fazer com o saldo na corretora.

Assim, se for usar a Vérios, esqueça da corretora Rico para outros investimentos. No caso da parceria da Magnetis e Easynvest, isso é possível, pois o investidor pode direcionar o saldo de sua conta livremente para os ativos que desejar.

A taxa total cobrada pela fintech é de 0,95% ao ano, considerando todos os gastos envolvidos, seja em corretagens de ETFs pela Rico e custódia do Tesouro Direto (0,3%). Considerando que minha carteira possuirá apenas títulos públicos, a administração efetiva da Vérios ficará em 0,65% ao ano, relativamente alta para uma carteira de renda fixa (existem fundos de investimentos com taxas menores).

Aqui cabe ratificar a observação que fiz na apresentação dos perfis das carteiras nesse texto: é possível que a vantagem de usar uma gestora digital só seja considerável se adicionarmos renda variável na carteira, uma vez que, para fundos com esse perfil, as taxas de administração sejam mais elevadas. Acompanhe os resultados na postagem atualizada das rentabilidades.

Palavras finais


Essa forma de gestão de portfólio digital foi disponibilizada recentemente no Brasil e foram inspirados em startups americanas como a Betterment e Wealthfront. Acredito que esses serviços podem mostrar-se viáveis para pessoas com pouca experiência com investimentos, ou mesmo para aquelas que não desejam aprofundar seus conhecimentos na área, em virtude de outras prioridades.

Reitero, porém, que acredito que esse método só vale para gestão de carteiras digitais com um percentual significativo em renda variável. Veja que não estou incentivando a alocação total de seu patrimônio, e sim apenas ao percentual destinado à essas fintechs. Você pode possuir 90% investidos em Tesouro Direto ou títulos privados e disponibilizar 10% para a carteira de uma delas. Mas, nesses 10%, acredito que essas opções valham a pena somente se a alocação em renda variável for relevante.

A razão deve-se ao fato de que elas se utilizam das estratégias de alocação de ativos, que tanto eu já defendi nesse blog, tornando-me simpático à proposta. A variável principal a ser monitorada é, claro, o rendimento líquido dos investimentos, que acompanho mensalmente. As variáveis secundárias serão consequências da rentabilidade, como a gestão dos ativos, o rebalanceamento das alocações e a taxa de administração de cada uma. Outras situações como facilidade de interação na plataforma e atendimento ao cliente também podem ser relevantes para a maioria do público.

Confesso que estou, talvez, um pouco mais animado do que deveria quanto aos rebalanceamentos, atividade essencial para qualquer carteira de ativos. Se os "robôs" forem de fato, eficazes e eficientes, poderemos ter boas surpresas em suas rentabilidades a longo prazo, sem demandar muito esforço.

Reforço que recentemente, a Monetus e a Warren estão deixando menos o "automático" para tornarem-se gestoras globais, com pessoas reais auxiliando os novos investidores para todos os produtos oferecidos em suas plataformas de investimentos. O papel dos robôs talvez seja relevado comente à realocação dos ativos.

Mas, uma vez que passarem a agir mais como consultores, terão sua responsabilidade ampliada e encararão o desafio em fazer com que essas pequenas taxas de administração sejam eficientes para cobrir o custo de equipes cada vez maiores.

Quer saber? Eu ainda prefiro escolher os fundos básicos e deixar com que o algoritmo faça o trabalho. Afinal, a ideia aqui é não perdermos muito tempo em ficar escolhendo os investimentos! O que acham?


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Vários textos deste blog, além dos citados, mostram minhas ideias para montar uma boa carteira de investimentos, como:

Minha biografia e os 5 elementos que compõem a inteligência financeira
O que é melhor para seus investimentos? Renda fixa ou renda variável?
A importância do foco na montagem de uma carteira de investimentos

Veja mais artigos sobre investimentos e liberdade financeira nessa página
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