Lucros e prejuízos reais na estratégia de operação de vendas cobertas

Veja nesse artigo com casos reais, como interpretar lucros e prejuízos na minha estratégia de vendas cobertas de opções em conjunto com a alocação de ativos.

Há pouco tempo, expliquei no blog a teoria que uso para utilizar as vendas cobertas de opções dentro da estratégia de alocação de ativos em minha carteira de investimentos.

Nesse texto, vamos à prática: demonstro com exemplo reais como, mesmo perdendo momentaneamente uma batalha, podemos vencer, ao final, a guerra por uma melhor remuneração do mercado.

Após o fechamento do mês passado, publiquei um texto exemplificando alguns movimentos que fiz em minha carteira de investimentos com o intuito de explicar como funciona, empiricamente, o rebalanceamento no método de alocação de ativos.

Entretanto, nesse mês repleto de volatilidade, quando um grupo de pessoas chantagearam o governo e a população para ampliar seus próprios benefícios, ocorreram novos movimentos relevantes em minha carteira. Isso permitiu exemplificar algumas operações realizadas, voltadas ao método de utilização das opções de ações dentro da estratégia global de buscar mais rentabilidade na carteira de investimentos.


O texto não será longo pois não vou explicar aqui todo o processo, que consiste basicamente na realização de vendas cobertas de calls quando o ativo estica para cima e vendas cobertas de puts quando suas cotações desabam (acertou quem pensou na Petrobrás!). Se você deseja conhecer o método para entender os exemplos dessa postagem, recomendo acessar "A venda coberta de opções aliada à estratégia de alocação de ativos".

Novos leitores podem, apropriadamente, questionar: "Que catso é essa alocação de ativos que você fala tanto?". Ele é o método que venho usado há quase 15 anos em minha carteira de investimentos e recomendo fortemente para quem deseja alcançar a independência financeira. Sugiro começar com essa leitura: "A alocação de ativos ao alcance de todos".

A gangorra das ações da Petrobrás nesse mês de Maio

As opções lançadas e o prejuízo na operação


No dia 24/04, quando a PETR4 estava em suas máximas cotações nos últimos anos (em torno de 22,50), lancei as opções de compra PETRE235, com strike em 23,50 por R$ 0,45 cada. Isso significa dizer que eu teria lucro nessa operação se a PETR4 ficasse abaixo de R$ 23,95 até o dia 21/05. Acreditei que, mesmo com o contrato de cessão onerosa sendo negociado nas próximas semanas, a ação não subiria muito além desse patamar.

De qualquer forma, quem conhece a estratégia sabe que, se a ação ficar um pouco acima desse valor, eu faria normalmente o rebalanceamento dos ativos, vendendo ações valorizadas de PETR4, zerando a perda financeira da operação de opções e ficando menos exposto na ação da petrolífera. Mas é claro que não imaginava que subiria tanto!

Na última semana da negociação da opção, a ação estava atingindo valores exorbitantes. No dia 14/05, saí tardiamente da operação com a ação ultrapassando os R$ 26,00. Nesse momento, comprei a call por R$ 2,50, perfazendo um prejuízo de R$ 2,05 por opção nessa operação. Ao mesmo tempo, contudo, vendi ações da PETR4, no montante necessário para zerar o prejuízo financeiro, a R$ 26,07.

Até aí tudo bem. Embora não esperasse vender um percentual significativo de minhas ações da Petrobrás, eu estava dentro da minha estratégia, apesar do prejuízo do resultado da operação com opções. Afinal, se eu simplesmente vendesse as ações no momento, sem ter feito a montagem das calls, eu receberia a mais, (26,07-23,95) R$ 2,12 por ação. Em outras palavras, podemos considerar que vendi uma parte de minhas ações da estatal por R$23,95 (strike + prêmio), sendo que ela estava sendo negociada por R$ 26,07.

Prejuízo? Será?


O investidor mais afoito concluirá rapidamente que foi um erro entrar nessa operação. Ou seja, se eu não tivesse feito nada, não teria tido esse prejuízo. Sim, leitores, essa afirmação não deixa de estar correta. Mas qual seria na verdade, meus movimentos no mercado se eu não estivesse exposto dessa forma? Será que eu venderia as ações da Petrobrás no dia 14/05? Ou mesmo dois dias depois, quando ela ultrapassou a barreira dos R$ 27,00?

Um dos objetivos da estratégia é exatamente esse: forçar o investidor a vender suas ações, não necessariamente para repor o prejuízo financeiro, mas sim para rebalancear seus ativos e ficar menos exposto em uma ação que se valorizou demais em um curto espaço de tempo. Como comentei no artigo onde exponho essa teoria, isso é gerenciamento de risco.

Ainda não podemos prever o futuro. Muito menos sabemos como agiríamos em situações extremas no mercado de renda variável. Lançar vendas cobertas obriga que sigamos um método, que não nos deixemos guiar apenas pelas nossas emoções. Como expliquei no artigo de seu funcionamento, se lançamos as opções com um bom lastro e alto VE, não são frequentes as situações que ocorreram nesse mês de Maio. Normalmente, o preço da ação não chega no strike e você embolsa o prêmio recebido. Casos de grande volatilidade como esse são raros, e faz com que não fiquemos como baratas tontas vendo as coisas acontecerem, exigindo uma ação.

Nova venda coberta após o fechamento da operação


Minha confiança em longo prazo dessa estratégia é tanta, que assim que comprei as opções da série E e as ações da Petrobrás, fiz um novo lançamento de opções da série F, com vencimento no dia 18/06. Vendi PETRF285 a R$ 0,44. Essa opção possuía um strike, antes da distribuição de dividendos, de R$ 28,50. Ou seja, eu teria lucro se PETR4 não ultrapassasse o valor de R$ 28,94 até o vencimento da opção. O lucro máximo seria se a ação ficasse abaixo do strike, uma vez que eu receberia o prêmio cheio, deixando a call virar pó.

A derrocada da Petrobrás dias depois


Após subir por mais dois dias, a ação começou a cair e despencou com o evento da "greve" dos caminhoneiros e demais comparsas. O valor da opção PETRF285 também desabou, fazendo com eu a recomprasse, por segurança, por R$ 0,03 no dia em que escrevo essa postagem, 30/05/2018. Um lucro de R$ 0,41 por opção vendida.

O valor da PETR4 chegou, em sua mínima até agora, abaixo de R$ 17,00 no dia 28/05, o que fez com que eu lançasse vendas cobertas de puts (estratégia também explicada no artigo já citado), recebendo um prêmio de R$ 0,18 por opção. No caso da venda de puts, se a Petrobrás cair abaixo de seu valor de strike (nesse caso, R$ 14,96), eu seria obrigado a comprar as ações a esse preço, mesmo que ela esteja valendo menos no mercado. Nesse momento em que escrevo, a opção está valendo R$ 0,06, ou seja, um lucro de R$ 0,12 por papel.

Mas o mais importante dessa história toda é perceber que, a venda de ações a R$ 23,95 realizada anteriormente, exposta inicialmente como um grande prejuízo, tornou-se um grande lucro se analisarmos o valor da mesma ação hoje (no momento, R$ 18,99). A ação pode subir novamente? Claro que sim. Mas o ponto que quero destacar é que a estratégia, a longo prazo, é vencedora, uma vez que ela induz um melhor gerenciamento de risco em movimentos de maior volatilidade, o que significa vendas em grandes altas e compras em grandes baixas.

É claro que sempre existirão as pessoas que pensarão: "Ah, mas se você tivesse vendido no dia 16/05 a mais de R$ 27,00, seu lucro seria muito maior". Sim, seria. Assim como a impossibilidade de eu possuir uma bola de cristal.

Veja nesse artigo com casos reais, como interpretar lucros e prejuízos na minha estratégia de vendas cobertas de opções em conjunto com a alocação de ativos.
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Uma palavra para pequenos e novos investidores: não se assustem


Leitores nessa condição que não entendem muito bem o mercado de opções, merecem uma palavra de tranquilidade: nada disso é necessário para você investir bem e alcançar sua independência financeira. Eu opero com opções como uma forma de remuneração de minha carteira e gerenciamento de risco por escolha própria. Eu gosto e, embora não demande muito esforço, tenho tempo disponível para as análises necessárias.

Para as pessoas que possuem como sua principal fonte de renda o seu salário (consequentemente menos tempo para o mercado financeiro), ou ainda, não possuem o desejo de entrar a fundo nos meandros de todas as alternativas de investimentos, eu não sugiro nada disso. Uma boa estratégia que recomendo para um futuro independente é usar a alocação de ativos, já citada, em seu portfólio, após algum tempo de orçamento equilibrado e fluxo de caixa positivo. Formar um colchão de segurança é fundamental. Escrevi sobre esses assuntos em o essencial do orçamento e fluxo de caixa, inclusive disponibilizando uma planilha para os leitores.

Há muitos artigos sobre esses temas que novatos do blog podem acessar na página de liberdade financeira, assim como outras planilhas e calculadoras disponibilizadas gratuitamente nessa página. Espero que todo o material seja útil a vocês.


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