As vendas cobertas de opções aliadas à estratégia de alocação de ativos



As operações de opções de ações são massivamente associadas ao alto risco e volatilidade no mercado financeiro.

Mas existe uma forma de utilizar as opções em meio à estratégia de alocação de ativos, com o objetivo de remunerar sua carteira de investimentos.

Veja se você possui as condições necessárias para entrar nesse fascinante mundo da renda altamente variável!


No artigo "Os investimentos mais comuns do mercado financeiro e alguns pitacos", leitores perguntaram como utilizo as opções de ações, bem como sua conciliação através do pilar de renda variável, com a minha estratégia de alocação de ativos. Esse será o objetivo desse texto. Para entender como funciona essa estratégia, na prática, leia "A Alocação de ativos ao alcance de todos"

Já operei muitas estratégias com opções de ações, com sucessos e fracassos. Não perdi tanto dinheiro, pois sempre operei volumes pequenos, mas sim, tempo e saúde. Saúde porque não nos faz bem acompanhar sua operação de montagem perdendo dezenas de pontos percentuais na janelinha do home broker. Tempo, porque você sempre fica imaginando outras possibilidades para reverter esse prejuízo, e, às vezes piora ainda mais a situação...

De uns bons anos para cá, entretanto, utilizo apenas duas estratégias com as opções, que, além de não representarem percentuais significativos da minha carteira de investimentos, não me tiram o sono e ajudam a remunerar parte do capital em meu portfólio: a venda de calls e, em menor escala, a venda de puts.

Antes de entrar na estratégia propriamente dita, é interessante expor o que são as opções e algumas de suas variáveis. A explicação será breve, pois o objetivo é apresentar o método utilizado. Para os leitores que já entendam seus fundamentos, é possível avançar a próxima seção e ir direto para "As estratégias de opções que uso na minha carteira de investimentos".

Opções de ações: o que são e quais são suas variáveis


Venda e compra de opções de ações (calls e puts) nem sempre são risco na renda variável. Opere com segurança no mercado financeiro dentro da alocação de ativos.O objetivo nessa seção é sintetizar o conceito desses instrumentos para facilitar a compreensão da técnica dentro da alocação de ativos. Não avançarei em seu significado profundo  e não citarei as diversas formas de operá-las.

Para aprofundamento, recomendo o livro da coleção Expomoney "Investindo em opções", de Maurício Hissa do grupo Bastter, que comprei há tempos e até hoje é meu guia de leitura sobre o assunto. Ele é um livro bem completo, abrangendo vários métodos de aplicação. Infelizmente o livro não é mais editado.

Para uma abordagem efetiva da estratégia de venda coberta de opções, que é o principal método que utilizo, existe um e-book mais atual e escrito pelo mesmo autor ("Nunca foi tão fácil fazer venda coberta"), que auxilia a prática, embora seja menos teórico e possua uma revisão não tão apurada.

Existe ainda uma opção de e-book em português mais completo e bem escrito para entender a teoria das opções e 32 estratégias para aplicação desses instrumentos. Pelo custo do livro (menos de R$10,00), compensa o investimento para quem não conseguir encontrar a primeira sugestão: trata-se do "Opções de ações: 32 estratégias para alavancar os ganhos e proteger a carteira", do professor Rogério Mauad. Li o livro na semana anterior à postagem para avaliar sua possível recomendação aqui no blog e gostei muito.


O que são opções de ações?



Venda e compra de opções de ações (calls e puts) nem sempre são risco na renda variável. Opere com segurança no mercado financeiro dentro da alocação de ativos.Operar ações e opções não é a mesma coisa. Se uma ação pode ser considerada um "ativo", uma opção é apenas um instrumento de renda variável com prazo de validade derivados desse ativo. No caso desse texto, focaremos somente nos derivativos de ações.

As opções dão ao seu proprietário o direito de comprar ou vender um ativo a um preço durante um tempo determinado. As opções de compra são chamadas no mercado de calls e as opções de venda são denominadas de puts.

Seu fundamento pode ser resumido dessa forma: uma pessoa que compra uma call possui o direito, mas não a obrigação, de comprar o ativo subjacente àquela opção do vendedor, no preço acordado da opção até seu vencimento. Raciocínio semelhante pode ser feito para a compra de puts.

Para possuir essa predileção, o comprador (também chamado de tomador ou titular) paga um prêmio ao vendedor (ou lançador), que vende, em última análise, um direito. Esse contrato entre as partes é válido até o dia de vencimento da opção, e esse prêmio recebido pelo vendedor no momento do negócio pode ser usado em uma estratégia de remuneração de ações que detalharei adiante.

Preço, strike e data de exercício


Toda opção possui um preço (prêmio) que varia constantemente no mercado, um strike e uma data de exercício (vencimento). Como exemplo, no momento em que rascunho esse texto a opção PETRC20, vinculada à ação preferencial PETR4 da Petrobrás, possui o preço aproximado de R$ 1,00.

Venda e compra de opções de ações (calls e puts) nem sempre são risco na renda variável. Opere com segurança no mercado financeiro dentro da alocação de ativos.
O strike da opção é o preço de exercício, ou seja, o preço da ação ao qual a opção está vinculada. Embora a maioria das opções possui o preço de exercício revelado na sua denominação (R$ 20,00 no caso da PETRC20), nem sempre isso é uma regra. Esse valor é alterado se a empresa vinculada à opção realizar pagamentos de proventos.

Os investidores podem pesquisar as posições em aberto das opções na página da B3. Escolha o tipo de opção que deseja pesquisar, o vencimento e a empresa (operacionalmente, apenas temos uma boa liquidez nas ações da VALE3 e PETR4) para avaliar as alternativas disponíveis. 

As letras no código da opção definem o mês de seu vencimento. No caso da opção da Petrobrás PETRC20, a letra C refere-se às opções de compra com vencimento no mês de março. Veja na figura, emprestada do site RenaTrader, os meses de vencimento das demais. É possível, assim, saber pelo código, se é uma opção de compra (call) ou venda (put). Os dias de vencimento ocorrem sempre na terceira segunda-feira do mês ou no dia subsequente, caso haja algum feriado.

Componentes importantes nos preços das opções para a estratégia com a alocação de ativos


Dessas variáveis, derivam-se algumas relações matemáticas importantes para as operações. Citarei apenas as relevantes para a compreensão da estratégia e omitirei as demais, focando no objetivo do artigo.


Valor extrínseco da opção (VE)


É o valor da opção (prêmio) diminuído da diferença entre o preço da ação e o preço do exercício da opção (valor intrínseco - VI). Assim, se a nossa opção PETRC20 vale R$ 1,00, seu strike é R$ 20,00 e sua ação correspondente, PETR4 está valendo R$ 20,30, temos que o valor intrínseco é (20,30 - 20,00) R$ 0,30. Logo, o valor extrínseco dessa opção é (1,00 - 0,30) R$ 0,70.

Caso o preço do exercício (strike) da opção seja maior que o preço da ação, o VI é zero e diz-se que a ação possui apenas VE, que é exatamente o seu valor de negociação.  A maioria das vendas que faço são de opções dessa natureza.

Venda e compra de opções de ações (calls e puts) nem sempre são risco na renda variável. Opere com segurança no mercado financeiro dentro da alocação de ativos.Relação com o preço da ação e o preço de exercício (strike)


O valor da opção, excetuando-se casos muito particulares, é diretamente proporcional ao preço do ativo-base e é inversamente proporcional ao seu preço de exercício.

Assim, uma mesma opção movimenta-se (muitas vezes meteoricamente) pelas variações de sua ação correspondente. E, quanto mais próxima do vencimento, seu incremento é da mesma grandeza do que o incremento do ativo. Disso resultam variações percentuais muito altas nos preços das opções: um crescimento de R$ 1,00 em uma ação que vale R$ 20,00 significa uma alta de 5%, enquanto a mesma variação absoluta em uma opção com R$ 1,00 de prêmio corresponde a 100%. Bem antes das criptomoedas, já existia algo bem volátil no mercado...

Já sua relação com o preço de exercício é inverso: quanto maior esse valor, ou seja, mais afastado do preço da ação correspondente, menor o valor da opção. Nesse caso, o mercado não acredita que o preço da ação vá subir demais ao ponto de chegar em seu strike e o prêmio pago ao instrumento é baixo. Seu preço corresponde ao valor de seu VE.

O tempo (theta)


Um dos principais componentes de uma opção, o tempo cria um valor de expectativa, expresso no valor extrínseco (VE) da opção. O preço das opções cai com o tempo, para um mesmo valor de seu ativo-base. A venda coberta, a principal estratégia que será apresentada, opera fundamentalmente esse decaimento, ou seja, opera-se a expectativa do mercado.

Exemplificando, vamos imaginar uma operação de venda da PETRC20 para ilustração do conceito. Suponha que você vendeu essa opção por R$1,00, com a ação da PETR4 a R$ 20,30.

No vencimento dessa opção, você só perderá dinheiro se a ação subir além de R$ 21,00 (uma vez que seu strike é de R$ 20,00 e você recebeu antecipadamente R$ 1,00). Próximo do exercício, a opção estará valendo a diferença do preço da ação e de seu strike. Se a PETR4 estiver cotada a R$ 21,40, a PETRC20 estará valendo próximo a R$ 1,40. Assim, vc terá um prejuízo, pois você vendeu por R$ 1,00 e terá que recomprá-la por R$ 1,40.

[Aqui cabe um parênteses. No momento do exercício você pode recomprar a opção zerando a posição e mantendo suas ações do ativo-base intactas. Outra opção é ir para o exercício e vender suas ações pelo preço do strike da opção. Como veremos adiante, nessa estratégia a opção é recomprar as opções antes do exercício.]

Se a ação PETR4 subir, mas ficar abaixo de R$ 21,00, você terá lucro. Próximo ao vencimento, a opção estará valendo, por exemplo, R$ 0,80 se sua ação PETR4 estiver cotada a R$ 20,80. Você vendeu por R$ 1,00 e poderá recomprá-la por R$ 0,80. Um lucro de R$ 0,20.

A ação PETR4 caindo abaixo de R$20,00 é a melhor situação na operação. A pessoa que detém o direito de compra não irá comprar a opção que você vendeu com preço de exercício da ação a R$ 20,00, pois no mercado, o valor de PETR4 está menor. Dizemos no jargão do mercado que a opção virou "pó" e seu lucro foi de 100%: você vendeu a opção por R$ 1,00 e não precisará recomprá-la, uma vez que seu preço caiu a zero.

Precificação de opções


Existe um modelo para precificação de opções chamado de Black and Scholes, que não enfatizarei aqui, pois além de alongar demais o texto, ele não é determinante para as estratégias, relativamente simples, que citarei na sequência. Ele envolve variáveis expressos com letras gregas como delta (variação do preço do ativo com o preço da opção), gama (taxa de variação do delta), theta (queda do prêmio com o tempo), vega (variação do prêmio conforme a volatilidade do ativo) e rho (variação dos juros sobre os preços das opções).

Essa página apresenta alguns dos conceitos, oferecendo um maior entendimento antes de um aprofundamento. Tentarei, agora, fornecer explicações adicionais paralelamente à estratégia que utilizo. Espero que fique claro para os menos acostumados nesse mercado.


As estratégias de opções que uso na minha carteira de investimentos


Atualmente opero a venda coberta de opções de compra para minhas ações da Petrobrás (PETR4) e Vale (VALE3), únicos ativos que proporcionam boa liquidez no mercado financeiro de opções. Apesar de simples, a estratégia envolve alguns cálculos matemáticos para escolher as melhores alternativas para a venda.

Eventualmente, em determinadas condições do mercado que explicarei adiante, utilizo a venda de opções de venda, dos dois ativos acima, além do Itaú. Essa negociação é realizada mais por uma análise do ativo correspondente (e algum "feeling", por que não?) do que por cálculos matemáticos.

Explicarei as duas estratégias de forma separada, mas ao final mostro como elas complementam a estratégia mais abrangente de alocação de ativos.

A venda coberta de opções de compra (calls)


"Venda coberta" significa que o investidor possui as ações vinculadas às opções que irá vender. Assim, se eu vendo, 1000 calls da Petrobrás, eu preciso ter em minha carteira de investimentos, 1000 ações da Petrobrás. Caso eu não as tenha, a operação é de venda descoberta.

Não opere descoberto. É um risco muito alto para uma remuneração relativamente baixa. Em um mercado de alta, o preço das opções podem disparar e se você não tiver as ações, terá prejuízos enormes. Opere sempre com valores baixos até aprender a dinâmica. Se você operar pequeno, o aprendizado sai mais barato.

Objetivo: remunerar o patrimônio das ações


O retorno de investimentos de ações podem ocorrer via recebimento de proventos, valorização ou sua disponibilização para aluguéis. Se desejar receber algo além dos proventos e valorização do ativo, precisa decidir entre alugá-las ou operar vendas cobertas de suas opções. Em função da baixa remuneração dos aluguéis, eu opero venda coberta para os ativos da Vale e Petrobrás. Historicamente, tenho recebido uma média de 4,5% ao ano com essa estratégia.

Operacionalização da venda coberta de calls


Eu uso uma tabela para escolher as melhores opções para venda, com alguns marcadores que existem no livro e site da Bastter. O próprio site fornece uma tabela bem completa nesse link. Vá na aba "Operações" e posteriormente, "Quadro de Opções". O marcador principal (VDX), entretanto, é liberado somente para assinantes do site. Entretanto, como a fórmula para seu cálculo é conhecida, reeditei as informações que me interessam nessa planilha, em tempo quase real (atraso do Google Finance de 15 minutos).

Suas variáveis são o tempo até o vencimento da opção (em dias úteis), o lastro (diferença percentual do preço da ação e do preço de exercício da opção) e NV (chamado pelo sistema Bastter de "não vende" da opção: a diferença entre o preço da opção e o NV da ação, que por sua vez, é um percentual do valor da ação). Ele é usado como um alvo de lucro, para interromper a operação.

Na planilha, abaixo das fórmulas, existem observações que explicam com detalhes cada variável. A fórmula é empírica, e pode ser ajustada para seu perfil se você entender bem o significado de cada termo da equação. Eu mesmo, como sou mais arrojado na decisão de lançar opções (uma vez que isso me ajuda a manter o % da alocação de meus ativos - explico adiante), modifiquei alguns termos que aumentam o VDX, sendo que até criei um indicador alternativo que tenho testado já há alguns anos.

O racional da operação é a seguinte: quanto maior o VDX, mais vantagem em lançar as calls. O valor dependerá de sua estratégia global na carteira de ativos.

Integração da operacionalização com minha estratégia de alocação de ativos


Suponha que o meu percentual de alocação para as ações da Petrobrás na minha carteira seja de 5%. Se, em certo momento, esse valor for superior, estou mais predisposto a vender algumas ações. O encontro da venda coberta de opções com a alocação de ativos encontra-se aqui: ao invés de simplesmente vender as ações em excesso, eu lanço opções de venda para ganhar o VE das mesmas no mercado.

Se as ações não valorizarem muito, eu recebo o prêmio sem precisar vendê-las. Se elas valorizarem de tal forma que eu fique no prejuízo na venda coberta, vendo o volume financeiro em ações correspondente ao meu prejuízo na negociação das opções. Com isso, apesar desse prejuízo, eu colhi um bom lucro na venda das ações valorizadas (embora esse lucro pudesse ter sido maior) e reduzo o % das ações que estavam em excesso na minha carteira de investimentos, que era, na verdade, o objetivo inicial.

A definição do VDX mínimo para o lançamento de venda coberta reflete minha predisposição a lançar opções em função do desvio percentual do valor dos ativos e da meta, na minha carteira de investimentos. Quanto maior o excesso de ações, maior a minha predisposição de aceitar um indicador baixo e vice-versa.

Um VDX muito baixo aumenta a probabilidade de sofrer prejuízo na operação das opções. A melhor forma de lidar com um prejuízo é recomprar as opções um ou dois dias úteis antes do vencimento e vender as ações do ativo correspondente de forma que zere o valor financeiro da perda. Não indo ao vencimento, você evita a venda de muitas ações e gerencia melhor o benefício fiscal mensal do imposto de renda.

Exemplo prático


Suponha que 1000 ações da PETR4 estão em excesso na minha carteira. Logo, eu aceito um VDX mais baixo, de digamos, 2,5 para lançar opções. Caso você queira correr menos risco com a negociação, busque valores acima de 3,0 ou mesmo 3,5.

Vendo 1000 opções PETRC20 e recebo R$ 1000,00 (prêmio de R$ 1,00) para um valor da ação-mãe de R$ 20,30. Se a PETR4 subir na semana anterior ao vencimento a R$ 22,00, minha transação de venda coberta fica no negativo, com a opção próxima de R$ 2,00. Recompro minhas opções a R$ 2000,00 e vendo 100 ações da PETR4 por R$ 2.200,00, com um lucro global de R$ 200,00, reduzindo minha exposição à ação em excesso no meu portfólio.

É claro que, se eu não tivesse feito a venda coberta, a receita de 100 ações da PETR4 seria de R$ 2000,00 limpos, mas uma valorização de 8,37% nos preços das ações normalmente não ocorre todo mês. A maior probabilidade é a ação subir pouco, estabilizar ou até cair. Nesses casos, o lucro da venda coberta será exatamente o que recebi na venda das opções. E, se eventualmente, a operação entre no negativo, corrijo o percentual do meu portfólio.

Existe outra forma para situar sua predisposição ao risco. Você pode escolher opções com maior lastro, ou seja, com um strike mais alongado do preço atual do ativo. Elas valerão menos, mas a probabilidade de sair no lucro, será bem maior. Se eu lançasse no exemplo acima a PETRC22 valendo R$ 0,30, teria recebido R$ 300,00 de prêmio e lucro, se a PETR4 não ultrapassasse o valor de R$ 22,00.


Saída da operação


Eu não espero, necessariamente, a data de vencimento para sair da negociação. Existem algumas variáveis que incentivam a saída antecipada, como um NV muito baixo (alvo de lucro) ou um aumento repentino da volatilidade do ativo-base (na planilha disponibilizada há mais informações). Outras vezes, recompro a opção e lanço outra com maior vencimento caso acredite em algum movimento especulativo.

Enfim, há muitas variáveis em jogo e muitas formas de operação na montagem e sua saída. Se alguns leitores tiverem dúvidas mais específicas, podem deixá-las nos comentários.

A venda de opções de venda (puts)


Essa operação é mais simples e não envolve cálculos de indicadores, mas sim uma análise de boas ações no mercado e a condição de que esse ativo esteja abaixo do % que defini para minha carteira de investimentos. Eventualmente faço com a ação do Itaú.

Sua premissa deve ser que o valor de suas ações deve estar abaixo do percentual definido para seu portfólio. Ou ainda, deseje aumentar esse percentual após análise favorável do ativo no mercado. Logo, de forma oposta à estratégia anterior, você deseja comprar a ação.

Suponha que eu atribua um preço para compra da ação do Itaú (ITUB4) a R$ 50,00 (nesse momento a ação está a R$ 52,60). Eu possuo a opção de esperar uma queda da ação ou vender uma opção de venda, nesse strike, recebendo o prêmio. Alguns autores denominam essa estratégia de "venda coberta de puts", considerando que, para a montagem dessa posição, você precisa possuir o dinheiro necessário para comprar as ações caso o mercado caia.

Exemplificando... Através da tabela da Bastter, ou do site da B3, encontro a opção ITUBO520, com um preço de exercício de R$ 50,01. Vendendo essa opção, recebo de prêmio R$ 0,47 por unidade. Tenho dois cenários à frente: a ação do Itaú não cai, mas nesse caso, recebo definitivamente o prêmio. E, se a ação cair abaixo de R$ 50,01, terei prejuízo na operação da opção, mas por outro lado, conseguirei comprar o ativo no preço-alvo desejado, aumentando seu percentual na minha carteira de investimentos.



Conclusões


Vejam que ambas estratégias de venda de opções funcionam em conjunto com a alocação de ativos. Na venda de calls, o objetivo além da transação com as opções é vender ativos. Na venda de puts, o objetivo agregado é comprar ativos.

Isso não impede que você avalie seu sucesso de forma individualizada. Na venda coberta, esteja ciente que está remunerando sua carteira de investimentos quando o mercado sobe pouco, ou não sobe. Você pode usar esses lucros, inclusive, para comprar mais ações. Mas se o mercado subir muito, você entrega parte do lucro de suas ações. O efeito colateral positivo é que você ajusta seu percentual de alocação na carteira. Raciocínio inverso pode ser feito na venda de puts.

A probabilidade de sair no lucro na negociação das opções varia conforme a distância do strike da opção ao preço atual do ativo. Isso maximiza a chance de você sempre estar vendido em VE. Pelo meu histórico, o percentual de sucesso é em torno de 60 a 65%, uma vez que opero com lastros maiores.

O sucesso nas operações de opções, entretanto, não se baseia nesse percentual, mas principalmente na quantificação acumulada de cada transação. Eu posso ter um histórico de 65% de sucesso nas operações ganhando, em média, 5% em cada um delas. Mas, se no meu histórico de insucessos eu perder 10% em cada transação, fica fácil entender o porquê a estratégia não será vitoriosa, apesar de permitir a compra ou venda dos ativos. Assim como a escolha da opção correta para a entrada da operação, o momento de saída também é fundamental.

Por fim, para quem quiser se aventurar nesse mundo, reitero em começar com valores baixos para entender como as opções funcionam. Montar uma tabela de operações (também disponível no link da planilha) é essencial para entender que a determinação do sucesso da estratégia provém do lucro acumulado das operações, e não de cada uma individualmente. O prejuízo o acompanhará em alguns momentos, mas é o balanço geral que importa. Ter essa consciência vai trazer mais paz e sucesso na sua vida.

É muito possível que, para os leitores realmente interessados em experimentar operar dessa forma, devem existir muitas dúvidas remanescentes. Muitas vezes, é um desafio equilibrar o fornecimento de informações relevantes com a extensão da postagem. Aproveitem, assim, o espaço abaixo para esclarecê-las.


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Já escrevi outros artigos mostrando algumas estratégias de operação de meu portfólio. Além do artigo sobre alocação de ativos, já falei sobre contratos futuros de dólar , corretoras de valores,  sobre o que é melhor entre a renda fixa ou renda variável e  como calcular seu sucesso financeiro através da TNRP. Apenas clique nos links caso queira lê-los.

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