Uma planilha de controle de gastos para seu orçamento e fluxo de caixa!

O controle do orçamento e fluxo de caixa é o primeiro (e essencial) passo na viagem lenta à independência financeira.

Segue um guia sobre seus fundamentos e o acesso gratuito à minha planilha pessoal de controle de gastos no Google Docs ou Excel, como ferramenta de auxílio nessa jornada.


Apesar de não ser consultor financeiro oficialmente, recebo regularmente pedidos de orientações sobre investimentos. Ou seja, de alguém pedindo ajuda em quê, como, e onde aplicar seu dinheiro.

Pergunto inicialmente qual o montante mensal que seria disponibilizado para promover esse investimento de forma consistente.

Posteriormente, investigo se essa meta estaria coerente com seu orçamento e fluxo de caixa anual a curto e médio prazo, uma vez que os cenários de investimento dependem fundamentalmente dessa informação. É indispensável, por exemplo, conhecer os prazos que o dinheiro pode ficar investido sem sobressaltos.

Faça o download de uma planilha gratuita de orçamento e fluxo de caixa no Excel ou Google Docs. Controle seus gastos e despesas e atinja sua independência financeira.
A liberdade é também financeira. E o primeiro passo está no controle do orçamento e fluxo de caixa

A conversa quase sempre termina com meu interlocutor dizendo que irá rever sua situação e entrará em contato novamente. É normal ainda, ele pedir uma ferramenta que pudesse ajudá-lo a obter tal controle. Ou seja, ele não tinha uma planilha de controle de gastos e receitas, não monitorava seu fluxo de caixa, e muito menos tinha um orçamento.

Decidi assim partilhar publicamente a todos os leitores desse blog a planilha que uso para controlar o meu próprio orçamento e meu fluxo de caixa. É um instrumento que está em uso já há um bom tempo e já foi bem testada por mim e outras pessoas que já mostraram interesse anteriormente. Simples e efetivo, como precisa ser.

O texto está dividido em duas partes. Inicialmente, comentarei um pouco da teoria sobre o orçamento e fluxo de caixa. Em seguida, disponibilizo a planilha de controle dos gastos com o guia para preenchimento. Se desejar ir direto para a segunda parte, role a página até o sub-título "A planilha definitiva do orçamento e fluxo de caixa".

Primeiro, o controle de orçamento e fluxo de caixa. Depois, os investimentos


Você conhece alguém que está sempre falando de investimentos, mas eventualmente usa o cheque especial e arca com juros em pagamentos parcelados no cartão de crédito? Eu conheço... É um sério caso de inversão de prioridades. Ou ainda, o clássico ditado de colocar o carro na frente dos bois.

Um dos maiores enganos é imaginar a possibilidade de investir sem possuir um fluxo de caixa sólido que preserve o seu orçamento e permita um lucro consistente. Eles - o orçamento e o fluxo de caixa, são a base, a pedra fundamental, onde deve ser alicerçadas todas as decisões tomadas na esfera dos investimentos financeiros.

Primeiro uma coisa, depois outra coisa. Além de adquirir sabedoria, você evitará mergulhar no estresse do dia a dia onde faltam foco e prioridades.

Dar um passo de cada vez não impede, entretanto, o aprendizado precoce de diversas formas de investimentos financeiros, mesmo quando ainda não temos capital para isso. Tal conhecimento será essencial um dia.

Nessa postagem vou focar na primeira etapa: a crucial importância do controle do orçamento e do fluxo de caixa e disponibilizarei de gratuitamente minha planilha de controle financeiro pessoal em Excel e no Google Docs. Inicialmente, eu havia criado a planilha de gastos para ser utilizada pelo Google Docs. A pedidos, disponibilizei-a também no Excel. Uma está salva no Google Drive e a outra, no One Drive. Ambas disponíveis para compartilhamento.

Adequar as finanças - o orçamento e o fluxo de caixa


O controle financeiro pessoal é o passo inicial de algo muito maior. Sua energia básica deve estar aqui concentrada, com a finalidade de realizar uma economia mensal perene, sustentável, que possibilite um melhor planejamento para seus futuros investimentos.

O controle do fluxo de caixa e orçamento, entretanto, não é um fim em si mesmo, Ele é somente um meio para alcançar um dia a tão sonhada independência financeira. Essa, a independência financeira, é de fato, a meta fundamental que encorajo todos a seguir.

Se você não nasceu em berço de ouro, a administração das finanças passa pela criação de um orçamento e o acompanhamento de um fluxo de caixa mensal. Não existe outro caminho. Se o leitor conhecer algum atalho, gostaria de debatê-lo nos comentários desse artigo. Fiquem livre para opinar.

Na sequência do texto, vou explicar rapidamente os objetivos por trás desses conceitos. Acredite: esse é o primeiro passo para a sua independência financeira!

Procrastinar e culpar o tempo disponível para não controlar suas receitas e despesas


A procrastinação é comumente a razão principal das pessoas não possuírem um orçamento ou um fluxo de caixa. Repetem ad infinitum que ambos são importantes, mas nunca encontram tempo de elaborá-los. Como se isso demandasse muito tempo...

O ser humano tende a dar uma importância (muito) maior ao curto prazo. Além disso, tem alguma dificuldade de compreender as causas e consequências de seus atos. Muitas vezes, trocando causas por consequências.

Imaginem todas as distrações de curto prazo que passam pela vida e que não trarão nenhum resultado futuro? Acredito que os leitores são capazes de enumerar vários exemplos pessoais. Negar a si próprio um pequeno tempo para preencher e analisar uma planilha de controle pessoal é um exemplo de falta de clareza de prioridades.

Uma das consequências é o desenvolvimento de um modelo mental que sabotará suas maiores chances de sucessos na vida. Não apenas sucessos financeiros - que, como comentei anteriormente, são apenas um meio para alcançar o verdadeiro fim: o sucesso na realização de seus sonhos.

Para os procrastinadores, a solução passa mais por atitudes motivacionais. Envolve algo além do que uma necessidade maior de conhecimento financeiro. Envolve a compreensão de que bons hábitos têm o poder de mudar nossa vida, como bem disse Charles Duhigg em seu sucesso "O Poder do Hábito".

Outro pensamento sabotador: vou ficar escravo de uma planilha?


Já outra parte da população acredita que possuir uma planilha de orçamento e fluxo de caixa é equivalente a aprisionar-se em uma camisa de força. Elas acreditam que será impossível preservar sua liberdade para fugir do orçamento quando desejarem, embora isso não seja uma verdade absoluta.

Para essas pessoas, ao contrário das procrastinadoras, a motivação não possui influência nenhuma. O que elas precisam é de um maior entendimento de como funciona um orçamento, entendendo que uma liberdade pode ser ou efêmera ou perene. Ou seja, é necessário escolher qual das duas formas de liberdade deseja para sua vida: momentânea ou definitiva?

Para quem tem algum conhecimento em gerenciamento, em algum momento da vida já esbarrou com o desafio de trabalhar com metas. Seja revendo ou aprendendo alguns conceitos, estabelecer metas é um assunto essencial que aprendemos na academia e deve ser constantemente aprimorado. E principalmente ser aplicado em nossa vida pessoal.

Guarde esse texto para ler com calma após acessar sua planilha de controle de gastos. Ele possui os principais conceitos necessários para entender como as metas podem ser essenciais em aflorar a motivação que você precisa para alcançar todos seus objetivos.

Metas devem ser realistas, mas também desafiadoras. Logo, precisamos sair um pouco da zona de conforto (e buscar conhecimento para ampliá-la), mas sem causar sofrimentos que farão com que abandonemos nossos propósitos.

A propósito, já que estou deixando vários links para aprimoramento pessoal aqui, vou sugerir mais um texto que escrevi há tempos, refletindo sobre a zona de conforto à luz de algumas letras do rock nacional da década de 80: A saída da zona de conforto e um quiz sobre o rock nacional.

O orçamento


Um orçamento bem feito pode ser uma forma de mostrar a si próprio o que você é capaz de realizar. Evidencia o seu protagonismo, sua capacidade, sua flexibilidade em procurar soluções e manifesta, para seu deleite próprio, o seu potencial de conquista. Levá-lo a sério é um elemento estimulante para sua autoestima.

Uma planilha de controle pessoal de seus gastos e suas receitas propicia que você se coloque no centro das decisões da sua vida e não permite que a vida o leve ao seu bel-prazer. Possuir um orçamento faz com que você se sinta consciente pelos passos de sua vida. Sim, isso exige responsabilidade. Mas é um fator de motivação tremendo!

Você sabia que uma planilha de orçamento permite flexibilização entre as categorias de despesas?


Uma planilha de orçamento possui um mito difícil de ser quebrado por algumas pessoas: o suposto engessamento das categorias de despesas. Ou seja, "se eu definir um teto de R$300,00 em roupas por mês e passar em uma loja e descobrir aquela mega liquidação, não posso gastar mais do que permite o meu orçamento?"

Bom, minha resposta aqui exclui quaisquer observações se essa é uma liquidação verdadeira ou se a pessoa está, de fato, precisando de comprar roupas. Vamos assumir que para ambas questões a resposta seja positiva, ou seja, a pessoa não está confusa na relação apego e prazer e não está sujeita às artimanhas da publicidade.

A resposta é sim, você pode e deve comprar. O orçamento admite flexibilização entre contas. Se você fixou para o mês um orçamento de digamos, R$ 5.000,00 divididos em várias categorias de despesas, a meta principal é cumprir esses R$ 5.000,00, mesmo que os valores das categorias sofram uma grande variação.

Entretanto, saber COMO você usou esses R$ 5.000,00 é importante para que você saiba em que está gastando e que reflita sobre a manutenção desses gastos em um futuro próximo.

A planilha que disponibilizarei mostra em uma coluna, os percentuais gastos em cada categoria, para auxiliar você a gerenciar seus gastos e possa rever possíveis desvios durante os próximos períodos.

A planilha também permite a flexibilização entre meses!


Da mesma forma, o orçamento admite também flexibilizações mensais. A média mensal de gastos é muito mais importante. Assim, se ocorrer uma emergência em um mês, nada impede que o orçamento seja - temporariamente - desobedecido, se isso for compensado posteriormente. O objetivo é que, no acumulado de um semestre, ou um ano, eles convirjam para sua meta.

Você percebe que todos os impedimentos que bloqueavam sua iniciativa de seguir a sério uma planilha de orçamento não se sustentam quando analisados friamente? Mãos à obra?

Todas as diretrizes para criar e manter um bom orçamento estarão resumidos no guia que escrevi para o preenchimento da planilha. Estamos chegando lá. Além do orçamento, a planilha permite a possibilidade de tomada de decisões em função do fluxo de caixa, que veremos a seguir.

O fluxo de caixa


No campo empresarial, o fluxo de caixa engloba informações mais complexas, como obrigações a pagar, vendas a receber, entre outros. Isso não é necessário para um orçamento doméstico. Vamos aqui usar uma definição mais simples para aplicá-lo no nosso dia a dia.

O fluxo de caixa é tão importante quanto, e muitas vezes, confundido com o próprio orçamento. É a ferramenta que vai mostrar a você a realidade dinâmica de suas finanças. O fluxo de caixa é a base para:
  1. rebalancear as despesas em suas categorias;
  2. analisar os melhores momentos para os investimentos;
  3. definir os montantes para investimentos;
  4. prever de forma consistente o seu futuro financeiro e;
  5. rever o seu orçamento quando necessário.
Será, enfim, a pedra angular de toda sua vida financeira, complementada posteriormente com sua planilha de Controle de Ativos, que disponibilizarei em outra oportunidade.

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De forma geral, existe uma semelhança do fluxo de caixa com o orçamento. Porém, enquanto o orçamento é uma previsão de receitas e despesas, o fluxo de caixa é sua conversão na realidade. É o que de fato, ocorre no dia a dia.

Nessa tarefa, você precisa de um pouco de dedicação e ter a certeza de colocar todas suas receitas e despesas na planilha, para que ela seja a mais fidedigna possível. Para os mais desprendidos, isso pode ser um desafio. Porém, tenho certeza que, aplicando um pouco de diligência à sua rotina, os frutos que serão colhidos serão tremendos.

Frutos esses não somente relacionados à independência financeira, mas também essenciais para a motivação e autoestima.

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A planilha definitiva do orçamento e fluxo de caixa


O hábito de acompanhar seu histórico financeiro pode ser comparado ao cumprimento de uma dieta. Se as rotinas e as ferramentas utilizadas forem complicadas, elas terminam por desestimular sua manutenção.

Assim, a planilha precisa ser simples e eficiente. Veja agora, nessa segunda parte do artigo, o link para fazer o download e um guia para preenchimento.

Uma planilha com simplicidade e eficiência


Comentei no artigo anterior que a simplicidade de uma ferramenta é essencial para criar um bom hábito. Porém, essa ferramenta, além de simples, precisa ser eficiente.

O maior problema no hábito de possuir uma planilha de controle financeiro é acreditar que ela fornece sempre as informações corretas, mesmo quando isso não seja verdade. Afinal, ela precisa de um correto preenchimento em suas células para proporcionar informações realmente valiosas.

Esquecimentos e falhas nas anotações ocorrem, independentemente a quão zelosa é a pessoa que preenche a planilha. Por isso, para uma planilha de fluxo de caixa ser eficiente, ela precisa possuir uma forma de conferir que os dados de receitas e despesas estejam corretos.

Basear suas decisões futuras em números que não são verdadeiros é um dos maiores autoenganos que podemos cometer na nossa vida financeira. Acreditar em um erro pode ser pior que não conhecê-lo. (Por falar em autoengano, leia o livro de mesmo título de Eduardo Gianetti, ao lado. Vale a pena!).

E é nesse particular que essa planilha difere de tantas que são distribuídas gratuitamente pela web. Ela permite uma auto checagem da veracidade das informações que foram inseridas, utilizando seu saldo de caixa.

Ela difere inclusive no visual. Vi algumas planilhas em Excel estão disponíveis para download em importantes sites de finanças que chegam a assustar. Essa é elegante e possui poucas formatações, ajustando-se posteriormente ao gosto do usuário. E claro, nada de fórmulas complexas. Menos é mais.

Vamos para a ação, então?

Guia de preenchimento da planilha de orçamento e fluxo de caixa


É importante você estar com a planilha aberta nesse momento para que o entendimento fique mais fácil. Acesse-a através do link abaixo e faça sua cópia pessoal. Será necessária uma confirmação em seu e-mail. Assim que tiver ela pronta para uso, passe para a próxima etapa.

Alguns comentários iniciais


Antes de continuarmos, um alerta: para preservar as fórmulas existentes na planilha, preencham apenas as células em amarelo-claro. Todas as outras células são provenientes de cálculos automáticos. Não as altere.

A planilha está formatada para o fechamento de um ano-calendário. As colunas D a O correspondem aos meses de janeiro a dezembro. Para o próximo ano, você pode criar uma aba (ícone + abaixo à esquerda) nesse mesmo arquivo e usar a planilha indefinidamente. Já inseri o ano de 2020 como exemplo.

As colunas A e B da planilha são dedicadas ao seu orçamento. Caso já possua orçamento e já possui alguma experiência com esse tipo de planilhas, fique à vontade para adequar as categorias de receitas e despesas às suas necessidades, inserindo ou deletando linhas.

Em cada categoria existe uma nota que pode ser acessada apenas posicionando o mouse acima da célula. Você pode concordar com meus conceitos ou não - isso não é tão relevante. O ideal é que você se sinta bem com esse novo controle. Caso esteja começando do zero e não possui experiências com esse recurso, recomendo que mantenha minhas definições de cada item e adéque conforme sentir necessidade no futuro.

Receitas


A célula B3 deve ser preenchida com sua estimativa (sempre mensal) de receitas. Se tiver mais de uma fonte de renda, será a soma de todas. Lembre-se: orçamento é uma estimativa. Assim, não há necessidade de acertar 100% aqui. Claro que quanto mais realista for essa estimativa, melhor.

Reforçando: aponte o mouse sobre a célula e veja as notas de informações sobre cada categoria. Não vou repetir as informações aqui para não ficar tão exaustivo.

Despesas


As células B5, B6 e B7 são as despesas que chamo de despesas fixas, cujo total é dado na célula B8 automaticamente. São despesas pessoais obrigatórias e que não podem ser evitadas. Assim, possuem menos flexibilidade para serem alterados em uma rotina mensal.

As células B9 a B20 são as células de despesas variáveis, sendo o seu total dado na célula B21. A soma das duas despesas é dada na célula B22 e o resultado mensal (ou o lucro, se preferir) é apontado na célula B24, sendo a diferença do total de despesas e receitas. A célula B24 possui uma formatação condicional, tornando-se vermelha caso o valor seja negativo.

Considerações sobre o orçamento


Claro que o primeiro passo para um orçamento sério é que o valor da célula B24 seja positivo. Ou imprescindível, eu diria. Caso sua sede de gastos for considerável, adéque seu orçamento para que esse número seja positivo. Só existe futuro financeiro quando se gasta menos do que se ganha. Não existe outra alternativa. Se a célula B24 ficar vermelha, volte e refaça seu orçamento.

Seja sensato nessa etapa. Seja tão sensato em fazer com que seu resultado seja positivo, mas também relevante. De onde você pensa que virá o dinheiro para realizar seus investimentos - e conquistar a independência financeira, mais tarde?

O orçamento realizado nas colunas A e B é, de certa forma, estático. Mas ele não é imutável, e pode ser revisto quando necessário. O importante é entender que ele fornece uma meta cujo cumprimento será checado nas próximas colunas que correspondem ao fluxo de caixa, ou seja, os valores REAIS que entram e saem do seu bolso.

Considerações sobre o fluxo de caixa e a forma de conferência dos lançamentos


As categorias no fluxo de caixa estão alinhadas com o orçamento. A diferença para essas colunas é que, enquanto na coluna B você colocou uma ESTIMATIVA para os valores do seu orçamento, nas próximas colunas mensais você lançará os valores REAIS, mês e mês.

Como já comentado, erros e esquecimentos acontecem, então precisamos realizar uma conferência desses lançamentos. Isso vai ocorrer através da avaliação do seu saldo em caixa mês e mês (linha 28). Essa conferência não é opcional, mas sim fundamental.

Lembram do autoengano? Mesmo preenchendo planilhas, muitas pessoas não obtêm uma visão real da sua situação financeira porque se esquecem de muitas despesas. Essas despesas tornam-se um ralo devorador de suas economias. É a famosa questão: "Mas para onde vai o dinheiro?". E sua ausência, a longo prazo, fará com que você tome decisões erradas na sua história financeira.

Vamos voltar à planilha e às linhas 26 e 28. Elas representam o seu dinheiro disponível que você considera como "não-investimento". A linha 26 corresponde ao saldo inicial do mês e a linha 28, ao saldo final, após apontadas todas as receitas e despesas. Mas o que é esse dinheiro de "não-investimento"?

É o dinheiro que está parado na sua conta de banco. Considere também montantes aplicados em fundos de curto prazo e poupanças vinculadas à sua conta corrente, os quais você considera como dinheiro normalmente em uso. Saldo na NuConta ou em outras fintechs e bancos digitais também valem.

Se possuir quaisquer outros investimentos, desconsidere-os. A planilha é de orçamento e fluxo de caixa. Não é uma planilha de investimentos ou de alocação de ativos. Para isso, vou disponibilizar no futuro outras alternativas.

Assim, você deve preencher a célula que corresponde ao seu saldo inicial do mês que você iniciará esse controle. Para o mês de setembro a célula é, por exemplo, a L26. Coloquei toda a linha em laranja apenas para diferenciação. Preencha apenas o saldo inicial do mês em que você está iniciando o controle. Mantenha todas as outras intactas. Posteriormente você poderá padronizá-la com suas cores preferidas.

Uma observação na automatização das células


Aqui pode ser necessária uma pequena modificação no automatismo das células. A planilha está formatada para o início no mês de janeiro, e cada célula subsequente da linha 26 a partir de fevereiro, possui uma fórmula que copia os dados da linha 28 (saldo final mensal do mês anterior).

Assim, caso não deseje esperar até janeiro do próximo ano (e não esperem, leitores, pois além de tempo ser dinheiro, dinheiro também é tempo), será necessária uma modificação bem simples nesse transporte de valores. Caso tenha dúvidas, deixe-a aqui nos comentários que entro nesses detalhes mais específicos.

Assim, esse saldo original será o seu pontapé inicial. É onde você está agora. Será seu ponto primevo para sua independência financeira. E será a base de seu controle de saldo mês e mês. Assim, é importantíssimo que seja preenchido de forma correta.

Paciência, caros leitores. Estamos terminando. Eu garanto que esse sacrifício inicial dará muitos mais frutos no futuro que vocês imaginam!

Como lanço investimentos e resgates de aplicações?


Cada pessoa possui uma situação financeira específica. Algumas estão renegociando dívidas, outras, sem investimentos e possibilidades de investir. Há aquelas que possuem investimentos, mas em situações transitórias, necessitam resgatar montantes para fechar as contas. E ainda, algumas mais com uma situação financeira mais saudável, aptas a investir regularmente.

A linha 27 contempla essas variações. Nessa linha, mês a mês, você precisa contemplar os montantes que foram sacados (para investimentos) ou depositados (provenientes de resgates) em sua conta de curto-prazo da linha 26.

Isso é imprescindível para que a conferência do saldo final (linha 28) seja feita de forma correta. Essa conferência é fundamental para que não esqueçamos de preencher as receitas e despesas o mais próximo da realidade possível. Explico melhor essa dinâmica de conferência no exemplo ao final.

Apenas por convenção, para resgates de investimentos, coloque o valor do resgate com um sinal negativo. Para aplicações financeiras, coloque o valor normalmente (positivo). Assim os cálculos ficarão impecáveis!

O exemplo numérico abaixo deve esclarecer todas as dúvidas que ainda possua.

Exemplo de preenchimento da planilha de controle de orçamento e fluxo de caixa


Vamos analisar os dados que estão na planilha como exemplo. Imaginei dados totalmente aleatórios de uma pessoa que preenche a planilha desde o começo do ano até julho.

O pontapé inicial do saldo foi dado na célula D26. Naquele momento, às 00:01hs do dia 01/01/2019, esse indivíduo hipotético possuía dívidas, no valor de R$ 500,00, como, por exemplo, o uso do famigerado cheque "especial". Repare que o valor está negativo.

Ele estava desempregado e voltou a trabalhar somente a partir da segunda metade do mês de dezembro do ano anterior. Assim, repare que as receitas mensais em janeiro são a metade dos próximos meses. Isso fez com que ele tivesse um resultado mensal negativo em janeiro (R$ - 3.200,00) apontado automaticamente em vermelho na linha 24.

Porém, ele ainda possuía um pequeno investimento, resultado do saque do seu FGTS de sua demissão anterior, e ele resgatou R$ 4.000,00 desse investimento para sua conta corrente, para cobrir suas despesas (linha 27). Assim, o seu saldo final do mês de janeiro ficou em R$ 300,00 (apontado agora em verde na linha 28). Repare que o resgate, por convenção, entrou com o sinal negativo.

Ou seja, ele possuía um saldo inicial de R$ - 500,00 no início de janeiro. O resultado mensal de receitas e despesas foi de R$ - 3.200,00. Teve uma entrada de R$ 4.000,00 (resgate) resultando em um saldo final de (-500 - 3200 + 4000) R$ 300,00.

Para os meses subsequentes, repare que a planilha copia como saldo inicial, o saldo final do mês anterior.

Em fevereiro, nosso novo membro do mercado de trabalho recebeu seu salário integral e ajustou as contas. Obteve um resultado positivo entre receitas e despesas de R$ 1.800,00, que foi adicionado ao seu saldo inicial de R$ 300,00 perfazendo um total de R$ 2.100,00 em montantes de curto prazo.

Em março, ele obteve o mesmo resultado mensal acumulando um valor considerável em dinheiro de curto prazo. Como ele já possuía algum conhecimento financeiro, ele decidiu não deixar tanto dinheiro parado e aplicou R$ 3.000,00 em outros investimentos (lançados com sinal positivo), fazendo com que seu saldo apresentasse o valor de R$ 900,00.

É essa dinâmica que devemos entender. Preencher os próximos meses será uma tarefa bem simples.

Lembrando... preencha apenas as células em amarelo-claro. Para a linha 26, preencha apenas o saldo inicial do mês que está iniciando o controle. Assim as células automáticas funcionarão.

Controles, análises e objetivos - caminhando para o final


Bem, como havia comentado, essa planilha possui uma forma de conferência dos valores de receitas e despesas inseridos.

Como você perceberia que esqueceu de apontar aquela passadinha no posto onde você deu ao frentista R$20,00 em dinheiro apenas para um chorinho de combustível no tanque? Afinal, não apareceu a despesa na conta corrente (cartão de débito) ou na fatura do cartão de crédito para uma conferência posterior.

Essa checagem será feita exatamente pelos saldos finais. Mês a mês. Veja, por exemplo, a célula J28 no saldo final de julho no valor de R$ 8.100,00. E imagine que, quando o usuário soma todo seu montante de curto prazo encontra apenas um valor de R$ 7.000,00. Talvez você ache que há algo errado com a planilha. Mas não há.



Isso ocorre por esquecimento de apontamento de receitas ou despesas. Para testar, coloque na planilha o valor de R$ 1.200,00 na célula J20 e veja o que acontecerá. Você terá o saldo de R$ 7.000,00 no seu montante de curto prazo. Assim, uma diferença de saldo acusa um erro de preenchimento da planilha.

Ok, então a linha 20, da categoria "Diversos" é panaceia para esquecimentos, procrastinações e falta de diligência? Não é bem assim. Se usar demais essa categoria para acertos de saldo, os percentuais corretos das demais ficam distorcidos e não representarão a realidade.

Isso mesmo, nós temos percentuais! Note na planilha a coluna "Q". Ela fornece o percentual de cada categoria de despesa nos seus gastos totais. É uma fonte de análise tremenda. Você pode concluir que está gastando muito em determinada categoria em detrimento de outra. Consumindo demais "Vestimentas pessoais" em detrimento ao "Lazer", por exemplo. 

Assim, é importante lembrar de qual categoria pertencem os gastos. Mas claro, a categoria "Diversos" pode ser usada para pequenos acertos. Não compensar ficar perdendo tempo por causa de poucos reais. Eu sugiro que o percentual dessa categoria fique sempre em torno de 1-2% de suas despesas gerais. Se começar a exceder, você estará perdendo sua análise potencial.

Caros leitores, a postagem ficou enorme, mas acredito que todas as palavras eram necessárias para deixar bem explicada a ideia. Espero que não tenha sido maçante e que seja bem aproveitada. O empenho em levar a sério esse simples controle, repito, pode fazer uma grande diferença em seu futuro. Enfim, aproveitem a ferramenta e antecipem sua liberdade com a tão esperada independência financeira!


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Se desejar ler mais textos sobre investimentos, acesse essa página.


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Originalmente, essa postagem estava dividida em duas. Fiz a união dos textos em setembro de 2019. Os comentários da página eliminada que agregam informações ao assunto foram copiados manualmente nos comentários abaixo.

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