Sua desilusão com os políticos provém da expectativa em relação ao Estado

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?

Como explicar nossas expectativas com os políticos frente suas promessas vazias e envolvimentos em corrupções?

Será que o problema não está em acreditar no conceito de "Estado-babá" e perceber que os políticos são apenas a consequência mais cabal de sua inviabilidade?

O que fazer nas eleições de Outubro para evitar esse erro?


Expectativas são facas de dois gumes: podemos desfrutar as delícias em sua realização ou sofrer as dores de sua não consumação. É assim nas expectativas que criamos com nosso par amoroso, em um novo emprego ou na compra do último gadget digital.

É também assim na política, quando votamos e esperamos que tais representantes exerçam nossas aspirações no trato com o dinheiro "público" e em supostos benefícios que retornam à sociedade. Expectativa, entretanto, impossível de realizar-se. Na política, expectativa e desilusão são as faces de uma mesma moeda.

Um texto complementar foi republicado em Julho, onde comentei como esse modelo mental estatista nunca trará progressos ao nosso país, assim como é um grande transtorno mensal exigir cada vez mais do Estado e lutar contra a corrupção. O texto dessa semana traz novos elementos sobre o assunto e como é importante a eleição dos membros do legislativo para que possamos elevar o debate no país.



Não acredite em promessas de que o Estado pode lhe ajudar


Normalmente, a origem da desilusão está relacionada à quebra de promessas realizadas nas eleições pelos candidatos políticos durante seus mandatos. São compromissos feitos justamente para suprir as expectativas dos eleitores na época em que precisam de seus votos. Logo, a mentira é uma necessidade política demandada pelo próprio eleitor.

O desapontamento posterior é apenas uma consequência, ao final, dessa expectativa. Ou ainda, pelo fato de acharmos idiotas por continuar a acreditar naquele mesmo discurso, a cada dois anos. O ponto é que os políticos dificilmente vão trabalhar por você, e os motivos resumem-se não só pela sua (má) vontade, mas também por (falta de) capacidade.

Primeiramente, eles possuem interesses próprios, que incluem a manutenção da ordem vigente, na qual eles se locupletam. Os políticos iludem os eleitores na crença de que a estrutura paquidérmica estatal é algo que beneficia a sociedade, enquanto é apenas o principal meio para mantê-los no poder de forma que eles continuem a usufruir de suas benesses.

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?
Pare de acreditar no governo
Bruno Garschagen
Eles dificultam ao máximo a entrada de novos rostos na política, como pode ser demonstrado recentemente na dificuldade de se criar um partido político realmente NOVO no Brasil e na tentativa de obter participação e debates na mídia. Sim, seria ingenuidade acreditar também que a própria mídia não deseja manter o seu status quo e suas verbas de publicidade. A Globo, como expoente maior dos meios de comunicação "oficiais" do país, não quer arriscar maiores mudanças nesse arranjo.

Os políticos, reforçando o discurso na massificação do pensamento à esquerda, onde o Estado Babá pode cuidar de tudo e de todos, não são capazes de modificar a situação de que a estrutura governamental está falida.  Mas suas soluções são sempre mais Estado. Um importante museu arde em chamas? Não, não podemos nem pensar em passá-lo à iniciativa privada, mas vamos criar mais um órgão estatal para cuidar dos museus! Você julga que isso realmente dará certo???

Vemos sintomas desses pensamentos confusos em todas as partes, mas, mesmo assim, continuamos a buscar sempre as mesmas respostas que não funcionaram anteriormente. A situação piora quando percebemos que muitos eleitores acatam passivamente essas ideias caducas e continuam votando nos candidatos políticos que as proferem. Como é possível acreditar nas mesmas ladainhas, desejar a mudança, mas sempre aceitar mais do mesmo? Qual é, então, a solução?

Confie em quem diz que "menos Estado" é a melhor solução


Tal dúvida provém da incoerência em acreditar no Estado como um provedor na economia ou benfeitor social. É matematicamente impossível qualquer organização trazer progresso a um corpo social quando a extração conjunta de recursos é maior que se provê a esse grupo. Os salários públicos, as gordas aposentadorias, os atravessadores, as propinas e toda a corrupção sempre serão abatidos dessa conta. Se acrescentarmos o processo histórico sui generis do patrimonialismo brasileiro, onde os limites entre o público e privado confundem-se constantemente, evidencia-se claramente a situação natural: mais Estado acaba gerando menos desenvolvimento econômico e social.

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?
Infelizmente, estamos longe de entender uma simples conta aritmética. Em terras tupiniquins, ainda se idolatra a figura do Estado, o ser supremo que existe para resolver todos os problemas. Mas como não considerar que esse ser supremo é dirigido pelos políticos? Aqueles mesmos políticos que, em geral, contém alto grau de impopularidade?

As pessoas possuem uma dificuldade enorme para aceitar tal incoerência e separam de forma bizarra o governo e os políticos que o compõem, estimulando um oportuno estudo de Bruno Garschagen para explicar porque os brasileiros não confiam nos políticos, mas amam o Estado. 

As quebras de expectativas que pululam na mente dos eleitores a cada biênio eleitoral provém, assim, da incapacidade em associar causas e consequências. Se já não é possível esperar benefícios do Estado enquanto tal, ainda seria menos viável idealizar um Estado benigno dirigido pelas pessoas a quem temos tanto desapreço. Bom senso, não é? Mas que falta à grande parte da população brasileira. Infelizmente, ainda estamos muito longe das ideias de Locke em seu "Segundo tratado do governo civil", onde procura deixar clara a separação entre sociedade e Estado. Este, seria apenas um "mal necessário" e não um ente com atribuições de prover a felicidade da população.

Como agir nessas eleições de 2018?


Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?
A corrupção da inteligência
Flávio Gordon
Vários setores de nossa sociedade já vem alertando há alguns anos a necessidade de uma mudança de modelo mental, a urgência em demonstrar com fatos óbvios que o Estado é prejudicial e que, além de não ser um agente de desenvolvimento per se, atropela um dos maiores bens que devemos preservar como indivíduo: a liberdade.

Esses movimentos, embora eu não seja afeito ao termo "revolução" (pela admiração aos princípios conservadores de Roger Scruton), podem ser entendidos como uma "contra-revolução cultural" em alusão ao pensamento gramscista. Recentemente, essas ideias vêm sendo propagadas em diversos meios com a ajuda da internet, combatendo a restrição de informações à poucas empresas de comunicação, retrato do mundo há pouco mais de 20 anos. Para entender sobre a revolução Gramsciana, os capítulos 3 e 4 da primeira parte do livro de Flávio Gordon são leituras obrigatórias.

É necessária, portanto, uma mudança na esfera cultural, para que novos políticos, abertos às ideias da defesa do indivíduo perante ao Estado, sejam eleitos com o intuito de reduzir institucionalmente o poder estatal e consequentemente, o poder que uma pequena classe dominante de burocratas e apaziguados, possui nesse país. Descentralizar o poder e empoderar as pessoas em detrimento a qualquer espécie de coletivismo, é a base para o sucesso de cada um de nós.

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?
Argumentos para o conservadorismo
Roger Scruton
Existem organizações que prezam por essas ideias com massiva convergência nos aspectos nefastos da interferência do Estado na economia, embora existam algumas divergências de posições relativas ao conceito de liberdade social. São movimentos que são bem-vindos no sentido de quebrar o monopólio do pensamento da esquerda em um país que só tem andado para trás depois que ele assumiu o poder.

Dentre essas associações, o Partido Novo parece-me o principal movimento para um projeto a longo prazo. É o único com uma plataforma clara para a supressão de poder dos políticos e sua transferência para as pessoas. Nessa eleição de 2018, o partido está concorrendo para vários cargos em vários estados, com excelentes quadros.

Para presidente, tanto o João Amoedo quanto seu vice, Christian Lohbauer são pessoas com um histórico e mentes invejáveis. Seus discursos não deixam margem a dúvidas da visão grandiosa que eles possuem de um novo Brasil. Idem para os candidatos a governadores, com destaque ao empresário Romeu Zema, candidato ao governo de Minas Gerais, terceiro colocado na última pesquisa estadual.

É muito importante a votação dos candidatos do Partido Novo para as assembleias legislativas, lembrando que é imprescindível que o eleitor vote no nome do candidato, e não apenas no número do partido (30). De acordo com a legislação eleitoral, o candidato precisa possuir um mínimo de votos dependendo do quociente eleitoral de cada estado. Todos os candidatos do Partido Novo passaram por entrevistas e sabatinas para conformação de que seus princípios aliam-se aos valores que o partido prega em sua comunicação.

Lembrem-se que são nas câmaras federais e estaduais que podemos quebrar esse monopólio do pensamento da esquerda em nosso país. "Ser ouvidos", debater o contraditório e mostrar bons argumentos, é tudo que podemos almejar agora. A esquerda ainda vai dominar os parlamentos, mas precisamos iniciar uma mudança, não acham? Uma vez que são muito menos votos necessários para uma eleição a deputado, você é um agente que pode fazer a diferença. Por que não colocar como meta pessoal influenciar e mudar o voto de mais 5 pessoas? O nosso discurso é excelente, acredite! Não é algo difícil de fazer. Entre no site, conheça melhor a proposta e seja um diferencial nessa eleição!

Uma pequena observação aqui: eu realmente entendo a posição de muitos colegas, com muitos pensamentos em comum ao meu, em usar o voto útil no primeiro turno escolhendo o Jair Bolsonaro como sua opção. Mas lembro que vocês estão votando no candidato Jair, ou quiçá no Paulo Guedes. Se vocês não tiverem alguma posição firme para o senado e assembleias federais e estaduais, pensem com carinho nos candidatos do Novo. No fundo, queremos o mesmo país, talvez divirjamos somente do timing correto para o uso do voto útil.

Convido assim, a todos os leitores, a refletir sobre o Brasil que deseja deixar aos seus filhos e netos. Analise sua intenção de voto atual. Se essa pessoa já está na política em um quadro eletivo, veja quais foram suas reais contribuições à sociedade. Será que ela merece estar novamente nesse meio? Ou será que é melhor elegermos pessoas como você, realmente comprometidas a fazer cada um de nós protagonistas na nossa vida?




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Sobre o individual e o coletivo, veja o livro A Nascente, de Ayn Rand.
Sobre o assunto da corrupção e Estado: "Corrupção, política e eleição: com o modelo mental estatista, há solução?"
E algumas diferenças entre pensamentos liberais e estatistas.
Mais artigos no sumário dessa página.
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Comentários

  1. Eu não tenho muita expectativa desse estado brasileiro atual, até no meu íntimo alimento a existência de uma estado que garantisse o bem estar e a harmonia da sociedade, acho que no fundo todo mundo deseja isso, da sua maneira, dentro da sua visão. Mas a visão que o artigo traz é bem interessante, realmente esse excesso de expectativa do povo em relação ao estado, como fomentador de recursos para sua realização pessoal é errada, as pessoas devem buscar isso através do seu trabalho e esforço, isso deveria estar claro para a população. Então precisamo criar na verdade uma relação de economia de mercado justa, onde quem trabalhe possa se realizar, criando assim um ambiente próprio para que as idéias ligadas a liberdade individual prosperem e seja a bandeira de uma sociedade justa; lembrando sempre às criaturas que direitos andam ao lado de obrigações, um não pode existir sem o outro.
    Mas na conjuntura atual acho difícil que esse sentimento floresça em relação ao estado brasileiro atual, pois mesmo não tendo expectativas em relação à ele, sua presença se faz presente, através do excesso de tributação, da sua ineficiência e do fisiologismo das autoridades públicas. O POPULISMO NECESSITA DE UMA CLASSE POBRE E MISERÁVEL PARA EXISTIR, porque não tem inteligência e talento para grandes realizações e assim angariar apoio das classes mais empreendedoras da sociedade.

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    1. "no meu íntimo alimento a existência de uma estado que garantisse o bem estar e a harmonia da sociedade, acho que no fundo todo mundo deseja isso, da sua maneira, dentro da sua visão" - é justamente essa visão que combato no artigo e no blog: o Estado bondoso é uma ilusão, e essa ilusão mantém nossa mente aprisionada impedindo de ver a liberdade que nos é suprimida.

      "Então precisamo criar na verdade uma relação de economia de mercado justa, onde quem trabalhe possa se realizar, criando assim um ambiente próprio para que as idéias ligadas a liberdade individual prosperem e seja a bandeira de uma sociedade justa" - isso só é possível com menos Estado.

      Concordo totalmente e parcialmente com os demais comentários. Obrigado!

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