2015: a necessidade de um grande ajuste econômico e moral no Brasil

O ano de 2015 será decisivo para alterarmos o curso da história desse país e termos a possibilidade de vislumbrar alguma melhoria nesse país. Ou não.

Uma vez que as eleições impedirão atitudes concretas até o final do ano, resta esperar 2015 para que tenhamos a possibilidade de vislumbrar alguma melhoria nesse país. Ou não.


As pessoas que me acompanham pelo Facebook desde 2010 devem se lembrar que desde aquele tempo (em que era mais ativo na rede) eu criticava muito o governo petista, tanto em seu viés autoritário quanto no aspecto moral e econômico. Naquela época, estávamos começando a viver a herança do período Lula, onde o ex-presidente estava obtendo recordes de aprovação.

Tão clara como a luz, essa herança era maldita no meu entendimento. Mas a maioria das pessoas não entendiam como eu podia ser contra sua administração, opor-me à sua política econômica e provocar pensamentos em relação aos legados temerosos para as próximas gerações, como a apologia da ignorância que sempre esteve ligada em seus discursos. Agora (2014), quatro anos depois, o que está acontecendo com a economia e com as instituições do país?

Hoje saiu na mídia a geração de empregos formais em junho: a menor dos últimos 16 anos. O comparativo semestral, mostrado no gráfico abaixo, mostra a tendência decrescente nesse indicador que até então, era o pilar de salvação do governo nos dados macroeconômicos. No primeiro semestre desse ano, houve a criação de apenas 493 mil vagas de emprego pelo dados do Caged. Bom? Considerando que a população em idade ativa no Brasil cresce entre 1 a 1,5% ao ano, ou seja, cerca de 1,3 milhão de pessoas por semestre, infere-se que mais pessoas estão desempregadas, ano a ano.

Ah, diria algum leitor: - mas a taxa de desemprego continua baixa, como pode? Sugiro que esteja a par do cálculo absurdo para a elaboração desse indicador pelo IBGE e aceite que o desemprego no Brasil está acima de 20%, e subindo, analisando os argumentos que expus nesse artigo: Além dos 20%: a real taxa do desemprego e sua manipulação estatística.

O ano de 2015 será decisivo para alterarmos o curso da história desse país e termos a possibilidade de vislumbrar alguma melhoria nesse país. Ou não.
Clique para ampliar. Fonte: http://ricardogallo.ig.com.br/
A dificuldade de criação de empregos está umbilicalmente ligada ao baixo crescimento econômico do país nos últimos anos. Ontem a mídia noticiou que o crescimento econômico em Maio foi negativo, ou seja, a economia do Brasil diminuiu de tamanho em relação ao mesmo mês do ano passado. Somado ao crescimento de 0,2% no primeiro trimestre e 0,1% em Abril, acredito que nos próximos dias os economistas revisarão a previsão de crescimento, já pífia, de 2014 para menos de 1%.

Burocratas do governo relacionam esses números desastrosos com a situação difícil da economia mundial. Mas o gráfico abaixo mostra que o quão verídicas são essas afirmações. Os dados expostos no governo Dilma vão até o ano de 2013, e tudo leva a crer que, com a inclusão do ano corrente, nossa diferença em relação à América Latina e o mundo aumentará ainda mais. Longe dos países que mais crescem e fazendo companhia para os companheiros argentinos e venezuelanos que também patinam em um caos social.

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Por que isso ocorre? Sem dúvida existem várias causas, a maioria em decorrência do total descalabro que a pior equipe econômica de todos os tempos impingiu ao Brasil. Um dos pontos foi a leniência com a inflação. A meta de 4,5% não é cumprida há cinco anos e nesse ano existe um grande risco de seu teto de tolerância de 6,5% ser ultrapassado. E vale a lembrança de que a meta de inflação de 4,5% já é muito alta. Ela é a 4ª maior meta do mundo, perdendo apenas para países como Jamaica, Uganda e Nigéria.

O Brasil sempre escolhe, ao final, as economias mais "exemplares" para se espelhar. Na verdade, a situação é ainda mais grave, visto que o governo ainda tem represado aumento de preços nos setores de energia e combustível para sua política (tola) de controlar as consequências da inflação - os preços, e não sua causa - a expansão monetária. Possivelmente a inflação hoje beiraria os 10% sem esse uso político. Uma bomba-relógio que explodirá brevemente.

Como disse recentemente Ricardo Amorim, a inflação está alta e grávida. Se você deixou um dinheiro parado nesse semestre na poupança, fique atento pois ele diminuiu de valor, uma vez que o rendimento da aplicação perdeu para a inflação. Ela é, afinal, a maior armadilha para o Estado se auto-financiar às custas da população, mas sempre é tratada com desdém na hora das eleições.

O ano de 2015 será decisivo para alterarmos o curso da história desse país e termos a possibilidade de vislumbrar alguma melhoria nesse país. Ou não.
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O equilíbrio nas contas públicas também foi perdido. Nosso superávit primário, que era de mais de 3% do PIB nos primeiros anos da década passada, passou a 1,5% no governo Dilma e deve terminar o ano de 2014 a 1%, mesmo com as imorais contabilidades criativas.

O déficit nas contas correntes (transações com o exterior), tem atingido níveis historicamente baixos como mostra o gráfico. Percebe-se que o superávit da balança comercial definhou, apesar de preços ainda favoráveis. O Brasil tornou-se um exportador de commodities, e não de manufaturados como em anos recentes. O quadro pode ser ainda mais crítico, se considerarmos o uso político da Petrobrás - a única empresa de petróleo do mundo que torce para que a cotação do seu principal produto de venda caia, em virtude de ter seus preços de venda congelados por estar sendo utilizada como fantoche da política anti-inflacionária. 

O que Márcio Holland, secretário de Política Econômica, apresentou como os novos pontos do tripé macroeconômico foram na verdade um fracasso. O problema maior, entretanto, não é o erro. É insistir no erro. Ninguém no governo assume que a economia do país está sendo destruída e não há rumores de que algo irá mudar. Vivem em um outro país, insistindo em aumentar a intervenção do Estado na economia, aumentando gastos públicos e aportes do BNDES, controlando preços, realizando atuações no mercado de câmbio e promovendo concessões mal feitas, controlando inclusive a taxa de retorno dos empresários.

A obsessão por empréstimos é tamanha que nos últimos anos o consumo aumentou sem a contrapartida dos investimentos. E qual o resultado? As vendas de carros tiveram o pior semestre em quatro anos. Outros bens de consumo duráveis acompanham o mesmo ritmo


Falta investimento em bens de capital, como comentei nesse artigo. A taxa de investimento, que ameaçava chegar a 20% na década passada, caiu abaixo de 18% do PIB (em outros países da América Latina é acima de 25%). Falta confiança dos empresários em investir em um país onde todas as estruturas estão abaladas. Sobre a saúde e a educação, é necessário comentar? E segurança pública e o novo recorde de pessoas assassinadas? Como está a infra-estrutura das estradas, portos e aeroportos? Para todos esses campos, estamos no último quartil nos rankings mundiais, e caindo. E isso não é pessimismo. Nem derrotismo. Nem síndrome de cachorro vira-latas. É a realidade, fácil de ser demonstrada pelas estatísticas.

Falta confiança moral no país. Um país onde a liberdade está sendo constantemente ameaçada, como a imposição do decreto 8.243*, que diminui a representatividade no governo das pessoas que não pertencem a "movimentos sociais". Uma liberdade que é ameaçada pela elaboração de uma lista negra de jornalistas contrários às ideias do PT. Uma lista negra oficial, uma vez que foi feita pelo vice-presidente do PT e publicada no site do próprio partido. Um país onde a liberdade de um juiz, alvo de ataques racistas e execrado simplesmente porque fez cumprir a lei, foi suficiente para abalar sua sustentação na permanência no cargo. Estamos nos aproximando da temperatura crítica para matar o sapo, como comentei nessa postagem de meses atrás.

Falta otimismo, muito abalado pela destruição dos pilares éticos que sempre foram necessários para a construção de sociedades de sucesso. O PT liquidou essa possibilidade, com discursos onde seus erros não são nunca assumidos, discursos nos quais sempre responsabilizam terceiros pelas consequências de seus atos. Seja a elite branca, os empresários, a "direita", os "reacionários fascistas" ou simplesmente "eles" como diria o ex-presidente em muitos de seus discursos vagos. Aparelharam empresas públicas e instituições para seus camaradas. Promoveram uma divisão da sociedade com a criação de castas sociais e sua manipulação para fins próprios. Ignoraram que cada indivíduo é um fim em si mesmo e antes de tudo, é notavelmente um ser humano único e não um número pertencente a uma classe.

Mas muitas pessoas ainda votarão no PT nessa eleição. Afinal, vivemos uma Idiocracia, a apoteose de uma sociedade medíocre, não? Teremos um 2015 com ou sem esperança de melhorias?

* veja mais considerações sobre o decreto aqui.


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Esse texto foi escrito em 2014 e atualizado em Abril de 2018 para os novos padrões e layouts do blog.

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Veja uma compilação de alguns artigos de 2014 com comentários antes e após as eleições presidenciais que conduziu novamente o PT no poder:

Esse ano vote no PT e conquiste uma Venezuela só para você
O terrorismo compondo o medo no discurso de esquerda
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Existem muitos outros textos sobre Liberdade Política nessa página.

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