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2.700km e 11 dias em duas rodas

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
Amanhecendo na estrada

Uma viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil, saindo de São Paulo, passando por Minas Gerais, Goiás e Brasilia.


Há alguns dias atrás postei o texto "Sensações de uma viagem de moto" sobre o diferencial de viajar de motocicleta. Após a viagem, principalmente após o último dia de viagem, onde rodamos 932km durante mais de 12 horas com muitas paradas em virtude do calor intenso, é possível constatar que todas aqueles pensamentos referentes ao passeio permanecem presentes a cada quilômetro percorrido.

Nem o cansaço, nem o desafio das estradas nem sempre perfeitas e as temperaturas que assolaram o Brasil nesses últimos dias prejudicaram essa deliciosa experiência. Foi uma viagem mista, para conhecer lugares então inéditos e para reencontrar grandes amigos. Uma viagem onde o percurso é tão importante quanto o destino.

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
No caminho para Pirenópolis
Partimos com o mínimo de bagagem possível, mas mesmo assim no limite de peso para a MaryLou. Os alforges e acessórios já dão sua cota de contribuição. Com duas libras a mais em cada pneu e amortecedor na regulagem mais alta, ela partiu inicialmente de Campinas para Sertãozinho, onde passamos o final de semana na casa de meu irmão.

Infelizmente – ou felizmente, pois não pegamos um dia sequer de chuva na estrada, a viagem deu-se historicamente em um dos momentos mais quentes de São Paulo. Mantendo o uso da jaqueta e luvas pela segurança, sofremos com o calor, atestando um vigor que faz com que não duvidemos de nossa própria existência, como havia escrito anteriormente.

Posteriormente fizemos uma perna maior, de pouco mais de 450km até Caldas Novas saindo bem cedo de forma que pudemos presenciar o nascer do sol na estrada, ainda no Estado de São Paulo. Grande espetáculo! Após a travessia para Minas Gerais, a estrada, apesar de duplicada, piora um pouco, principalmente na faixa da direita, mais utilizada por caminhões, e após Araguari, seguimos em pista única.

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
Paisagens sinistras nas cidades históricas
Caldas Novas como cidade não tem nada de interessante. Um comércio aqui e acolá, um empadão goiano muito bom e só. O destaque da cidade fica por conta dos parques aquáticos, isso é, a cidade se destaca basicamente pela iniciativa privada. Fiquei imaginando o quanto a prefeitura da cidade deve arrecadar de impostos dos parques, dos proprietários dos belos edifícios, do comércio e não retorna praticamente nada para a cidade.

A igreja matriz em más condições de conservação, a falta de infraestrutura no mercado da Lua, o completo abandono do antigo Balneário Municipal atestam a já conhecida incompetência estatal. Mas melhor seria, claro, que ela abstivesse desse impostos tornando o investimento de particulares ainda mais viável. Como comentei nesse artigo, a maior fonte de corrupção é o poder que a sociedade entrega ao Estado. Enquanto nossa sociedade tiver esse pensamento, não nos livraremos dela.

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
A cidade de Goiás
De Caldas Novas, fomos à Goiânia e presenciamos seu trânsito infernal, com semáforos completamente dessincronizados e motoristas que viram à direita cruzando na sua frente com uma naturalidade incrível. O calor de rachar não ajudava os percursos urbanos torrando tanto nossas cabeças quanto a paciência.

Visitamos dois amigos na cidade, fiz uma pequena revisão na Mary e partimos em seguida para Goiás, a primeira capital do Estado, também conhecida como Goiás Velho. O centro da cidade possui seu charme, mas o calçamento das ruas foi um terror em duas rodas. Paramos na pousada e só tirei a moto de lá quando saímos da cidade. Tombada como Patrimônio Histórico Mundial pela UNESCO, a cidade possui igrejas cujas construções começaram na primeira metade do século XVIII, tornando-se um dos primeiros núcleos urbanos do Estado em virtude da descoberta de ouro nas proximidades.

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
Pirenópolis e sua igreja de 1728
De Goiás até Pirenópolis, fizemos um caminho um pouco mais longo para evitar estradas de terra, passando por Itaberaí, Itaguari, Itaguaru e Jaraguá, em um total de seis estradas diferentes. Pistas simples, sem acostamentos, mas em geral com boa conservação do asfalto.

Pirenópolis guarda alguma semelhança com a cidade de Goiás em virtude da história de desenvolvimento semelhante gerada pela corrida ao ouro. O calçamento das ruas de pedras é melhor do que em Goiás, a cidade é muito mais movimentada e hospeda a primeira igreja católica construída no Estado de Goiás, em 1728.

Outra atração da cidade é a natureza ao redor. Optamos por ir com um grupo no Parque Estadual dos Pireneus, parando em algumas cachoeiras, visitando vegetações rupestres em locais rochosos do cerrado e culminando no Pico dos Pireneus (que dá nome à cidade, e segundo o guia, o segundo ponto mais alto do Estado) para ver o pôr do sol. Uma pena que o céu nesse dia estava nublado e não nos proporcionou uma visão tão bela quanto imaginávamos.

Relato da viagem de 2.700km em duas rodas pelo interior do Brasil. Uma viagem de moto por Goiás, Pirenópolis, Goiânia, Alexânia e Brasília.
No topo do Parque Estadual
Saindo de Pirenópolis fomos a Alexânia encontrar grandes amigos de meu antigo emprego e fizemos uma visita à Brasília no Eixo Monumental. Brasília não me impressiona tanto como a outras pessoas. Acho a catedral muito bela, mas as outras construções me passam uma frieza incrível. O estado de conservação dos palácios, ao menos externamente não ajuda: é normal notarmos placas mal conservadas e pinturas descascadas. É afinal, o retrato de um Estado falido...

Essa impressão negativa pode estar ligada à própria ideia de tais monumentos enaltecerem e hospedarem indivíduos que utilizam afáveis argumentos para tornar a minha e a sua vida melhor, mas utilizando do expediente de tirar nosso dinheiro à força e de permitir cada vez menos liberdade de escolhas, como comentou Fernando Pessoa.

Dormimos novamente em Alexânia e voltamos de lá, perfazendo no último dia, 932Km, parando apenas para alimentação e necessidades fisiológicas. Apesar do conforto da Mary, claro que voltei quebrado, mas feliz por mais uma oportunidade de viver algo diferente.

Mais fotos dessa viagem aqui.



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As maiores viagens nesses últimos três anos estão nesse outro link do blog. Espero que gostem!



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Comentários

  1. Não ha nada melhor, eu primeiro fiz uma viagem de 1.200km de bicicleta; noutra fui do RS até o sul de MG com uma moto 125cc, depois fiz uma de quase 7.000km com uma moto 800 cc, atravessei o Uruguai, Argentina, Chile, fui até o Oceano Pacífico e voltei, houve um dia que sai de Mendoza AR e viajei 868 km, cheguei a noite numa cidadezinha próxima a Córdoba AR.
    Se pudesse faria uma vez por ano.

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    Respostas
    1. Legal Marat! Tem algum lugar onde você relatou essas viagens para lermos? Abraço!

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    2. As de moto não, mudei minha atitude em relação a internet, hoje uso um pseudônimo por conta disso.
      A viagem de bike sim, fiz um blog, aliás dois, um completo com relatos diários, porém este o host encerrou atividades era o multiply, o outro com menos contéudo no blogspot, ainda esta lá, nesta viagem foram quase 800 fotos.
      Na segunda viagem de moto, BR, UY, AR e CH, apesar do percurso ser muito maior e a variedade de paisagens e fatos serem mais intensos, foram quase 500 fotos, de moto fica um pouco mais difícil fotografar.
      Se quiseres dar uma olhada, envia-me mail que retorno o link p/ que olhes o blog, na verdade ele é mais interessante pelas fotos.
      Abraço!

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    3. Legal, Marat! O email do blog é viagemlenta@gmail.com! Abraço!

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