Dias 91 a 94 da viagem: Georgetown, ilha de Penang, Malásia

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Pinturas de rua em Penang

Relato da viagem à bela ilha de Penang, cidade de Georgetown, na Malásia. Pontos altos do passeio: trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII. 


E vamos ao sexto país da viagem: Malásia! Como comentei no post de Krabi, na Tailândia, fiz uma opção para uma viagem mais sossegada e sem preocupação, pagando um assento em uma van particular. A viagem a partir de Krabi passou pela cidade de Hat Yai, onde almocei com um sérvio que vim conversando no caminho e também o local de troca de van. A passagem na fronteira ocorreu sem problemas. Tanto na Tailândia quanto na Malásia brasileiros não precisam de vistos, o que facilita o trâmite.


As estradas de ambos os países estão muito bem conservadas, tornando a viagem rápida e confortável, embora a longa distância e a parada para o almoço fez com que gastássemos, ao total, quase 8 horas. Decidi na Malásia fazer uma parada em Penang, uma grande ilha que abriga a capital do estado de mesmo nome e uma das mais importantes cidades do país: Georgetown. O nome Penang refere-se normalmente tanto à ilha quanto ao estado, e vou usá-lo para ambas as regiões nesse relato.

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Paraíso da alimentação, inclusive "at home"
Penang, além de ser conhecida no país como a capital e paraíso da alimentação, tem uma rica história de imigração de povos e, em função de possuir um importante porto e centro comercial controlado pelos ingleses desde 1786, desenvolveu-se muito no século XIX a ponto de ser conhecida no século XIX como a “Pérola do Oriente”.

Hoje o estado é um das mais importantes economias do país e sedia grandes empresas de informática e é o único onde a etnia chinesa é maioria entre todas as demais, embora em geral, não haja grande miscigenação entre eles e os malaios muçulmanos: em geral, as famílias são formadas entre pessoas da mesma etnia.

A UNESCO atribuiu à cidade em 2008 o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, o que fez crescer muito o turismo a ponto de tornar-se uma nova e importante fonte de recursos para a cidade. E a infra-estrutura da cidade mostra-se apta para esse novo desafio: grandes avenidas muito bem conservadas, boas linhas de ônibus, jardins, parques e pontos turísticos bem sinalizados e cuidados e grandes shopping-centers.


Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Onde está Wally - in Cheew jetty
Visualmente a cidade é muito bonita, limpa e apesar de algum trânsito, não poluída. A primeira visão da Malásia transparece que a impressão do país está a degraus acima da Tailândia em grau de desenvolvimento econômico e infra-estrutura, sendo que ambos, já estão à frente de nosso país nesse quesito. Perdem porém, na liberdade de expressão, mas oferecem sem dúvida, mais liberdade de negócios.

Em Penang tive uma oportunidade de utilizar a rede do Couchsurfing pela segunda vez. Mas diferentemente de Bangkok, onde o anfitrião morava só, abrigando muitos estrangeiros ao mesmo tempo em sua casa, aqui em Penang eu fui o único viajante, junto com uma família chinesa, o que ajudou muito a imersão cultural. Jantei todos os dias com eles, e no último dia fomos a feiras típicas na vizinhança.

O anfitrião CheeWee também me acompanhou em um trekking no primeiro dia de visita na cidade antiga. Trocamos muitas informações sobre ambos os países e devido sua antiga herança chinesa, sofrida pelo abominável Mao Tsé-Tung, aprendi muito sobre a China também. História, sociedade, linguagem e cultura. Foi uma ótima experiência, principalmente em função da ótima recepção e amizade criada!

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Estado e comerciantes nas bikes
Na cidade, os imigrantes chineses criaram inicialmente vários píeres como local de residência da mesmas famílias, compartilhando entre eles a mesma linhagem, cultura e história. As casas foram construídas ao longo desses píeres e conforme a família ia aumentando, novas residências eram adicionadas.

Hoje existem apenas 6 píeres que ainda são utilizados, mas com o aumento do turismo, muitos deles foram descaracterizados em função de demanda turística. Já há inclusive guest-houses no maior deles e um comércio de souvenires bem desenvolvido. Mas não deixa de ser uma atração que remete a uma das consequências da imigração chinesa na cidade.

A cidade histórica, entretanto, guarda muito mais da herança inglesa a partir do século XVIII. As principais edificações, todos em bom estado de conservação, são a Torre do relógio Queen Victoria, o Fort Cornwallis, construído por Francis Light e cujo nome homenageia o governador geral britânico em Bengali Charles Cornwallis e a atual sede do governo do estado. Muitos prédios construídos margeiam a avenida Pengkalan Weld, construída na área aterrada pelos britânicos posteriormente.

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Recompensa ao final da trilha!
O Museu Penang é uma atração altamente recomendada para fornecer uma ideia de como foi estabelecida historicamente a cidade em função dos diferentes povos que participaram dessa construção. É um pouco difícil para um brasileiro imaginar todas as consequências que isso pode acarretar, uma vez que tivemos um volume muito pequeno de imigração no nosso país e principalmente, a miscigenação impediu a manutenção da identidade dos diferentes povos que recebemos.

Isso, porém, não é uma crítica. Perdeu-se um pouco dessa identidade cultural e nacionalista no nosso país, mas essa liberdade de miscigenação construiu uma tolerância cultural a qual poucos países possuem, e de certa forma suprimiu, culturalmente e biologicamente, o conceito de raça. Mas infelizmente hoje, o nosso governo faz tudo para resgatar e dividir, em termos de direitos e deveres, nós que somos simplesmente humanos.

A ilha também tem uma atração imperdível para os trekkers: o Parque Nacional de Penang. Existem dois caminhos básicos para serem seguidos, e ambos terminam em uma praia, que só é acessível através dessas trilhas. Alguns barcos fazem o circuito a partir de Tekan Peluk, local no noroeste da ilha onde a estrada termina.

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Veja a trilha do Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
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Escolhemos o circuito de Teluk Kampi, com quase 5 km de muitas subidas, descidas e trilhas íngremes, para chegar posteriormente num lago que é formado e remodelado continuamente pelo período de monções. O rio enche e desce do monte em direção ao mar formando um pequeno estuário, que muda de forma conforme a época do ano. Uma infinidade de conchas habita essas areias e quando nossos olhos focalizam o mesmo ponto percebemos que as mesmas se movem, isso é, são habitadas por moluscos.

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Diferentes flores no jardim Botânico
Posteriormente, chegamos em uma praia praticamente deserta, que abriga também um centro de preservação de tartarugas marinhas. Mais adiante, com a companhia de alguns macacos, o último mergulho isolado no mar antes de voltarmos. Nessa área rochosa, uma infinidade de cracas, crustáceos sésseis, habitam o local. Cada vez que as ondas batiam nas pedras um espetáculo se formava com a movimentação para deglutição dentro de seu exoesqueleto. Para quem gosta de um pequeno trekking e de natureza, é um passeio imperdível. De brinde uma grande vista da janela do ônibus pelo litoral pelas praias de Batu Ferringi.

A visita ao Jardim botânico, entretanto, deixou a desejar. A cachoeira, que poderia ser uma boa atração, estava fechada para visitações. Apesar de existir muitas espécimes de árvores e vegetações, há muito poucas flores. Achei que veria muitos hibiscos, símbolo do país, mas existia uma única estufa com alguma concentração de flores e estava fechada para um longo horário de duas horas de almoço.

No caminho de volta, passei pelo tempo hindu de Balathandayuthapani, cuja construção original data de 1850 e é o mais antigo de Penang. Recentemente, um novo pavilhão foi construído no topo do rochedo, o que faz com que o destemido “walker”, aquele que enfrentou penosos 512 degraus, aprecie uma visão panorâmica da cidade, reconfortando-se em sentir sua energia dispendida recompensada. Infelizmente, o interior do templo estava fechado para visitantes no dia em que lá estive.

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Um país que cresce para cima
Nesse mesmo dia, subi ao 60º andar do maior edifício da cidade para uma visão 360º da ilha. O edifício, construído em 1974, abriga vários escritórios e um mega shopping center nos pisos inferiores, mas possui um certo grau de abandono nos últimos andares, embora mostre algum esplendor, pela decoração, de um brilho no passado. A visão entretanto, a 220 metros de altura, é incrível.

No último dia andamos mais um pouco pela cidade, tirei algumas fotos de pinturas de rua e comprei a passagem no confortável ônibus que me levaria à Kuala Lumpur, capital do país. No caminho, passei pela ponte de 13,5km, a quarta maior da Ásia e pouco maior que a Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro. No caminho, lindos condomínios e muitos ainda em construção mostram uma cidade que não pára de crescer. E para cima: impressionante como aqui a grande maioria das novas construções são altas. Em Kuala Lumpur esse crescimento ficaria ainda mais evidente.



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Próxima parada: a capital da Malásia, Kuala Lumpur.

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As postagens dessas reflexões são parte de uma viagem que começou na Europa, passou pela Ásia e retornou ao velho continente. Veja aqui como foi a viagem completa de 205 dias.

Veja mais viagens nessa página, ou ainda, algumas reflexões sobre o tema nesse link.

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