Ampliação e saída da zona de conforto - e um quiz sobre o rock brasileiro

Sair da zona de conforto nos traz liberdade para apreciar a zona de aprendizado e fortalecer nossos ideais
Expressar ou não essa liberdade de escolha?

Como os desafios que encaramos, através por exemplo, de uma viagem solo, nos impele a sair da zona de conforto?

Como podemos ampliá-la através da sabedoria e ao mesmo tempo, trazer uma potencial liberdade nesse confronto?


Desde a nossa infância, por influências familiares, escolares e religiosas, criamos limites onde o permitido e o proibido estão claramente definidos.

Nessas fronteiras, a maioria das consequências de nossas ações podem ser previstas e desejamos que nossas atitudes não se tornem causas de nenhuma situação incômoda.

A delimitação desses espaços pode ser entendida como uma construção pessoal, inconsciente, invisível que denominamos de “zona de conforto”: um lugar que caminha paralelamente com a realidade do nosso dia a dia e que oferece uma resistência muito grande para ser transpassado.


As limitações da zona de conforto


A zona de conforto confunde os mapas mentais da nossa realidade (como as coisas são) com os mapas de nossos valores (como as coisas devem ser). Está em um território que impede que sua liberdade real seja expressa. Uma região que deixa você com tantos motivos para deixar tudo como está, nem desistir e nem tentar.

Por outro lado, a proteção de uma zona de conforto não é necessariamente prejudicial à nossa vida, pois precisamos de alguma segurança para a estabilidade emocional necessária para a tomada de grandes decisões. O importante é estarmos conscientes de sua existência e analisar o risco de não explorarmos potencialidades reprimidas. 

O ato de ver não é algo natural, já dizia Rubens Alves, assim como de ouvir o que a vida sopra em nossa vida. Quando se sabe ouvir não precisam muitas palavras, mas muito tempo a gente leva para entender que nada sabemos sobre a existência, real e abrangente.


E quando essa zona de conforto torna-se um empecilho para que alcemos novos vôos, desvelam-se grandes oportunidades perdidas. E essa resistência de transpassá-la pode ser tão intensa, que se nossa voz tivesse força igual ao nosso medo e nossa dor para escaparmos de sua influência, nossos gritos acordariam a vizinhança inteira.

A sabedoria é a chave para sairmos seletivamente de nossa zona de conforto. A sabedoria fornece subsídios para ampliar ainda mais seu espaço, promovendo assim sua contínua expansão. Com a zona de conforto uma vez ampliada, nossa liberdade nos incita a criar novos desafios, em um contínuo processo de aprimoramento e fortalecimento de nossa liberdade.

E liberdade é algo precioso. Apenas aqueles que não a possuem, sabe de seu real valor. A sabedoria também nos ajuda para que, de uma hora para outra, não erremos nosso caminho deixando ela cair por terra, aos pés de um filme de Godard.

As viagens solo, a saída e ampliação da zona de conforto


Viajar sozinho exige um certo desconforto e cai como uma luva nessa quebra de limites. Aceitar que você é o único responsável pela viagem é uma considerável fuga de sua zona de conforto. Não, não há ninguém para agendar suas noites, seus tours, suas passagens aéreas e terrestres, ou levá-lo facilmente aos mais bonitos e interessantes lugares. 

Tais resoluções cobram um alto preço emocional. Inicialmente, oferecem grande resistência para que decidamos tomar uma decisão difícil, e durante esse processo, sofremos abalos sentimentais, criamos questionamentos e, consequentemente, desestabilizamos por ora, nossa vida. 
Como uma viagem solo nos impele a sair da zona de conforto, buscar sua ampliação e trazer uma potencial liberdade nesse confronto?
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Mas tendo consciência que toda pedra do caminho você pode retirar, e inclusive se arranhar numa flor que tem espinhos, você pode depois, com a coisa feita, ter a recompensa escancarada na face. Melhor, você se sente libertado de uma armadilha. Você ampliou seus limites, você ampliou sua zona de conforto.

Foi como no dia em que lhe disseram que as nuvens não eram de algodão e sem querer lhe deram as chaves que abrem uma prisão. Uma viagem auto-construída é um excelente meio, com recompensas evidentes para experimentar esses novos territórios.

A dificuldade desse início vem justamente do fato de que toda mudança é dor, e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Entramos em uma espiral de resistência que nos torna tolos que temem a noite, como a noite teme o sonho, que teme o despertar e daí em diante. Tememos o diferente. Tememos mudar hábitos simples que poderão nos proporcionar resultados fantásticos à frente.

Porém, a vida é cíclica e não podemos aceitar a estagnação mental. E nossa vida clama essa mudança, pede a fragilização das barreiras, mesmo inconscientemente. Precisamos levantar nossa mão sedenta e começar a andar para a frente, tendo consciência que nossa cabeça não aguenta se a gente parar.

Erros acontecerão frequentemente, mas os erros são os grandes momentos da nossa existência, pois aprendemos muito com suas correções. E ao final, não chegaremos ao epitáfio lamentando que deveríamos ter arriscado mais e errado mais…
 

Bônus: um quiz do Rock Nacional


Esse texto foi escrito originalmente em 2013 em momentos em que, com alguma saudade do Brasil,  ouvia um bocadinho de rock nacional, particularmente das bandas que bombaram na segunda metade dos anos 80. Para o atento leitor, o texto está recheado de citações de nossos poetas. 

Existem 10 citações de 7 intérpretes diferentes. Será que você conseguem descobrir?

E se isso não aplaca o desafio, nesse pequeno post sobre os primeiros 100 dias de reflexão de minha viagem à Ásia, reproduzo mais 5 citações de 3 intérpretes diferentes.



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As postagens dessas reflexões são parte de uma viagem que começou na Europa, passou pela Ásia e retornou ao velho continente. Veja aqui como foi essa viagem de 205 dias.

Veja mais viagens nessa página, ou ainda, algumas reflexões sobre o tema nesse link.

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Comentários

  1. Legal seu texto André, acho que as citações se encaixaram muito bem.

    Encontrei trechos dessas músicas (faltou uma):

    Por Enquanto - Legião Urbana (ou Cássia Eller)
    Há Tempos - Legião Urbana
    É preciso saber - Roberto Carlos (ou Titãs)
    Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii
    Quando o sol bater na janela do seu quarto - Legião Urbana
    Astronauta de Mármore - Nenhum de nós
    Tente outra vez - Raul Seixas
    Epitáfio - Titãs

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    1. Joia! Faltou só uma no segundo parágrafo!

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  2. Mais um excelente texto André! As comparações com estas belas canções se encaixam perfeitamente com seus comentários, demonstra uma grande sensibilidade e mesmo experimentando algumas dificuldades pelos caminhos que são totalmente desconhecidos para um viajante, principalmente para um viajante solo, deixa transparecer nas entrelinhas que já não se deixa perturbar pelos momentos difíceis porque entende que ao fim e ao cabo de alguma forma tudo se resolve...
    Sua maneira de pensar e escrever os textos relatando sobre esta maravilhosa viagem e observações sobre a vida pode ser comparada a uma das belas frases de Buda:
    “Quando a mente está perturbada, deixe-a sozinha. Dê-lhe um pouco de tempo, porque ela vai se restabelecer por conta própria e você não precisa fazer nenhum esforço para acalmá-la. Isso vai acontecer de qualquer forma”...
    Beijos e Namastê!!!

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    1. Obrigado pelos comentários Nina! Sim, eu estou tentando seguir esse exemplo... Não é fácil para mim, mas estou melhorando srsr!

      Beijos!

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  3. E aí André... parabéns pelo texto e pela coragem superada dia a dia. Boa viagem!!!

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