Dias 6 e 7 da viagem: Atenas, capital da Grécia

Relato da viagem à cidade de Atenas, na Grécia, sua área urbana e turística (Estádio Paratenaico, Acrópole, Ágora Antiga, Ágora Romana (Keramaikos e Biblioteca de Adriano).
O Monte Licabettus, em Atenas, visto da Acrópole

As muitas facetas da capital da Grécia, Atenas: recheada de glórias passadas expressas em seu sítio arqueológico a céu aberto.


Vamos à capital! Após a viagem de Delfos e Meteora, dediquei dois dias a Atenas. Provavelmente, teria dedicado mais, caso minha saída da Grécia não tivesse sido previamente agendada em virtude das considerações que coloquei em Roteiro Grécia e Turquia. Veremos até o final de semana como será, pois estou repassando alguns pontos; um japonês que conheci aqui no hotel disse que o sítio de Olímpia pouco restou do desenho original e que não gostou da visita que fez por lá...


Em Atenas decidi visitar no primeiro dia, a cidade em si, com exceção das atrações da região da Acrópole, que ficariam para o dia seguinte. Fiz todos os passeios a pé. Afinal, como melhor conhecer a cidade e incorporar seu espírito? Andei pela região de Omonia, progredindo em arco até o monte Licabettus, Estádio Paratenaico e a região do Parlamento.

Relato da viagem à cidade de Atenas, na Grécia, sua área urbana e turística (Estádio Paratenaico, Acrópole, Ágora Antiga, Ágora Romana (Keramaikos e Biblioteca de Adriano).
Cena urbana em Atenas
A região de Omonia não é uma localidade turística, e expressa bem a Atenas com a rotina diária de seus habitantes. Essa caminhada ocorreu no sábado, que mostrou um trânsito razoável como nas grandes cidades do país, às quais Atenas se assemelha bastante.

Ela está longe de ser uma cidade tipicamente norte-europeia da forma como costumamos imaginar: possui calçadas mal cuidadas, considerável quantidade de lixo nas ruas e um incrível adensamento de muros pichados de forma irresponsável (não, nada de arte de rua).

Possivelmente seu estado de conservação seja consequência dos protestos e inconformismo da população com a crise (a última estatística que vi mostrava mais de 25% de desempregados  entre toda a população, com números ainda maiores para os jovens). Mas o fato é que a cidade em si não está bem cuidada. Há sim, belíssimas construções, mas são alguns oásis bem guardados no rebuliço da cidade. Contra o impressionante número de pombas e suas consequentes sujeiras, nem mesmo os oásis escapam. 

Pareceu-me a cidade de Roma pela grande quantidades de veículos de duas rodas, grupo dominado pelos scooters, que andam até nas calçadas e em ruas apenas destinadas aos pedestres. E sim, aqui o capacete não é obrigatório. Ao menos metade dos motociclistas não o usam.

Relato da viagem à cidade de Atenas, na Grécia, sua área urbana e turística (Estádio Paratenaico, Acrópole, Ágora Antiga, Ágora Romana (Keramaikos e Biblioteca de Adriano).
Bela igrejinha, encanamentos, fios e antenas
O Monte Licabettus, ponto mais alto de Atenas, apesar de ser um local belíssimo, não apaga essas impressões, em função da má conservação de algumas estruturas. Mas é um passeio que vale a pena pela vista que proporciona do alto e pela simpática igrejinha branca no seu topo, cuja beleza é ofuscada pelos penduricalhos à volta (foto), mostrando uma total falta de cuidado no local. 

O caminho por algumas das trilhas é muito agradável e proporciona, apesar de exigir alguma condição física, agradáveis momentos de paz. Mas existe a opção de subir de carro por uma rua asfaltada. Sem contemplações, é claro...
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A cidade das pombas

Algo que chamou muito a atenção no atual momento dos protestos de Atenas foi a quantidade de policiais da tropa de choque, em um vai e vem frenético de sirenes e caminhões-camburões. Isso tanto no sábado quanto no domingo e segunda-feira. Embora eu não tenha visto nada de anormal, a tensão parece grande. 

Sobre os atenienses, esses dois dias foram suficientes para mostrar sua amabilidade para ajudar o viajante nas direções e informações, com a ressalva apenas dos funcionários públicos, tais como de transporte de trens e ônibus. Não tive uma boa impressão deles nos últimos dias. Possivelmente, redução de “direitos” conquistados na virtual bonança econômica seja um fator de redução de humor e amabilidade. E parece que essa expressão é maior caso a pessoa esteja exercendo sua profissão, pois a ligação emocional é direta.

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O magnífico Estádio Paratenaico
Após almoço, segui para o Estádio Paratenaico, magnífica construção de mármore branco. O ingresso custa 3 euros e eu deixei de economizar 1,50 pois não trouxe a carteira de estudante. Mas o local vale o investimento! Está incluso no preço um áudio que explica a história e o significado de pontos do estádio. Vale reservar ao menos uma hora para a contemplação do local. 

Posteriormente visitei a área em torno do Parlamento, que conta com o Jardim Botânico, fechado pela polícia antes de seu horário habitual para controle da população, o que impediu minha visita. Impressiona no meio das ruas arborizadas próximas ao local o Zappeion, linda construção que já foi palco de encontros europeus. À sua frente fora montado um parque de diversões com a temática do Natal, o que trouxe muitas famílias e suas crianças para apreciar um dia agradável antes do inverno. 

Outro destaque em Atenas são as mexeriqueiras, do fruto de casca fina, ao largo das calçadas. Claro que peguei uma para experimentar, mas a experiência não foi boa: amarga demais, o que explica porque as árvores estavam carregadas de frutos: se fosse algo bom, a dificuldade em achar uma seria menor. Já na praça Sintagma, ponto final do dia, muitas pessoas se aglomeravam em frente ao Parlamento em um protesto contra os ‘nazistas’ e a favor dos ‘direitos humanos’, que parecia ser pacífico e tinha mais conotação social do que política. Fiquei um pouco na praça, acompanhando a manifestação e quando começou a anoitecer voltei ao hotel.

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Templo de Zeus no Olympeion
No dia seguinte o objetivo foi conhecer os pontos turísticos “padrões” de Atenas. O ingresso para as principais atrações, que inclui a Acrópole, Teatro de Dionísio, Ágora antiga e seu museu, Ágora romana, Biblioteca de Adriano, Olympeion e Kerameikos e seu museu custa 12 euros e vale por 4 dias.

O tempo de permanência em cada uma das atrações depende muito do interesse particular. Elas estão próximas, mas há pouca informação visual, e as pequenas ruelas podem confundir a direção correta entre uma e outra. As atrações permitem a mesma transposição de épocas que comentei no post de Delfos e a sensação é indescritível para quem não vê apenas um monte de pedras em seu entorno.


O Parthenon e o portal Propylae impressionam pelo tamanho e pela localização: imponentes no alto da acrópole. O templo mais bem conservado da antiguidade, entretanto, é o templo de Hephaestos, localizado na Ágora antiga, construído no mesmo século do Parthenon (séc. 5 a.C). Impressionante pelo tamanho é o templo do Zeus Olímpio, no Olympeion, com mais de 100m de altura. Esse templo é mais contemporâneo, já com colunas conrítias (séc 2 a.C.). Ambos museus, da Ágora Antiga e Kerameikos, são pequenos mas muito bem cuidados, com peças desde o Neolítico. Visita obrigatória.

Relato da viagem à cidade de Atenas, na Grécia, sua área urbana e turística (Estádio Paratenaico, Acrópole, Ágora Antiga, Ágora Romana (Keramaikos e Biblioteca de Adriano).
Escoras para evitar desabamentos
Em todos os sítios arqueológicos, a quantidade de materiais arqueológicos desprendidos, soltos no chão é impressionante, apesar dos saques de diversos invasores através dos séculos. Esses materiais não foram ‘montados’ na sua forma e local original e formam um grande quebra-cabeça de blocos de mármore de fortificações, bases de colunas e capitéis que desafiam a humanidade a remontá-lo.

Alguns momentos de reconstruções e restaurações foram bem documentados e fotografados e estão expostos nos locais. Outros locais ainda deixam em dúvida se existirão em alguns anos. Muitos são suportados por escoras. Se o valor do ingresso para visitação for realmente destinado ao trabalho de preservação, ele seria muito bem pago. O problema é que quando a instituição ‘governo’ controla esses fundos, a ineficiência na aplicação dos recursos sempre impera.

Relato da viagem à cidade de Atenas, na Grécia, sua área urbana e turística (Estádio Paratenaico, Acrópole, Ágora Antiga, Ágora Romana (Keramaikos e Biblioteca de Adriano).
Plaka e arredores: uma surpresa a cada esquina
A região circunvizinha da Acrópole (Rua Dionísio Aeropagitou e Rua Apostolou Paulou – mantenho o nome original para facilidade de localização no Google) e o bairro de Plaka são as regiões centrais mais belas que visitei em Atenas, com muitos bares, cafés e, aparentemente, frequentada pela classe média-alta da cidade. Mesmo agora no inverno, o bairro estava bem cheio, e deve atingir seu apogeu de movimentação nos meses de verão.

Alguns pontos da região torna visível a descoberta de ruínas após as construções atuais. Sempre abaixo do nível da rua, constantemente deparamo-nos com antigas colunas, escadas e calçamentos de séculos atrás. A paisagem urbana revela seu passado e suas histórias, onde muitas cabeças brilhantes sempre permanecerão anônimas.

Encerrando a visita nas áreas históricas, escolhi ir à Sounio no dia seguinte, pois a previsão do tempo indicava chuva para os demais dias da semana.




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Veja todas as fotos da região de Atenas no Google Photos ou então, as melhores fotos da Grécia no álbum do Pinterest.

Próximo post: Sounio Cape.

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As postagens dessas reflexões são parte de uma viagem que começou na Europa, passou pela Ásia e retornou ao velho continente. Veja aqui como foi a viagem completa de 205 dias.
Veja mais viagens nessa página, ou ainda, algumas reflexões sobre o tema nesse link.

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Comentários

  1. Anônimo18 dezembro

    Parabéns André, viagens curtas mais longas que ficarão na sua memória. Abraço!

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  2. Anônimo18 dezembro

    Ah, ficou Anônimo, mas acho que ainda se lembro do companheiro, Vandro, Caxias-MA, Grupo Schin.

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  3. Com certeza Vandro! Obrigado e grande abraço, companheiro!

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  4. Olá André, está sendo muito legal acompanhar sua viagem ao pais que tanto quero visitar !
    Algumas dúvidas : hotel ou hostel? A cidade possui wi-fi free em pontos como cafeterias, museus etc ou você comprou um chip para celular?
    Bjs e obrigada pelos ricos relatos. O legal é você mostar os lados bons e não tão bons das cidades que visita.
    Bj
    Joice

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    Respostas
    1. Que bom Joice!

      Hotel ou hostel depende muito da sua forma de viajar: são propostas diferentes. Em hostel vc pode conhecer outros viajantes bem facilmente, mas compartilhando quartos e banheiros. Em hotel não, mas vc tem sua privacidade. Em hostel vc paga em torno de 8 a 14 euros por noite. Hotel sem pechincha e sem muita ociosidade, dificilmente sai por menos de 30 euros, mesmo os mais simples. Hostel vc sempre tem wi-fi de graça. Hotel, nem sempre...

      Tem bastante ponto de Wi-fi em cafeterias sim. Na cidade há alguns pontos, mas o sinal não é bom. Alguns museus também tem. Estou só com Wi-fi, pois como vou a vários países, não seria viável correr de chip a toda hora.

      Obrigado vc pelos comentários!

      Bjus!

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    2. Obrigada André !
      Eu prefiro pagar um pouco mais pela privacidade. Então está sendo legal acompanhar seus passos.
      Bjs

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  5. Anônimo19 dezembro

    oii...estou adorando essa viagem historica. Admiravel! bjus. ;)
    Lu

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