Inteligência Cultural - liderança, viagens, Lula e investimentos...




A inteligência cultural pode ser útil desde na atuação em cargos de liderança e em viagens pelo mundo até na correta compreensão da política e sociedade.

E pasmem: ela ajuda, inclusive, a entender porque a condenação do Lula, ao menos por enquanto, nada muda nesse país e como isso pode afetar nossos investimentos no futuro.

Parece que não tem nada a ver uma coisa com outra? Vejam se concordam comigo...



Os leitores provavelmente sabem que, para atingirmos o sucesso (sob todas suas formas) em nossa vida, devemos transcender a lógica matemática disseminada em testes de QIs. Não me entendam mal: eu, como a maioria dos engenheiros, acho importantíssimo possuirmos uma compressão lógica e racional do mundo que nos cerca. Mas é claro que apenas isso não é suficiente.

É notório que outras formas de inteligência são importantes para compreendermos o mundo, nos expressarmos corretamente e termos sucesso nos negócios e relacionamentos pessoais. A ideia desse texto é fazer uma breve introdução sob essas classes de inteligências e apresentar o conceito de Inteligência Cultural, bem como ele pode ser usado para melhorar nossos relacionamentos e nossas viagens. E, por que não, também permitir uma breve análise sobre o suposto significado da condenação do Lula e como isso afeta o futuro do país e nossos investimentos.

Inteligências múltiplas e inteligência emocional


O que é inteligência cultural? Como ela pode ajudar em sua liderança, em suas viagens e em seus investimentos?
A teoria da existência de vários tipos de inteligência não é nova. Assimilei alguns conceitos tardiamente, através de uma bibliografia de alguma aula do curso de Educação Física. Howard Gardner discorre bem sobre o assunto em seu livro "Inteligências Múltiplas". Ele relaciona ao menos 8 tipos de inteligência humana, cada uma representando diferentes formas de processamento de informações:

1) Inteligência espacial-visual: interpretar corretamente imagens e profundidade espacial;
2) Inteligência lógico-matemática: resolver cálculos e problemas lógicos;
3) Inteligência verbo-linguística: análise, retenção e expressão de informações;
4) Inteligência musical: interpretar e produzir informações com os sons;
5) Inteligência corporal-cinestésica: coordenar e utilizar seu corpo para resolver problemas;
6) Inteligência naturalista: compreensão e análise da vida e da natureza;
7) Inteligência intrapessoal: conhecer a si mesmo e seu papel no mundo;
8) Inteligência interpessoal: exercer empatia, reconhecer sentimentos e emoções de outras pessoas.

Gardner explica todos os conceitos e como bem usá-los através de diversos livros de sua autoria. Você pode acessar a lista do autor através de um click de seu livro acima.

O que é inteligência cultural? Como ela pode ajudar em sua liderança, em suas viagens e em seus investimentos?Daniel Goleman, por sua vez, alcançou sucesso com uma nova roupagem no conceito de inteligência: a Inteligência Emocional, baseada na importância do controle emocional no desenvolvimento da inteligência global de um indivíduo. Segundo o autor, mesmo que expressemos várias formas de inteligência, se nossas emoções não estiverem equilibradas e direcionadas para um objetivo comum entre nós e nossos interlocutores, relacionamentos pessoais e profissionais podem ser prejudicados.

O autor obteve muita repercussão sobre o tema e usou-o posteriormente na literatura de negócios e liderança, oferecendo-o como essencial para o sucesso na formação de times vencedores. Goleman também é um adepto à mindfulness, ou seja, à prática de atenção plena e meditação como atividade essencial para o controle das emoções e também escreveu livros sobre o assunto. Clique em seu livro "Inteligência Emocional" para ver uma lista de suas obras.

Nesse texto, entretanto, vou ater-me a um conceito, que embora pareça uma repaginação de algumas ideias anteriores, vem aparecendo mais nos debates do dia a dia: a inteligência cultural.


A inteligência cultural


Primeiro, uma palavra sobre o relativismo cultural


Antes de continuar, acho relevante comentar que as ideias que exponho aqui não possuem nenhuma similaridade com relativismo cultural, cuja discussão passa mais por valores morais do que hábitos e condutas de outros povos. Esses últimos, quando não ofensivos aos direitos naturais do indivíduo, podem e devem ser tolerados e entendidos, para proveito mútuo. Quando envolvem afrontas e agressões ao ser humano, entretanto, devem ser desprezados, e não aceitos.

Essa ideia não pode ser confundida com etnocentrismo, onde julgamos per se que, nossa cultura é superior às outras. Escapar desse relativismo, muito em voga hoje em dia, é realizar uma crítica isenta das ações de um povo perante os direitos individuais básicos. Se eu desprezo parte da cultura árabe-islâmica pelo fato de que eles não permitem liberdade religiosa, consideram crime o homossexualismo ou atribuem direitos inferiores às mulheres, isso não é etnocentrismo. Isso é repulsa a uma cultura que não respeita o direito de escolha dos indivíduos e vê frequentemente como solução o atentado à sua vida.

É óbvio que, como consequência desses atentados aos direitos naturais, podemos sim considerar uma cultura superior à outra. Mesmo com a ausência dessas violações, podemos considerar uma cultura mais avançada, justa, dinâmica e mais livre. Precisamos parar com essa hipocrisia de falso respeito e pensar de forma mais crítica perante a povos que insistem em manter algumas tradições gerando imensas injustiças para as pessoas. Esse modus operandi globalista está gerando um multiculturalismo forçado que pode ser muito nefasto para o futuro da humanidade. Escrevi mais sobre o relativismo cultural há alguns anos, quando passei rapidamente pela Arábia Saudita: "O relativismo cultural como sanção para incoerentes tolerâncias sociais".

Feita esta importante observação, vamos ao livro que originou esse artigo!

Inteligência Cultural e relacionamentos


"Pare por um momento e olhe à sua volta. Como a cultura está moldando tudo aquilo que existe? De que modo ela está dando forma a tudo o que você vê? Pois ela está — isso eu posso garantir. E a capacidade de enxergar esse fato e conseguir se adaptar de maneira adequada será absolutamente fundamental para sua vida."
O que é inteligência cultural? Como ela pode ajudar em sua liderança, em suas viagens e em seus investimentos?

Esse pensamento do autor David Livermore resume a essência e o objetivo do livro "Inteligência Cultural". Segundo ele, a inteligência cultural nos fornece um subsídio para nos relacionarmos com pessoas de outras culturas, onde apenas as inteligências anteriormente abordadas não são suficientes. Nossa capacidade de adaptação, entendimento e ações de escolha, dependem de quanto entendemos as nuances de um relacionamento inseridos em uma cultura diferente da nossa.

Amparados por pesquisas "científicas", o autor sugere 4 passos para nos tornarmos mais inteligentes do ponto de vista cultural, envolvendo a motivação, o conhecimento, o planejamento e o comportamento que, praticados, geram sucesso nos relacionamentos. 

O livro possui uma ênfase maior na liderança de equipes, principalmente para pessoas e empresas que atuam globalmente que precisem adaptar suas atividades e discursos conforme a cultura de cada local de atuação. Melhorar o networking com pessoas de outras culturas, entretanto, não possui utilidade apenas para executivos com equipes multiculturais, mas também interessa a um viajante em tornar sua viagem ao redor do mundo mais prazerosa ou qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre a infinidades de costumes que a expansão da raça humana causou em nosso planeta.

Os relacionamentos são essenciais para encontrar os melhores lugares para visitar, melhores preços e as supremas oportunidades de conhecer a cultura local. Uma viagem, inclusive, é uma grande oportunidade para interagir com outras culturas e aprimorar sua inteligência cultural. Então...

Viaje, viaje, viaje...


O livro contém algumas seções que funcionam como um "manual" para desenvolver sua inteligência cultural. Sou um pouco cético com instruções que teorizam como fazer isso ou aquilo, principalmente se a prática está envolvida em alto grau com os resultados. É interessante conhecer os conceitos, mas nós só aprenderemos fazendo. Sugiro muito a leitura do livro (o valor era de R$ 9,90 pelo link acima no momento da publicação desse texto), pois, em meio à teoria, há muitos casos interessantes e curiosos sobre a cultura de diversos povos em momentos reais, vividos pelo próprio autor. Talvez esse aspecto seja o mais interessante do livro e é possível aprender muita coisa com tais exemplos.

A prática mais interessante para possuir inteligência cultural é, sem dúvida, viajar. Mas não de qualquer jeito. Existem alguns nuances que nos permitem explorar muito a cultura dos países que visitamos para assimilarmos mais conhecimento. Conhecer hábitos, estilos e singularidades de um povo pode ajudar inclusive a compreender a história da nação, essencial para desenvolver a inteligência cultural.

Conhecer um país é muito diferente do que conhecer sua cultura. Precisamos estar abertos e motivados para sair do roteiro turístico padrão e adentrar no dia a dia da população. Participar, por exemplo, de uma festa de aniversário em um mercado central no interior do Vietnã é uma forma de aproximar-se nesse contato mais íntimo. Assim como estar presente e atuar como voluntário no interior da ilha de Bali em um orfanato na zona rural.

O que é inteligência cultural? Como ela pode ajudar em sua liderança, em suas viagens e em seus investimentos?
Outro livro que li recentemente, "O que Drucker faria agora?", de Rick Wartzman, diretor do Drucker Institute, corrobora essa ideia. Peter Drucker foi um dos meus ídolos em administração desde o tempo da universidade. Apliquei muito de seu conhecimento como líder de equipes. Foi um dos melhores livros de administração que li na última década, pois Wartzman (apesar de, infelizmente, ser um "Obama´s fan") consegue sintetizar, através de visões diversas, os principais pontos da teoria de Drucker. E um trecho anotado possui tudo a ver com o melhor usufruto de uma viagem.

As ideias de Peter Drucker cruzaram várias vezes com as ideias de Charles Handy, um especialista em organização comportamental. E, em certo momento do livro, Wartzman nos conta que:

"... Handy e sua esposa (...) seguem uma porção de regras quando viajam. Uma delas é usar transporte público sempre que possível; isso serve como uma ótima janela para a cultura cotidiana. Outra é que eles sempre organizam um encontro com um grupo de meia dúzia, ou trinta e poucas pessoas, para que possam ter sua visão do cenário local e (...) ouvir seus sonhos"

Seja utilizando o transporte público (do povão, de preferência), seja fazendo as refeições junto com eles, seja correndo uma semi-maratona local, o importante é "viver" a cultura e o país, o que não ocorre se ficarmos sempre presos a agências de viagens e seus pacotes turísticos. Hoje, através da internet, temos muitas opções para sairmos do senso comum, como o Couchsurfing ou o Airbnb. Já utilizei ambos e valem a pena, desde que tenha cuidado em escolher bons anfitriões.


Inteligência cultural e investimentos no Brasil


A condenação do Lula não é primordial para nossas decisões de investimentos


Na semana passada houve a condenação por unanimidade do ex-presidente Lula. Vou ser objetivo e não comentar esse ser abjeto. Já escrevi anos atrás sobre ele no artigo "O culto a um ex-presidente como um retrato da idiocracia no Brasil".  De lá para cá, as descobertas de suas práticas ilícitas e imorais apenas corroboraram as palavras do artigo.

Muitas pessoas que ainda o apoiavam na época ficaram admiradas com os fatos revelados e deixaram de apoiá-lo. Infelizmente, muitas ainda o apoiam, algo que é de fato, difícil de entender, ao menos para quem teve alguma educação. Minha consciência está limpa há tempos. A única vez que votei no Lula foi no segundo turno contra o Fernando Collor, logo depois de completar 17 anos (acredito que valida meu pedido de indulto). Depois disso, negando a doutrinação do ensino médio e da universidade e estudando um pouquinho mais, votei sempre contra o PT.



O fato é que o molusco foi condenado e, exceto por uma falência muito grave em nossas instituições, não disputará a próxima eleição. Muitos investidores estão comemorando, muitas casas de análise apostando no oba-oba dizendo que o Brasil é o país da vez. Embora eu acredite que as coisas devem melhorar, não acredito que ficarão tão boas assim: mantenho minha alocação em renda variável, mas também em câmbio. Estou apenas levemente otimista no curto prazo, mas neutro no médio e longo prazo. E ciente também que um baque nos mercados mundiais pode ocorrer a qualquer momento e influenciar nosso mercado interno.

Minha neutralidade em relação ao Brasil provém pelo fato de que a força motriz que impele uma nação ao progresso não se origina de uma ou outra pessoa, mas sim das ideias permeadas na cultura da população, e a ideologia influencia demais nossos eleitores. Precisamos, enfim, possuir inteligência cultural para entendermos de que a cultura brasileira não permite, até o momento, um grande progresso econômico em terras tupiniquins.

Por que, culturalmente, somos mais uma Venezuela do que uma Suíça?


Se ainda há nos leitores essa dúvida, convido-os a pensar na pesquisa realizada no mês passado sobre privatizações. Apesar de ocorrer manipulações mentais nas perguntas apresentadas, é surpreendente que o resultado demonstre que 70% das pessoas sejam contra privatizar empresas públicas. Todas as revelações que apareceram recentemente na Petrobrás, Eletrobrás, Correios e Banco do Brasil não foram suficientes para alterar esse viés cultural? O que mais é necessário? Ah, mas o petróleo é nosso!...

Também no mês passado, o Valor Econômico publicou uma pesquisa apontando que 69% das pessoas são contra a reforma da previdência. Institutos mais "progressistas" apontam números ainda maiores. Como fazê-las perceber que a diminuição de natalidade de um lado e a diminuição de mortalidade do outro gera uma situação onde temos cada vez menos pessoas sustentando um grupo cada vez maior? É tão difícil entender isso? Isso evidencia um aspecto cultural, agravado pela aprovação da nossa "constituição-cidadã", que forneceu direitos a torto e a direito para a população em troca de pouquíssimos deveres.

Como explicar o ódio do brasileiro médio aos empresários, uma classe que arrisca seu capital, emprega pessoas, paga impostos e gera riqueza em nossa terra? Ok, os empresários daqui podem ser piores que lá, mas isso ocorre justamente porque existe um Estado que permite conchavos, possuindo a responsabilidade maior nesses acordos espúrios. Mas, contraditoriamente, o brasileiro ama o Estado, não?

O que é inteligência cultural? Como ela pode ajudar em sua liderança, em suas viagens e em seus investimentos?
A confusão mental das pessoas que dizem amar a liberdade e odiar os políticos, mas ao mesmo tempo, esperar tudo do Estado, é assunto de livro. Aproveite e acesse o excelente trabalho de Bruno Garschagen pela figura ou leia alguns breves artigos que escrevi há algum tempo, como "Sua desilusão com os políticos provém da expectativa em relação ao Estado" e "Respeito à liberdade e amor ao Estado: arranjos incoerentes".

Os exemplos são inúmeros. Pense no corporativismo dos taxistas contra o Uber. Reflita sobre a burocracia para abrir empresas. Analise o monopólio, dado pelo Estado, a empresas de transportes coletivos. Considere todos os privilégios que políticos, juristas, professores públicos universitários possuem em seus salários e aposentadorias. Essas classes estão levando nosso país a um déficit fiscal absurdo, de onde dificilmente conseguiremos sair nas próximas décadas.

O Lula é apenas uma das pessoas que simbolizam o desastre brasileiro, representando o segmento mais nocivo da sociedade. Com ele e sua presidenta, estaríamos caminhando hoje ao lado da Venezuela. Hoje somos governados pelos seus antigos companheiros (fato já esquecido por muita gente), e, embora menos piores do que ele, não permitem que passamos rapidamente para outro estágio de desenvolvimento cultural.

Enquanto tivermos um número considerável de pessoas que, como disse Gustavo Franco em um artigo de véspera "defendem Nicolas Maduro, acreditam na inocência de Lula, na competência de Dilma e na abdução por extraterrestres", é difícil estar muito confiante com o Brasil. Quem sabe nas eleições do final do ano damos um pequeno passo para redirecionar essa rota?

Enfim...


Espero que o texto tenha chamado a atenção do leitor para a inteligência cultural, e como ela é importante para os novos tempos de globalização, seja para líderes e equipes com contatos pelos cantos do munto, assim como para os viajantes explorarem melhor suas aventuras.

Espero também que tenha ficado claro porque acredito que a situação econômica de nosso país - e consequentemente os rendimentos futuros de nossas carteiras de investimentos, não é dependente de uma pessoa só, mas sim de um atraso cultural de nosso povo. Uma maioria que, apesar de não falar,  ainda pensa em "luta de classes", em uma economia onde "se alguém ganha, outra pessoa perde", ou ainda brada que o "petróleo é nosso". E não pense que esses pensamentos são exclusivos dos peões vermelhinhos de manifestações não: tem sempre alguém que raciocina da mesma forma bem pertinho de você...


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Todos os livros citados foram lidos por mim e aprovados. Seus links são afiliados, isso é, eu recebo uma pequena comissão para qualquer compra no site da Amazon através desse acesso. Nada muda nos preços. São apenas incentivos para mais publicações gratuitas nesse espaço.

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Temas sobre corrupção, Estado e o modelo mental que impera no Brasil já foram muito abordados nesse blog. Um texto que reúne links para diversos artigos é "A batalha contra a hipocrisia em alguns momentos desse blog".

Um texto que entra mais especificamente no assunto da corrupção e Estado é: "Política e corrupção: como atual modelo mental estatista, há solução?"

Existem muitos mais, entretanto, no compêndio dessa página.
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