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O que é melhor para seus investimentos: renda fixa ou renda variável?

Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.

Aplicar em renda fixa ou renda variável? Onde alcançar os melhores rendimentos a longo prazo?

Parece uma pergunta fácil de ser respondida, mas não é. Acompanhando alguns grupos pela internet, percebo que há pessoas que transformam o debate em convicções apaixonantes, onde a razão perde-se em meio à devoção de gurus da renda variável.

Ou então, ao excesso de conservadorismo no perfil de investidores que preferem a renda fixa.

Não é bom pertencer a nenhum dos dois times. A melhor alternativa é analisar seus objetivos e as condições conjunturais da economia, como a taxa real de juros, para decidir a melhor aplicação para você. Veremos como, a seguir.



A intenção desse artigo é procurar estabelecer duas particularidades determinantes na escolha entre aplicações de renda fixa ou renda variável para sua carteira de investimentos. Manterei distância da defesa entusiasmada que partidários da renda fixa fazem desse modelo ou de admiradores cegos de gurus como Warren Buffet que repetem ad nauseam que a renda fixa é perda fixa. Participo de fóruns de ambas vertentes, e vejo como a emoção prejudica muito a razão nesse debate. Se você conhece algum desses extremos e gostar do artigo, compartilhe-o com ele.

Basicamente, são duas as variáveis que precisamos analisar para tomar tal decisão: prazo de investimento e taxa de juros reais na economia. A propósito, as quedas recentes da taxa Selic no Brasil é uma força motriz poderosa para colocarmos novamente o assunto em pauta, dada sua importância na decisão em direcionar os ativos de nossa carteira de investimentos. E caso a eleição de 2018 nos ajude, podemos começar a viver em um período com inéditos patamares de juros reais em nosso país. Um novo mundo na tomada de decisões de investimentos.

Apesar de as pessoas afastarem-se do investimento em ações em virtude do risco, eu explico, dentro dessa análise, porque não considero o risco um fator determinante na decisão entre investir na renda fixa ou renda variável dentro de um planejamento racional. Espero assim, contribuir para a diminuição do medo que envolve essa decisão. O histórico dos últimos vinte e poucos anos no Brasil - que elevou a renda fixa a patamares inéditos, além da falta de conhecimento, marginaliza grande parte de nossa população na decisão de investir em ações de boas empresas.


Renda fixa e renda variável e o prazo de investimento


Falarei brevemente nessa seção nada além do óbvio para os investidores minimamente experientes. Mas apesar do conceito evidente, alguns defensores da renda variável, o ignoram sem pudor. A regra é simples: se você necessitar de seu dinheiro em um prazo mais curto, nem pense em renda variável. Ponto. Não precisa gastar tempo analisando empresas, assinando relatórios, avaliando preço de entrada, preços-teto, nada disso. Aplique em renda fixa e pronto. A escolha dos títulos de renda fixa é assunto para outro artigo.

Parece bobagem, mas eu já soube de pessoas que investem todo o salário em ações de empresas e eventualmente precisam usar o limite do cheque especial. Para que tais despropósitos não ocorram, as pessoas precisam fixar o conceito de possuir uma reserva de emergência. Isso é uma das primeiras lições para rumar à independência financeira.

Para ter acesso a um método para iniciar sua carteira de investimentos, bem como saber onde aplicar a reserva financeira de emergência, acesse o artigo "A alocação de ativos ao alcance de todos".

O fato é que qualquer investimento em renda variável nunca garantirá a você, um bom rendimento a curto prazo. Não importa se são investimentos em ações das melhores empresas. Não interessa se as dicas vieram daquele infalível "guru". Ninguém sabe para onde o barco caminha nas próximas semanas ou nos próximos meses.

Curto e longo prazo nas aplicações financeiras


Mas o que seria afinal, curto e longo prazo no investimento em ações? Não há uma resposta pronta, e ela pode depender também, principalmente no caso de nosso país, de análises políticas. Em nosso conturbado ambiente, o curto prazo depende até do quão distante estamos das eleições. O que virá em 2018? Não sabemos. Isso adiciona, infelizmente, um fator complicador para essa análise. Em países mais maduros politicamente, esses eventos, apesar de importantes, são muito menos determinantes.

Eu diria que hoje só podemos pensar em longo prazo no Brasil após 5 anos. O quadro da renda variável parece bonito no momento que escrevo (Setembro de 2017), e, devido à incompetência gigantesca em seguidos anos na economia interna por governos desenvolvimentistas, de fato o é. Mas será que estamos apenas ainda desenrolando a corda ou já estamos esticando-a demais?

E no futuro, quem garante que ideias econômicas estúpidas não retornem em 2019? Duvido que venhamos a conviver novamente com a organização criminosa petista, mas quem sabe, uma Marina Silva ou algum outro coronel como o Ciro Gomes. Eu, de fato, não acredito que o brasileiro fará tamanha besteira, mas você arriscaria muito de sua carteira de investimentos nessa certeza?

Assim, se o seu prazo de investimento é curto e você está ainda com os dois pés atrás ante o futuro político do Brasil, esse artigo não tem mais utilidade para você. Feche a página e deixe de pensar em renda variável até que possua um horizonte maior para aplicação ou um pouco mais de otimismo com o futuro político de nosso país.

Agora, se o seu horizonte para resgate de seus investimentos é maior e acredita na, mesmo que parcial, mudança de mentalidade estatista da população e melhores escolhas políticas, a situação pode mudar completamente. E isso depende de avaliar corretamente a taxa de juros reais na economia para decidir se deve aplicar em renda fixa ou renda variável. E aqui o artigo começa a ficar mais interessante.


Renda fixa, renda variável e as taxa de juros reais na economia


Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.
Clique no livro para ver a sinopse ou comprá-lo
Nessa seção apresentarei um histórico da renda fixa e renda variável no mercado de capitais mais desenvolvido do mundo, os EUA e também no Brasil. Enquanto os dados brasileiros foram retirados de algumas fontes da internet e compilados por mim, os dados dos EUA são provenientes da pesquisa realizada pelo Jeremy J. Siegel, em seu livro Investindo em Ações no Longo Prazo. Os créditos dos dois primeiros gráficos apresentados são todos do autor.

O livro é muito bom para quem deseja desenvolver critérios corretos para a análise das opções que possuímos no mercado variável. Vale uma visita no link ao lado e analisar sua sinopse. A segunda metade do livro é, especialmente, muito abrangente para entendermos como o ambiente, os ciclos econômicos e o nosso comportamento afetam a construção de riqueza através do investimento em ações.

As análises feitas sobre os dados do livro de Siegel e dos índices brasileiros foram feitas de forma a desenvolver a segunda - e mais importante, consideração desse artigo: como a análise da taxa de juros reais da economia motivará sua decisão entre investir em renda fixa ou renda variável. Discorro sobre isso nas considerações finais. Se desejar ler apenas a conclusão, pode ir direto para essa seção.


O histórico da renda variável, renda fixa e outros títulos nos EUA


Siegel realizou uma extensa pesquisa que inicia no ano de 1802 até 2012, dividindo os dados históricos em 3 períodos, de 1802 a 1870, de 1871 a 1925 e de 1926 a 2012. O próprio autor comenta que esses períodos são divididos por rupturas na qualidade e abrangência dos dados colhidos. Esse já seria um bom motivo para que foquemos primordialmente no último período histórico, a partir de 1926. Adicionalmente, reforça a condição de que o mercado de capital americano mais recente compreende uma situação atual mais similar à contemporânea, seja em globalização dos negócios, legislações tributárias e influência política. Farei essa segmentação adiante.

Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.
Retorno histórico em classe de ativos nos EUA - Jeremy J. Siegel
O gráfico ao lado representa o resultado geral da pesquisa de Siegel. Nesses mais de duzentos anos de mercado de capitais nos EUA, um investidor anônimo que aplicasse 1 dólar em 1802 conseguiria retornos consideravelmente maiores investindo em renda variável, ou seja, em aplicando seu dinheiro em um pool de ações representativas no mercado.

Esse gráfico, entretanto, mostra os retornos nominais do investimento. Quando analisamos a efetividade dos resultados de nossas escolhas no mercado financeiro, precisamos avaliar baseado em taxas reais anuais. Considerar os impostos incidentes é fundamental, porém, o valor do dinheiro ao longo do tempo é essencial, ou seja, precisamos descontar o valor da inflação. Voltarei ao assunto da inflação e tributação com mais detalhes na sequência, através de uma análise do mercado brasileiro dos últimos anos.

Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.
Retorno histórico real em classe de ativos nos EUA - Jeremy J. Siegel
Siegel considerou a importância da inflação e do conceito de juros reais, desenvolvendo um gráfico com o histórico dos mesmos ativos, porém, apresentando seus retornos reais, desconsiderando a variação dos preços, uma das consequências da inflação, nos resultados dos investimentos de nosso anônimo investidor. O perfil do gráfico abaixo modifica-se acentuadamente para os ativos com menor rentabilidade.

Isso reforça a ideia já comentada nesse blog de que moedas e metais preciosos, como o ouro, não são na verdade, investimentos, e sim seguros com a finalidade de mantê-lo vivo e operacional em crises circunstanciais. No caso do dólar, isso é especialmente importante para o investidor brasileiro, que convive com riscos sistêmicos internos em nosso país.

Para mais detalhes dessa ideia, se você investe apenas no Brasil, eu escrevi um artigo que mostra a importância de você aplicar uma pequena parte de seu patrimônio em seguros. Acesse através desse link: "Porque é interessante ter dólar em sua carteira de investimentos utilizando contratos futuros".

Como dito anteriormente, é útil analisarmos o retorno real desses ativos em períodos mais recentes. Na tabela abaixo, eu compilei os dados encontrados por Siegel para as ações e títulos de longo prazo dos EUA (bonds) com base na taxa real anual de retorno. Como os dados do livro estão disponíveis até 2012, inclui uma linha adicional para o período de 2013 a 2016, com base nas calculadoras do site DQYDJ, procurando usar metodologias semelhantes, como o ajuste pela inflação e reinvestimento dos dividendos e cupons. A calculadora para as ações está nesse link, enquanto a calculadora para os T-Bonds pode ser acessada aqui.

Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.
Retorno histórico, por períodos, da renda fixa e renda variável nos EUA - Jeremy J. Siegel
Com base na tabela ao lado, podemos tirar algumas conclusões:

1) As últimas nova décadas de mercado financeiro nos EUA são amplamente favoráveis aos investimentos em renda variável, sendo esses rendimentos quase 3 vezes superiores aos rendimentos em renda fixa baseados em títulos públicos;

2) Ratificando a seção anterior onde afirmei que o prazo de investimento é a primeira consideração a ser realizada, existiram períodos da história onde a renda variável perdeu para a renda fixa, como nos primeiros 12 anos desse século. Existiram outros períodos onde o rendimento da renda variável foi negativo durante longos anos (1966 a 1981). Para investir em ações, portanto, você primeiro precisa garantir um tempo razoavelmente longo para manter sua solvência;

3) Os últimos 4 anos, embora não tenham a mesma significância estatística dos períodos anteriores, mostram um período anormalmente diverso. Seria um momento propício para ponderarmos a possibilidade de estouro de uma bolha?

Enfim, no mercado americano, as estatísticas de longo prazo são amplamente favoráveis aos investimentos em renda variável. Siegel também inclui no mesmo capítulo do livro, dados de 112 anos de outros países com um mercado de capitais maduro (a exceção foi a África do Sul) onde a mesma conclusão pode ser alcançada.

É com base nessas estatísticas que muitos abominam de forma veemente a renda fixa. Esse pensamento possui uma base sólida para os mercados capitalistas mais desenvolvidos, e tal estratégia possui ampla possibilidade de excelentes retornos, mas se, e somente se, investirmos nosso capital nesses mercados. O Brasil é um caso à parte. E isso veremos a seguir.

O histórico da renda variável e renda fixa no Brasil


É difícil, talvez impossível, tentarmos criar o mesmo histórico dos EUA em nosso país. E isso possui uma causa que é fundamental nessas análises: a inflação perene que possuímos nas últimas décadas. A partir do Plano Real, em 1994, a situação melhorou um pouco, mas ainda possuímos enormes distorções quando nossa condições são comparadas aos países desenvolvidos. Infelizmente, a inflação é um fator muitas vezes negligenciado pelos investidores. O objetivo em manter um rendimento real acima do percentual de aumento de preços é um dos focos principais de uma pequena parcela dos investidores.

Outra importante consideração a ser feita são os tributos incidentes em cada modalidade. Eles estão presentes tanto para a renda variável como para renda fixa, embora exista uma renúncia fiscal para o limite de R$ 20mil mensais para operações na primeira. Na renda fixa, não existe essa isenção, mas sim uma tributação com base no período de investimento (IR regressivo) e uma diminuição dos rendimentos reais conforme a inflação aumenta, pois os tributos são baseados na variação total do preço do título. Como muitos títulos são indexados de forma direta ou indireta à inflação, os tributos devidos são proporcionais ao nível de preços, diminuindo o ganho real com uma inflação maior.

E como nosso país é mestre em modificar regras de tributação ao longo do tempo, as distorções históricas aumentam e demandam uma avaliação cuidadosa de quaisquer estatísticas. Mas podemos ter uma análise um pouco mais sólida com base nos últimos anos onde tivemos mais estabilidade econômica comparativamente aos tempos pré-Real. Vamos fazer isso na tabela seguinte.

Aplicar em renda fixa ou renda variável? A resposta não é tão simples, e depende de fatores como prazo dos investimentos e taxas de juros reais na economia.
Retorno das últimas décadas dos investimentos em renda fixa e variável no Brasil
Na tabela ao lado, dividi os ganhos de aplicações fictícias de R$ 1,00 nos anos do Real para os três últimos governos que tivemos. Os dados históricos do CDI e da taxa de inflação podem ser simulados no site da calculadora do Banco Central. Os dados do índice Bovespa podem ser retirados do site da B3/BM&FBovespa.

Uma vez que não é difícil conseguir aplicações de renda fixa que acompanhem o CDI, vemos que esta venceu a renda variável em dois dos três períodos analisados, mesmo considerando o imposto de renda cobrado no vencimento dos títulos. Já a renda variável, além das duas derrotas, ficou significativamente abaixo da inflação nos últimos anos. Os dados, considerando os últimos 22 anos, são bem favoráveis à renda fixa na realidade brasileira.

Isso define que a renda fixa no Brasil é a melhor alternativa para o longo prazo, da mesma forma que o investimento na renda variável nos EUA é mais vantajoso? Nada disso. O que precisamos avaliar sempre é a taxa real de juros na economia, antes de tentar adivinhar o que vai acontecer com a renda variável. É ela quem determinará o rumo de nossos investimentos.

Vamos caminhando agora para as considerações finais e como eu interpreto todos esses dados.

Considerações finais


Na decisão entre investir em renda fixa ou renda variável, vimos para ambos exemplos anteriores que o prazo é determinante para mantermos as opções na mesa e aprofundarmos mais um pouco a análise. Não é à toa que até o nome do livro do Siegel não esconde isso: "Investindo em ações no LONGO prazo". Se você não tem esse horizonte, não perca o foco prosseguindo na investigação.

O foco é determinante para você aproveitar seu tempo disponível e escolher as melhores opções para seu portfólio. Veja isso em outro texto desse blog: "A importância do foco na montagem de uma carteira de investimentos".

Outros argumentos mostram que a renda fixa pode trazer ao investidor paz psicológica, uma vez que ela possui a característica de ser mais estável e oferecer previsibilidade e estabilidade nos retornos financeiros. Como o equilíbrio emocional é imprescindível para os bons investimentos, um excelente ponto é desenvolvido no artigo do Abacus Liquid, servindo como um bom complemento a esse texto: "Barsi diz que a renda fixa é perda fixa. Você concorda?"

É a taxa de juros real que vai determinar o peso de seus investimentos na renda fixa ou variável


Com um longo prazo disponível, a essência da análise passa a ser a taxa de juros real da economia, que determina, direta ou indiretamente, as aplicações em renda fixa do país. É importante tentarmos não inverter essa ordem e fazer exercícios de futurologia para onde vão os mercados acionários. Isso é imprevisível.  Existem tendências, mas o diferencial do custo de oportunidade, entre a escolha de investir em renda fixa ou variável, deve ser sempre a taxa de juros real.

No caso dos EUA, os mercados acionários continuam crescendo muito não porque os investidores acreditam que eles vão continuar subindo. Isso é uma análise consequente. Os motivos reais dessa subida, no meu entendimento, é que eles não possuem uma alternativa plausível, pois as taxas de juros reais da economia nos últimos anos estão baixíssimas, chegando a ficar abaixo da inflação em alguns momentos e em outros países desenvolvidos.

Nessa condição, o investimento em renda variável fica mais atrativo, uma vez que, comparativamente, o investidor tem muito menos a perder através do custo de oportunidade em uma renda fixa miserável.

Para ficar mais claro, vamos analisar a situação oposta no Brasil. Por aqui, as taxas de juros rais da economia foram muito atrativas nas últimas décadas. Perdeu muito quem seguiu os conselhos da terra do Tio Sam em deixar a renda fixa de lado e investir em ações. A "nossa" renda fixa ficou inclusive, acima dos rendimentos da renda variável nos EUA. Qual seria a lógica de perder esse custo de oportunidade e colocar o seu capital em renda variável? A assimetria sempre foi desfavorável nesses últimos anos.

Defensores ardorosos da renda variável argumentam frequentemente que concluir uma análise baseada apenas no índice geral das ações é tolice, uma vez que um bom investidor pode escolher as melhores ações e ter uma performance muito maior do que a média. É verdade. Mas, para sermos justos, temos que espelhar esse padrão de investidor para a renda fixa.

Como exemplo, eu comprei muitos títulos NTNBs com vencimento para 2035 quando a taxa estava acima de 7% e hoje esses meus investimentos estão com uma rentabilidade de mais de 80% em pouco mais de dois anos. E ainda vai subir um pouco mais conforme os juros continuarem caindo. Assim, se considerarmos ações garimpadas através do value investing (investimento em valor) ou pela estratégia de dividendos (dois excelentes métodos), devemos comparar com títulos com alta variabilidade, como as NTNBs de prazo longo.

É justamente a confiança que deposito no investimento de valor em empresas ou da estratégia de dividendos, que me faz considerar o risco uma variável não determinante para a escolha entre renda fixa e renda variável no longo prazo. Escolhendo-se boas empresas, as possibilidades de nosso capital ser remunerado adequadamente são bem altas. E nunca podemos desconsiderar o risco de default público ou privado nos títulos de renda fixa. Novamente, é o custo de oportunidade, representado pelos juros reais, que determinará a escolha.

Uma nova realidade brasileira?


Escrevi esse artigo com base em dados do passado. Eles nos ajudam a determinar um método de investimento, mas nunca determinam o alvo do investimento. É a análise, baseada na estratégia desenvolvida, que estabelece os rumos de nosso capital. E hoje, no Brasil, parece que estamos vivendo um ponto de ruptura. Sua extensão, entretanto, será determinada apenas após a eleição de 2018. Esse é o motivo que ainda considero arriscado assumir grandes posições em determinadas alocações.

Uma das práticas que tenho feito nos últimos meses é realocar títulos de renda fixa comprados em altas taxas que hoje são negociados abaixo do mínimo necessário para considerá-los um custo de oportunidade positivo. NTNBs com vencimento em 2019 já negociam a pouco mais de 3% de taxa real. Pré-fixados com vencimento em 2018 e 2019 negociam taxas brutas abaixo de 8%. Mesmo com a inflação baixa, é muito pouco. Boas empresas cujas ações pagam bons dividendos são muito mais atrativas, mesmo que seu preço venha a cair nos próximos meses. Estou realizando esses movimentos nos últimos meses.

Outra alternativa que tem recebido minha atenção desde o ano passado é aumentar minha alocação em Fundos Imobiliários. Não porque eu acho que subirão (até porque seu índice IFIX está em níveis altos), mas sim porque os aluguéis distribuídos, em comparação com o custo de oportunidade da renda fixa para um futuro próximo, começam a ficar mais atrativos. Percebam que não é uma questão de futurologia, e sim de considerar as alternativas disponíveis. Eu não estaria fazendo esses movimentos se eu pudesse ainda comprar títulos públicos que paguem 7,5% ao ano mais a inflação como em um passado recente. Novamente, o custo de oportunidade seria muito alto.

O intuito desse artigo foi mostrar que a decisão de investir em renda fixa ou renda variável não pode ser baseada em torcida, dogmas ou conforto emocional. E sim baseadas em um método. E em meu caso, eu prefiro usar a análise da taxa de juros real da economia, usando-a como um custo de oportunidade para basear minha decisão. Não invisto porque vai cair ou subir. Invisto por considerar a melhor alocação no momento. Acesse o link do método que uso de alocação de ativos caso deseje conhecer mais detalhes.


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