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A Alocação de Ativos ao alcance de todos

Uma alocação de ativos simples como estratégia para seus investimentos e independência financeira: renda fixa, renda variável, câmbio e fundos imobiliários.

A melhor forma de usar, simplificadamente, o método de alocação de ativos como a estratégia principal para montar sua carteira de investimentos e atingir a independência financeira.



Muitos textos nesse espaço são iniciados com a mesma observação: quando percebo que o interesse de algumas pessoas em meu círculo de amizades para um mesmo assunto tem aumentado, é hora de fazer um texto sobre ele. E deixá-lo como referência futura.

Foi assim com o Nubank, com o Intermedium e com o investimento em dólar. Tem funcionado. Quando alguém me pergunta algo como "Mas por que você acha que é melhor morar de aluguel?". Eu simplesmente digo algumas palavras e complemento: quando puder, veja a postagem "Alugar ou comprar um imóvel: minha experiência, opinião e bobagens diversas".

Assim, ofereço algo mais completo à pessoa que me pergunta, pois as opiniões estão embasadas com fatos, gráficos e outras formas de esclarecimento. Planilhas e calculadoras também já fizeram parte de tutoriais, como a planilha oferecida para controle do fluxo de caixa e a calculadora que demonstra onde você encontra-se no caminho de sua independência financeira.

Se você é novo no blog, tem um tempinho, gosta de finanças pessoais e conversas sobre independência financeira, clique nos links acima para ler sobre esses assuntos. Ou se você já é leitor, mas sempre perde algumas postagens, não deixe de assinar o blog por email. Daí não tem mais desculpa em dizer que não viu o que escrevi :)


O Método de Alocação de Ativos


Esse não é o primeiro texto que escrevi sobre o tema. Porém, o anterior, complementado por textos escritos no Ponto Base (um site que já não está mais disponível), já foi publicado há alguns anos e tratou apenas de uma pequena base teórica. Nesse, procurei passar os principais fundamentos do método e uma sugestão de carteira de investimentos inicial. É um bom ponto de partida para estudos posteriores mais elaborados.

Antes de continuar, lembre-se que a alocação de ativos só deve ser feita se há um excedente disponível no orçamento para investimentos. Para você que ainda não alcançou o fluxo positivo mensal, veja o artigo onde forneço algumas ideias para o ajuste do orçamento.


A razão sobrepondo-se à emoção


É importante ter em conta que a alocação de ativos nunca dirá a você qual o melhor investimento para seu dinheiro. Ela não o deixará rico do dia para a noite e não renderá conversas de altos ganhos na mesa do bar. Se você está esperando algo assim, é melhor interromper a leitura, pois tais expectativas não serão preenchidas nesse texto.

Entretanto, a alocação de ativos é um método seguro que, a médio e longo prazo, tem um potencial de superar os melhores índices de mercado por um motivo muito simples: você vai usar muito mais a razão do que a emoção no gerenciamento de seu dinheiro. E quem vive esse mundo, sabe quais destes tipos de atitudes são mais eficientes a longo prazo.

Antes de falar do método de alocação de ativos propriamente dito, vamos apenas a algumas palavrinhas sobre diversificação, uma das bases dessa estratégia.


Diversificação


Alocar nosso dinheiro em diversas classes de investimentos pressupõe uma diversificação. E é uma sábia decisão, pois ninguém possui a habilidade de prever o futuro a longo prazo. Todos bons investidores praticam a diversificação, mesmo que falem mal dela. Portanto, esqueçam aquela besteira de colocar todos os ovos na mesma cesta e cuidar dos ovos.

Tais ideias são disseminadas pela confusão com que se faz com o possível e o provável. É possível você ganhar na loteria (desde que jogue)? Sim, é possível! Mas é provável? Concentrando seus investimentos em apenas um ativo de risco, você pode ganhar muito. Mas não é provável que vencerá o longo prazo. Aceitemos nossas limitações. Mesmo que conheçamos muito de um negócio, não somos capazes de prever os próximos cisnes negros.

Além disso, apostar em apenas um ativo de risco, muitas vezes seguindo uma dica quente de algum guru pode alterar seu estado emocional, principalmente se você possui responsabilidades familiares. Estresse, ansiedade e preocupação estariam certamente presentes. Com a diversificação, você tem mais segurança e tranquilidade, pois seu capital estará alocado em diversos ativos, diluindo seus riscos.

Todo excesso deve ser, entretanto, evitado. Diversificar de forma exagerada pode também causar problemas, como a falta de foco, uma maior demanda de seu tempo e um aumento na movimentação financeira, o que pode gerar um aumento de tarifas pagas a bancos e corretoras. Equilíbrio sempre é bom.

Por fim, é importante entender que o conceito da diversificação está muito ligado à ideia de gerenciamento de risco no mercado financeiro. E acreditem, ninguém vai muito longe sem um bom gerenciamento de risco em seus investimentos. E a alocação de ativos é um método que embute esse conceito de uma forma muito apropriada.


Correlações de variáveis


O cerne do entendimento dessa ferramenta é alocar seus investimentos em determinados ativos financeiros que possuam covariância entre eles.

Covariância? Calma, ainda não fechem a página! Vou simplificar...

A covariância é uma técnica estatística que procura nos mostrar como dois conjuntos estatísticos estão relacionados entre si. É fácil entender o conceito mesmo sem usar nenhuma notação matemática. Para simplificar, daqui para a frente vou usar a palavra correlação em lugar da covariância, pois ela é mais intuitiva. Apesar de possuírem uma pequena diferença teórica, para nosso estudo elas são similares, uma vez que quando uma é positiva ou negativa, a outra também o é.

Imaginem uma variável, como o preço da energia elétrica. Quando seu valor cai ou desce, influencia uma infinidade de outras variáveis no mercado. Em geral, quando temos um aumento na conta de luz, tendemos a encontrar formas de consumir menos. Ou seja, a variável CONSUMO geralmente diminui quando a variável PREÇO da energia elétrica aumenta. Por isso, essas duas variáveis possuem uma correlação NEGATIVA.

Um aumento do custo da energia elétrica pode, por outro lado, beneficiar o caixa das empresas envolvidas na sua distribuição, aumentando seus lucros. Assim, a variável LUCRO das empresas elétricas geralmente aumenta quando a variável PREÇO da energia elétrica aumenta. Assim, essas duas variáveis possuem uma correlação POSITIVA.

Veja que usei a palavra "geralmente" em ambas asserções.  Estamos usando exemplos de mercado e, como o mercado é composto por ações de milhões de agentes, interferindo continuamente em todas as variáveis, a certeza nunca existe. Você pode ter comprado uma Air fryer e mesmo com um aumento do preço da energia elétrica o seu consumo pode ter aumentado. Ou a empresa elétrica pode ter sofrido um aumento de seus custos acima da inflação, o que não proporcionou aumentos de lucros. Sempre quando estamos conversando sobre decisões de mercado, estamos falando de probabilidades.

Assim, para escolher os ativos que irão compor nossa carteira de investimentos, é bom observar algumas correlações. Vamos conversar sobre esse tipos de ativos e suas correlações a seguir.


Pilares principais na alocação de ativos


É comum muitas referências estabelecerem 3 pilares principais na alocação de ativos. Eu prefiro organizar a minha carteira de investimentos em quatro pilares, que serão explicados abaixo.

Lembro aos leitores que esse artigo não tem como objetivo dissecar todas as vantagens e desvantagens de cada um dos pilares. Seria uma quantidade de texto expressiva que exigiria uma postagem para cada um. O objetivo é mostrar na prática, como funciona uma alocação de ativos em sua forma mais simples.

1. O pilar da renda fixa


Embora nada seja "fixo", o pilar da renda fixa é um dos pilares que trarão certa previsibilidade ao seu portfólio, principalmente tratando-se do curto prazo. Ele possui uma importância ainda maior em países como o Brasil, onde a taxa de juros real (juros efetivos - inflação) sempre foi uma das maiores do mundo. Mesmo com mais quedas no horizonte, as taxas reais ainda permanecerão altas por algum tempo. Dificilmente alcançaremos um número abaixo de 4% ao ano. E isso ainda é uma enormidade para os padrões mundiais.

Entende-se por renda fixa aplicações como poupança, fundos DI, títulos públicos (Tesouro Direto) e títulos privados (CDBs, LCIs, LCAs e debêntures). Cada um desses títulos possuem rendimentos e riscos diversos. Eles devem ser escolhidos com base em diversas variáveis, como o total do capital investido, perfil e idade do investidor, expectativas quanto à liquidez e previsão de resgate.

Como essa postagem está direcionada à montagem de uma carteira de ativos inicial e com baixo capital, sugiro que os leitores estejam focados em títulos públicos do Tesouro Direto e títulos privados de bancos médios como CDBs, LCIs e LCAs. Entendo que esses são os que possuem o melhor equilíbrio entre risco e retorno dentre as aplicações de renda fixa. Fuja da poupança (rendimentos baixos) e fundos de bancos (taxas elevadas).

Exemplificarei adiante após conversarmos sobre percentuais de alocação.

2. O pilar da renda variável


A renda variável envolve principalmente as ações de empresas. Podemos pensar em investir em ações de empresas brasileiras ou empresas de outros países. Uma vez que o público alvo desse texto é aquele que está iniciando a montagem de sua carteira de investimentos, focarei em ativos nacionais. Considerações adicionais sobre o investimento externo estarão presentes no próximo pilar.

Podemos segmentar as ações de empresas em vários aspectos. Para a montagem de uma carteira de ativos mais complexa, é interessante possuirmos ações com perfis diversos. No mercado brasileiro, existem empresas com um perfil de distribuição de dividendos. São em geral empresas há mais tempo no mercado e já consolidadas, não exigindo grandes investimentos futuros.

Por outro lado, existem empresas que estão em uma fase de crescimento acelerado, e que em geral não pagam gordos dividendos, preferindo alocar seu caixa para financiar sua expansão. São as chamadas small caps. Possuem, entretanto, alto potencial de valorização para o futuro.

Existem ainda ações de empresas com perfil exportador, que podem beneficiar-se com aumentos no preço das commodities e de altas do preço em dólar. Dentre a renda variável, são ações consideradas defensivas em caso de crises cambiais.

Porém, para o pequeno investidor, que inicia agora a montagem de sua carteira e não tem tempo para acompanhar o mercado, eu sugiro a compra de ETFs, que são fundos de índices disponibilizados pela BM&FBovespa. Os ETFs mais líquidos no mercado são o BOVA11, PIBB11 e SMALL11, sendo o primeiro muito mais líquido do que os demais.

Os ETFs são comprados através do home broker de sua corretora (sim, você precisa ter uma), como se fosse uma ação. Sua vantagem é que o investidor não fica exposto a uma determinada ação. O rendimento de um fundo de índice tende a simular o mesmo rendimento do índice a que está relacionado.

O BOVA11 por exemplo, busca o índice do Ibovespa, o índice oficial do mercado acionário brasileiro. Ele aplica seus recursos proporcionalmente entre todas as empresas que compõem esse índice. Já o PIBB11 simula o desempenho das 50 empresas mais negociadas na bolsa de valores (IBrX50).

Existe uma taxa de administração para aplicar nesses fundos, de 0,54% ao ano para o BOVA11 e de 0,059% para o PIBB11. Se o leitor possui investimentos em fundos de ações em banco, pergunte ao seu gerente qual a taxa de administração que paga por ele. Garanto que é muito, muito maior do que isso. Essa taxa é compensada, entretanto, pelo tempo e dinheiro de corretagens que o investidor economiza se fosse ele mesmo, montar uma carteira de investimentos tão diversificada.

Além disso, existem corretoras como a Socopa que não cobram corretagens para as operações de compra e venda de ETFs, uma grande vantagem para quem começa com pouco capital. Nós precisamos sempre ter em mente o percentual que pagamos em taxas em relação aos nossos investimentos. Esse controle é fundamental a longo prazo.

Os ETFs possuem, entretanto, a desvantagem de pagar resgate em todas as vendas, não usufruindo o benefício fiscal para vendas de ações mensais até R$20mil. Mas para quem deseja montar uma carteira de longo prazo com pouco capital, é a melhor alternativa. Voltaremos a eles mais adiante.

3. O pilar do câmbio


O pilar do câmbio não é propriamente um investimento, mas um seguro. Se entendermos moedas como investimentos, é provável que venhamos a nos decepcionar no futuro.


Caso queira mais detalhes sobre esse assunto, cheque o artigo "Porque é interessante ter dólar em sua carteira utilizando contratos futuros". Todas as razões para esse investimento estão consideradas no texto.

O Brasil é um país instável. Assim, é prudente o investidor reservar uma parte de seu dinheiro em ativos como moedas estrangeiras e metais preciosos. Alguns investidores, como citei acima, investem em acões e ETFs no exterior, em um processo que embora não seja simples como investir na poupança, não é tão complicado.

Mas para quem ainda não possui uma carteira de investimentos consolidada, ou está no início do processo de acumulação de capital, não acho necessário o investimento externo, uma vez que esse pilar proporciona uma boa segurança quanto às crises. Aplicar em renda variável no exterior, de qualquer forma, não blinda o investidor de uma crise sistêmica de âmbito mundial, uma vez que tais ativos também acompanhariam a queda de valor dos ativos.

Sugiro assim, pensarmos em dólar e ouro. Embora ambos sejam um fator de segurança, o ouro é ao mesmo tempo, um fator de segurança para quedas do dólar. O dólar é uma moeda que a médio prazo, em condições normais, irá sofrer um lento processo de declínio nos próximos anos. Mas ainda é o seguro mais líquido contra crises imediatas.

O leitor deve lembrar que conversamos sobre correlações positivas e negativas. O câmbio é a classe de ativos que possui uma correlação negativa muito precisa com a renda variável. Se essa demonstra uma forte alta, em geral, o dólar e ouro caem e vice-versa. Esse tipo de reação é essencial para o gerenciamento de riscos e da carteira de ativos, que veremos posteriormente.

Diferentemente do dólar, que como moeda está ameaçada a longo prazo, o ouro possui uma grande solidez. Como a entrada de ouro novo no mercado é um processo moroso, ele praticamente é uma moeda à prova de inflação. Entretanto, ele tende a valorizar apenas em grandes crises. Exatamente por isso que não o considero como um investimento, e sim como um seguro.

É interessante que o dólar e ouro, apesar de estarem na mesma classe de ativos, possuem uma correlação negativa entre um e outro. Em geral, quando o dólar sobe, o ouro cai, e vice-versa. Temos aqui um caso de gerenciamento de risco dentro de um mesmo pilar. Falaremos adiante mais sobre os ativos de câmbio quando definirmos os percentuais de alocação na carteira de investimentos.

4. O pilar dos imóveis - os fundos imobiliários (FIIs)


Algumas pessoas colocam os FIIs no pilar da renda variável. Embora eles sejam de fato uma renda variável a curto prazo, eu os vejo como uma renda fixa, como você fosse o dono de um imóvel e recebesse mensalmente um rendimento disponibilizando-o para aluguel. Como um imóvel, fornece ainda segurança real, garantindo confiabilidade e solidez de sua carteira de ativos.

Para isso, você precisa escolher os FIIs corretos: os FIIs chamados de tijolo, que administram imóveis reais. Existem muitos FIIs que investem em outros FIIs e em papéis de renda fixa. Não vejo muito sentido nisso, pois encontramos excelentes rendimentos em renda fixa com excelentes taxas e menores custos em bancos médios.

A classe dos FIIs possuem uma correlação levemente negativa com o pilar original da renda fixa. Quando os juros estão em queda, os investidores, ávidos por maiores rendimentos, procuram outras alternativas dentre as mais seguras, para seus investimentos. E com o aumento da procura, impelem os preços dos FIIs de tijolo para cima.

Da mesma forma que os ETFs, os FIIs podem ser adquiridos através do homebroker de sua corretora. Falaremos mais sobre eles adiante.


O percentual inicial para alocação


Veremos aqui quais os percentuais que devemos definir para cada um desses ativos em nossa carteira. Infelizmente, isso não tem uma resposta pronta. Vou exemplificar aqui dois perfis opostos de investidores, e como a alocação de ativos poderia funcionar bem para eles.

Imagine uma pessoa já com 50 anos que queira parar de trabalhar com 65 anos e complementar sua aposentadoria. Essa pessoa não tem muito tempo para montar um portfólio expressivo e deveria ser conservadora com seu dinheiro, evitando riscos desnecessários. Além disso, como seu horizonte de vida não é muito longo, pode ser inócuo imobilizar muito capital em seguros (pilar do câmbio).

Uma alocação sugerida para esse perfil de pessoa seria algo em torno de 50-60% em renda fixa, 10-20 em fundos imobiliários, 10-20% em renda variável e 5-10% em câmbio.

Agora imagine uma pessoa que acabou de entrar no mercado de trabalho, que possui uma perspectiva de vida longa e que presenciará muitas variações no mercado financeiro nesse tempo. Essa pessoa, por possuir muito tempo para acumular seu patrimônio, pode arriscar um pouco mais, mas deve possuir um valor maior em seguros. O capital imobilizado aqui será compensado pelo maior tempo de rendimento de outros pilares da carteira de investimentos.

Uma alocação sugerida para esse perfil poderia ser percentuais em torno de 20-30% em renda fixa, 20-30% em fundos imobiliários, 30-40% em renda variável e 10-15% em câmbio.

Caberá ao leitor entretanto, analisar as considerações feitas e definir onde ele se situa entre esses dois extremos. É possível ainda incluir análises macroeconômicas na definição desses percentuais. Se espera-se um futuro com juros reais escandalosamente baixos, é natural que aumentemos o percentual destinado à renda variável.


A realocação dos ativos


Caríssimo e paciente leitor, esse é o último conceito da alocação de ativos necessário para pularmos adiante para o exemplo prático. A realocação de seus ativos é o procedimento que diferenciará positivamente a sua carteira de investimentos das carteiras da grande maioria. Por isso é essencial entender esse conceito e praticá-lo frequentemente.

Imagine que você começou com uma carteira hipotética com 40% em renda fixa, 30% em renda variável, 20% em FIIs e 10% em câmbio. Ou seja, seus investimentos estão assim divididos:

Uma alocação de ativos simples como estratégia para seus investimentos e independência financeira: renda fixa, renda variável, câmbio e fundos imobiliários.

Agora imagine que passaram-se alguns meses. Nesses meses, o mercado reagiu de uma forma diferente para essas quatro classes de ativos. Logo, o percentual deles em sua carteira modificou-se. Em um período de bonança na renda variável e com quedas nas taxas de juros, o novo quadro de sua carteira de ativos poderia ser assim representada:

Uma alocação de ativos simples como estratégia para seus investimentos e independência financeira: renda fixa, renda variável, câmbio e fundos imobiliários.

Como pode-se perceber, sua parcela de renda variável aumentou de 30% para 37%, a alocação de FIIs aumentou de 10% para 13% e as alocações em renda fixa e câmbio diminuíram.

Supondo que o seu racional de investimentos, ou seja, a base percentual que você determinou no início deve ser mantida, você precisa realizar a realocação desses ativos, de forma a reabilitar os percentuais iniciais.

Assim, você precisará vender cotas de ações e FIIs na sua carteira e com esse dinheiro, comprar cotas de renda fixa e câmbio, restabelecendo a base percentual inicial. É a melhor forma de gerar liquidez para possibilitar a compra de ativos que estão mais desvalorizados no momento.

O momento de realizar a realocação de ativos varia de investidor para investidor. Existem os menos preocupados que definem uma data para realizar essa realocação, como por exemplo, a cada seis meses ou um ano.

Para aqueles que gostam de acompanhar seus investimentos, definir um desvio para cada ativo pode ser interessante. Por exemplo, no nosso exemplo eu defini o percentual inicial em renda variável de 30% do total da carteira de investimentos. Podemos determinar que um desvio absoluto de 5% seja o ponto onde devo realizar a realocação. Assim, se o percentual de renda variável na carteira de ativos chegar a 25% ou 35%, é a hora de realocar.

Essa realocação pressupõe que desconhecemos o futuro. Não sabemos quais ativos vão subir ou cair no mês seguinte. Realizar o rebalanceamento faz com que, racionalmente, nós aceitemos essa condição e nos obriguemos a vender parte dos ativos que se valorizaram e a comprar parte dos ativos que desvalorizaram. A longo prazo, essa atitude racional dará melhores frutos do que atitudes emocionais em comprar ativos "baratos" e vender ativos "caros".

Vale lembrar também que para as pessoas que fazem aportes mensalmente, elas devem aportar nos ativos que diminuíram o seu percentual em sua carteira. É possível que esses aportes mensais sejam suficientes para postergar futuros ajustes, pois o aportador está mensalmente realizando uma regulação fina nesses percentuais.

Subentende-se que, para isso, o leitor deve realizar um mínimo de controle sobre seus investimentos. Realizar um fechamento mensal dos valores de ativos em sua carteira é essencial para tomar tais decisões.

Entendidos esses conceitos, vamos descobrir agora como fazer isso na prática.


O Método de Alocação de Ativos para principiantes - a prática



Montando uma carteira inicial de investimentos como exemplo


Para montar uma carteira inicial pela estratégia de alocação de ativos, é necessário um valor mínimo de forma a diminuir percentualmente as taxas incidentes em cada operação. Mas é muito menos do que os leitores podem pensar.

No pilar de renda fixa não é necessário pagar taxas. Existem corretoras que não cobram taxas de administração no Tesouro Direto. A única taxa é a do próprio Tesouro Direto, de 0,3% anuais do total investido. Já em títulos privados em bancos médios, nem essa taxa você paga.

Nos pilares de renda variável (ETFs) e FIIs, existem corretoras que não cobram corretagens para tais fundos. Caso fôssemos montar uma carteira de ações diversificada, os custos de corretagens inviabilizariam investimentos menores.


Uma alocação de ativos simples como estratégia para seus investimentos e independência financeira: renda fixa, renda variável, câmbio e fundos imobiliários.

Independentemente do valor da carteira, é interessante que a montagem desse portfólio ocorra quando o investidor tiver em seu poder um montante superior às suas despesas de, no mínimo, 6 meses. Para os mais conservadores, podemos pensar em até um ano. A partir da formação desse colchão de segurança, que será usado em emergências, teremos mais tranquilidade para começar a diversificar.

Já conversamos sobre a definição dos percentuais de cada ativo na alocação. Vou atribuir os valores do mesmo exemplo que citei anteriormente e em seguida vamos conversar sobre cada pilar da carteira de investimentos.

Montagem da carteira de investimentos em renda fixa (40% do total de investimentos)


Caso sua reserva financeira encontra-se abaixo do valor de 6 vezes suas despesas mensais, a melhor escolha é incrementar esse pilar até chegar a esse valor. Invista em títulos públicos do Tesouro Direto vinculados à taxa SELIC, pois você necessita de uma segurança maior e menos volatilidade. Escolher bons CDBs de liquidez imediata de bancos médios também é uma boa escolha. Muitos desses títulos privados possuem títulos que rendem bem mais do que os títulos públicos.

A partir do momento em que você acumule essa reserva financeira, você deve começar a diversificar dentro do pilar de renda fixa e em outros pilares. Você deve buscar, dentro da renda fixa, investir em ao menos 3 tipos de títulos:

a) títulos de liquidez imediata (Tesouro SELIC ou CDBs com liquidez diária de bancos médios): o total de 6 meses de suas despesas mensais;

b) títulos de médio prazo pré-fixados (Tesouro Pré-fixado e CDBs, LCIs e LCAs pré-fixadas de bancos médios: a menor parcela, pois envolve um pouco mais de risco;

c) títulos atrelados à inflação de longo prazo (Tesouro IPCA), dentro do horizonte de vencimento em que você ainda possa resgatar o investimento e desfrutá-lo.

Assim, a conta inicial será feita com base no item "a", cujo valor depende da realidade de cada investidor. O item "c" pode ser de 3 a 4 vezes o valor do item "b", considerando que aplicações vinculadas à inflação são mais seguras até o vencimento, embora os rendimentos são bem variáveis no período. O objetivo final é que, toda a carteira de renda fixa corresponda a 40% do total de seus investimentos.

Na fase inicial da montagem da carteira de investimentos em renda fixa, esse processo dar-se-á aos poucos, pois a manutenção do valor correspondente a 6 meses das despesas mensais distorcerá em um primeiro momento, os percentuais. É interessante que o excedente seja direcionado primeiramente às demais classes de ativos. Só quando essas estiverem preenchidas, inicie a diversificação dentro da carteira global de renda fixa.

Montagem da carteira de investimentos em renda variável (30% do total de investimentos)


Enquanto seu capital for baixo, concentre-se em comprar um ETF. Historicamente, o PIBB11 possui uma rentabilidade um pouco melhor do que o BOVA11, embora no ano passado e nesse ano, até o momento que escrevo, o BOVA11 tem se saído melhor. Porém, essas informações nada indicam sobre a rentabilidade futura.

A decisão deve ser tomada em função da taxa de administração, caso o investidor não vá realizar grandes movimentações por mês. O PIBB11 tem uma taxa bem inferior ao BOVA11, mas possui menor liquidez. Isso quer dizer que é possível que o investidor pague algum spread de compra e venda no momento da operação. Além disso, o BOVA11 possui uma maior diversificação do que o PIBB11, embora as 50 maiores empresas compostas nesse índice já sejam mais do que suficiente.

Eu escolheria o PIBB11 pela taxa de administração menor, mas deixo o leitor decidir entre ambos. Os demais ETFs possuem liquidez muito baixa, ou menor diversificação, ou ainda, aplicam-se a empresas no exterior. Não acho uma boa ideia, uma vez que o risco Brasil estará segurado no pilar do câmbio.

Os leitores podem ler muito mais sobre ETFs na página da BMF Bovespa.

Montagem da carteira de investimentos em câmbio (10% do total de investimentos)


Aqui devemos dividir dois tipos de investidores. Aqueles que não querem (ou não tem tempo de) preocupar-se muito com sua carteira, ou seja, fazem uma gestão mais passiva, com aqueles que querem estar mais ativos gerenciando o seu portfólio.
 
Se você está no primeiro grupo, a melhor forma de começar é aplicar parte de seu dinheiro em um fundo cambial. Esteja ciente, entretanto, que existem algumas desvantagens nessa aplicação, como a taxa de administração, o come-cotas semestral, além da necessidade de confiança no gestor.

Para os mais ativos, sugiro novamente o método que recomendei no artigo Porque é interessante ter dólar na sua carteira utilizando contratos futuros. Lá explico todas as vantagens de utilizar os contratos futuros de dólar nesse pilar, comparando-os inclusive com os fundos cambiais.

Conforme sua carteira de investimentos em câmbio vá recebendo mais aportes, é interessante dividir pela metade os investimentos cambiais em dólar e ouro (5% de cada no total de investimentos, em nosso exemplo).

Ao contrário do que muita gente pensa, não é difícil comprar ouro físico no Brasil. Essa modalidade apresenta em geral um spread alto entre a compra e venda (como a compra de dólares), mas que torna-se irrelevante a longo prazo. Existe a vantagem de não existir uma taxa mensal de cobrança, mas o investidor será responsável pela sua guarda.

Existe ainda a possibilidade de comprar ouro através de contratos pela BMF, diretamente através de sua corretora. Essa modalidade possuirá uma taxa mensal de custódia pela guarda do metal, mas você estará livre dessa responsabilidade. Em grandes crises sistêmicas, entretanto, nada garante que o seu contrato será um dia cumprido.

Para entender com mais detalhes como funciona cada modalidade, leiam esse link que explica como comprar ouro no Brasil.

Montagem da carteira de investimentos de imóveis (20% do total)


Desde que o investidor invista em papéis de FIIs de tijolo, o pilar da carteira imobiliária fornece uma segurança semelhante à posse de imóveis físicos. Com pouco capital, podemos possuir cotas de grandes empreendimentos e receber aluguéis com o benefício fiscal da isenção de Imposto de Renda.

Os fundos cobram uma taxa de administração, da mesma forma que uma imobiliária cobraria para cuidar de seus imóveis, que gira em torno de 0,5 a 1,5% ao ano. É o preço de não ter o trabalho na gestão dos imóveis.

A compra de cotas desses fundos pode ser feita através do home broker de sua corretora. Para começar, sugiro a escolha de dois ou três fundos de tijolos e com múltiplos imóveis. O leitor pode ver uma lista bem abrangente desse fundo no site do Investidor de Risco, nessa página. Existem ao menos 5 bons fundos com essas características.

Pode-se notar que os FIIs possuem várias métricas para avaliação (assim como as ações de empresas). Para escolher corretamente, é necessário ler um pouco mais sobre esse tipo de ativo. Como eu não tenho certificação de analista pela APIMEC, infelizmente não posso citar recomendações específicas nessa página, em virtude do monopólio da informação que certas entidades de classe ainda possuem no Brasil. Um atraso para o país.


Para o futuro...


Direcione inicialmente os aportes para os pilares que estiverem com o percentual abaixo da meta. Analise os montantes mensalmente, realizando um fechamento dos percentuais para essas tomadas de decisão.

Uma vez que a carteira de investimentos estiver com os percentuais dentro da meta, é hora de começar a realocar os montantes quando esses percentuais sofrerem um desnível pré-determinado, como foi explicado anteriormente, no parágrafo da realocação de ativos.

Essa carteira inicial sugerida é a forma mais simples de fazer alocação de ativos. Existem muitas formas de montar carteiras mais elaboradas. Em renda fixa poderíamos acrescentar debêntures. Em ações, além de comprar empresas específicas, podemos proteger o capital com opções, seja em venda coberta de calls ou em compra de puts. No câmbio, podemos comprar outras moedas ou investir no exterior. E em FIIs, podemos possuir também outros tipos de fundos, não somente os de tijolos.

Porém, não há a necessidade de dar esse passo. Se o seu perfil é de uma pessoa que não gosta de acompanhar o mercado financeiro e não deseja aprofundar nas métricas de fundos e ações, escolha a simplicidade. A carteira simples, apresentada nesse texto, pode ser usada para toda sua vida, garantindo rendimentos a longo prazo bem maiores do que a aplicação isolada da renda fixa.

É uma carteira de investimentos que funciona bem para quem não quer perder tempo no mercado financeiro. Ela apenas exige, uma vez construída, um simples acompanhamento mensal que fornecerá informações para possíveis realocações.

Assim, podemos focar nas coisas que gostamos de fazer. Guarde seu tempo para ser uma das referências na atividade que já pratica ou deseja praticar. E esteja sempre no controle. Lembre que a responsabilidade é e sempre será, só sua.

Obrigado pela leitura. E se tiver alguma dúvida ou opinião, responderei com o maior prazer nos comentários abaixo.


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Lembrem-se que um dos principais comportamentos que farão você vencer o mercado financeiro é o foco. Veja nesse artigo sua importância na montagem de uma carteira de investimentos.

Em tempo, se o leitor quiser checar uma apresentação que fiz em 2009 sobre alocação de ativos, entre nesse link. Alguns dados estão desatualizados, mas existe dois gráficos que mostram com ativos reais, como uma carteira de investimentos bem alocada pode ser muito superior à aplicações isoladas.

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