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Sua desilusão com os políticos provém da expectativa em relação ao Estado

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?

Como explicar a expectativa em relação ao Estado mesmo frente à incapacidade, às ações e à ética dos políticos e burocratas que o compõem?


Expectativas são facas de dois gumes: podemos desfrutar as delícias em sua realização ou sofrer as dores de sua não consumação. É assim nas expectativas que criamos com nosso par amoroso, em um novo emprego ou na compra do último gadget digital. É também assim na política, quando votamos e esperamos que tais representantes exerçam nossas aspirações no trato, na distribuição do dinheiro público e no retorno de benefícios à sociedade. Expectativa, entretanto, impossível de realizar-se.

Normalmente, a origem da desilusão é relacionada à quebra de promessas realizadas durante as eleições e na sequência do mandato político. Promessas que são feitas justamente para suprir as expectativas dos eleitores. Assim, a mentira é uma necessidade política demandada pelo próprio eleitor. O desapontamento que vem depois é apenas uma consequência, ao final, dessa expectativa. O fato é que os políticos dificilmente vão ajudar você, e os motivos resumem-se por (má) vontade, mas também por (falta de) capacidade. Primeiramente, eles possuem interesses próprios, que incluem a manutenção da ordem vigente, iludindo o eleitor na crença que a estrutura paquidérmica estatal é algo benéfica a ele próprio. Porém também devemos atentar que os políticos não têm como beneficiar a maioria das pessoas, considerando a sociedade em uma visão mais ampla. Mas daí o leitor pensa: qual é, então, a solução?
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A redução da maioridade penal e a falta de foco em seu debate

A aprovação da redução da maioridade penal no Brasil não pode clamar como argumento causal a redução da violência, mas sim a aplicação da responsabilidade individual, baseada em princípios éticos e na justiça.

A aprovação da redução da maioridade penal no Brasil não pode clamar como argumento causal a redução da violência, mas sim a aplicação da responsabilidade individual, baseada em princípios éticos e na justiça.


Nossa competência ou incompetência podem manifestar-se de duas formas: conscientemente ou inconscientemente. Para a primeira combinação, ou seja, da competência (minoritária em uma sociedade idiocrática) assumindo-se de forma consciente, abre-se uma nova possibilidade, a de atuar com honestidade ou desonestidade. O debate atual, e aqui não me circunscrevo apenas ao Brasil, move-se por toda essa seara. Apesar de que, possivelmente, a maioria dos atores que expõem suas opiniões às polêmicas de nossa história são cativos à uma incompetência inconsciente (não sabem e não sabem que não sabem), não representam o mal maior, pois suas ideias denunciam-se a si mesmas e não chegam a possuir grande repercussão. A maior ameaça encontra-se entre o grupo que sabe o que está fazendo, e possui consciência de sua desonestidade intelectual.

Apesar de não classificar nesse grupo os autores da reportagem recente da Folha, sobre os números da criminalidade de menores, ela mostra-se incrivelmente deslocada do foco da discussão, uma vez que procura trazer a relação dos atos ilícitos praticados por menores dentro do total das ocorrências criminosas. A matéria mostra que essa relação é alta e considerável, e assim, carrega um viés de necessidade da aprovação da lei que diminui a idade da maioridade penal e será discutida este mês no Congresso Nacional. Mesmo eu sendo a favor dessa lei, tenho consciência que tais números não têm serventia nessa discussão, pois sua necessidade de aprovação tateia argumentos de justiça e responsabilidade, não possuindo nenhuma função adicional, como colaborar para a diminuição de crimes. Isso pode ser uma consequência, mas nunca pode ser usada como uma causa para sua aprovação.