Sobre filantropia: alguns bilionários que você deveria admirar

O preconceito e a inveja impedem que vejamos de forma clara o papel e a importância dos empresários e bilionários no desenvolvimento de um país, seja indiretamente, como a produção de empregos e tecnologia, ou diretamente, em suas ações filantrópicas. The Giving Pledge
Bill Gates e Warren Buffet, bilionários líderes na filantropia

O preconceito e a inveja inibem a clara percepção do papel e importância dos empresários e bilionários no desenvolvimento de um país, seja indiretamente, como a produção de empregos e tecnologia, ou diretamente, em suas ações filantrópicas.


Entender a lei da causa e consequência tem sido um grande desafio para a humanidade. As consequências de determinadas ações são claras quando se manifestam. É um pouco mais difícil, porém, compreender as causas que as geraram, principalmente quando tais efeitos ainda não estavam evidentes. Após um ano da recondução do PT ao cargo, um consenso afinal começa a ser criado: de que a responsabilidade da maior crise econômica desse país pertence ao próprio governo, iniciado anteriormente pelo ex-presidente Lula. Quando assume-se, como nunca antes nesse país, um orçamento negativo para o próximo ano, significa que a viabilidade de uma nação foi implodida. A matemática básica, aquela que o leitor aprende no Ensino Fundamental, foi totalmente negligenciada. O país chegou no fim do poço. E continua cavando.

Em 2014, antes da eleição e no melhor estilo de caça às bruxas, o partido tentou processar a Empiricus e paralelamente, o decadente ex-presidente mencionado acima pediu para demitir a gerente do Santander, devido à uma legítima opinião emitida sobre o desastre na economia que formava-se. Lula disse que ela não entendia de Brasil. Comparar suas bravatas passadas com a realidade atual é uma dose diária de bom humor. Inesquecível lembrar ainda das postagens facebookianas de seus amiguinhos de esquerda entoando o mesmo coro do seu líder máximo e de sua fantoche.

Em virtude do meu limitadíssimo alcance eu não gerei a ira petista na minha postagem de mais de um ano e meio atrás, onde comentei que em 2015, toda essa crise iria ficar mais clara, pois além de inteligência elementar no governo, faltava confiança moral para investimentos das pessoas que queriam produzir. Os empresários, um grupo hostilizado pela insanidade de alguns, são pessoas que arriscam seus recursos, geram riquezas e disponibilizam empregos para que o círculo virtuoso do capital continue girando (veja interessante diálogo ao final desse texto). Para o pensamento progressista, falar em capital ou em ter lucro é de uma sordidez tamanha. Afinal, lucro significa a exploração dos trabalhadores, certo?

Nesse artigo porém, não vou expor tais pontos. Também não vou explorar que, com esse pensamento, ainda massivo em nosso país, tendemos a ficar cada vez mais para trás na corrida para o desenvolvimento econômico e social e alimentar ainda mais a crença de que cabe ao Estado plantar as sementes para o progresso. Os brasileiros e latinos em geral não percebem que as grandes conquistas de nossa civilização não ocorreram dentro da burocracia do governo, mas sim pela mão de grandes mentes empresariais, como Thomas Edison, Henry Ford, Sam Walton, Robert Noyce, Bill Gates, entre outros. E é sobre os empresários que gostaria de escrever hoje sob um foco bem particular: as ações e os incentivos dos bilionários para a formação de uma sociedade mais humana.


Um breve comentário sobre a natureza dos empresários


Em diversos textos nesse blog fiz questão de identificar duas espécies de empresários, baseando-se em suas condutas perante seus negócios. Existem empresários que possuem privilégios dentre a burocracia estatal e aqueles que não os possuem. Não é necessário comentar que temos, entre esses dois extremos, algumas dezenas de tons de cinza.

O ponto principal desse comentário é analisar onde está o erro. Pessoas agem com base em incentivos. Se existe um Estado que oferece tais incentivos, muitos deles legais (ah, BNDES...) ou ilegais (liberação de obras em estatais mediante propinas), quantos serão os empresários que negarão tais privilégios? O leitor, em um exercício de empatia e honestidade, negaria? Vamos falar sério: se muitos professores universitários, que vociferam contra a desigualdade e justiça social aceitam receber salários absurdos com recursos do ICMS, porque os empresários deveriam recusar os privilégios oferecidos?

O erro é o Estado. O erro é a possibilidade legal de existirem as mamatas e a ineficiência no combate à corrupção. O Estado nada produz e propaga a nefasta ideia de que a melhor recompensa é oferecida em função da cumplicidade empresarial com a classe política, e não em função de próprios méritos, ideias e esforços. Não existe meritocracia plena com o Estado. O Estado realiza uma transferência de riqueza indevida para beneficiar companheiros, e claro, exige algo em troca para manter esse privilégio. Mas, como veremos a seguir, podemos discernir uma evidente diferenciação entre dois grupos de empresários.


As consequências na economia a partir do modus operandi dos empresários bilionários


Recentemente dois pesquisadores publicaram no Journal of Comparative Economics uma pesquisa que mostra como a diferença de comportamento de empresários ligados ao governo e de empresários independentes pode modificar a sociedade. Os autores sugerem que, quando os empresários (bilionários, para ser fiel ao artigo) adquiriram sua riqueza através de conexões políticas, ela é ao final subtraída de toda a economia, enquanto os empresários que usam o mercado para enriquecerem, tendem a adicionar mais riqueza para a população.

O estudo mostra que a desigualdade de riqueza não é de fato, o problema, mas sim a forma como essa desigualdade foi construída. Empresários ligados ao governo sugam riquezas que poderiam ir para a livre iniciativa das pessoas, que adicionalmente, é tolhida quando esses mesmos empresários impedem (juntos aos legisladores) a entrada de novos concorrentes no mercado, que poderiam oferecer melhores produtos com menores preços. O lobby desse grupo torna-se cada vez mais viável quanto maior a influência estatal e induz decisivamente o rumo da política governamental, impedindo um crescimento orgânico da sociedade.

Para todos obterem benefícios do mercado, novos empresários devem ser livres para atuar, dentro de um sistema sem privilégios, onde o único fator de sucesso seja sua habilidade pessoal. Desvios ocorrerão, afinal o caminho mais fácil é tentador, e serão proporcionais ao poder ainda remanescente do Estado. Diminuir esse poder, portanto, é a única forma de corrigirmos esse sistema de incentivos espúrio que construímos por aqui, aliando-o a uma menor carga tributária, essencial para uma melhor utilização dos recursos. As pessoas possuem uma habilidade muito maior do que o governo para fazer com que seu dinheiro colabore para o desenvolvimento social. E o mundo está recheado de exemplos reais.


Empresários fazem filantropia e não assistencialismo ou caridade


É possível que a oposição correta seja filantropia contra o assistencialismo. A caridade é um conceito de natureza religiosa e compreende muitos atos nem sempre envolvidos com recursos financeiros, como os dois primeiros. O assistencialismo encerra um ato mais momentâneo, de curto prazo. Não existe um plano maior envolvido e não exige uma consequência a longo prazo de uma ação coordenada. Já a filantropia, em geral, é vinculada a um projeto de desenvolvimento e mudança social, muitas vezes procurando suprir a ineficiência do Estado em determinada área de trabalho. É um investimento onde busca-se um retorno efetivo para a sociedade, seja em melhorias da educação, saúde ou pesquisas científicas. Os resultados são importantes e sempre mensurados.

Empresários e bilionários são sensíveis à filantropia. Está intrínseco em sua personalidade investir e obter retorno em algo. Inclusive para o benefício de outras pessoas. E é somente assim que os resultados aparecem. Remetendo ao clássico provérbio chinês, é necessário ensinar a pescar, comprovar que ele tenha aprendido e que de fato, pesque! Isso é essencial para avaliar ações, corrigir rotas e aprimorar ainda mais o método. A virtude aparece quando constatamos que os empresários usam seus próprios recursos para tais ações. Não são como os paladinos progressistas, que adoram fazer o bem para todos, mas com o dinheiro dos outros.


Alguns exemplos de bilionários envolvidos na campanha "The Giving Pledge"


Em 2010, Bill Gates e Warren Buffett criaram a campanha "The Giving Pledge", na qual exortam demais bilionários como eles, a doar ao menos 50% de suas fortunas para a filantropia. Ano a ano, a lista cresce. Já são 137 bilionários de 14 países, alguns citados na sequência do texto. Nenhum deles, porém, brasileiro. Buffet, um dos maiores investidores do mundo, foi ainda além da proposta da campanha, comprometendo-se a doar 99% de sua fortuna, principalmente através da Fundação Gates. Bill Gates, uma das pessoas que revolucionaram decisivamente o mundo da tecnologia, já doou mais de US$ 26 bilhões à fundação.

A Fundação Gates é um dos maiores exemplos de como a filantropia pode substituir as ações sociais do Estado. Ela existe apesar dos impostos aos quais seus colaboradores estão sujeitos. Por vezes proponho-me a imaginar quantas fundações semelhantes a ela poderiam existir se possuíssemos uma situação tributária menos severa. A Fundação conta com ações mundiais para a melhoria da assistência à saúde e à redução da pobreza, assim como a expansão da oferta educacional e o acesso à tecnologia de informação, e foi responsável por quase US$ 4 bilhões de investimentos em 2014. E é um investimento com cobrança incessante de retornos (eficiência) e de duração perpétua, uma vez que é gerido de forma sustentável. Diferente de governos irresponsáveis que gastam além do que podem e posteriormente jogam a conta para a população.

Michael R. Bloomberg, bilionário, ex-prefeito de NY e um dos maiores filantropos do mundo, toca exatamente nesse ponto, afirmando que a filantropia, além da possibilidade de ser uma alternativa ao Estado, pode inclusive encorajá-lo a assumir as parcerias corretas para que os riscos assumidos nos gastos orçamentários gerem sempre, com eficiência e eficácia, benefícios à sociedade. Criou, entre outras iniciativas em filantropia, a Bloomberg Associates, uma empresa de consultoria que atua com órgãos privados e públicos com o objetivo de melhor capacitar os indivíduos e comunidades para cuidar do futuro.

Quando analisamos os motivos que os bilionários apontam para realizar a filantropia, eles soam como óbvios, mas mesmo assim, enfrentam sempre a desconfiança da sociedade. Mentes invejosas poderiam argumentar que os bilionários fazem filantropia por interesses pessoais, inclusive para beneficiar a imagem de suas próprias empresas. Mas e daí? O importante não é fazer os recursos alcançarem a quem precisa? Não importa a motivação por trás disso, importa o resultado. Pierre Omydiar, fundador do eBay, não se preocupa com o que a sociedade pensa, apenas sente o peso da responsabilidade que cresce muito com o capital que chega à sua conta bancária. Seus projetos pretendem resgatar a capacidade inerente das pessoas que não possuem oportunidades para desenvolvê-la. E normalmente, elas respondem a essas oportunidades de maneiras inspiradoras. Deveria ele deixar de doar para acalmar mentes invejosas? Ou para legitimar discursos que apontam os bilionários como pessoas do mal?

Ainda assim, o mundo está repleto de bilionários sem a intenção de auto-promoção. Um deles é o frugal Chuck Feeney, criador das lojas Duty Free que pululam nos aeroportos do mundo todo. Feeney vinha, por mais de 15 anos, doando sua fortuna secretamente antes de ser descoberto. Começou a doar sua fortuna ainda em 1984 para uma fundação, mas com o aumento dos aportes acabou sendo descoberto em 1999. O total doado através de suas ações filantrópicas já passa de US$ 7,5 bilhões, incluindo doações à reconstrução do Haiti após o último terremoto e ao fomento de pesquisas em universidades, de forma a atrair grandes talentos para essa área fundamental.

Uma vez que é quase impossível esperar dos governos melhorias na educação, uma vez que a educação nunca foi prioridade para os políticos, a saída sempre passa pelo setor privado. Para não estender demais, deixo aqui mais a referência de George Lucas, um dos cineastas mais famosos da história. Lucas atua filantropicamente na área educacional com a Edutopia, empresa pertencente à fundação que leva seu nome. Desiludido com a qualidade do ensino (imagine se fosse no Brasil...), o bilionário procura criar novas alternativas para aprendizado, integrando mais os alunos com a realidade, permitindo a ação de mentores e incentivando a inovação tecnológica, no intuito de promover o pensamento crítico e a inteligência emocional.


E os bilionários do Brasil?


Aqui, em terras tupiniquins, embora não existam bilionários comprometidos com a campanha "The Giving Pledge", existem sim, bons exemplos. A Fundação Bradesco é uma delas. Com quase 60 anos de história, foi fundada por Amador Aguiar para promover a inclusão social através da educação. A Fundação atende presencialmente mais de 105.000 alunos em todo o Brasil (além de 460.000 estudantes no ensino virtual), e seu investimento vem crescendo ano a ano, atingindo mais de R$ 520 milhões de reais em 2014. Recentemente, uma das filhas de Aguiar declarou que doará toda sua fortuna bilionária à sua Fundação. Mais exemplos podiam ser citados, mas estenderia muito a postagem. O ponto é que o Brasil, em geral, está muito atrás dos países desenvolvidos nessa cultura filantrópica.

A Charities Aid Foundation, publica, desde 2010, um índice que mostra o quão os países são filantropos, baseada em pesquisas pelo Instituto Gallup referentes à doações, voluntariados e ajudas diretas a pessoas, que seus habitantes praticam. Os países mais bem colocados, com alguma exceções, são em geral, os países onde o liberalismo está mais presente, como os EUA, Canadá, Austrália e Inglaterra. Não existe segredo: ser um agente potencialmente ativo para ajudar os outros passa por assumir-se como um indivíduo capaz, responsável e auto-suficiente, atitudes cada vez mais raras em populações de países que acostumaram-se a ser dependentes de um Estado-babá, como o Brasil (que por sinal, está em uma distante 90ª colocação no índice dentre 135 países).

Como tenho dito em muitos outros textos desse blog: menos Estado gera menos impostos. Menos impostos gera menos corrupção e mais dinheiro para as pessoas. Mais dinheiro disponível gera mais liberdade e mais iniciativas individuais. O que termina por diminuir cada vez mais, a pobreza. Seja financeira ou de espírito.


Mais textos sobre liberdade nesse link.

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