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Respeito à liberdade e amor ao Estado: arranjos incoerentes

Como é incoerente, inadequada e inconsequente a defesa mútua do Estado e da Liberdade.

A defesa mútua do Estado e da liberdade é incoerente, inadequada e inconsequente. Se desejamos mais liberdade, precisamos lutar por menos Estado.


O leitor há de convir que existe uma distância muito grande, em diversas esferas de nossa vida, entre intenção e ação. Nem sempre convertemos nossos desejos em iniciativas que propiciarão sua realização. A própria auto-sabotagem é habitual e ocorre de maneira constante na vida, mas ela restringe-se a um indivíduo em particular. Não interfere na sociedade e não atinge demais indivíduos diretamente. Por isso é limitada.

Um desejo comum, com poucas exceções, entre os indivíduos, é possuir liberdade. Liberdade sob suas várias esferas. Liberdade de expressar-se, de ir e vir, de não serem coagidos em algo que desejam praticar(1), com a contrapartida de respeitar sempre a liberdade e o direito de propriedade dos demais integrantes ao seu redor. O leitor deve aceitar, assim, que para possuir tais liberdades, existe a necessidade de não existir algo, ou alguém, que proíba o exercício da liberdade.
 
Defender a liberdade pode parecer fácil, mas não é uma ação óbvia. Pode tornar-se o típico discurso sem prática comentado no primeiro parágrafo. Se fizermos uma pesquisa nacional sobre a defesa da liberdade individual, os números de apoio seriam provavelmente ainda maiores do que a reprovação do governo do PT. Porém, a mentalidade esquerdista e progressista que ainda resiste na maioria da população brasileira impede, muitas vezes de forma inconsciente, de transformar esse anseio por liberdade em ações que possibilitarão sua prática. E aqui, o prejuízo não é mais limitado.

Um exemplo é a identificação que ocorre nas massas com o maior meio de coerção que já existiu na história: o Estado. Mais do que pessoas, empresas e grandes corporações, as instituições políticas são as principais responsáveis por impedir que você seja livre, intencionalmente criando uma tácita dependência enquanto enfraquece sua responsabilidade individual. Elas são compostas por pessoas com as mesmas falibilidades e debilidades morais, alimentadas por pensamentos e interesses que possivelmente, são diversos aos seus. Esse fato por si só não é um problema, pois faz parte de cada indivíduo, porém aqui, são pessoas com um grau de poder que interfere em sua vida de forma decisiva, uma vez que sua liberdade de evitar tal coação é notadamente atingida.

É assim quando o Estado proíbe a existência de um aplicativo que aproxima cliente e fornecedor para um serviço de transporte, retirando sua liberdade de fazer um negócio totalmente voluntário. É assim quando os burocratas impedem, através de impostos escorchantes, que você escolha um produto mais barato no exterior para comprá-lo. Da mesma forma, quando restringe sua opção de operadoras de telefonia a 4 empresas em função da reserva de mercado, enquanto que em países europeus como a Alemanha, seus habitantes possuem 46 opções para escolher uma tarifa mais barata. Tente, pequeno empresário, chegar em um acordo com um funcionário para que ele trabalhe menos com redução do salário (o que poderia ser bom a ambos) e veja o que acontece. Ou você, que ralou na universidade e possui um diploma de graduação legítimo, com excelentes notas no histórico escolar, exercer sua profissão sem pagar um "pedágio" anual a uma entidade de classe.

Assim, todos que pensam que a solução de suas crises é fortalecer ainda mais o Estado estão, na verdade, colaborando para a diminuição da liberdade e responsabilidade individual de cada um. E a história nos mostra que os resultados de tal combinação nunca trouxeram frutos positivos. Que o futuro nos reserve uma realidade diferente.

(1) Veja a diferença entre liberdade negativa e positiva aqui. 

Mais textos sobre liberdade aqui.


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