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Tecnologia e apps contra o corporativismo e a serviço da liberdade

Um exemplo de como a inovação tecnológica e a nova era dos serviços e aplicativos aproximam as pessoas e encorajam o exercício da livre escolha individual, um dos pilares do liberalismo.

Um exemplo de como a inovação tecnológica e a nova era dos serviços e aplicativos aproximam as pessoas e encorajam o exercício da livre escolha individual, um dos pilares do liberalismo.


Acuado pelas querelas dos discursos de esquerda, o significado da palavra "capitalismo" distorceu-se enormemente nas últimas décadas. Originariamente referente à uma condição pessoal (a quem possuía capital), foi alçado à caracterização de um sistema econômico por Marx e Engels (1) na segunda metade do século XIX. Esse sistema já havia sido exposto anteriormente por Adam Smith como um arranjo liberal onde a propriedade privada é a detentora dos meios de produção e da decisão dos investimentos, e o preço é calculado naturalmente pela oferta e pela demanda. E principalmente, é caracterizado pela livre decisão de escolha e negociação entre seus agentes.

O mundo, e particularmente a América Latina e os brasileiros, possuem uma dificuldade tamanha em entender os benefícios desse modelo. Recusam-se a aceitar que a busca pelo lucro e pelo interesse individual acaba colateralmente provendo melhorias a todas as pessoas. Foi assim na história. Apesar do século XX ter contaminado esse sistema econômico através da simbiose com o Estado, as melhorias e os avanços foram fantásticos. Aumento de produtividade agrícola (menos fome), avanço na medicina (mais saúde), inovações nos transportes (melhor locomoção) e o avanço nas telecomunicações (encurtando distâncias), além do progresso na informática e sua possibilidade infinita de trazer crescente satisfação aos usuários. Se você está aqui lendo esse texto, você também se beneficia das leis liberais do (verdadeiro) capitalismo.

Talvez a mais nobre dessas leis seja a liberdade concedida a duas partes de realizar ou não um acordo, sem interferências de uma terceira entidade. Não vou entrar em detalhes de ingerências e distorções indiretas que mancham esse ato de livre troca de interesses, como os impostos cobrados pelo Estado em todas as transações, mas sim na intromissão direta do Estado em permitir que um indivíduo aja de acordo com sua própria vontade.

Você, leitor, sabia que a popular carona, seguido de um pedido para "rachar" a gasolina, é proibida no Brasil? Claro que a maioria dos brasileiros já cometeu tal infração, uma vez que a possibilidade de ser pego pela fiscalização estatal é remota. Porém, o avanço da tecnologia permitiu uma facilidade imensa de encontro entre indivíduos para realizar acordos semelhantes, expandindo as oportunidades para a concretização de interesses comuns.

Um desses avanços é o aplicativo Uber, objeto de numerosas ações judiciais realizadas pelo corporativismo dos motoristas de táxis pelo mundo inteiro. O "crime" do Uber é somente aproximar duas pessoas com interesses comuns e permitir que essas pessoas realizem voluntariamente um negócio. Isso é o liberalismo. Corporativismo e cartéis odeiam o liberalismo porque ele promove a livre concorrência. A população deveria abraçá-lo por ver ampliadas suas facilidades (e por entender que a livre concorrência faz com que a qualidade dos serviços aumente e que os preços caiam) e lutar contra as leis que o solapam. Anteontem a liminar que proibia o Uber no Brasil foi cassada, embora não pelo motivo lógico que expus acima. A briga ainda vai longe. O que ocorre, contudo, é que não existe uma regulamentação específica para esses novos tempos. As destruições criativas geradas pelas inovações tecnológicas sempre estão à frente do andar estatal.

O Uber não está sozinho. Hoje também temos a possibilidade de alugar casas e apartamentos em diversos lugares no mundo para uma viagem de férias com conforto e sem pagar os absurdos preços de hotéis, com o Airanb. Não é por acaso que muitas grandes redes hoteleiras e mesmo o Estado, ávido por impostos, têm colocado grandes impedimentos para sua atuação. Outra iniciativa inédita no Brasil (mas já existente na Europa) é aproximar pessoas que possuem um automóvel ocioso de pessoas que o usam ocasionalmente, permitindo seu compartilhamento. A Fleety começou seus serviços em São Paulo e Curitiba, mas a expansão virá logo segundo sua equipe, com a qual conversei por e-mail. São iniciativas que promovem o uso racional dos recursos e são vantajosos para as duas partes, mas que com certeza, recrutarão muitos inimigos pela frente. Afinal, quanto ganham atualmente as locadoras de veículos no Brasil com seus preços absurdos?

O Estado, patrocinador do corporativismo, joga com a emoção das pessoas para angariar tentativas de apoio contra essas iniciativas. Apelam ao medo afirmando que tais acordos não são seguros, pois as pessoas que oferecem o serviço não são "cadastrados" (como se uma ficha representasse alguma segurança). Ora, da mesma forma que o pagamento anual de um CRM, de um CREA ou de um CREF não garante um bom profissional, um cadastro é mera formalidade. O que garante a qualidade do serviço é sua expansão, uma vez que todos os usuários são incentivados a avaliar o serviço após o uso. Isso cria, com o tempo, um sistema de pontuação que gera uma concorrência interna entre os diversos fornecedores, promovendo ainda mais a qualidade e a queda dos preços. Isso é a vitória do consumidor. Isso é uma manifestação de um sistema liberal, verdadeiramente capitalista. Isso é o que os estatistas, sob o manto sagrado da "esquerda", adoram combater em nosso país.


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(1) Embora o primeiro uso do termo nesse sentido moderno seja atribuído a Louis Blanc, socialista francês, em 1850.


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