O progressismo, o falso elo com o progresso e a miséria intelectual

Progressismo, um rótulo que não passa de um reconforto moral para os idiotas úteis manipulados, e que para sua disseminação, é necessário que se estabeleça sobre a base de uma indigência intelectual.

Progressismo, um rótulo que não passa de um reconforto moral para os idiotas úteis manipulados, e que para sua disseminação, é necessário que se estabeleça sobre a base de uma indigência intelectual.


Sempre quando definimos coletivos, sujeitamo-nos a assumir um grande risco em rotular levianamente um grupo ou um pensamento. Como escrevi em Rótulos políticos: necessidades e problemas, o grande problema é que tal rotulação coletiva inibe o pensamento individual e independente, tão defendido nesse blog. Porém, por vezes, é necessário a utilização de alguns estereótipos para esclarecer meandros do jogo político e para definir pensamentos, opiniões e compreensões de mundo. Principalmente quando algumas derivações são usadas de forma totalmente oposta ao significado da palavra que a originou.

Nesse espaço há farto material que acusa a farsa e o atraso do pensamento que ainda domina o mundo latino - e o Brasil em particular. Alguns são ridicularizados por tachá-lo de comunista, mas tal termo não está incorreto se entendermos como comunista um sujeito cujo objetivo não é implantar um sistema assim e assado, mas sim ser um agente (na maioria das vezes um idiota útil manipulado) que "ocupa um lugar numa organização que age como parte ou herdeira da tradição revolucionária comunista", como diria Olavo de Carvalho. Convicções ideológicas perdem importância para a estratégia de tomada do poder a qualquer custo. Os comunistas de hoje são, assim, pessoas que nunca leram - ou não entenderam, autores que pregaram sua assimilação pela sociedade e autores que criticaram suas teses. Essa oposição é necessária para assumir um julgamento, mas que é negligenciada de forma cruel.

Outro rótulo utilizado para designar essa classe de ideias é o esquerdismo, ou o socialismo. Muitas pessoas que se autodefinem com tais clichês rejeitam o rótulo de comunista, talvez com certa honestidade (os manipulados, não os manipuladores), embora a maioria não saiba exatamente as origens e os antecedentes desse sistema. Condenam os erros e as milhões de mortes acarretadas historicamente pelo comunismo, mas defendem as mesmas bases que produziram tal genocídio: o Estado onipresente e poderoso e a supressão da liberdade individual.

Porém, o leitor já reparou que nos últimos anos, apesar de não ser algo novo, cresceu entre esse grupo, a autodenominação "progressista"? Afinal existe menos demanda intelectual ao assumir-se como progressista do que socialista, pois o primeiro exige apenas que eu seja a favor do progresso, mimetizado pela justiça social em todas suas expressões. Para dizer-se socialista, já (deveria) envolver algum conhecimento de sistema, de história e de meios para atingi-lo. Qualificar-se a si mesmo como progressista é até mais óbvio do que se fazer por meio do rótulo de "esquerda", pois até tal termo exigiria um mínimo entendimento. No fundo, como já disse Denis Rosenfield, é mais uma espécie de reconforto moral repousando sobre uma indigência intelectual.

Renunciar ao pensamento e sentir prazer em professar convicções confusas, recheadas de falhas e sem senso crítico é a tônica daqueles que se dizem progressistas. Para começar, o que é progresso? Definir simplesmente como um ato em "progressão" não é suficiente. Nos últimos dez anos, enquanto o crime teve um progresso acelerado no Nordeste, ele regrediu em São Paulo. O leitor sentiria-se mais seguro onde? É tal progresso que os progressistas defendem quando se posicionam a favor dos criminosos e contra o porte legal de armas? Talvez o cidadão prefira pensar o progressismo definindo-o como um sinônimo de "desenvolvimento" ou "aperfeiçoamento". Mas continuamos a ter aqui evidências de preenchimento do ego, de uma metamorfose de militante para "paladino do bem" ao invés de uma análise crítica dos meios necessários para tais fins.

A busca de justiça social, hoje muito mais baseada em ações afirmativad que evocam um sentimento histórico de culpa pela sociedade (pela escravidão, pelas mulheres, pelos marginalizados...), atropela conceitos consagrados no curso da história, como o direito e a justiça. Progresso?

O que dizer da luta, por esse grupo, na demonização do ocidente e dos EUA, que leva automaticamente ao alinhamento com governos ditatoriais e à omissões de atrocidades cometidas por grupos terroristas. Mais progresso?

Embora os progressistas devam estar um pouco confusos nesse tempo pós-eleições com as meddiscurso-progressistas" tomadas pelo governo PT, apoiar excesso de benefícios sociais, levando o Estado à bancarrota, diminuindo o crescimento econômico e gerando inflação é algo que leva ao "progresso" da sociedade?

Apoiar o controle da imprensa e do que pensa cada membro de nossa sociedade, como fez Lula ao pedir a demissão da analista do Santander em Julho de 2014 por escrever um relatório mostrando a real situação do país (hoje confirmada) é progresso?

Aliás, um parênteses: enaltecer um sujeito como o Lula, é pensar no progresso desse país?

Censurar um sistema que defende um Estado menor e legitimar um Estado inchado, onde apenas os amigos do rei possuam privilégios e são protagonistas de vultosos esquemas de corrupção é um caminho ao progresso?

O mais cativante discurso dos progressistas, porém, é quando em coro, sentindo-se abrigados pelo coletivo, dissimulam sua carência mental e sentenciam tais opiniões como conservadoras, reacionárias, neo-liberais e coxinhas, em um total descompasso com a história e a realidade.


P.S.: E o partido que disputa o protagonismo com o PT na corrupção brasileira é o PP. Partido Progressista.


Mais textos sobre Política e Estado nesse link.


Comentários

  1. Estamos vivendo um período de PTrevas...!!!

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    1. +1000. E esse é só o começo...

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  2. Estamos vivendo um período de PTrevas...!!!

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    1. Vamos reverter esta tendência, Fernando!

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