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Uma viagem de barco na Amazônia: de Manaus a Alter do Chão e Belém

Uma viagem de barco e rede de Manaus a Belém, passando em Alter do Chão: botos e outros bichos, índios, selva, praias, museus e encontros de muitas águas!
O pôr do sol em Alter do Chão

Uma viagem de barco e rede de Manaus a Belém, passando em Alter do Chão: botos e outros bichos, índios, selva, praias, museus e encontros de muitas águas!


Uma das definições de exótico atribui à palavra o que provém de fora, o que não é comum em seu país. Mas como caracterizar tal adjetivo para um país de dimensões continentais como o Brasil? Para a maioria dos leitores brasileiros acostumados com as conveniências e confortos urbanos, não é natural designar como exóticos lugares como Miami ao invés de uma viagem pelos rios da Amazônia, com contato com uma população que nunca saiu de tal ambiente. O exótico perpassa essa definição. Não tem relação com fronteiras, e sim com costumes e paradigmas. Viajar pela Amazônia e ainda mais, pelas suas águas é conviver com esse exotismo, mesmo tratando-se do mesmo Brasil. Ainda que precisemos ter a consciência de que o padrão e o exótico estão cada vez mais a se misturar com a expansão das comunicações. Viaje o mais rápido possível, pois o exotismo está em extinção!

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A Ponte do Rio Negro
Chegamos em Manaus pelo ar. Outras alternativas não poderiam ser consideradas viáveis visando um aproveitamento eficaz do tempo. E voltamos da mesma forma, de Belém, para Campinas. Entre as duas cidades, entretanto, andamos apenas de barco, com uma parada em Alter do Chão, no município de Santarém. Em Manaus ficamos na casa de um grande amigo que rivaliza comigo em número de estados brasileiros onde já estabelecemos residência. Os encontros foram regados a peixe, carne, cerveja e conversa boa. Claro, estivemos no Teatro Amazonas e assistimos a um show musical, visitamos Ponta Negra e rodamos na "nova" ponte do Rio Negro, cuja construção completou-se poucos anos atrás. Conforme relato do meu amigo, a proibição da livre circulação na ponte à época de sua inauguração foi um dos grandes exemplos de como o corporativismo está destruindo esse país. Já escrevi algo semelhante sobre sindicatos e associações de classeCâncer brasileiro.

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O vazio da Biblioteca Municipal de Manaus
Em Manaus visitamos também catedral e a Biblioteca Municipal. O prédio, oitocentista e em estilo neoclássico, está bem conservado e preserva em seu interior as escadas, colunas e lustres que vieram da Europa, além de muitos quadros e decorações da época. Uma pena que estivesse vazia. Claro que com o crescimento do acervo eletrônico é uma tendência inevitável, mas é triste constatar um quadro que transmite a realidade do desinteresse das pessoas na leitura e no estudo, necessários para entender o mundo e aspirar nele algo melhor. Hoje virou moda as universidades formar militantes profissionais nas áreas de humanas, e não profissionais para pensar e formar novas pessoas. Professores são o maior exemplo. Querem formar pessoas ativas politicamente, ansiosas por monopolizar a virtude e com a certeza que entendem o que é melhor para o país sem saber aritmética básica e sem uma noção mínima da lei da causa e consequência.

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A brincadeira com o boto cor de rosa (rosa só na parte inferior)
Durante um dia em Manaus, fizemos um passeio turístico de barco, passando pelo encontro das águas do Rio Negro e Solimões, distante de Manaus cerca de 40 minutos. Visitamos uma comunidade totalmente fluvial, onde a única possibilidade de transporte entre as casas, comércio, escola e igreja ocorre pelo rio. Voltamos pelo Rio Negro para almoçar em um refúgio no lago Janauary, próximo ao parque ecológico de mesmo nome, em um restaurante espetacular: comida à vontade e uma fantástica vista. Atrás do restaurante, andando sobre uma ponte sobre palafitas apinhada de macacos pedindo comida, vemos o lago das Vitórias-Régias, que não nos presentearam suas flores desabrochadas. Passamos ainda por um local onde alguns ribeirinhos criam bichos-preguiças e possuem cobras e jacarés, o que permitiu que tivéssemos contato com eles. Carregar um bicho-preguiça faz você imaginar como aquele ser consegue sobreviver em uma floresta com predadores; até para piscar o bicho é lento. Após um mergulho no rio junto ao boto cor de rosa (vídeo aqui), onde um ribeirinho o alimenta com peixe fazendo com que o mesmo se apresente para todos para conseguir seu alimento, chegamos ao final do passeio na visita da comunidade indígena de São João do Tupé, onde os índios nos recebem mostrando algumas danças típicas. Os limites entre a realidade e a encenação para os turistas dividem, entretanto, opiniões.

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E foi assim!
Chegando o dia da ida a Santarém, fomos cedo ao porto para colocar nossas redes no barco em um bom lugar. O vai e vem de ambulantes marca os momentos que antecedem a viagem, em meio ao entra e sai de gente, motos e carros. Para entender como é a acomodação, as fotos falam por si. O link do álbum completo está ao final do texto. O cuidado consiste justamente em chegar cedo e montar sua rede longe do banheiro e do motor do barco. Se for um lugar de canto, como o que conseguimos, melhor. O fato é que fomos de certa forma tranquilos, sem aperto. Apenas de vez em quando a extremidade de outra rede roça na sua e ocorre um balanço em conjunto, que auxilia, entretanto, a pegar no sono. Dormir de rede em barco é bom para incentivar a dormir cedo e acordar cedo, uma vez que o ambiente é aberto e a luz começa a invadir o local antes das seis da manhã. O tempo ficou bom na maior parte da viagem, embora durante uns 40 minutos pegamos uma chuva forte e rápida (típica da região), o que fez o barco balançar razoavelmente. No momento da chuva a tripulação baixa os toldos dos vãos do barco para melhor proteção.

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Chega, amarra o barco e vende tudo
A viagem até Santarém durou 30 horas. Saímos na hora do almoço e chegamos ao final da tarde do dia seguinte. Nosso barco, o Golfinho do Mar (?) era simples. Banheiros e chuveiros no mesmo ambiente não eram convidativos para desfrute. Não havia lazer, um bar ou televisão. Então, restava-nos apreciar a vista, uma leitura e papear com outras pessoas. Ganhamos por duas horas um notebook de um passageiro para assistirmos um filme. As tomadas de energia elétrica eram a melhor proposta do barco: corriam por uma canaleta através das redes e existia uma conexão a cada duas redes. Nas margens não existiam muitas comunidades isoladas, algo que vimos mais no segundo trecho da viagem, entre Santarém e Belém. Eventualmente a tranquilidade era interrompida por vendedores que nos alcançavam com um bote, "atracavam" seu veículo no navio e vendiam seus produtos: camarão, queijo e farinha. Na chegada a Santarém, mais um fenômeno de encontro das águas: verdes e claras do Rio Tapajós com as águas barrentas do Rio Amazonas. Dizem que permanecem separadas por muitos quilômetros na direção de Belém, mas não pudemos checar pois saímos quase meia-noite de Santarém.

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O istmo não perene que divide a baía da lagoa
Em Alter do Chão chega-se por táxi ou ônibus. A maior diferença entre as opções é o preço: de táxi, R$120,00 e de ônibus, R$ 2,50. Tal diferença não deixa margem para discussão: fomos de ônibus, claro, junto com escolares que estudavam em Santarém e estavam voltando para suas casas. No caminho, o ônibus sai da estrada principal e percorre um bairro precário de Alter onde os turistas não passam. Quem vai de táxi não vê a outra realidade de Alter. Entretanto, o distrito de Santarém possui como maior atrativo sua localização entre uma baía formada pelo Rio Tapajós e o Lago Verde, separados por um istmo (que as pessoas chamam de Ilha do Amor) não perene, ou seja, dependendo do nível das águas, ele é totalmente encoberto. O extremo da estação seca, onde existe uma enorme quantidade de praias e areias na região é entre os meses de Novembro e Dezembro. O volume da água começa a aumentar em Janeiro e por volta de Abril todas as praias são encobertas. Os barqueiros (a remo) que fazem a travessia da cidade para a Ilha do Amor cobram R$ 5,00 a viagem e possui esse emprego apenas de 3 a 4 meses ao ano. Nos outros, ou não existe ilha para ir ou o istmo se projeta até o continente, tornando possível a travessia a pé. As praias de Alter são de fato, muito bonitas, com uma areia branca e grossa, onde inúmeras árvores reinam bem próximas à água. E o pôr do sol pode ser visto sob vários ângulos pela cidade. Situação geográfica privilegiada. Porém, nada é perfeito: presenciamos um blackout durante algumas horas em uma noite e soubemos que a cidade teve um surto de hepatite recentemente. Coisas de Brasil...

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Maisa e sua irmã, criadas pela sua avó
Em Santarém chegamos logo cedo e passamos rapidamente. E percebemos que de fato, a beleza está somente nos olhos de quem a vê. A dona da pousada que ficamos em Alter nos contou que a orla de Santarém era linda. Andamos e andamos e não vimos nada de beleza. Uma parte estava em construção, e a outra, feia e com cheiro de peixe. Do lado oposto da avenida, esgoto corria nas sarjetas. Como saímos para comprar também nossas passagens de barco para Belém, e como havia uma opção de um barco que saía na mesma noite, não dormimos na cidade. Escolhemos esse barco para chegar mais cedo na capital do estado. A compra de passagens ocorria apenas pela cooperativa dos operadores, e claro, com preço tabelado eram muito mais caras do que o barco de Manaus a Santarém, pois lá havia concorrência. Novamente, coisas de Brasil: uma entidade toma conta de um setor, impõe seus preços, carteliza tudo e o consumidor se ferra. O incrível é que tanta gente ainda defenda tal corporativismo e abomine a ideia de livre concorrência e livre mercado. Esse é um dos pensamentos que fazem com que nosso país continue afundando cada vez mais em relação ao resto do mundo.

Uma viagem de barco e rede de Manaus a Belém, passando em Alter do Chão: botos e outros bichos, índios, selva, praias, museus e encontros de muitas águas!
A viagem de barco a Belém foi muito similar à anterior. O barco era um pouco mais velho, mas maior e com mais estrutura. Tinha um restaurante, bar com TV led de 42 polegadas e chuveiros separados dos banheiros. A viagem foi mais agradável e confortável. Ao final da viagem, a partir da região da cidade de Breves, "capital" da ilha de Marajó, o trecho é feito em estreitos dos rios (eles chama de furos) onde as margens ficam bem próximas, além de existir uma população ribeirinha mais frequente. Até Belém, vimos muitas casinhas de madeira à margem do rio, percebendo que a rotina de seus moradores é muito, mas muito diferente da nossa. Antes da entrada desses "furos", fiz também nesse momento um filme bem curto de um dos trechos da viagem que dá para ter uma quase sensação de mar aberto. E olha que não estávamos na época de maior cheia. O vídeo está, como o anterior, no You Tube, e pode ser visto aqui.

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Mirante no Mangal das Garças - encontro do Rio Guamá e a Baía de Guajará
Tivemos sorte de estar em Belém em uma terça-feira: é o dia em que todos os museus e parques são gratuitos. Visitamos todos os pontos turísticos e históricos da região central, com destaque ao Mangal das Garças, um espaço muito bem cuidado com muitas aves soltas (veja o momento de alimentação das garças nesse vídeo), orquidário e que também abriga o Museu da Marinha da Amazônia e um espaço para compras de artefatos indígenas "originais" da tribo Asurini, no alto Tocantins. Aspas são colocadas nessa palavra pois conversamos com a administradora do local, e ela nos informou que apenas parte dos objetos são originais (principalmente a cerâmica), mas a produção de outra parte são "incentivadas" para tornar os artigos mais vendáveis. Cultura indígena só é boa se for vendável... Perguntei se eles vivem de fato como seus ancestrais e ela foi honesta a afirmar que não, que, como a maior parte de sua renda vem do Bolsa-Família, eles navegam em suas canoas motorizadas durante 8 horas à cidade de Altamira e fazem suas compras por lá. São só os brasileiros brancos que querem que os índios vivam conforme suas tradições. Eles querem produtos da civilização. Sobre cultura indígena, veja esse artigo que escrevi ano passado.

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Obras em madeira talhada no Museu de Arte Sacra em Belém
Avaliando rapidamente algumas das atrações de Belém (essa postagem está ficando muito longa...), a visita à Casa das Onze Janelas vale apenas pela sua construção histórica. As obras de arte que estavam exposição lá dentro são horríveis. O Forte do Presépio, interessante pelo contexto histórico, fica ao lado. A Catedral é muito bonita, com lindos afrescos no teto, mas o Museu de Arte Sacra, construído na antiga Igreja Santo Alexandre, é fenomenal, com grandes obras de madeira talhada em estilo barroco. Como também não poderia deixar de ser, visitamos o complexo do Mercado Ver-o-Peso, onde come-se e vende-se de tudo. Castanhas do Pará de R$15,00 a R$35,00 o quilo (dependendo se estão quebradas ou não) e castanhas de caju por R$40,00 o quilo. As docas, reformadas já há alguns anos, também foram visitadas e continuam um ponto da cidade muito agradável para passeio e entretenimento, embora o preço dos souvenirs sejam bem mais altos do que os vendidos no Ver-o-Peso.

E essa foi mais uma viagem diferente, uma viagem em busca de experiências distintas que só são possíveis de serem sentidas se tivermos a coragem de sair um pouco de nossa zona de conforto. Aliás, para alguns textos sobre zona de conforto e outros temas ligados às viagens, visite essa página de Filosofia de Viagens.

Nessa postagem foram colocadas apenas algumas fotos, mas nesse link podem ser vistas (quase) todas.

As maiores viagens nesses últimos três anos estão nesse outro link.




34 comentários:

  1. Muito bom, viajo e conheço lugares com a sua VIAGEM LENTA!!!!

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  2. Bem legal ! Quero muito conhecer pelo menos uma parte da Amazônia, realmente deve ser uma viagem única !

    Mas, achei meio caro o preço das castanhas, por vcs estarem lá ! rs ! Parece que as que compramos aqui no Mercadão não são muito mais caras que isso ... ou me engano ?


    Abraço !

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    1. De fato Azul. Conferi os preços no Ceasa agora e a de caju está entre 37,50 e 50,00. Seria barato se comprássemos em supermercado hehe

      Não costumo ir no mercadão. Preços são semelhantes ai Ceasa?

      Abração!

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    2. Não compramos muita coisa no Mercado Municipal também, mas castanhas do Pará e de caju, azeitonas e alguns queijos.
      Se não me engano, o preço está até melhor que isso, obedecendo o que vc disse na postagem, no que se refere a qualidade, algumas mais quebradas, outras inteiras, como vc citou. Mas como há bastante concorrência nesse tipo de mercadoria por lá, se pesquisar um pouco, se consegue um preço bom !

      Abraço !

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  3. Gostaria de saber quanto tempo leva o percurso de Santarém a Alter de ônibus. Grato.

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  4. Parabens pelo relato e pela inciativa de explorar o nosso país. Gostei também da sua conclusão, incentivando sair da zona de conforto e nos explorar.
    Apenas pondero uma questão economica que na minha opnião foi mal interpretada, pois existe uma grande contradição no que voce criticou a respeito do corporativismo (que não é sinônimo de cooperativismo, como usado no texto). No relato ficou claro que a livre concorrencia nao beneficia o consumidor (como você supos), uma vez que no primeiro trecho da viagem era mais barato porem de qualidade inferior. Isto não é benefício gerado pela livre concorrencia, é um benefício gerado por reduções de custos, que não é singularidade da livre concorrência. Alem do mais, a livre concorrencia é um termo neo classico cheio de contradições teóricas, que inclusive invalidam a própria ideia de "livre" (sem monopolio, consumidores racionais, sem cartelização, etc).
    Complementar a isso existe o cooperativismo, que é uma forma de pequenos prestadores de serviço se organizarem e criarem melhores condições para seu negócio, e sendo corretamente administrada pode gerar benefícios tanto para os próprios prestadores de serviço quanto para os usuários. Em varios casos estas cooperativas permitem que pessoas envolvidas em atividades predatórias tenham uma fonte substituta de renda, com benefícios em todos os sentidos. No caso de ambientes sob iminente risco de devastação, as cooperativas tem sido de fundamental importância.

    Boas trips!!
    Good vibes!!

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    1. Felipe, obrigado pelas palavras iniciais.

      Quanto à questão cooperativismo/corporativismo, vejo o primeiro como a denominação oficial e o segundo como a norma frequente de ação, quando visam limitar a livre associação e decisão das pessoas. Infelizmente é assim, as cooperativas, em geral, agem de forma corporativista.

      Não vi sentido nas suas argumentações que o livre mercado não beneficia o consumidor. No primeiro trecho da viagem tínhamos escolhas. Poderíamos pegar um barco ainda pior por um menor preço. Poderíamos esperar o barco do dia seguinte (melhor e mais caro) e seguir viagem. Só não o fizemos pois ia ficar puxado depois para aproveitar algo de Belém antes de nosso vôo sair. Isso é, tínhamos escolhas que poderiam ser feitas visando conforto ou economia. No segundo trecho não tínhamos escolhas. Era apenas uma opção. A melhor qualidade foi um mero acaso, pois tivemos alguma sorte de pegar um barco melhor. Em relatos com passageiros, eles informaram que outros barcos do mesmo trecho eram bem piores, embora o preço fosse sempre o mesmo.

      Agindo de forma corporativista, a cooperativa impede a concorrência e impede que o consumidor busque um serviço que lhe adequa, seja com mais qualidade, seja com mais economia. Veja que não acuso as cooperativas em si, mas sim suas atitudes corporativas e o desejo de monopolizar um mercado. Existem sim empresas constituídas da forma que comentou, para gerar melhor valor agregado para um produto final, como ocorre em vários estabelecimentos agrários e de transformação local.

      Um exemplo claro do meu ponto de vista? Veja a briga entre as "cooperativas" de táxi e o aplicativo Uber. Acho que não preciso comentar.

      Abraço!

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  5. Olá André, parabéns pelo seu relato, está me ajudando bastante pois vou viajar com minha família para Manaus em julho e iremos fazer uma viagem de barco até Santarém e de lá para Alter. Mas estou tendo muita dificuldade em saber de horários dos barcos. Me disseram que não há viagens de Manaus para Santarém no domingo, você sabe se isso é verdade? Você fez a sua viagem em que dia? Você tem alguma referência da agência que usou? Fico muito grato se puder me dar alguma dica. Na escuta e parabéns pelo seu texto.

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    1. Desculpe pelo nome estranho, era assim que estava cadastrado no Blogger e nem me lembrava, mas meu nome é José Manoel e esse seria um blogger em homenagem a um amigo que faleceu e o blog seria para sua filha, mas não teve aprovação da mãe...

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    2. Olá José! Sem stress quanto ao nome!

      É o seguinte... eu ouvi muitas histórias também, antes de chegar lá, que não tinha barco dia tal, etc. Pessoas falavam que barcos para Belém por exemplo, saíam apenas de fina de semana... Mas chegando no porto, existem mil barraquinhas por lá vendendo passagens e trocando uma conversa com eles, percebi que tem barco para caramba. Em geral, tem um ou dois barcos por dia em Santarém. Eu fui em uma quarta-feira, se não me engano. O cara me ofereceu para vários dias, mas sinceramente, não lembro se ele falou Domingo. Mas a oferta é grande.

      Eu acredito que não exista um cronograma fechado. Vai muito de demanda e de oferta dos barcos, que podem atrasar ou estar em manutenção. Possivelmente, no dia em que vc estiver por lá as condições sejam outras. Mas existe mais oferta do que aparece por aí, pode ter certeza (embora a qualidade do barco do dia nem sempre é a que vc deseja). Não confie muito na internet para checar esses horários. Vc só vai ter certeza quando for ao porto e perguntar pelos barcos nos próximos dias.

      Não tem agência rsrs Vá até o porto e escolha uma das barraquinhas. Nós compramos na barraquinha do lado direito da entrada do porto, no momento que vc está de frente para ela. Não compre na rua, foi o que falaram p a gente. O pessoa das barraquinhas podem enganar vc dizendo que o barco é limpinho, confortável e na verdade não é, mas não vão vender passagens falsas. Até pq no dia eles vão continuar por lá e se der algum problema, vc pode voltar e reclamar. Eu lembro do nome de um cara se vc quiser fazer uns passeios em torno de Manaus que é de confiança (o "Lua"). Se for fazer um passeio antes, peça p ele lhe indicar uma "barraquinha".

      Abraço e bom passeio!

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    3. Olá André, muito obrigado por sua resposta, vou seguir seu conselho de ir no porto e me informar, deixar para fazer isso lá mesmo, mas vou optar por não ir no domingo, vou na segunda mesmo, altero um pouco o cronograma, mas tudo bem.
      mais uma vez obrigado e bons novos passeios para você também, abraço!

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  6. André, poderia me dizer em que locais o barco faz paradas ? e quantas são ? Parabéns pelo post...

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    1. Obrigado!

      No primeiro trecho, ele parou em Itacoatiara, Parintins, Juruti e Óbidos. No segundo trecho após Santarém, ele parou em Almeirim, Gurupá e Breves. Abraço!

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  7. Olá, parabéns pelo Post.
    Preciso de umas dicas. Terei 10 dias em Dezembro para visitar o norte do país. escolhi Manaus e Belem fazendo o translado entre as duas cidades de barco. é possível eu aproveitar Manaus, fazer o passei do encontro das aguas do rio solimões, curtir a cidade, ir de barco até Belem e curtir Belém? queria proveitar e dar um passeio em alter. dá pra fazer tudo isso? Obrigada.

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    1. Obrigado Priscilla.

      Bom, tudo depende do tempo que você quer disponibilizar para esses lugares, mas, apertando, é possível sim.

      Em Manaus, se você não tiver nada extra para fazer, é possível visitar toda a parte histórica no mesmo dia, incluindo uma apresentação no Teatro pela noite. Apenas perceba que será corrido. Mais um dia para o passeio do encontro das águas (na verdade o pacote inclui mais coisas, como eu comentei na postagem).

      E dois dias você chega em Alter com barco. Mais dois dias de Alter. Já se foram seis dias.

      Dois dias e meio para chegar em Belém. Sobrou um dia e meio para estar em Belém. Não é muito, mas é a única opção em 10 dias. Uma alternativa, se vc gosta mais de história, ficar menos em Alter.

      Mas lembre que tudo vai depender se vc tiver sorte no horário dos barcos. Recomendo que, assim que chegar em Manaus, já compre o barco p Alter. E assim que chegar em Alter, compre p Belém. E, se vc tiver já passagem aérea de Belém para voltar, redobre a atenção. O barco bem que pode quebrar no meio do rio rsrs.

      O que vai acabar acontecendo, na verdade, quando temos essas limitações de dias é que vc, até chegar em Belém, vai querer fazer tudo meio correndo para dirimir riscos. Mas, temos que mesmo assim, corrê-los, não acha?

      Boa viagem!

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    2. Oi André. muito obrigada pela resposta. foi super útil, e acabamos decidindo fazer manaus -santarem de barco. Santarem-belem de avião. para termos mais dias em terra e não correr o risco do barco quebrar, como vc disse.
      Surgiu outra duvida. Vimos uma promoção, pela internet, de uma empresa de barco. eles estão oferecendo 280,00 o trecho manaus-santarem em Lancha. chegada em 13h. poltrona. vcs acha q vale a pena? ou o barco com rede é bem mais imperdivel? como faremos só um trecho do rio amazonas, queria q fosse bem legal, que aproveitássemos bem a paisagem. não sei se lancha dá no mesmo que barco neste sentido. Obrigadissima.

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    3. Oi Priscilla.

      Vou ser honesto contigo: nunca pesquisei nada sobre lancha fazendo esse trecho. Mas eu acho que perde sim. Vcs não terão oportunidades de uma viagem única (de rede com ribeirinhos), não terão um tempo legal p parar e admirar o rio, as margens passando, os pequenos povoados... Vai tudo passar muito rápido. E não poderia estimular essa ideia, pois assim eu iria de encontro (e não ao encontro) com o título desse blog rsrs.

      Abraço!

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  8. Olá, quanto você pagou por trecho por pessoa? Indica alguma companhia que faça esse trecho? Abs!

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    1. Leonardo, os preços variam conforme o barco e se vc vai viajar de forma livre, o negócio é comprar no porto mesmo. Cada dia é uma empresa diferente. Pergunte apenas pelas condições do barco. Em geral, os preços de Manaus e Santarém variam de 120 a 160 por rede (rede vc leva à parte), e de Santarém para Belém um pouco acima disso, dificilmente sendo menos de 150,00.

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  9. olá
    alguem sabe quanto tempo de viagem santarem-belem de barco? e quanto custa aproximadamente?
    obrigado
    uirá

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    1. Uira, varia muito com o tipo de barco que você viaja, mas fica entre um dia e meio a três dias. Abraço.

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    2. Ah, e o valor que pagamos foi de 150,00, mas varia entre 130 a 200,00, dependendo do barco. De rede!

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  10. Qual é a melhor época para fazer Manaus Belem.

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  11. Respostas
    1. Mario, isso varia conforme seu plano e expectativa. Nos meses mais chuvosos, o calor é maior, vc verá menos animais, mas a vegetação estará mais bonita e densa. A maioria das pessoas prefere o tempo mais seco, com menos chuvas. O período de chuvas começa no final do ano, mas varia de ano para ano. Vc precisa se informar. Para ver o melhor de Alter do Chão, por exemplo, vc não pode estender muito no começo do ano, pois pode não ver praia nenhuma. Nós tivemos alguma sorte, pois quando fomos, o período de chuvas atrasou.

      Quanto subir ou descer o que muda na verdade é o tempo. Descer (de Manaus a Belém) é bem mais rápido.

      Abraço.

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  12. Bom dia e parabéns pelo post! Estou há anos planejando uma viagem muito parecida com a sua. Indo na época de vazantes para Alter, quando existem o maior número de praias, quanto tempo você acha ser suficiente pra ficar lá? Minha ideia não é conhecer tudo, mas ficar uns dias pra passear e descansar. Outra dúvida: pra quem tem tempo curto, você acha viável pegar um voo de Santarém de volta pro Sudeste (ao invés de pegar outro barco para Belém)? Obrigado!

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    1. Obrigado Daniel!

      Olha, o tempo para ficar lá vai meio em função de sua disponibilidade e se vc curtir o lugar (que para passear e descansar é uma maravilha, principalmente na vazante). Para conhecer ativamente a vila, as praias em volta, 3 dias são suficientes. Agora p curtir e descansar... Tem gente que chega lá, monta uma barraquinha e não vai mais embora rsrs...

      Para quem tem tempo curto e não quer passear em Belém, sem dúvida que é uma boa. Soube de pessoas que pegam o barco não só para ir a Belém, mas também para visitar a ilha de Marajó. Mas aí é outro passeio!

      Abraço!

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  13. Belo relato eu já fiz este passeio e irei faze-lo novamente. É imperdível

    .

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  14. Olá André! Muito esclarecedor seu post. Gostei bastante da sua visão sobre a experiência.
    Gostaria de saber algumas coisas que você não citou: Em qual mês você fez essa viagem? Sobre a rede, você levou de casa? E sobre bagagens, tem algum local para acomodá-las no barco?
    Obrigada :)

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    1. Oi Isabel! Obrigado.

      A viagem foi no final de Janeiro e início de Fevereiro.

      A rede foi comprada em Manaus, na entrada do porto. Exitem muitos vendedores por lá. São baratas, mas se vc procurar em outros lugares em Manaus, um pouco mais afastados do porto, vc encontra ainda mais barata.

      Sobre as bagagens, não... ao menos nos barcos que viajamos. Vc precisa deixá-las ao seu alcance, sempre. Coisas de valor, deixava comigo dentro da rede, amarradas num cinto tipo pochete. A mochila com roupas, ficava amarrada na própria rede. O melhor mesmo é não viajar com muitas coisas de valor. Fomos com mochila velha, roupas velhas, enfim... se alguém levasse, o prejuízo seria bem pequeno.

      Boa viagem! :)

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