Meritocracia e os 5 principais mitos utilizados para sua oposição

Os principais mitos que desconstroem a ideia real de meritocracia, os interesses envolvidos na sua defesa e principais beneficiários.

Os principais mitos e falácias que procuram desconstruir o real significado de meritocracia, os interesses envolvidos na sua defesa e seus maiores beneficiários.


Essa postagem foi escrita há algum tempo, e a motivação para expor algumas ideias sobre o conceito de meritocracia veio em função de uma notícia da mídia que recebi de um grande amigo: "Após escala ficar pública, 12 médicos pedem demissão em Araraquara".  A ideia do prefeito da cidade em expor a lista de presença dos médicos nos centros de saúde foi inibir as faltas constantes desses profissionais que prejudicam o atendimento da população. Chega a ser revoltante que funcionários pagos com o dinheiro público em um atendimento essencial à população, assumissem tal comportamento reativo perante a publicação da escala de trabalho. Eles preferiram a demissão ao invés da prestação de contas de algo tão básico, como o cumprimento de seu contrato de trabalho, demonstrando dessa forma, como usufruíam muitos privilégios e ainda assim eram apoiados pelos seus sindicatos.



Se você concorda que a lista de presença de médicos pertencentes a centros de saúde públicos deveria estar disponível publicamente, você defende a meritocracia. Nesse exemplo, o significado da meritocracia na gestão pública é a vinculação do salário a um mínimo de cumprimento de sua função: a presença no local de trabalho. O médico, assim como qualquer profissional, deve "merecer" um retorno apenas se ele cumprir o acordo realizado em seu contrato de trabalho. Demonizada por socialistas e progressistas, a meritocracia tornou-se uma palavra ofensiva e sinônimo de "exclusão" em conhecidas falácias divulgadas pela esquerda. Não é à toa que já escrevi que vivemos em uma sociedade medíocre: a Idiocracia.

Os discursos que se posicionam contra o conceito de meritocracia constantemente usam de espantalhos e enganos de causa e consequência para atacar tal ideia. Uma gestão ou uma sociedade baseada na meritocracia consiste em considerar e validar atributos como educação, moral, talento, competência, treino ou simplesmente, capacidade de criação de valores para os demais, para a aquisição de determinado sucesso. E é algo assim tão óbvio que é atacado sem fundamentos. Vamos ver quais são os discursos mais comuns (lidos em alguns sites de esquerda) que contaminam a ideia meritocrática para entender o que a meritocracia NÃO é.


1) Ser a favor da meritocracia é ser a favor das graves desigualdades sociais


Essa é uma das principais falácias, e, não por coincidência, majoritariamente evocada pelos defensores do aparato social estatal. O papai Estado, o maior gerador das desigualdades sociais, é uma instituição plenamente não meritocrática. Seus funcionários possuem privilégios abissais frente aos trabalhadores da iniciativa privada, como a estabilidade de emprego, reajuste de salários constantemente acima da inflação e condições ímpares para atingir a aposentadoria. Disso resulta uma acentuada transferência de riqueza para os amigos do poder, seja através de dinheiro lícito ou ilícito, como em casos de corrupção.
Espero que os leitores não confundam privilégios com direitos. Se desejam saber a diferença e gostam um tantinho de filosofia, leia "Liberdade e poder: os direitos naturais de John Locke revisitados".
Desprezar a meritocracia é, assim, enaltecer e defender o privilégio e o oportunismo de certos grupos, jogando CONTRA as graves desigualdades sociais. A melhor solução no meu entendimento é a privatização, exceto segurança pública e sistema legal, de todos os serviços públicos, onde a implantação de uma gestão meritocrática (defendida corajosamente por alguns bons funcionários), selecionaria as melhores pessoas com salários compatíveis no mercado no intuito de oferecer melhores serviços à população. Além de resultados mais eficientes na prestação de serviços, a economia gerada para o país possibilitaria uma transferência de renda muito maior e mais produtiva para pessoas, de fato, necessitadas.


2) A meritocracia é injusta, pois os ricos são ricos em virtude da transferência de heranças


Esse argumento não tem nem pé nem cabeça, mas é algo muito difundido. Primeiro, porque a herança é um direito legal e não é o ponto da discussão. Como confundir o direito a uma herança com a condição meritocrática de quem a recebe? Ninguém que defende a meritocracia acredita que alguém recebe uma herança por mérito, mas sim por direito. O mérito aqui foi de quem a construiu, e não de quem a recebeu.

Culpar a meritocracia dizendo que a herança é uma propagadora das desigualdades sociais é ignorar que o mérito é uma consequência de ações próprias. Se o filho possui um razoável sucesso financeiro simplesmente porque recebeu uma polpuda herança do pai que faleceu, ele não tem nenhum mérito nisso. Existem, entretanto, a posteriori, graus diferentes de mérito. O filho que multiplicou a riqueza (como estamos no Brasil, devemos deixar claro que essa consideração no artigo significa "de forma legal") tem claramente o seu mérito, diferentemente daquele que dilapidou o patrimônio da família. Mas as consequências do recebimento da herança na sociedade nada têm a ver com meritocracia.

Ademais, a maioria das fortunas existentes no mundo não permaneceram por várias gerações. Se fizermos pesquisas dos maiores bilionários do mundo da Forbes em 1960 e 2010, por exemplo, notaremos que em um espaço de duas gerações os sobrenomes das listas modificaram-se profundamente.
Para a esquerda que adora odiar pessoas bilionárias, mesmo que elas façam a diferença no mundo, vale a pena ler "Sobre filantropia: alguns bilionários que você deveria admirar".

3) Não existe meritocracia, pois as condições de nascimento das pessoas são diferentes.


Claro que são. E isso determina de forma muito clara as chances de sucesso das pessoas, não resta dúvida. Não tenho como contra-argumentar que um bebê que nasceu na Suíça possui uma probabilidade de possuir uma vida satisfatória muito maior do que um bebê nascido no Congo. Essa discussão é uma falsa falácia contra a meritocracia, que suprime qualquer relação de causa e efeito. O conceito de meritocracia pressupõe condições similares. Só podemos equalizar méritos quando temos essas condições satisfeitas.

Percebemos diferenças mesmo quando isolamos exemplos em uma mesma sociedade. É claro, por exemplo, que ser um famoso cirurgião é muito mais fácil para quem nasceu em uma família com recursos e/ou seus pais já são cirurgiões. O mérito é um componente nessa conquista, mas condições iniciais também influenciam o progresso pessoal. Os resultados colhidos também são uma consequência das oportunidades.

O cenário, entretanto, não possui relação com meritocracia, mas sim em garantir da melhor maneira possível, o acesso aos serviços básicos à população de forma que elas partam de uma condição justa - algo que não é prioridade para o Estado e por parte da sociedade que o apoia. Se possuíssemos uma maior equalização inicial, aí sim poderíamos pensar em comparações meritocráticas posteriormente. Enfim, é mais um argumento fora do contexto para confundir o debate. Algo corriqueiro em época de fakenews e glorificação de mimimis.

4) Argumentar que a meritocracia não se aplica porque ninguém é igual a ninguém.


Os principais mitos que desconstroem a ideia real de meritocracia, os interesses envolvidos na sua defesa e principais beneficiários.
Isso é, de fato, meritocracia?
Os demonizadores da meritocracia costumam usar a figura ao lado para condenar o conceito de meritocracia. Mas... onde está o sentido? É novamente, mais um exemplo da falácia do espantalho, substituindo o argumento real por outro falso, para facilitar a refutação.

Uma empresa exige o mesmo de seu diretor quanto exige do operário? Uma escola exige que o professor de geografia seja apto em matemática? Cada um é exigido conforme seu cargo e habilidades necessárias àquela função. Por outro lado, uma prefeitura que exige que tanto os médicos quanto os funcionários da limpeza cumpram seu horário de trabalho invade suas individualidades? É claro que não!

Na defesa desse "argumento", as pessoas que são contra à meritocracia terminam, seja voluntariamente ou não, defendendo a ineficiência na sociedade. É muito fácil pessoas não comprometidas com suas funções acusarem a "meritocracia" quando os mais aptos recebem as promoções e os melhores salários. Mas a verdadeira responsável por esse sentimento é a inveja interna perante a quem recebeu sua recompensa pelo esforço e avanço profissional. Ou seja, a responsabilidade nunca é "minha", mas sim da "meritocracia". Ela é a culpada!

Esse é mais um dos enganos nesse debate, onde as pessoas contrárias a meritocracia atacam levianamente sua inteligência. Isso não é argumento. Isso é desonestidade intelectual. Prover um ambiente meritocrático envolve sim, respeitar cada pessoa, mas também exige que ela tenha uma habilidade aceitável para a função que ela deveria ser capaz de realizar. Manter pessoas incapazes nas funções, além da ineficiência e ineficácia social, envolve riscos e danos maiores para toda a sociedade.

5) A meritocracia impede os protestos contra as diferenças.


A esquerda adora protestar contra as diferenças sociais. E vê na meritocracia um problema, uma vez que a acusa na tese de que todas as diferenças são fundamentadas pelo mérito, embora muitos resultados que determinada pessoa alcançou na vida também são determinados pela sua responsabilidade própria. Um condenado possui uma condição inferior de liberdade por responsabilidade própria. Uma pessoa que nunca gostou de estudar, não cursou uma universidade por responsabilidade própria. Um esportista que nunca levou a sério seus treinos, não alcançou os resultados que almejava por responsabilidade própria. E isso chama-se justiça!

Mas, por outro lado, nem todas as diferenças sociais são fundamentadas pela meritocracia. Coloquei anteriormente que, um dos pressupostos da meritocracia é basear-se em condições iniciais minimamente similares. Logo, o argumento não é verdadeiro, pois, se não possuímos uma sociedade que oferece condições equivalentes no nascimento de cada pessoa, não podemos falar em meritocracia. Isso é outro debate, que envolve muitas outras variáveis.

Apesar dessa confusão que é feita, as pessoas podem continuar queixando-se contra muitas diferenças, mas como várias não se encaixam na agenda globalista, não são realizadas. Muitos protestos poderiam auxiliar, e muito, a melhoria das diferenças econômicas e sociais entre as pessoas. Por que não protestam contra a aposentadoria privilegiada dos funcionários públicos, por exemplo? Ou contra a privatização por grupos políticos das estatais que tem dilapidado seu patrimônio? Lutem contra a máfia dos sindicatos que rouba (ou roubou, com a nova lei trabalhista) parte de seu salário constantemente sem a concordância dos trabalhadores! Reclamem da política de expansionismo financeiro do governo que gera inflação e prejudica principalmente as camadas mais pobres. Ou ainda, contra a elevada presença do Estado que cria uma casta de apadrinhados. A meritocracia, enfim, não prejudica nenhum protesto.

E o Grand Finale da esquerda: a meritocracia é racista! 


Eu poderia colocar mais um sexto argumento contra a meritocracia nesse texto, mas prefiro comentá-lo de forma separada, porque é algo que atravessou as raias do absurdo: "A meritocracia é racista". Duvidam que existem pessoas que pensam assim? Bem, acredito que nem é tanta surpresa, uma vez que uma famosa atriz escreveu nas redes sociais que as pessoas mudam de calçada quando seus filhos negros passam... Chega a ser doença...

A sociedade está, infelizmente, realmente doente. Leio nesse blog: "De fato, essa ideologia (a meritocracia), levada às suas consequências lógicas, levaria à crença na existência de raças naturalmente desiguais, uma destinada a comandar, outra à escravidão". Pois é, caros leitores, nada a ver uma coisa com a outra... Eu estou plenamente convencido de que, quem está dividindo a sociedade em raças, castas e gêneros não somos nós que cremos na meritocracia, na liberdade ou na responsabilidade individual, e sim as pessoas que insistem nessa vitimização. É mais uma prova da constante desvirtualização que temos no debate hoje no Brasil. Ou seja: você é a favor da meritocracia? Racista!

É verdade que a meritocracia, de certa forma, legitima uma certa desigualdade econômica. Mas isso é uma condição que envolve escolhas pessoais e justiça, como tentei deixar claro no artigo "Transferência de riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais", quando afirmei que "(...) as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais!". Lutar contra essa argumentação torna o discurso sem sentido. E enfatizo novamente, o que precisa ser garantido é a similaridade de oportunidades.

O debate sobre o assunto é tão corrupto que oculta um dos problemas fundamentais em nosso país: a assistência de condições básicas na fase inicial da vida, um dos pilares para promover condições iniciais melhores para todos. É urgente mais reconhecimento para os melhores profissionais de educação e saúde, pois esses aspectos influenciam decisivamente as escolhas primárias na vida de uma criança e adolescente. Isso são atos meritocráticos, que contribuem para a ascensão da qualidade do sistema como um todo, uma vez que possuem incentivos para o restante da equipe. E qualidade é algo com que todos podemos nos beneficiar.


* * * * * * * * * *
* Esse texto foi escrito em 2014 e atualizado em Dezembro de 2017, incluindo novos padrões e layouts do blog.
* * * * * * * * * *

Vejam mais artigos sob a temática da desigualdade e meritocracia abaixo. Alguns já foram revisados, outros ainda não.



Veja mais arquivos sobre Liberdade Política nessa página.

* * * * * * * * * *

Para receber atualizações de forma exclusiva e gratuita desse blog, clique no link abaixo:



* * * * * * * * * *

Gostou das ideias desse artigo? Conhece alguém com quem gostaria de dividi-las? Use os botões de compartilhamento e divulgue o blog!

Comentários

  1. Mais um excelente texto! Show!
    2 pontos:

    1) Estou decepcionado com o governo atual e não defendo o PT mas pelo que eu acompanho das noticias do Brasil e os poucos números q eu vejo, notam-se avanços em saúde e educação, ou pelo menos, nunca se investiu tanto. Acredito que haja um interesse legitimo nestes campos que supostamente não comporiam parte de uma agenda populista. Não acha "muito pesado" afirmar que prover serviços básicos a população "não é prioridade para os governos em geral e principalmente para o que temos no momento"? No seu texto até parece q vc anda descontente com o governo e a atuação do Estado... kkkkk

    2) Estou vendo uma série mto boa chamada "House of Cards". Embora seja uma obra de ficcao, lembrei lendo seu texto pq em um determinado momento um deputado precisa emplacar uma nova Reforma na Educação. Na composição do texto e discussão com os sindicatos, um ponto extremamente polemico é justamente a parte da avaliação de performance dos professores, que os sindicalistas querem deixar de fora.
    Se colocaram isso na série é pq meritocracia assusta tanto aqui quanto lá.
    Aliás, avaliação assusta onde quer que seja. Duvido que em qqr lugar do mundo onde houve um processo de implantação de alguma forma de avaliação com ou sem recompensa por méritos não houve stress ou desconforto.
    Isso mexe com a ilusória segurança das pessoas em um momento da humanidade especialmente corrompida pelo egoísmo, vaidade e arrogância. Tudo gira em prol de um bem maior: o seu. rsrs

    Ainda: institucionalizar-se o conceito de que é possível se fazer gestão sem medição de coisa alguma é uma armadilha que mostra seu preço só no longo prazo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Kbç!

      Que estamos gastando mais, não comparei mas não duvido. Afinal, a carga tributária está maior. O dinheiro tem de ir para algum lugar mesmo hehe. Mas acho que não é por aí que avaliamos algo, pois vc pode gastar mais com menos eficiência e o resultado ser pior. Estou é curioso para vc me mostrar os avanços na educação e saúde rsrsr. Na educação temos índices como IDEB e a prova PISA e estamos pior em praticamente tudo. Pouquíssimos avanços, andando como caranguejo. Além disso, no último censo o IBGE apontou, que nunca antes nesse país tivemos aumento do número de analfabetos. Sobre a saúde, desconheço índices gerais. Mas sei que o número de leitos foi reduzido nos últimos 12 anos. Reportagens generalizadas não faz entender que algo melhorou...

      Sim, isso gera choro e ranger de dentes em qualquer um que está tranquilo na sua zona de conforto e desfrutando de seus privilégios. O sindicato dos professores tem a pachorra de afirmar que a meritocracia levaria à piora da educação. É o socialismo às claras: uns são mais iguais que os outros.

      Sem gestão e sem medição a gente sabe Kbç... não tem qualidade.

      Abração!

      Excluir
    2. Kbç, por coincidência, vi esse artigo de hoje como não lido no meu feedly: http://www.institutoliberal.org.br/blog/desafios-liberais-para-educacao/
      Tem muitos links para informações também.

      Excluir
  2. Os gastos do governo não são contabilizáveis já que dizer que foi para a saúde não quer dizer que foi usado efetivamente para prestar serviços médicos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente. A baixa eficiência e eficácia nos gastos públicos não nos permite desvendar para onde de fato, vai a grana.

      Excluir
  3. Leandro Medeiros18 setembro, 2014

    Caro André, atrevo-me a contestar a conclusão de sua construção acima: "As pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais". Acredito que você tenha apontado traços evidentes de singularidade humana, os quais carregam certa carga de necessidade e efeito (traços biológicos e psicológicos, que, guardados os limites de determinação social, levam à ação desigual), para dar como decorrência algo que não encontra base em suas premissas: Não necessariamente teríamos valorações economicamente diferenciadas para atividades humanas diferenciadas. A relação entre ganho/ofício é estabelecida por meio de convenções sociais, em determinado contexto histórico, em função da demanda de um grupo ou classe social. Assim, não são as distinções naturais de cada indivíduo a causa única e forçosa para a desigualdade econômica, mas sim, creio, os interesses e importância que cada grupo social dá a cada atividade humana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Leandro, suas palavras são verdadeiras. Mas acredito que, na comparação com a minha construção, houve uma confusão entre ambições, escolhas e motivações (pertencentes à minha frase) com a necessária competência em seu uso dentro de uma economia de mercado.

      Concordo totalmente com sua ideia de valor. As pessoas são recompensadas em função do benefício que proporcionam às demais. Esse conceito não tem discussão. Mas esse desenvolvimento da ideia já seria uma etapa posterior ao que quis comentar no meu texto. De fato, não prossegui analisando por essa perspectiva. O que não considero um erro, pois o assunto estaria meio fora do contexto da postagem.

      Veja que o assunto pode ramificar-se sob vários aspectos. Seu comentário acrescenta muito à discussão, porém também é insuficiente para explicar todas e quaisquer desigualdades. Você analisou apenas pela entrada de riqueza e não sua saída, que envolve equilíbrio financeiro, boa escolhas em seus gastos, etc. Além disso, envolve conhecimento financeiro para aplicar bem suas reservas. Tudo isso influencia na sempre e imutável desigualdade econômica. Isso mostra claramente que eu preferi focar apenas nos desejos inerentes à cada pessoa.

      Obrigado pela participação. Abraço!

      Excluir
  4. Na minha opinião não se deve utilizar fatores psicológicos ou a desculpa esfarrapada de contexto social para justificar desigualdade. Nasce pobre e morre pobre, nasce ignorante e morre assim quem quer ou não tem nenhuma vontade de evoluir (exceto pessoas com comprovada deficiência cerebral).
    O valor do trabalho é determinado no contexto histórico quando se fala em profissão já que quem faz reparo de videocassete não pode esperar ter o mesmo valor hoje com os avanços tecnológicos. Também não é obrigado a continuar fazendo o mesmo.
    Quando aquilo que você faz agrega algum benefício, utilidade ou valor para seu "produto" sua compensação pode ser determinada já que não há lógica (a não ser a comunista) de que todos devem receber o mesmo.
    Recomendo para aprofundamento da questão a leitura de A Revolta de Atlas e A Nascente de Ayn Rand que mesmo sendo consideradas obras de ficção descrevem exatamente o que está ocorrendo no mundo atual.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leming, onde vc entendeu que eu usei fatores psicológicos e o contexto social para justificar a desigualdade?

      Excluir
    2. Caro André,

      Era para ser uma resposta ao Sr. Leandro Medeiros mas por algum motivo o navegador gerou a resposta ao mesmo como resposta ao tópico.
      Peço desculpas pela confusão.

      Excluir
    3. Sem problemas Leming!

      Aproveitando, após ler a Revolta de Atlas anos atrás acabei hoje de ler A Nascente. Será tema do próximo post! Abraço!

      Excluir
  5. Leandro Medeiros19 setembro, 2014

    Meus caros! Louvo a ocasião de podermos discutir tais temas a partir de pontos opostos da realidade e, nem por isso, acabarmos em insultos estéreis, que nada acrescentam à discussão. Quanto a minha primeira observação, André, tive somente a intenção de apresentar mais um aspecto envolvido na relação desigualdade/meritocracia, e não de encerrar um assunto cuja complexidade exige mais análise e cuidado. Quanto ao que argumentou, Leming, faço algumas considerações: O trecho de seu texto resume o simplismo exagerado que critico: "Nasce pobre e morre pobre, nasce ignorante e morre assim quem quer ou não tem nenhuma vontade de evoluir (exceto pessoas com comprovada deficiência cerebral)". O problema parece surgir no momento das causas, na seleção dos responsáveis pela condição social dos indivíduos. O excerto do texto publicado na Folha por Eduardo Giannetti é esclarecedor: "A questão crucial é: a desigualdade observada reflete essencialmente os talentos, esforços e valores diferenciados dos indivíduos ou ao contrário, ela resulta de um jogo viciado na origem - de uma profunda falta de equidade nas condições iniciais de vida [...] ?". E prossegue: "Nossa distribuição de renda é fruto de uma grave anomalia: a brutal disparidade nas condições iniciais de vida e nas oportunidades das nossas crianças e jovens de desenvolverem adequadamente suas capacidades e talentos de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis e eleger seus projetos, apostas e sonhos de vida" (link do artigo -http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/02/1411372-eduardo-giannetti-igualdade-de-que.shtml). Meritocracia é oportunizar a todos os mesmo pontos de partida, para que cada um, assim, formule os de chegada. Do contrário, não há como apontar sucessos esparsos como mérito, pois esta noção pressupõe um mínimo aceitável de condições que garantam uma disputa justa e honesta. Proponho a pesquisa das ideias do filósofo norte-americano, John Ralws , acerca da relação entre justiça e mérito. Se a meritocracia favorece aqueles com aptidões e talentos úteis a determinado fim, disso não se deve concluir que a "roleta genética das aptidões naturais é essencialmente mais justa que os direitos de nascimento que a nobreza se autoatribuía ou as vantagens por crescer numa família rica". Para o autor, atributos como força, inteligência e beleza seria um prêmio indevido, já que resultam de combinações aleatórias de genes e não de virtudes individuais. "Se é injusto discriminar alguém devido à cor da pele, é injusto favorecer outrem porque teve a sorte de nascer com a qualidade certa na época certa".

    Que continuemos a dialogar assim. Bom espaço este, André.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Leandro.

      Alguns pitacos:

      Como coloquei no texto, eu reforço a ideia de igualdade de oportunidades, como o acesso à educação de qualidade, por exemplo (embora eu tenha convicções muito fortes a respeito de que isso não é um direito, ou seja: não podemos vincular tais políticas a deveres de outrem - possivelmente, em países como o Brasil um sistema de vouchers como o proposto por Friedmann possa ser uma solução temporária), mas acho que vincular fatores genéticos com mérito seja muito complicado, até porque o mérito não existe sob uma forma apenas - o financeiro.

      Os fatores genéticos e habilidades relacionadas são fatores decisivos para as pessoas escolherem seu próprio caminho. Se um anão por exemplo insistir em se jogador de basquete e não conseguir mérito nisso, não podemos culpar a genética e sim sua escolha. Se um talento musical decide ser engenheiro e derrubar uma ponte, idem. Assim como uma mulher fora dos padrões ditados de beleza ter sucesso sendo modelo. Portanto, não concordo quando é dito que "atributos como força, inteligência e beleza seria um prêmio indevido, já que resultam de combinações aleatórias de genes e não de virtudes individuais". Incluem-se como virtudes, buscar a decisão correta com base na sua própria realidade.

      Claro que é difícil analisar o mérito com base nas diferenças de condições de nascimento, que de fato existem. Deixei claro no item 2 do texto. Vejo muito mais mérito no filho de retirante que virou um técnico de computação do que o filho do ricaço que morreu e irá dilapidar a fortuna do pai em pouco tempo.

      Eu acho Rawls meio contraditório. Embora ele assevere que a liberdade entre todos deve ser compatível, sugere que haja uma transferência de riqueza moral entre uns e outros. Isso fere a primeira ideia, pois gera um dever. E legitima a existência de um Estado sendo o mentor desse processo. Após um nivelamento inicial, acredito que um sistema de voluntarismo e filantropia seja o ideal para manutenção do sistema.

      Sobre a última frase que citou, você já leu Outliers, de Malcolm Gladwell? Vc verá muitos exemplos de que a própria história favorecerá pessoas que nasceram em determinados contextos. E não vejo como atribuir injustiça a isso.

      Abraço!

      Excluir
  6. Parabéns, André! Magnífica demonstração de como os psicopatas espalham falsas crenças para sabotar as pessoas decentes e jogar uns contra os outros! Certamente notastes como os cachorro são autênticos enquanto a maioria das pessoas - supostamente "mais evoluída" - é dissimulada? Foram "educados" a serem assim: acharem "normal" serem fingidos; o ambiente de falsidade é propício à manipulação pelos psicopatas. Nas últimas décadas, esses 2% da população dominaram a sociedade mediante falsas crenças e inversão de valores: http://padilla-luiz.blogspot.com.br/2013/06/espertos-agindo-como-tolos.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. De fato PADilla! O interessante é que esse tipo de manipulação e o qual você aborda em seu blog, foi comentado no meu último post em um comentário sobre o livro de Ayn Rand: http://www.viagemlenta.com/2014/09/a-nascente-ayn-rand-o-padrao-moral-entre-o-individuo-e-o-coletivo.html.

      Abraço e obrigado pelo comentário!

      Excluir
  7. ÓTIMO TEXTO, PROF. PADILLA..TEMOS QUE DESMONTAR TODO ESTE CASTELO DE CARTAS FALSAS DOS PSICOPATAS DO MOMENTO..PARABÉNS...Mauro A. F. Leite

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No Brasil, a ditadura disfarça-se na superficialidade induzindo a estultice e nos transportes públicos caros e ineficazes induzindo a “necessidade” de usar carro particular. o indivíduo em um escravo de uma armadilha: ”precisa” do carro para ir trabalhar e trabalha para pagar o veículo e todos gastos que o usar acarreta...

      Os congestionamentos podem ser evitados, contudo, são mantidos devido ao interesse dos governos: a perda de tempo e de energia no trânsito facilita a aceitação da escravidão disfarçada; impedem a maioria da população dispor de condições de perceber e se rebelar contra a escravidão dissimulada: roubam tempo, energia e, sobretudo, irritam impedindo de ter lucidez para pensar com clareza: http://padilla-luiz.blogspot.com.br/2013/07/transportes-mais-caros-do-mundo.html?m=1



      Nos países desenvolvidos, até os ricos usam o transporte público.

      O Brasileiro cada vez usa menos de ônibus. Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) aponta: nas 9 capitais mais populosas, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, a cada dia, 560 mil passagens deixam de ser vendidas na comparação com o ano anterior; 175 milhões de passageiros deixaram de usar ônibus em 2013,

      Redução de 1,4% passageiros transportados, entre 2013 e 2012, percentual sobe para 30% se comparar 1995 e 2013. A queda, maior ainda ao considerarmos o crescimento da população no mesmo período, deve-se à migração para os transportes individuais devido ao valor da tarifa e a má qualidade do transporte público criando um círculo vicioso: a baixa demanda resulta em cada vez mais caro e de má qualidade o transporte público! Cumpa? O governo por não estabelecer políticas públicas de transportes.

      O aumento de veículos particulares causa engarrafamentos, queda da velocidade operacional, aumentando o custo dos insumos e a competição com transporte individual. A velocidade média das viagens caiu 50% nos últimos 10anos, passando de 25 km/h para 12 km/h. Segundo o diretor administrativo da NTU, Otávio Cunha, “as pessoas colocam o empresário como vilão por tentar aumentar a tarifa, mas ...a crise está muito mais motivada pela falta de políticas públicas”. Pesquisa do Datafolha das reivindicações da população durante o período de manifestações em 2013: “53,7% querem melhorias no transporte público e 40,5%, a redução da tarifa” http://www2.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=532078









      Transporte público de Porto Alegre perdeu 2,5 milhões de usuários mensais em 10 anos enquanto aumentou em mais 200 mil carros no mesmo período. Em 2004, a média mensal de usuários do transporte público da Capital era de 27,5 milhões, caindo para 25,6 milhões em 2007. Em 2011, ao implantar gratuidade na 2ª passagem, subiu a 27 milhões; ano passado caiu a 26,8 milhões, dados da EPTC. A média parcial de 2014, conforme o sindicato das empresas de ônibus, é de 25,1 milhões. Nesse período, a população de Porto Alegre cresceu 60 mil habitantes, de 1.416.363 para 1.467.816, IBGE. Em 2007, a frota era de 591.598 veículos; hoje são 792.854, 200 mil carros a mais nas ruas, Detran. http://www2.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=532592

      Excluir
  8. Então dê o mérito ao PT por conseguir manter-se no poder.
    Só uma observação sobre a Meritocracia Educacional referente a charge: Há professores que exigem o mesmo nível de conhecimento de uma minoria de alunos (ou um único) dos demais da sala. Suponhamos que você está em uma turma de inglês e você não sabe nem o básico. Na mesma turma há um colega que tem um nível básico de conhecimento mais avançado que o seu (por ouvir mais músicas em língua inglesa, assistir filmes nessa língua ou por ser um "auto-didata"). É justo a professora aplicar uma avaliação exigindo de você o mesmo nível de conhecimento desse colega? Fora quando o professor exige dos alunos o conhecimento que ele tem, aí a evasão escolar aumenta e o professor (que ganha o dele todo mês) não tem nem que se preocupar com esse bando de desinteressados.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leonardo, em várias postagens desse blog eu comento sobre a efetividade, nas últimas décadas, da esquerda em disseminar a revolução cultural, bem como sua maestria em lidar com a máquina de propaganda e marketing. Claro que ela tem o mérito de estar no poder, embora seja por motivos espúrios.

      Sobre a charge, ela parte de um mesmo objetivo comum dos alunos: aprender inglês. Isso já destoa seu argumento, pois nela, não há um objetivo comum entre os animais de escalar a árvore. Cada um deles possui interesses diferentes. Considere ainda que seu argumento inclui outro erro inicial: alunos com níveis diferentes em proficiência na mesma sala, o que não deveria ocorrer. Assim, não tem sentido no contexto desse texto.

      Mesmo assim, a título de comentário, o professor deve aplicar uma avaliação com nível esperado para aquela turma e tratar as exceções individualmente. Se o colega com inglês mais avançado for a exceção, estimulá-lo a mudar de turma para não se atrasar (ou desafiá-lo com outros exercícios, pedir para ajudá-lo na preparação de sua aula e na exposição para a classe, etc) e se a exceção for o colega com o nível de conhecimento mais baixo, propor estudos adicionais para que ele possa alcançar o nível da classe, mas não nivelar o nível da aula por baixo. Essa é a democratização da ignorância, que tanto a esquerda pratica.

      Excluir
  9. E o mais ridículo na sociedade contemporânea acerca da meritocracia e beleza!Ninguém faz-se bonito ou feio.Isso é culpa inteiramente dos genes.Como é que se pode considerar a beleza um mérito?Mas são parvos ou q?É como achar que nascer rico é um mérito!Nascer rico ou belíssimo (do tipo com 1.80 e olhos verdes) não é um mérito!Mas antes um privilégio!

    ResponderExcluir
  10. Eu diria que é uma condição (e irrelevante). Não entendo também como privilégio. :)

    ResponderExcluir
  11. Gostaria de parabenizá-lo pelo blog! Essa postagem tem argumentos excelentes e bem explicados. Muitas vezes temos as idéias mas na hora de argumentar, não achamos os meios, as palavras e os exemplos certos. Realmente me ajudou muito, você conquistou mais uma leitora! Tudo de bom, continue espalhando essas idéias coerentes, esse Brasil de esquerda carece disso.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelas palavras! Fico feliz em poder ajudar. Volte sempre!

      Excluir
  12. Meritocracia, onde leva tudo isso, aonde esta a sustentabilidade nesse processo ideologico? Na divisao? Eu fiz por merecer e o resto que se foda? Como se nao existissem os condicionamentos e por consequencia a falta de opcao ou desconhecimento de que se pode optar,pergunta la no estado islamico! Chegaram a condicao de homem bomba por merito, como se nao fossem influenciados e condicionados pelo meio em que vivem.prisoes psicologicas existem e sao piores que as fisicas tai as religioes que tanto escravisam,como se dependesse so do individuo, a natureza nos mostra que somos interdependentes sozinhos nao sobrevivemos portanto os condicionamentos tanto fisicos quanto psicologicos influenciam nossos graus conscienciais!

    ResponderExcluir
  13. Meritocracia, onde leva tudo isso, aonde esta a sustentabilidade nesse processo ideologico? Na divisao? Eu fiz por merecer e o resto que se foda? Como se nao existissem os condicionamentos e por consequencia a falta de opcao ou desconhecimento de que se pode optar,pergunta la no estado islamico! Chegaram a condicao de homem bomba por merito, como se nao fossem influenciados e condicionados pelo meio em que vivem.prisoes psicologicas existem e sao piores que as fisicas tai as religioes que tanto escravisam,como se dependesse so do individuo, a natureza nos mostra que somos interdependentes sozinhos nao sobrevivemos portanto os condicionamentos tanto fisicos quanto psicologicos influenciam nossos graus conscienciais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você trocou o "onde" e "aonde". "Aonde leva…" "onde está…". Esse mimimi contra meritocracia vem de pessoas que sabem que ficariam ao largo, pois não têm mérito.

      Excluir
  14. Que texto enrolado Alexandre...

    Meritocracia não divide nada, apenas premia os melhores. É justiça. A falta de justiça, a evidência de que muitos recebem o que não deviam receber é que leva à divisão. O estímulo à divisão provém de frase como "eu fiz por merecer e o resto que se foda". Onde no texto está evidenciada tal ideia?...

    Então agora o fundamentalismo islâmico que coopta homens-bomba para matar inocentes tem sua culpa na meritocracia? Nossa... viajou muito...

    A meritocracia nunca fez apologia à vida solitária. Ela é um dos produtos do liberalismo, do mercado justo, e funciona principalmente por meio da divisão de trabalho. Gostaria de entender em qual grau "consciencial" você desenvolveu tais ideias.

    ResponderExcluir
  15. Assunto bastante complicado. Quem decide quem tem ou não merecimento sobre as coisas? A meritocracia premia os melhores através de qual ótica? É ela ao mesmo tempo lei e juiz, ou está a serviço dos homens? Não sei, preciso pensar mais sobre o assunto e agradeço pelo post, mas me pareceu que, no texto, a meritocracia foi colocada como algo desligado do mundo real, como algo incorruptível em essência, como se ela garantisse a igualdade independentemente do arbítrio de quem a utiliza. E isso me parece um ponto importante a ser discutido.Por exemplo, muitas vezes uma empresa exige mais de seu operário do que de seu diretor. Assim como se exige mais da massa do que dos privilegiados.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Renato, obrigado pela opinião e aguardo novas ideias quando pensar mais sobre o assunto. Por ora, não entendi onde você quis chegar com seus exemplos finais. Além de não concordar com eles, não percebo onde entra a meritocracia nessas considerações.

      Excluir

Postar um comentário