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A Nascente, de Ayn Rand - o padrão moral entre o indivíduo e o coletivo

"A Nascente" expondo a disputa pelo poder no debate do coletivismo e individualismo, na pregação da igualdade contra a liberdade e na negação da verdade.

Um discurso em "A Nascente" que revela as intenções ocultas e a disputa pelo poder no debate do coletivismo contra o individualismo, na apologia da pregação da igualdade contra a liberdade e na negação da verdade. Meios para a constituição de um único e enorme pescoço pronto para ser dominado por uma coleira.


Terminei de ler "A Nascente", o livro publicado na década de 40 do século passado que projetou a romancista-filósofa Ayn Rand. Apesar de ainda considerar como sua maior obra o best-seller lançado posteriormente - "A Revolta de Atlas", "A Nascente" é um livro fascinante, demolidor dos mitos do ideal do coletivismo, expondo dois extremos morais durante toda a narrativa.

Um deles é protagonizado por Howard Roark, a representação do verdadeiro espírito humano. Ele acreditava que o homem é uma unidade independente quanto aos seus pensamentos e ações, e não deve ter sua individualidade subjugada para atender demandas de um coletivo denominado de "sociedade", pois antes de pertencer a um grupo, ele já o é. Rand dizia que o debate comum distorce os conceitos de individualismo e coletivismo, e não atinge o que de fato encerra o conceito de unicidade do ser humano, ou seja, que o homem é um fim em si mesmo e não um meio para o fim de outros humanos, existindo por seus próprios propósitos, não se sacrificando por outros e nem sacrificando outros por ele.

Esse era o homem representado pelo arquiteto Roark, cuja luta contra três principais tipos de oponentes permeia todo o romance. Seus primeiros adversários são os tradicionalistas, representados por aqueles que não aceitam as mudanças na arquitetura que Roark propõe, acorrentados a ideias do passado. Carecem de um pensamento inovador e defendem o status quo das coisas, negando qualquer tipo de debate. O segundo grupo são os resignados, pessoas de personalidade limitada que se sujeitam a serem meros seguidores das expectativas alheias. Para tal, anulam seus desejos e valores a fim de obter a aprovação social. Esse grupo é a grande maioria da nossa sociedade atual e seu protagonista no livro é Peter Keating, que ao final da história manifesta um intenso conflito interno por assumir crenças que não foram suas.

O terceiro grupo é o mais perigoso e domina os dois primeiros conforme sua conveniência: os censores do pensamento independente que vivem como parasitas. São os apologistas das causas sociais, do auto-sacrifício pessoal em prol ao coletivo, defendendo um Estado poderoso o suficiente para impor tais obrigações às pessoas. Nessa defesa, almejam e conquistam cada vez mais poder capturando a mente de seus seguidores, destilando mentiras convenientes ao invés de verdades inconvenientes e consequentemente, consolando mentes e corações perturbados no intuito de capturar suas consciências. Dominam os idiotas úteis principalmente do grupo anterior. Qualquer semelhança com o partido no poder e a massa esquerdista brasileira não é mera coincidência.

Roark, entretanto, é a figura central do romance para onde a história converge e foi o personagem utilizado por Rand para divulgar as ideias de uma filosofia que estava em construção - o objetivismo. O livro ganhou uma versão para o cinema em 1949 e o discurso de Roark em seu julgamento resume o triunfo das ideias individuais sobre o parasitismo coletivo. Porém, não vou focar tal discurso nesse artigo. No link fornecido, o discurso está em português e pode ser facilmente acessado. E recomendo. Mas aqui, vou focar no discurso do Ellsworth Toohey, o supremo representante dos parasitas que buscam a dominação da sociedade pregando a salvação do mundo e o bem comum pelo apelo do altruísmo e o auto-sacrifício. Entender esse tipo de pensamento nos ajuda a distinguir melhor qual tipo de moral e ética está sendo aventada atualmente na nossa sociedade. É uma passagem muito menos comentada, mesmo no Google americano. Encontrei, entretanto, esse discurso na forma de leitura do livro, porém somente em inglês. É esse discurso que comentarei a seguir.

O discurso de Ellsworth Toohey a Peter Keating


Já próximo ao final do livro, um quase monólogo de Toohey para Keating revela os motivos de seu comportamento durante o decorrer da história. Toohey sempre foi visto como uma pessoa inteligente (e era), mas seus propósitos nunca foram verdadeiramente conhecidos. Repleto de admiradores, era considerado como uma pessoa que desejava o bem a todos. Seus discursos, sempre competentes, pregavam o socialismo, a preocupação com a satisfação das pessoas, a igualdade dos membros da sociedade e o atingimento do bem comum. Desdenhava a meritocracia e via nas pessoas ricas uma fonte de financiamento para terceiros. Odiava pessoas que pensassem por elas mesmas classificando-as como egoístas e impedia sua ascensão para o sucesso pessoal. O objetivo de sua igualdade era o nivelamento por baixo das capacidades individuais, de forma que ele pudesse sempre ficar em evidência. Seu ódio por Roark possui essas raízes.

Logo no início Toohey afirma que usa as massas alienadas para seus propósitos pessoais: "É para isso que eu tenho de fazer uma encenação, a minha vida toda, para pequenas mediocridades desprezíveis como vocês. Para proteger suas sensibilidades, suas posturas, suas consciências e a paz de espírito que vocês não têm". Toohey admite para Keating que todas suas atitudes tiveram um único propósito: poder. Porém, algo que seus tolos seguidores nunca perceberam. O poder é nefasto e até hoje as pessoas não percebem como o poder que dão e legitimam aos políticos e burocratas é o alimento da corrupção e a fragilização de sua própria liberdade.

Ele vê a si mesmo como um ungido para comandar as pessoas da forma que achar necessário: "Eu herdei o fruto dos esforços deles e serei aquele que verá o grande sonho transformado em realidade (...) Eu dominarei (o mundo). Se aprender a dominar a alma de um único homem, você consegue pegar o resto da humanidade, Peter. (...) Faça o homem se sentir insignificante. Faça-o sentir-se culpado. Mate suas aspirações e sua integridade. (...) Diga ao homem que ele deve viver para os outros." Essa era sua técnica para destruir o senso de valores do homem e atribuir a cada um sua incapacidade de ser virtuoso, fazendo com que sua alma abra mão do respeito próprio. Assim "você o tem. Ele obedecerá.". Esse é o princípio do coletivismo, ideia levada a cabo por Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung e o sonho das esquerdas latino-americanas, que tentam aqui implantá-las através de muita mentira e hipocrisia.

A pregação do sacrifício para atingir o bem comum também é citado por Toohey: "Todos os sistemas de ética que pregaram o sacrifício (...) dominaram milhões de homens. Claro, é preciso usar camuflagem (...) Use palavras imponentes e vagas. ""Harmonia Universal"", ""Espírito eterno"", ""Propósito Divino"" (...) ""Ditadura do Proletariado"". (...) A farsa prossegue há séculos e os homens ainda se deixam levar (...) O homem que lhe fala de sacrifícios fala de escravos e donos. E tem a intenção de ser o dono." Hoje provavelmente a camuflagem tem tons diferentes. "Democracia popular", "República Bolivariana", "Igualdade Social"... O que tem de verdade e mentiras nesses termos? O quanto eles, proclamando uma suposta felicidade coletiva, solapam a sua liberdade individual em prol de uma suposta maioria? Mais ou menos na mesma época, Aldous Huxley previu que isso ainda ocorrerá por muitos anos em sua obra "Admirável Mundo Novo".

Um discurso muito usado pela esquerda hoje é que não existem verdades, como a tolerância de ações aceitas pelo relativismo cultural ou moral. Típica estratégia gramsciana para a conquista do poder pela esquerda. Toohey não a esqueceu e tratou nesses termos: "Os homens têm uma arma contra você: a razão. Portanto, você precisa certificar-se completamente de que a tirará deles. Corte os alicerces que a sustentam (...) Não a negue completamente (...) Apenas diga que ela é limitada. Que há algo acima dela (...) Que, nessa questão, ele não deve tentar pensar, deve sentir (...) Não queremos nenhum homem que pensa". É interessante quando em debates, tentamos usar a razão e outras pessoas apelam à emoção. Como a similar situação de que ter como oponente no xadrez um esquerdopata ou um pombo: ele vai cagar no tabuleiro, derrubar as peças e sair cantando vitória. "Raciocínio individual, Peter? Nada de raciocínio individual, apenas pesquisas de opinião pública. Uma média tirada de zeros, uma vez que nenhuma individualidade será permitida".

As consequências da implantação estatal de políticas de igualdade social em países que instituíram as ideias socialistas, fazendo com que apenas a pobreza fosse socializada, não foi esquecido: "Que todos vivam pelos outros. Que todos se sacrifiquem e ninguém lucre (...) Que todos fiquem estagnados. Há igualdade na estagnação. Todos subjugados à vontade de todos (...) Um grande círculo e uma total igualdade. O mundo do futuro".Outra manifestação do esquerdismo, que não entende que a economia não é um jogo onde um ganha e outro perde e que somente transferir a riqueza de quem é mais apto a quem não é apenas perpetua o problema, como comentei no artigo "A ética tacanha de Robin Hood", se não houver mudanças estruturais nas instituições.

Mais um aspecto da estratégia gramsciana fica evidente no discurso coletivista: "Dividir e conquistar, primeiro. Mas depois, unir e governar (...) Ensinamos os homens a unirem-se. Isso cria um pescoço pronto para uma coleira. Nós encontramos a palavra mágica: coletivismo (...) um país dedicado à proposição de que o homem não tem direitos, de que o Estado é tudo. O indivíduo visto como mau; a raça, como Deus. Nenhum motivo e nenhuma virtude permitidos, exceto o do serviço à raça". Muitas das ideias expostas até então foram sementinhas plantadas por Rousseau, mais de dois séculos atrás, como comentado no texto "Rousseau e o perigo das mentes revolucionárias que desejam o bem comum".

O final do discurso tem uma frase excepcional: "Ofereça veneno como alimento e veneno como antídoto. Dê aos tolos uma escolha, deixe que se divirtam, mas não esqueça do único propósito que você tem que alcançar. Mate o indivíduo. Mate a alma do homem. O resto seguirá automaticamente".

Um livro que vale a leitura, não? Possivelmente, você entenderá melhor quem são as pessoas que eu chamei de sapos no artigo "Liberdades restritas através das intenções e práticas do Estado".


Veja mais artigos sobre Política e Estado e sobre Liberdade.

"A Nascente" expondo a disputa pelo poder no debate do coletivismo e individualismo, na pregação da igualdade contra a liberdade e na negação da verdade.




Comentários

  1. Oi André. Li a Nascente esse ano e acho como você o Revolta de Atlas bem superior. Achei os personagens da Nascente demasiadamente caricatos e história um pouco chata. Embora os personagens também sejam caricatos no Revolta de Atlas, a história é mais emocionante em suas reviravoltas e com os misteriosos desaparecimentos. Além disso os problemas são mais palpáveis nesse segundo livro, são fábricas, ferrovias, enquanto na Nascente o problema são escolhas arquitetônicas, algo bem mais abstrato, embora importante.

    Outra diferença que vejo é que na Revolta de Atlas a maldade está mais espalhada, são inúmeros burocratas e regulações a esmagar o indivíduo. Na Nascente a maldade está mais personificada no Toohey, até por conta disso pode existir o discurso da maldade que vc destacou. Nele fica explícito o desejo de Poder do Toohey. Esse é um aspecto que deve ser denunciado a todo momento pois desmonta totalmente a pose de altruísta dos coletivistas.

    Percebo em algumas conversas que quando defendo o individualismo, sou muitas vezes tachado de egoísta. Acho que deve acontecer com mais gente, essa é uma saída comum dos coletivistas. Alguns sabem que estão apelando para ganhar a discussão. Mas muitos são pessoas bem-intencionadas, que não percebem que para anular o indivíduo é preciso que alguém se torne mais poderoso. Essa entidade é chamada de sociedade, coletividade, humanidade ou algo assim. E os otários acham que por fazerem parte dessa coletividade está tudo bem.

    Só que esses grupos não tem voz. Não há como fazer coincidir as vozes e vontades dos milhares de indivíduos que compõe qualquer desses grupos. A não ser que exista um líder como Toohey, que vocaliza o que as pessoas passam a achar que é sua vontade. Esses líderes devem ser denunciados pelo que são, pessoas sedentas por Poder, com necessidade de mandar nos demais. São os políticos em geral.

    Valeu pelo texto e pelo blog e desculpe se o comentário ficou confuso...estou com pressa e não consegui ser mais claro !

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    1. Carvalho, sua análise está excelente! Obrigado por comentar. De fato, somos uma minoria, para lá de irrisória, principalmente nesse canto do mundo. A labuta é longa. A desconstrução do conceito de individualidade foi muito bem feita, desde quando as pessoas começam a pensar em entender o mundo, ou seja, no período escolar. É muito difícil alterar esse modelo mental rapidamente. Tem de ser pouco a pouco e apelando sempre à razão. O maior mal é deixar entrar emoção nesse tipo de discussão.

      Abraço!

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  2. Olá, André! Beleza amigo?
    Como o colega aí em cima achei a coisa caricata demais. Eu não li o "clássico" "A Revolta de Atlas". Estava zapeando pela TV um dia e vi que estava passando o filme (episódio II), fiquei uma hora vendo o filme e achei horrível, não só a qualidade e a interpretação (falo aqui de estética), mas a própria história em si. Se esse a "Nascente" é mais caricato ainda do que "A Revolta..." então a coisa é feia.
    Nesse seu próprio discurso, uma das partes é tida como "parasita", como se pode construir um discurso ideológico objetivo se uma outra forma de pensar já é tido como parasitária? Para mim é um paradoxo.
    Se este livro era o livro de cabeceira do Milton Friedman só posso chegar a conclusão que ele não lia literatura.
    Para críticas muito mais fortes e escritas numa literatura magistral, muito melhor livros do Kafka como "O Castelo" ou o magistral "O Processo".
    Prosseguindo. É claro que a liberdade é algo a ser preservado. Porém, eu gostaria de dizer onde estão as provas biológicas para dizer que o "Homem é um fim em si mesmo" ou "antes de pertencer a um grupo, ele já p é", parece algo que saiu das páginas de "O Ser e o Nada". Sim, o homem é uma entidade individual, porém nós evoluímos em agrupamentos humanos, muitos genes nossos evoluíram também dessa forma. Pergunte a qualquer biólogo, e provavelmente ele dirá que temos raízes evolutivas individuais e coletivas. Portanto, onde está a prova biológica e evolutiva que o individual é algo único na formação do homem?
    Parece-me que é apenas um constructo intelectual. Assim como a utopia marxista.
    Eu dou muito mais valor para Ressonâncias Magnéticas feitas no cérebro de uma pessoa quando submetida a um teste moral, do que uma construção abstrata intelectual sobre o que é ética.
    Sei que este tema lhe é caro, e longe de mim ser desrespeitoso, apenas reflexões para o debate.

    Abraço!

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    1. Olá Soul! De fato, ele fica um pouco a dever à Revolta, que considero bem melhor, como citei no texto. Não entendi apenas seu ponto "Se esse a "Nascente" é mais caricato ainda do que "A Revolta..." então a coisa é feia", se você ainda não leu a Revolta. Se for iniciar em Rand, recomendo esse último, concordando com as palavras do Carvalho. O livro "A Nascente" de fato exagera em certas situações. Eu comecei a me animar apenas na quarta parte final do livro rs.

      Não entendi seu raciocínio no segundo parágrafo. Toohey era um parasita pois obtinha o poder conquistando os corações e as mentes das pessoas. Não produzia nada por si mesmo. Era colunista de um jornal. Tinha porém os meios para tal. A própria história do livro define esse conceito.

      Soul, não vejo como Rand tratar de provas biológicas para desenvolver o seu conceito de individualismo. Aliás, não vejo nenhuma relação. Não estamos tratando de biologia, e sim da ciência humana. Comentar que a evolução procede de genes de vários ramos procede quando se trata de analisar nosso DNA, mas não para definir nossos comportamentos perante à sociedade. Pois se o fosse, perderíamos totalmente a nossa humanidade. Comportamentos de animais talvez sejam dependentes de seus genes. Mas o ser humano é um pouco mais especial. Enfim, estamos falando de coisas completamente diferentes.

      Se estiver interessado em conhecer mais sobre o objetivismo, veja essa página e esse blog: http://robertorachewsky.blogspot.com.br/2013/02/ayn-rand-e-o-objetivismo.html

      Voltando ao tema biológico, vc acredita que uma ressonância magnética define se a pessoa é moral ou não?
      Mas como definir o que é moral e ético em certas situações não tão evidentes?

      Abraço e obrigado pelo comentário!

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    2. Olá, André!
      É que quando vi o filme eu já achei alguns personagens extremamente caricaturados. Se neste livro a "Nascente" a caricatura é ainda maior, então eu acho que é demais. Porém, eu apenas li 1 hora do filme, e não posso dizer se é ou não, mas peles trechos pareceu ser.

      Talvez eu não tenha sido claro. Uma vez eu debati com o Dr. Money (um dos grande blogs sobre finanças e pensamentos econômicos) e ele citou trechos do livro "A revolta de Atlas", e em vários deles a linguagem era essa: parasitas. O livro possui uma agenda e uma determinada ideologia, até aí nenhum problema. Porém, quando você apresenta a sua ideologia como algo virtuoso e uma outra forma de pensamento com personagens caricaturados e taxados de parasitas, eu acho que se perde e muito da objetividade. Talvez um escritor não precise de objetividade, mas se nós queremos fazer uma análise mais aprofundada a objetividade é importante.
      O problema de se caricaturar, é que o mundo não é assim. Não é branco, nem preto, geralmente as zonas de discórdias são cinzentas. Por isso, eu não gosto de ideias colocadas dessa forma, pois elas parecem que não possuem força e precisam se socorrer de elementos meramente de discurso argumentativo.

      Pois é, André, aqui discordo totalmente. O homem nada mais é do que um animal. Depois de Darwin a ilusão de sermos especiais foi destruída. Escrevi até um artigo sobre isso "Os Três golpes da Ciência no ego humano". Logo, essa assertiva não se sustenta mais. Os nossos comportamento são moldados pela nossa evolução enquanto espécie, não há como ser diferente. De maneira nenhuma perdemos a nossa humanidade, apenas resgatamos o que é realmente ser um ser humano, não uma construção idealizada, mas sim o que a observação dos fatos nos diz.
      Isso é muito claro em testes morais. Cientistas aplicam testes morais como: você empurraria um homem gordo num trilho do trem para impedir que cinco pessoas fossem mortas? Ou você mudaria os trilhos do trem para que apenas uma pessoa fosse morta ao invés de cinco? Ou você, contra a vontade da pessoa, mataria alguém para que essa pessoa pudesse doar órgãos e salvar cinco vidas? Os cientistas aplicaram esses testes morais em: índios, aborígenes, homens de negócios, ateus, cristãos, judeus, brancos, negros, etc, etc. Sabe qual foi o resultado? As respostas em todos os grupos foram idênticas. Isso foi um indicativo claro de que a moral, a ética, o que entendemos por certo e errado em termos de escolhas morais é muito mais antigo do que a religião, por exemplo, é algo que muito provavelmente foi formado durante a evolução do ser humano.
      Eu tenho certeza que Sarte daria uma resposta, Kant outra, Marx inventaria qualquer coisa, assim como a Any Rand. Porém, eu prefiro muito mais o raciocínio científico para explicar esse tipo de coisa, do que apenas uma elucubração abstrata. É como o Gianetti comenta: é incrível e incompreensível que filósofos não se encantem e se interessem pelas mais novas descobertas da neurociência.

      O ser humano é um ser moral. Talvez a sua pergunta é se uma RM definiria se uma pessoa possui ética ou não? Não foi isso que eu disse. O que disse é que um exame em tempo real do seu cérebro quando é apresentado um dilema moral para você decidir pode nos dizer muitas coisas sobre ética humana, às vezes muito mais do que uma ideia abstrata do que é ética e do que é o ser humano que não encontre nenhum respaldo na realidade.
      Veja, não ignoro grandes pensadores, pelo contrário, eles são muito importantes para o pensamento humano. Porém, não levar em conta o que estamos descobrindo sobre o ser humano pelo meio da ciência não me parece o caminho mais sensato.
      Leia o livro do Eduardo Gianetti "A Ilusão da Alma", creio que você não irá se arrepender.

      Abraço André!

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    3. apenas "li" uma hora do filme é ótimo não? Apenas vi uma hora do filme, que com certeza não corresponde ao livro, mas creio que deu para ter uma ideia do se trata a trama.

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    4. Ah Soul, ok, não tinha me atentado que vc tinha visto uma parte do filme. Cara, o filme é péssimo. Eu o vi (as duas partes - a terceira vai ser lançada esse ano) após a leitura do livro e me decepcionei. Foi muito mal feito. Sobre o enredo, é sensacional. Não gostar aqui é questão de gosto, mas representa fielmente o que vem acontecendo em vizinhos próximos e quem sabe, por aqui. Alguns exageros acontecem como em qualquer história, mas nós, leitores conscientes, temos capacidade para absorver a mensagem. Para reforçar: não faça sua imagem do livro pelo filme.

      Eu concordo com sua definição dos tons de cinza. Porém, acho que estamos sendo injustos com os personagens da Revolta e mesmo da Nascente. No meu entendimento, não existe essa caricatura que você cita, como um maniqueísmo de novela. Por exemplo, Toohey, personagem do meu post é amado pelas pessoas. Até 75% da leitura do livro uma pessoa comum o vê como uma pessoa boa. Roark, o herói, passa por várias situações onde ele mostra-se arrogante e ácido com as pessoas. Comete até atos de violação sexual. Idem para a Revolta de Atlas. Claro que a escritor, quando se trata de mostrar seus pensamentos, os coloca de forma astuta nas situações ideais em cada personagem. Mas sem isso, seria jogar o jogo de seus adversários.

      Sobre a relação do biológico e humano, continuo a discordar. Talvez estejamos falando de coisas diferentes, mas todas suas palavras só me fizeram reforçar meu pensamento. Novamente, eu concordo com todo o raciocínio biológico que vc traçou em seus comentários, como havia comentado anteriormente. Acho Darwin fenomenal. Não acho que o ser humano é algo especial biologicamente. E acho, como você, que sim, traços de nosso comportamento têm herança genética. Veja bem, estou enfatizando "traços" e não o comportamento individual que nos difere um do outro. Li uma vez, não lembro onde, que traços genéticos podem influenciar algumas atitudes até em finanças comportamentais. Mas isso não invalida a ideia de que somos seres únicos, individuais. Afinal, vemos comportamentos muito distintos em cada pessoa nessa área.

      Você citou exemplos de testes morais, cujos resultados seriam semelhantes para várias pessoas em diferentes partes do mundo. Pois é, e mesmo assim, apesar de termos no fundo um mesmo código moral, nossos comportamentos variam. O que o homem faz, se ele usa ou não seu código moral é algo individual. É aí que os comportamentos são diferentes. Temos pessoas boas e más, pessoas ativas e passivas, pessoas com inteligência em uma área e outras em outras. É esse o individualismo que vejo na humanidade. É nesse sentido que o homem é um ser único, pois ele tem a capacidade, apesar de a neurociência entender que exista um mesmo padrão moral, de agir conforme seu desejo. Ou não. Aí existem nossas diferenças dos animais. Uma girafa sempre terá o mesmo comportamento. Idem para um albatroz. Mas não o homem...

      E aí novamente louvo a neurociência pelas descobertas que tem feito e torço para que ela consiga desvendar o que está por trás desse cérebro único. Sempre acreditei, desde adolescente, que descobrir os mistérios de nossa mente seria a grande descoberta da humanidade. Pois ela é única. Ela é humana.

      Grande abraço!

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    5. Relendo minha resposta, fiquei na dúvida da minha afirmação de que não acho o ser humano especial biologicamente. Para reforçar, estou falando de matéria e forma. Se algo biológico interfere nos comportamentos, ele seria especial biologicamente sim hehe. Bom... acho que você entenderá meu pensamento pelo restante dos comentários :)

      Esse sistema de comentários é um pouco estranho. Aparece o botãozinho de "editar" mas ele não funciona. Só nos resta fazer um adendo posterior...

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    6. caro soulsurfer concordo com você, pois em nossa estrutura biológica já carregamos a dualidade, pois para sermos um ser, precisamos de uma parte feminina e a outra masculina. Então o coletivo já vem cravado no dna. Lógico que todos necessitamos também de individualidade, mas não que seja pragmática , pois já mais ela, será. Mas na parte da ressonância magnética, não posso concordar, pois não sei bem sobre o que ela realmente vê. Também não li o livro, apenas está página e os comentários.

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    7. -SÉCULO XVIII O FILÓSOFO INGLÊS JOHN LOCKE AO REFLETIR SOBRE A MENTE HUMANA, COMPAROU-A A UMA FOLHA EM BRANCO, PREENCHIDA E MOLDADA AO LONGO DA VIDA, POR MEIO DAS EXPERIÊNCIAS, DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO(OS TIJOLOS DA PERSONALIDADE). MAS A DESCOBERTA DO DNA ABRIRAM-SE AS PORTAS PARA UMA COMPREENÇÃO INÉDITA DAS RAÍZES BIOLÓGICAS DO COMPORTAMENTO HUMANO, A PARTIR DAÍ FOI POSSÍVEL IDENTIFICAR GENES QUE TORNAM AS PESSOAS MAIS VULNERÁVEIS A DESENVOLVER TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS, ATITUDES ANTISSOCIAIS E VÍCIOS, POR EXEMPLO NEUROSE OU ESTABILIDADE ,ABERTURA OU NÃO A EXPERIÊNCIAS, CAPACIDADE DE ATENÇÃO OU DISPERSÃO . SÃO CARACTERÍSTICAS 50% HERDADAS DOS PAIS. A MODULAÇÃO DOS COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS DEPENDERIA EM 80% DA GENÉTICA E O RESTANTE RESULTARIA DA EDUCAÇÃO E DAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS DE CADA UM. NA FORMAÇÃO DO CARÁTER, GENE E CULTURA ESTÃO JUNTOS. AS REVELAÇÕES SOBRE A INFLUÊNCIA DA GENÉTICA NO COMPORTAMENTO E UMA SÉRIE DE OUTROS ACHADOS CIENTÍFICOS, ALIADOS AO BOM SENSO TÊM ALTERADO DE FORMA POSITIVA A MANEIRA PELA QUAL AS PESSOAS ENXERGAM O MUNDO.ANDRÉ ELER, MARCELO SPERANDIO E SIMONE COSTA -VEJA 2012.

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    8. Sim Darlene, as influências são diversas. Por isso que insisto que cada ser humano é um ser único.

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    9. hóooo meu amigo... único , mas jamais só, boa tarde meu amigo...

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  3. André, o homem é um animal biologicamente fantástico.
    O nosso cérebro é algo assombroso, somos sim especiais, mas não especiais no sentido de sermos apartados de outros animais ou da biologia, mas parece que concordamos aqui.
    Claro, cada indivíduo é único, aliás cada formiga também é unica, pois ela possui um DNA único. Mas, não vamos abstrair tanto, e vamos considerar a unicidade de cada indivíduo da espécie humana.
    Veja, eu não falei em determinismo genético (mas essa hipótese está voltando com certa força com as novas descobertas da neurociência), mas sim como a nossa biologia nos influencia.
    Precisamos relembrar onde toda essa discussão começou: numa pretensa prova inequívoca de que o ser humano necessita de individualidade, sendo esta a única característica a definir o ser humano. Não é o que a biologia vem mostrando.
    Alias, veja esse vídeo interessantíssimo sobre incentivos (não está relacionado ao tema, mas vi hoje e acho que poderia gostar): http://tinyurl.com/mve4azn

    Ah, eu não estou tão certo da sua afirmação sobre a Girafa. Sobre primatas tenho certeza que está errado. Os testes que eu falei não foram no sentido de mostrar que não temos autonomia (apesar disso também ser polêmico), mas sim que nossos códigos morais talvez sejam muito antigos e talvez remontem a dezenas de milhares de anos atrás, apenas para demonstrar a importância de entendermos a evolução da nossa espécie para entendermos a nós mesmos.

    Valeu, bom fds!

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    1. Valeu Soul! Vou dar uma olhada na segunda. Final de semana é complicado rsrs! Abraço e muitas praias por aí (se o tempo estiver bom)!

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  4. O indivíduo só tem necessidade de reafirmar sua individualidade quando existe a pressão da exposição e da cobrança nas relações interpessoais. É possível ser você mesmo e atuante mantendo sua individualidade: constituindo sua construção individual e impondo sua representação social.

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    1. Sim. Vejo a individualidade como uma condição per se, natural ao ser humano.

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  5. Ótimo texto que já é padrão no blog e não posso deixar de comentar.
    Li os 2 livros e vejo que existe uma confusão pelo texto tratar do personagem como arquiteto mas pelo que vejo e entendi do livro poderia tratar de qualquer outra que fosse sendo ele padeiro ou pedreiro.
    A grande questão e que vejo como uma pintura ou esclarecimento dos dias atuais fica claro no livro partindo do discurso de Toohey que é o nivelar por baixo, a ode a incompetência, apologia ao parasitismo e da limitação do ser humano como uma massa que não pode nem deve pensar.
    Dizer que o coletivo está no DNA ou intrínseco e que não existe "escapatória" ao ser humano é nivelar ainda mais baixo do que pretendia o livro (meu ponto de vista). Pior ainda é dizer que o ser é somente o resultado de suas experiências o que esconde uma má intenção ou total falta de visão do que é o homem baseando-se no sofismo ou na dialética já que assim tudo que temos na história da humanidade se baseia em acaso ou interesse. Sócrates, Platão, Aristóteles, Descartes entre vários estão aí para fazer o homem pensar sobre o que ele é ou não é. E o que diferencia o homem do animal? Simples. A razão.
    No segundo livro ou primeiro como queira que é A Revolta de Atlas vejo como a solução para os problemas do mundo atual já que se os homens que fazem, aqueles que criam e produzem resolverem parar o que acontece com os parasitas?? Essa é a intenção do livro. Os homens brilhantes não devem e não podem ser escravos dos parasitas e das idéias coletivistas.

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    1. Exatamente Lemming: não foi minha intenção reduzir os pensamentos expostos para a arquitetura. Ela foi apenas um pano de fundo para a expressão das ideias da autora.

      Acredito que concordamos nos demais pontos! Obrigado pelo comentário!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Caro Lemmig, o DNA carrega as características (coletivo) dos ancestrais, dos parentes, do pai , da mãe, mesmo que não se desenvolvam, ele as recebeu. E se todos cruzassem os braços seríamos todos parasitas, se todos ficassem namorando só na internet acabaria a humanidade. Como os homens brilharão, se todos cruzarem os braços ! Alguém tem que ir à luta, e as ideias partem do indivíduo para o coletivo. Então de certa forma ele trabalha tanto para os parasitas, quanto para as ideias coletivas. " Haverá sempre alguém disposto a fazer." E são os parasitas e as ideias coletivas que enriquessem os homens brilhantes e os faz brilhar.

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  8. Caro Lemming , na Criação, no início(Gênesis 2) quando Adão era um ser humano só e único. ... não é bom que o homem esteja só... esteja como diante dele... (Gênesis 2:18) = quer dizer que Deus não estava se agradando do homem estar só, estava acontecendo algo que Deus vira que o homem precisasse de uma adjuntora (complemento), que lhe servisse diante dos seus desejos e anseios. - Segmund Freud(1856-1939) diz que nós concentramos energia, e a libido é uma forma de descarregar essa energia. - Gênesis 2:24 ... e apegar-se-à à sua mulher, e serão ambos uma só carne. = se fundirão num mesmo desejo, se completarão nos seus desejos e anseios. Deus disse dar uma adjuntora e não mais , então seriam só os dois (uma só carne). Confirmando:Mateus 19:8 ... mas ao princípio(no princípio da Criação de Deus) não foi assim. Gênesis 3:16 ... e o teu desejo será para o teu marido

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