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Inteligência financeira: os 5 elementos que compõem sua base

A minha história pessoal em quase 15 anos na aprendizagem da inteligência financeira e os cinco principais elementos que compõem essa base de conhecimento.
Inteligência financeira é também conhecer as armadilhas do desejo e...

A minha história pessoal em quase 15 anos buscando a inteligência e independência financeira. E como ela me credenciou a apontar os cinco principais elementos que compõem essa base de sabedoria.


Já faz quase 17 anos que comecei a interessar-me pelo mercado financeiro.

Naquele já longínquo ano de 2000, quando eu morava no Rio de Janeiro e fazia MBA na FGV em Botafogo, perguntei a um professor de economia quais seriam os melhores investimentos para as primeiras sobras financeiras mensais que começavam a despontar na minha conta corrente. Se você possui alguma identificação com tal pergunta, você está lendo o texto certo!

Sabe como o professor respondeu? Com uma outra pergunta: “- Quando você pretende ser livre?”

Não assimilei bem o que ele quis dizer na ocasião, afinal, eu era livre oras! Ninguém me coagia a nada e eu fazia o que bem entendesse. Mas posteriormente, comecei a perceber que podemos ter noções diferentes da liberdade.

E ter um emprego onde eu não tinha possibilidade de gerenciar o meu tempo de forma soberana pontuava contra minha liberdade. A ficha começou a cair. E as atitudes começaram a mudar.

O início da história foi um padrão brasileiro: aplicando na poupança


Aceitei algumas sugestões de leitura que ele me deu, e não parei mais. Os livros e alguns excelentes materiais na Internet são fundamentais para ampliar a sabedoria e inteligência financeira. Necessários, porém não suficientes.

Um dos maiores ensinamentos nessas leituras é que, antes de pensarmos em investir, precisamos criar um orçamento e acompanhá-lo através de um fluxo de caixa. Sem resultados financeiros positivos e regulares, não teremos a matéria-prima que necessitamos para conquistar nossa independência financeira. Isso é o essencial no início dessa jornada.

Se você precisar de uma ajuda nessa etapa, leia o essencial do orçamento e fluxo de caixa e acesse a planilha financeira que uso para o meu próprio controle.

A prática sempre deve seguir à teoria. E foi preenchendo uma planilha bem simples que comecei a perceber alguns trocados sobrando ao final do mês. Inciei entretanto como a maioria: "aplicando"-os na poupança. Não foi exatamente uma atitude de perfil conservador (por falar nele, você saberia pensar em como o seu perfil financeiro pode influenciar suas decisões de investimentos?).

Na época não existia a facilidade que hoje encontramos na internet. Aplicações em títulos do governo era algo quase impossível para quem ainda não tinha capital. Resignei-me assim que precisava fazer primeiro o arroz e feijão: alcançar uma meta através de um bom planejamento aplicações em poupança e verificar sua sustentabilidade.

Depois da poupança, os fundos de investimentos


Na evolução à inteligência financeira, o próximo passo foi natural: fundos de investimentos bancários. Mas eu já pensava um pouco além da caixa: comecei a procurar aqueles que tinham uma menor taxa administração.

Quem investia em fundos do Bradesco naquela época lembrará dos nomes Topázio, Safira e outras pedras preciosas. E também das taxas de administração, que poderiam chegar a 3% ou 4%. Um roubo.

Os fundos com taxas de administração mais baixas exigiam um capital maior de investimento que eu ainda não possuía. Por algum tempo, mantive-me em constante expectativa em alcançar um montante maior do que um valor mínimo aplicação em um fundo mais top, com uma taxa menos abusiva.

E mais uma vez unia a teoria com a prática: não migrava de fundo automaticamente, apesar de estar pagando uma taxa de administração maior. Antes, eu já verificava o quanto eu estava pagando de alíquota de Imposto de Renda no resgate para avaliar o melhor momento de transferência.

O mercado de ações em fundos e em corretora de valores


Aparentemente seguro na renda fixa, estudava o mercado de ações. Meu début foi, também, através de fundo bancário. Naquela época eram ainda poucas corretoras que ofereciam home-broker e eu também era um novato na renda variável. Optei ainda, por manter minhas economias junto ao Bradesco.

Comecei a balancear o dinheiro nessas duas classes de ativos e a ler muito. Eu estudava (um pouco) e trabalhava (muito pouco) na Alemanha nessa época e tinha, principalmente naqueles invernos terríveis, um grande tempo livre. Consumia muitos livros e logo depois quando voltei ao Brasil, um fórum no orkut chamado “O Investidor Agressivo” começava a chamar minha atenção.

Fiz uma especialização na FGV de Teresina em Gestão Financeira, mas foi dinheiro jogado fora. Meu autodidatismo já fornecia conhecimentos muito além do que aqueles que os professores passavam. Eu, entretanto, não aprenderia dessa vez que salas de aula não são muito eficazes para mim. Passaria ainda por outra provação no futuro.

Quando tomei coragem, isso já nos idos de 2006 ou 2007, fiz cadastro na corretora Título e comecei a perceber que os bancos, suas tarifas e taxas proporcionavam à nossa vida financeira um notável atraso. As taxas na corretora, sejam de ordens ou custódia, eram muito menores do que as taxas de administração dos fundos de ações do Bradesco.

Por falar nisso, você ainda confia em seu gerente de banco como consultor financeiro?

Comecei assim a migrar, aos poucos, o dinheiro mantido no banco e a comprar minhas próprias ações e títulos públicos do Tesouro Direto, que já despontava como alternativa. Claro que isso exigiu de mim uma maior responsabilidade. Mas a liberdade nasce como um resultado da responsabilidade. E comecei um novo planejamento: o dia em que eu largaria o meu emprego para viver dos meus rendimentos.

Diversificação em ativos e o crash de 2008


Já entendendo bem de mercado e acompanhando debates entre pessoas inteligentes pela web, comecei a aplicar em papéis vinculados ao dólar e ao ouro. Essa atitude me ajudou a não ir à (quase) falência em 2008 com o crash na bolsa. O ouro e principalmente o dólar amorteceram a queda. Mas claro que perdi muito, afinal eu tinha pouco mais do que 50% do meu patrimônio alocado em ações.

Quando as coisas parecem dar certo, avaliamos mal o poder que (não) temos. Mas nada como um primeiro grande tombo para nos darmos conta disso.  Afinal, a gente sempre se acha poderoso antes de levarmos o primeiro tombo. Felizmente houve uma recuperação relativamente rápida dos ativos. Mas pensei em diversificar ainda mais.

Mais diversificação: o mercado de opções, índices futuros e fundos imobiliários


Em 2009, após mais de dois anos estudando o mercado de opções e índices futuros, comecei a incorporá-los nas minhas estratégias e no portfólio. E aprendi na prática, como ganhar com renda variável nos períodos de baixa. Determinante desde então para tentar fazer algum dinheiro, visto à falta de perspectiva de crescimento que o governo petista legou ao país.

Alguns meses depois, no início de 2010, pedi demissão do meu emprego que já durava mais de 12 anos, e vendi meu imóvel em Itu no ano seguinte, com um bom lucro. Ao invés de comprar outro, preferi aplicá-lo em fundos imobiliários. Já vinha estudando esses ativos, e alguns papéis pareceram-me vantajosos em função de valorização, renda passiva e liquidez.

Assim, mais uma classe de ativos foi incorporada à minha carteira de investimentos. Acesse esse link se você quiser saber mais sobre o método de Alocação de Ativos.

E até agora, essa carteira tem sido mais do que suficiente para eu desfrutar da liberdade de não ter mais um empregador. E essa liberdade está ao alcance da maioria, embora essa mesma maioria acredita que é impossível alcançá-la.

A minha história pessoal em quase 15 anos na aprendizagem da inteligência financeira e os cinco principais elementos que compõem essa base de conhecimento.
... deixar claro sempre quem é o dono de quem

E o que compõe, afinal, a inteligência financeira?


Nessa mini-história financeira da minha vida, o objetivo foi mostrar que toda sabedoria provém de uma construção ao longo do tempo, com erros e acertos.

E nessa jornada fui capaz de reconhecer os cinco itens principais que compõem o conceito da inteligência financeira. Vamos a eles.


1) Responsabilidade e individualidade.


O mundo dos investimentos é um processo que envolve muito auto-conhecimento e auto-controle. Envolve ciência de que é você está no comando e somente você, como indivíduo, pode tomar as decisões de seus atos.  É abraçar a responsabilidade pelos seus erros e acertos. E principalmente, usar essa responsabilidade e individualidade para alcançar um objetivo claro, determinado por você mesmo. Como dizia o coelho no filme da Alice: “Se você não sabe que caminho seguir, qualquer estrada serve”.

Tenha pró-atividade no sucesso e no fracasso. Vamos conviver com ambos dia após dia. E não existirão responsáveis além da pessoa que você vê no espelho. Não aprendemos com os erros em si, mas sim com a determinação de procurar as causas e corrigir esses erros. Se insistir em semear as mesmas práticas, vai obter sempre a mesma colheita.

2) Praticar e aplicar a teoria. Mas opere pequeno.


Conhecimento sem ação é desperdício. Nós apenas saberemos algo completamente quando formos aptos a ensinar e debater o assunto com outras pessoas. Mas você pode atingir esse estágios aos poucos: vá rapidamente para a ação, mas opere pequenos valores. Operar pequeno faz com que você acerte, erre, avalie e corrija seus erros. Sem grandes perdas e sem grandes traumas. Tal atitude aplica-se também para pessoas com mais vivência, quando estão estudando um novo tipo de investimento.

3) Não existe atalhos. Não existe almoço grátis.


A sabedoria é uma consequência das práticas e do conhecimento absorvidos durante um período e ela é fundamental para apontar quais as decisões com maior probabilidade de sucesso. E a inteligência financeira é algo muito além do que estar atento às informações e dicas de corretoras ou gurus do mercado financeiro. É realmente entender as forças que movem o mercado e compreender as consequências de suas ações.

Não existe almoço grátis. Fuja de qualquer anúncio do tipo “Enriqueça rapidamente”. Isso não existe dentro das probabilidades comuns. É como desejar entrar em forma física rapidamente, seja ultrapassando os limites do corpo ou drogando-se: você não permitirá as adaptações fisiológicas necessárias para as próximas etapas. E uma hora ou outra, voltará várias casas nesse tabuleiro.

Pense em longo prazo. Se deseja algo para curto prazo, procure um cassino ou uma loteria da Caixa.

4) Você precisa ter (ou desenvolver) uma mente racional e pensar matematicamente.


Para alcançar a inteligência e independência financeira é necessário possuir alguns conceitos matemáticos. Nem sempre complicado, mas fundamental.

Você não precisa ter sucesso em todas suas operações de mercado. Mas sim alcançar um resultado positivo em mais do que 50% de suas operações. Pode parecer pouco, mas a médio e longo prazo, isso faz toda a diferença. A prática mostrou-me que é muito difícil estar certo em mais do que 60% das vezes.

Saber avaliar probabilidades também é essencial. Uma alta probabilidade de ter um alto ganho é algo bem difícil de ocorrer. Em geral, opera-se altas probabilidades de ganhos menores e baixas probabilidades de ganhos maiores. E como seguro, ter poucos papéis onde é mais provável que você perca pouco e menos provável que você ganhe muito.

Por último, pense sempre no ganho líquido. Você nunca colocará no bolso o ganho bruto. Saiba calcular o desconto de impostos, taxas e corretagens.

5) Diversifique. Tenha uma carteira de investimentos com uma alocação correta de ativos


Não dê muita importância àquele pensamento atribuído a Warren Buffett  que a diversificação é para quem não sabe o que está fazendo. Afinal, nós não somos Warren Buffett.  Nós não temos informações privilegiadas. Mantenha uma carteira de investimentos com correlação negativa (com tendências de quedas e crescimentos opostas). Isso ajudará a você evitar grandes perdas no futuro.

Enfim, a conquista de algo sólido é construída passo a passo, em uma viagem lenta. E algumas vezes, é necessário inclusive voltar dois passos para possibilitar um posterior avanço. A construção da sabedoria está firmemente enraizada na ideia da estrada, isso é, passa por apreciarmos a viagem, e não o destino.

Viver o presente faz parte da construção do futuro. Equilíbrio é fundamental. E para quem segue esse blog há algum tempo, sabe quais são as melhores estratégias para realizar seus sonhos, sejam quais sejam.



Comentários

  1. Muito bom ...pena que não tive esse conhecimento anos atrás!!!!

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  2. André, eu acrescentaria um sexto: não ser levado por essa onda cada vez mais insana de consumo, pois isso fará mal para a sua felicidade e para as suas finanças. Está relacionado levemente com o item 1. Conheça-se, veja o que realmente de traz prazer (afinal não há nenhum mal em consumir) e foque os seus gastos para essas coisas.
    É muito mais fácil atingir a Independência Financeira precisando de 5 mil por mês para viver bem, do que ter uma vida que "necessite" 10 mil por mês.

    Abraço!

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    1. Concordo com a ideia Soul! De fato, acho que poderíamos considerá-la no primeiro item. A frase de Alice pode ser entendida como um objetivo. E dentro do seu objetivo, está incluído seu comportamento de consumo, cujo comércio vende a vergonha de não possuir algo e mantém as pessoas presas nesse círculo vicioso. Abraço!

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  3. André, ta tudo otimo, só quero saber uma coisa, se eu começar com os 50 real que tá sobrando, quanto tempo levo p ter minha liberdade? Abração!!!, e se demorar muito p me dar uma alternativa, vou gastar tudo em itaipava!

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    1. Putz, demorei Xandão... Me chama quando for gastar esse cinquentinha rs! Abração!

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  4. Gostei do artigo, sou totalmente novato em finanças, sem nenhum tostão para investir, qual livro você me recomendaria ?

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    1. Johnny, a literatura é vasta. Mas se vc está sem nenhum tostão, primeiro precisa incorporar o primeiro e mais importante insight: a importância de se pensar o futuro. Esse tipo de literatura eu li há muitos anos, e gostei muito, na época, do Pai Rico e Pai Pobre (o primeiro, original - esqueça os demais, fruto da especulação literária) e um livro que não está mais à venda: Seu futuro financeiro, de Louis Frankberg. Procure na net algo sobre a importância dos juros compostos na sua vida. Existem bons sites como o Dinheirama que possui um vasto material para dar esse primeiro passo.

      Abraço.

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