A batalha contra a hipocrisia em alguns momentos desse blog

As tentativas em combater o aumento da da hipocrisia e a evolução da ignorância em algumas postagens desse blog: Cuba, Estado, sindicatos, corrupção...

O combate à disseminação da hipocrisia e à ignorância nos debates resumidas em algumas postagens desse blog.


Hegel acreditava que o curso da história apresentaria uma evolução da razão, dentro de seu conceito da marcha do "espírito do mundo". Somos um autêntico produto de nossa época, mas muitas coisas que parecem evidentes para muitas pessoas não passarão pelo teste da história.  Assim sendo, acredito que, daqui a alguns anos, olhando para o retrovisor e analisando a época em que hoje vivemos no Brasil, concluiremos como existiram tantas certezas fundamentadas em bases tão débeis. Seja por falta de conhecimento, seja pela cega ideologia ou pela tão presente má-fé, essas certezas são propagadas aos quatro ventos como sendo verdades inabaláveis, influenciando pensamentos, atitudes e valores (Goebbels mostrou como usufruir vantagens desse recurso há quase 100 anos atrás). Contradições não impedem sua disseminação. Contradições são abrandadas pelo conceito de duplipensar, criado por Orwell, presentes hoje até em livros infantis.

Um dia desses fui apresentado por um deles que começava de forma cativante, com lindos desenhos, mostrando que as diferenças entre o alto e o baixo, o claro e o escuro e outras oposições são relativas, para fechar ao final  que o bom e o ruim também são conceitos relativos. Triste herança sofista. Isso torna fácil, por exemplo, defender o regime cubano e ao mesmo tempo a liberdade, uma viva amostra da hipocrisia. Todas as observações que podemos tirar do mundo, dos fatos, das pessoas e das atitudes que mostram a total contradição dessas certezas são ignoradas. O devaneio em defender boas causas mascara a razão perdida.

Ainda de Cuba, os críticos do capitalismo e da globalização reclamam do bloqueio americano. Mas não são eles que alegam que o imperialismo e a dependência econômica ianque foi determinante para a pobreza dos países da América Latina, colocando o abjeto livro de Galeano como uma de suas leituras de cabeceira*? Eles querem que Cuba caia nessa "arapuca" ou querem afinal os dólares americanos?

Insistem que temos democracia na Venezuela, onde um governo que se diz legitimado por uma pretensa maioria tem a liberdade para matar, torturar, impedir a liberdade de expressão e confiscar os imóveis das pessoas. Democracia que afronta direitos naturais?

Promovem o coletivismo como políticas de governo mas não assumem que os países mais ricos e com melhor qualidade de vida no mundo são os que proporcionam maiores liberdades individuais às pessoas. Praguejam a meritocracia e a produtividade, enaltecendo um igualitarismo que não pode existir sem afrontar à sua própria autonomia de decisão, demonstrando o tamanho de sua inversão moral e ética.

Confundem-se, correntemente, os reais alvos de protestos, como protestar contra as empresas de pedágio e poupar o governo na arrecadação do IPVA/CIDE. Roberto Campos, um dos últimos políticos brasileiros com ideias liberais nas últimas décadas comentou que, após o Plano Cruzado essa falta de foco disseminou no Brasil. Afinal, quem eram os vilões da inflação senão os malvados empresários? O principal responsável, o Estado, ainda se sai muito bem nessa atual arte e tal exercício é determinante para a manutenção de seu poder.

Reclamam ainda da pequenez de seus salários atribuindo-os à ganância dos patrões, mas engrossam a hipocrisia quando calam-se em protestar quanto ao confisco desse mesmo salário pelo governo, na forma de IR, FGTS, INSS e obrigações sindicais. Leões no discurso contra os empresários e cordeirinhos frente ao Estado.

Combatem o desarmamento da população, mesmo com claras estatísticas que mostram que tal ato aumenta a violência e é uma característica inerente aos países com maiores índices de assassinatos. Ainda, opõem-se e são hostis à corporação policial, ficando a favor da baderna, dos bandidos e de quebra, às nossas futuras liberdades. Defendem que assaltos são altamente influenciados pela desigualdade social, pobreza, ostentação e pelo capitalismo, mas ficam aterrorizados quando é divulgada uma pesquisa fajuta que aponta que muitas pessoas acreditam que determinadas situações influenciam o estupro. Ora, existem influências ou é culpa simplesmente do contraventor? Decidam-se! 

Colocam-se a favor da divisão da sociedade em castas, enaltecendo as diferenças de direitos e deveres de brancos, negros, grupos LGBTs, mulheres, índios (…) e não percebem que no fundo, apenas enaltecem uma divisão de seres humanos baseada apenas em características físicas e escolhas pessoais, sequestrando-nos o próprio conceito de humanidade?

Não percebem que o Estado nada produz e sobrevive apenas do roubo de nosso dinheiro conquistado através de nosso próprio trabalho gerando desperdícios absurdos e crescente poder. Sim, mais Estado significa mais poder, o combustível mais poderoso para a corrupção! Ora, não é óbvio entender que não há lógica em lutar por menos corrupção e por mais Estado? Ignorância ou hipocrisia?

Nesse exercício da apologia do bom mocismo, não estudam, não debatem, não ouvem opiniões divergentes, apelam sempre ao deturpado senso comum e permanecem indefinidamente em sua infância cultural. E considerando-se os paladinos da justiça, fazem com que cada vez mais, tenhamos nossas liberdades restritas para tornar realidade o seu próprio “ideal”. Mas como diria Fernando Pessoa,

“Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.

Ai de ti e de todos que levam a vida

A querer inventar a máquina de fazer felicidade!”


* Após a publicação dessa postagem, Eduardo Galeano fez comentários interessantes sobre seu livro na Bienal do Livro em Brasília, em 11/04/2014.



Comentários

  1. Magnífico André!! Aliás, como todas as suas análises...

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  2. Muito bom o artigo! Em alguns momentos da vida me vejo refém do sistema, talvez em virtude da minha própria hipocrisia!

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    1. Obrigado! "Ver-se" já é um enorme passo em meio à cegueira que nos encontramos...

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