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O ranking do coeficiente de Gini na distribuição de renda e pobreza

O coeficiente (índice) de Gini não avalia a qualidade de vida dos mais pobres: é apenas um indicador de distribuição de renda e desigualdade, não de pobreza.
Coeficiente de Gini e distribuição de renda: insuficientes para explicar a pobreza

O coeficiente de Gini (ou índice de Gini) de um país, não avalia a condição de pobreza da população. Ele é apenas um marcador da distribuição da renda entre a população.

Analisando alguns países no ranking do coeficiente de Gini, entretanto, pode demonstrar o que o pensamento racional já sabe: a distribuição ou a desigualdade de renda não pode ser associada com a pobreza.

Torna-se claro, assim, que o discurso em melhorar a desigualdade de renda não traz efeitos a quem, de fato, necessita.


Os últimos 15 anos em nosso país foram tomados por uma organização criminosa de esquerda e assolados pela sua corrupção e incompetência em produzir um país mais livre e consequentemente, melhor. Apesar de algumas vozes, antes defensoras daquele governo preferirem, na surdina, seu recolhimento, outras, ainda mais insanas, ainda propagam "conquistas sociais" nos últimos anos. Esse jogo na guerra política está muito em evidência ultimamente, e estratégias de calar sua liberdade de expressão ao defender de forma racional certos conceitos, são constantemente elaboradas.

Em seu desespero de encontrar boas notícias, principalmente em dados objetivos que meçam a eficiência e a eficácia da administração passada, um entusiasta progressista me apresenta, em um debate dentro de uma comunidade virtual*, um link onde o coeficiente de Gini do Brasil estava melhorando (apesar de estarmos discutindo crescimento econômico…) e assim, o Brasil estaria mais justo, com uma melhor distribuição de riqueza. Apesar de usar argumentos lógicos, foi impossível discutir com a pessoa, cega quanto à racionalidade dos fatos e apaixonada por um espectro político.

O IDH (índice de desenvolvimento humano) é outro coeficiente relacionado a uma expectativa de melhoria social entre as pessoas. Composto pela renda per capita (que justamente não considera sua distribuição entre a população), anos de frequência escolar (que ignora analfabetismo funcional) e expectativa de vida (que não pode ser tomada como qualidade de vida da população), ele é totalmente imperfeito, assim como o índice de Gini, para definir algum avanço social. Poderei escrever sobre o IDH em outro texto posteriormente.

O aspecto imoral da distribuição de renda


O conceito de distribuição de riqueza no progresso de um país é frequentemente associado a uma melhor condição social. Nesse texto, o coeficiente de Gini mostrará que essa associação não existe. É possível a existência de sociedades ricas com índices Gini "altos" (quanto maior, maior a desigualdade de renda) e sociedades pobres com baixos índices de Gini.

O debate sobre desigualdade de renda e pobreza pode ir muito além de meras análises estatísticas. Uma vez que governos socialistas pregam uma transferência cada vez maior da riqueza dos mais abastados para os mais pobres, o assunto pode ser  conduzido ao debate moral, como mostra um pequeno trecho de um artigo já escrito nesse blog:

(…) a imposição de uma igualdade de renda demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. (…) O que precisa estar garantido, é a igualdade de direitos entre todos os seres humanos, que deve estar acima de tudo e independe de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins. A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro (…)

Nessas ocasiões eu foquei o aspecto moral da redistribuição de renda. Mas o debate posterior, com o iluminado progressista sobre o coeficiente de Gini, lembrou-me que uma segunda forma de análise, mais pragmática, gera mais uma prova cabal de que uma melhora nesse indicador não leva necessariamente a uma sociedade mais justa.

O coeficiente de Gini e sua impossibilidade de demonstrar alguma justiça social


O coeficiente (índice) de Gini não avalia a qualidade de vida dos mais pobres: é apenas um indicador de distribuição de renda e desigualdade, não de pobreza.
O indicador de Gini é calculado através de uma razão de áreas do gráfico de Lorenzo, definindo uma expressão geométrica para demonstrar como a renda na população relaciona-se com o seu número em termos percentuais.

Assim, no eixo das abscissas, são dispostos os percentuais acumulados da população em ordem de renda crescente. Já no eixo das ordenadas, são colocadas as rendas, também em percentuais acumulados. A reta traçada a 45º mostra a situação de "igualdade perfeita", ou seja, os mesmos percentuais de pessoas possuiriam os mesmos percentuais de renda. A curva real está a uma certa distância dessa situação, e a aproximação de ambas mostra o quão de igualdade de renda existe no território considerado.

O coeficiente de Gini mede essa distância e varia de 0 a 1, sendo o "0" a situação de igualdade perfeita e "1" a total desigualdade de renda. O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais do coeficiente (multiplicado por 100). Existem várias tabelas desse ranking na Internet, mas na Wikipédia os dados parecem um pouco mais atuais. Tendo em mente que quanto menor o valor, melhor é a distribuição de renda, vejamos alguns dados interessantes:

País

Índice de Gini


Chile
EUA
50,5
46,1
Israel
Nova Zelândia
42,8
36,2
Itália
Austrália
Canadá
França
35,2
34,9
33,7
33,1
Reino Unido 32,6
Suiça 31,6
Paquistão 29,6
Iraque
Albânia
29,5
29,0
Afeganistão 27,8


Percebam que nessa seleção, os países que possuem maior coeficiente de Gini (e maior desigualdade de renda) são países bem mais ricos, onde as pessoas mais pobres vivem muito melhor. O Chile, por exemplo, em conjunto com o Uruguai, com o menor índice de pobreza na América Latina. Os demais países dispensam apresentação: na tabela acima estão ao menos 5 dos 10 países mais ricos do mundo.

Já com um índice de Gini menor, que mostra uma desigualdade de renda menos acentuada do que os países citados, estão algumas das mais pobres nações mundiais. Como isso seria possível?

É verdade que os dados foram selecionados, assim como também é notório que outros exemplos poderiam ser expostos mostrando uma situação inversa. Mas entenda o leitor que, o que espero demonstrar é que, qualquer índice estatístico, se aplicado na tabela completa, não mostrará relação entre uma melhor igualdade de renda, medida pelo coeficiente de Gini, com uma melhor condição de vida, mesmo das pessoas mais carentes. É impossível demonstrar isso matematicamente.

A (des)importância do coeficiente de Gini


Será que o índice de Gini ou a desigualdade de renda é, de fato, o indicador a ser perseguido? Ora, qual é a vantagem de uma pessoa pobre morar no Afeganistão e confortar-se com a situação em que todos são tão pobres como ele? Será que ele não preferiria morar no Canadá, na Austrália ou na Suíça em uma condição de vida infinitamente melhor, mesmo existindo muitas pessoas mais ricas?

Será, que no fundo, o que move as pessoas envolvidas com a esquerda política, com o progressismo e coletivismo a clamar por igualdade não é puramente a inveja? Sua preocupação não seria promover melhores condições de vida para as pessoas mais pobres e não procurar meios para imitar o sacana do Robin Hood?

Se você ainda admira esse personagem que fez parte de sua infância, eu sugiro reconsiderar seus pensamentos lendo o artigo: "A ética tacanha de Robin Hood".

A economia, na verdade, não é um jogo de soma zero, onde que, para alguns ganharem, outros devem perder. Na verdade, nosso padrão de vida possui uma relação íntima com as criações e descobertas realizadas por empreendedores visionários. E eles devem ser remunerador pelas suas realizações, para manter o círculo virtuoso.

Assim, é possível termos uma sociedade com bilionários (através de mérito, não de corrupção) e muitas pessoas, comparativamente a elas, pobres, mas com um padrão de vida muito superior aos pobres em eventuais bastiões da igualdade de renda. Os países outrora socialistas eram assim: uma distribuição qualitativa da pobreza. Exceto para os funcionários do Estado, entidade tão amada pelos vermelhinhos.

Enfim, o problema não é a desigualdade de renda, o problema é a pobreza em si! Ideais socialistas, defendidas por ampla maioria da população, apenas repartem de forma relativamente igualitária a pobreza, e nunca criam riquezas. Precisamos parar de debater desigualdades, e sim criar formas racionais para diminuir e exterminar a pobreza. Como? Isso é um assunto para outro artigo, mas o caminho correto é: menos Estado, impostos e para todos.


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* Esse texto foi escrito em 2014 e atualizado em Setembro de 2017, incluindo novos padrões e layouts do blog.

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Os artigos do blog listados como links nesse texto como referência, estão abaixo. Ainda vou revisar todos eles, um a um.



Veja mais arquivos sobre Liberdade Política nessa página.

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Comentários

  1. Respostas
    1. Estou achando ótimo esse seu Blog!
      Parabéns!

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  2. Sempre que ouço a expressão "Igualdade social", instantaneamente, uma indagação me perturba. Igualdade em riqueza ou pobreza?

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    1. Exatamente Paulo. O termo virou uma expressão para tudo que é bom e justo, mas é privado apenas aos paladinos do bem, como se julgam a maioria dos esquerdopatas. A experiência histórica nos mostra que todos os governos que clamaram por maior igualdade social, conseguiu igualar na verdade todos à pobreza. Exceto as classes políticas donas do poder e seu empresariado lobista.

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  3. Gustavo Gama23 fevereiro, 2016

    O Gini é mais um dos indicadores que ajudam a entender o nível de desenvolvimento de uma sociedade. Não me parece razoável acreditar que se ele não reflete uma situação perfeitamente bem (comparação entre os EUA e o Afeganistão por exemplo) deve ser descartado.

    Se você decidir descartar a desigualdade social na sua análise vai ignorar por exemplo o último relatório da Oxfam que reportou que 1% da população detem mais de 50% da riqueza (https://www.oxfam.org/en/research/economy-1) e que as 62 pessoas mais ricas detem a mesma quantidade de recursos que a metade mais pobre da população mundial (https://www.oxfam.org/en/pressroom/pressreleases/2016-01-18/62-people-own-same-half-world-reveals-oxfam-davos-report).

    Se você acredita que um modo de produção que cria uma desigualdade de condições materiais dessa magnitude pode produzir uma sociedade com direitos iguais para todos você só pode estar de zueira.

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    1. Gustavo, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

      Primeiro precisamos entender o que vc chama de desigualdade social. Se for "desigualdade de renda" (que é o que o coeficiente de Gini calcula), a postagem tem o intuito de mostrar que não existe uma correlação entre desigualdade de renda e pobreza. Simples assim.

      Assim, em minha análise não estou descartando nada de desigualdade social, e sim fazendo uma análise de um indicador de desigualdade de renda. Ponto.

      O relatório que vc citou é uma piada. Primeiro que coloca um mendigo, com um patrimônio positivo (mesmo que seja um real) em uma escala superior de riqueza com um empresário com passivo negativo em virtude de um empréstimo, por exemplo. Ou se preferir, uma família que acabou de comprar seu triplex através de um financiamento e que não tinha recursos para comprá-lo à vista.

      Segundo, que ignora que a maior parte da riqueza que é atribuída aos mais ricos provém de ativos de produção, que estão sendo utilizados para gerar riqueza para milhares e milhares de funcionários que ali trabalham. Ou seja, é uma riqueza compartilhada.

      Então, sua análise final fica comprometida, pois está baseada em tolices. O modo de produção que vivemos, apesar de não ser perfeito, é o modo de produção que tirou e continua tirando cada vez mais pessoas da miséria e da pobreza.

      Zueira é não estudar a história, não conhecer matemática básica e não possuir um minimo de bom senso para não perceber isso.

      E sobre "direitos", leia meu post duplo sobre John Locke. Vc acha fácil usando a busca no blog.

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    2. Gustavo Gama03 março, 2016

      Olá André, obrigado pela resposta !

      Primeira coisa, quero refazer minha última frase do meu último comentário.

      Se você acredita que um modo de produção que cria uma desigualdade de condições materiais dessa magnitude pode produzir uma sociedade com direitos iguais para todos você tem pressupostos diferentes do meu.

      Você não estava/está de zueira, nós apenas partimos de pressupostos diferentes.

      Sobre o Gini, eu entendi o seu ponto e concordo com você. Distribuição de renda não é sinônimo de pobreza. O meu ponto é: se você quiser perseguir um ideal de igualdade de direitos você vai precisar se preocupar com o Gini e a distribuição da riqueza (no final desse comentário fica mais claro o porquê).

      Sobre o relatório da Oxfam.

      No meu último comentário eu falei apenas sobre a parte do relatório que mede a distribuição da riqueza. Mas ele também faz uma medição da distrubuição da renda. Suas duas críticas se concentraram nos critérios usados para medir a distribuição de riqueza na população mundial. Posso considerar que você concorda com a metodologia do estudo sobre a renda ? Se sim, entre 1988 e 2011 temos alguns números que atestam uma concentração:

      O crescimento da renda mundial entre 1988 e 2011 foi de US$ 12 trilhoes. Desse total, 45,7% foi para os 10% mais ricos. Os 10% mais pobres ficaram com 0,6% desse montante. A tabela completa: https://www.oxfam.org/sites/www.oxfam.org/files/file_attachments/tb-economy-one-percent-methodology-180116-en.pdf

      Agora vamos falar das suas duas críticas aos critérios da distribuição da riqueza no relatório.

      A primeira diz respeito ao fato de o relatório da riqueza considerar créditos e débitos. Você acha que para calcular a riqueza de alguém não se deve levar em consideração suas dívidas ? Você acredita que no instante seguinte à assinatura do contrato de compra do triplex pela família o seu valor integral tem que ser contabilizado como riqueza deles ?

      Faz sentido para mim, pensar que conforme o pagamento do triplex for sendo feito a riqueza da família vai aumentando até que no ano da pesquisa em que eles completarem o pagamento do imóvel, é contabilizado o valor integral como riqueza deles.

      De toda forma esse questionamento seu não passou batido pela Oxfam, eles reconhecem a limitação de se ter um grupo de pessoas com riqueza negativa apenas por conta de um alto endividamento que muito provavelmente será pago. Então eles refizeram o cálculo da distriuição da riqueza desconsiderando riqueza negativa (pessoas endividadas). E sabe a qual número eles chegaram ? O 1% mais rico nesse caso fica com 49,8% da riqueza (antes ele ficava com 50% mais uns quebrados).

      Qual a metodologia de cálculo de riqueza que te satisfaria ? Você conhece algum estudo que a aplique para medir a distribuição da riqueza mundial. Se sim, compartilhe.

      Quanto a segunda crítica, o ativo de produção é contabiliazdo como riqueza do dono do ativo porque ele é o dono ativo. A riqueza do funcionário é aquela que é construída por ele com base no salário que lhe é pago pelo dono, e também é contabilizada no relatório de renda. Você acha que parte do valor do ativo de produção deveria ser contabilizado como riqueza dos funcionários ?

      Com certeza o capitalismo não é perfeito e com certeza ele não tem só imperfeições. Uma de suas qualidades é a criação de uma força produtiva sem precedentes na história. E certamente um modo de produção que manteve sua hegemonia por mais de três séculos deve ter qualidades que o mantiveram nessa posição. Concordo que o capitalismo tira pessoas da miséria, mas analisar só isso é pouco. É preciso saber também quantas pessoas ele mantém ou coloca lá.

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    3. Gustavo Gama03 março, 2016

      Eu li seus dois artigos sobre direito e acredito estar usando o termo num sentido bastante estrito (alinhado com o seu pensamento).

      Recapitulando e explicando melhor, os pressupostos são esses:

      * o modo de produção capitalista aumenta a desigualdade de riqueza e renda entre as pessoas ao longo do tempo.
      * quanto mais desigualdade de riqueza e renda houver entre as pessoas mais distante estaremos de um ideal de direitos iguais para todos. Não existe um mundo do direito a parte da realidade material. O grupo que tiver a hegemonia das riquezas vai manipular a política, o direito e todos os aspectos da sociedade que estiverem ao seu alcance para se manter hegemônicos e quanto maior a desigualdade de riquezas mais fácil é fazer essa manipulação.

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    4. Gustavo, vamos lá! Apesar de o tempo estar meio curto, vou tentar preencher todos os seus questionamentos.

      Acredito que a questão não seja de pressupostos diferentes. Você afirma que "o capitalismo cria grandes desigualdades materiais". Eu creio que o problema em si não é do capitalismo. E quais os nossos pressupostos? Eles deveriam ser os fatos, os dados, a história. Não achismos.

      Quando você faz tal afirmação e de fato acredita nisso, o debate precisa ser aprofundado. O que você chama de capitalismo? Quais são as alternativas? Se você considerar o capitalismo nascido na Revolução Industrial e comparar com a época imediatamente anterior, o que aconteceu com as desigualdades materiais no mundo ocidental? Melhorou ou piorou? Se você já estudou isso, marcará a primeira alternativa. Ora, como o capitalismo então cria desigualdades?

      Se você comparar o capitalismo com outros sistema de produção como o socialismo/comunismo, qual criou mais desigualdades materiais? Qual foi o sistema que foi rejeitado pela maioria da população do leste europeu? Como você compara as duas Coreias? Não estou sendo simplista, como alguns discursos de esquerda querem fazer as pessoas crerem, afirmando que o sistema comunista/socialista foi desvirtuado. Ao contrário, essas foram as alternativas ao capitalismo. E fracassaram.

      Claro que o capitalismo (que de novo, possui muitos nuances hoje - é totalmente ridículo comparar o capitalismo brasileiro do capitalismo de Hong Kong, por exemplo) possui seus defeitos. Não acho um sistema perfeito. Mas o erro é insistirmos na adição de elementos (que já foram incorporados no passado com um retumbante fracasso) para "melhorar" o capitalismo, como o aumento do Estado, o desrespeito à propriedade privada, o excesso de regulações, a priorização do foco na desigualdade ao invés de evitar a pobreza, enfim...

      Respondendo de forma mais direta às suas perguntas...

      Não ficou claro porque eu tenho que me preocupar com o Gini para perseguir uma igualdade de direitos. Lembro que foco nos meus artigos nos direitos naturais e ignoro privilégios, que muitas pessoas chamam de "direitos". Se você puder explicar, agradeço e respondo posteriormente.

      Sobre renda.

      Confesso que não tenho tempo para analisar se os dados da Oxfam foram coletados de forma correta. Mas repare que no próprio documento do Credit Suisse (http://publications.credit-suisse.com/tasks/render/file/index.cfm?fileid=C26E3824-E868-56E0-CCA04D4BB9B9ADD5 - página 5) o instituto afirma que para analisar o nível de riqueza de cada país, baseou-se em 48 países, sendo que desses, 31 não possuem dados da riqueza não financeira e informal (casas em favela, sem título de propriedade por exemplo, não são consideradas). Além disso, dados sobre padrões de distribuição de riqueza existem apenas em 31 países. Para os demais 135 países, ocorreu uma "extrapolação". É de fato incrível como tal relatório possa ter tido tanta repercussão.

      Continua abaixo pois passei do limite de caracteres.

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    5. Continuando - parte II

      De qualquer forma, vi rapidamente o link que passou. E aqui vão algumas considerações:

      1) Na primeira figura vemos a distribuição de renda por regiões. E veja que as regiões que possuem renda mais elevada (Europa e América do Norte) são os países considerados "mais capitalistas" do globo. E que as regiões com renda mais baixa são regiões (África e Índia) consideradas "menos capitalistas" (ditaduras africanas NÃO são capitalistas!). Ora, o que estamos comparando são países ricos de países pobres. Países com um grau mais elevado de progresso (em função da própria história ou de acertos econômicos e políticos) que os demais. Ou, se preferir: pessoas vivendo sob um maior grau de capitalismo vivem melhores do que pessoas vivendo sob um grau primitivo de capitalismo. Ou seja: em nenhum momento é possível afirmar que a responsabilidade dessa situação é do capitalismo em si. O buraco é muito mais embaixo. Seria muito interessante, contudo, um gráfico histórico (desde os anos 1800) sobre essa tal desigualdade de renda mundial para avaliarmos de fato, o sucesso do capitalismo como sistema econômico (se você analisar os gráficos históricos do livro de Piketty com outros olhos, fica mais fácil perceber o que eu digo). O período de 1988 para cá é muito pequeno historicamente para avaliação. Por que eles pegaram apenas essa período? Será que décadas anteriores não mostravam dados diferentes? Será que o aumento do Estado, que vem ocorrendo nas últimas décadas não é um dos fatores por trás dessa concentração de renda? Muito interessante seria recortar alguns países específicos, como a China nos últimos 40 anos. Como será que ela se sairia com suas soluções "capitalistas" e de maior liberdade de mercado?

      2) Novamente, insisto no "recorte" cronológico feito. Veja a Tabela 2. Conclusões sob a efetividade de um sistema econômico de mais de 200 anos são baseadas num período de 15 anos. Faça um exercício: Imagine que você esteja em 2010 e analise os dados dos últimos 10 anos. O percentual da riqueza dos bilionários era de 80,3% do estrato dos 50% mais pobres e em 2010 esse valor caiu para 43,08%!!! Ora, não tivemos capitalismo na década de 2000? Como isso se explica? Se esse relatório tivesse saído em 2010, você iria chegar à conclusão que o capitalismo está sendo bons para os pobres? Novamente, a falta de perspectiva histórica na análise desses dados é medonha...

      Continua abaixo, pelo mesmo motivo.

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    6. Continuando - Parte III e final

      Sobre créditos e débitos.

      O fato de não considerá-los já torna inerente o erro da metodologia. O que o relatório diz é que não "enxergou" mudanças significativas na tendência caso esses sejam considerados ou não. Mas isso não afeta uma conclusão baseada em dados irreais. Ora, comparar dados anuais com uma metodologia errada vai fazer com que a ausência de uma metodologia correta não afete as conclusões? Não vejo sentido. Lembre do meu comentário acima da inexistência da mensuração da riqueza informal. Lembre-se também da riqueza implícita dos cidadãos que hoje estão nas mãos do Estado, como o INSS e o FGTS. Isso foi medido? Como tenho falado, o método que foi usado é sofrível. Impossível concluir algo com isso. Reconheço que tal medida de distribuição de renda é muito difícil de ser feita. Por isso que não pretendo possuir a iluminação de chegar a conclusões erradas partindo de parcos dados.

      Sobre ativos de produção.

      Nem me passou pela cabeça colocá-los como parte da riqueza dos funcionários. O ponto aqui é mostrar que está errado demonizar a riqueza dos mais ricos. Grande parte dela é usada para gerar riqueza para bilhões de pessoas. Pessoas que demonizam os mais ricos clamam por uma intervenção estatal nas empresas, nas propriedades dos "capitalistas". Aconteceu nos últimos anos no nosso vizinho do norte, a Venezuela. E o que aconteceu? Vamos aprender com a história? Vamos atacar os pontos corretos (que o mal é o Estado e seus asseclas, e não os capitalistas)?

      Acredito que esteja respondendo seu segundo comentário também. Mas para reforçar, deixe que eu esclareça o que entendo por capitalismo e o que não entendo por capitalismo. E isso tem uma diferença gritante quando você fala da elite ("grupo que tiver a hegemonia das riquezas").

      O capitalismo ideal é o liberalismo, entendido aqui como um sistema onde a interferência do Estado é mínima, onde ocorrem livres trocas entre as pessoas e onde o sistema jurídico é respeitado. Aqui os direitos naturais são garantidos.

      O capitalismo hoje está impregnado de Estado. Seria um capitalismo-socialista. Esse sistema tem um potencial absurdo de injustiças, uma vez que as pessoas que de fato, produzem, sustentam uma burocracia parasitária. E é aqui que as elites possuem um altíssimo potencial de dominação. Como era na antiga União Soviética e ainda muito presente na Rússia. Como ainda é em Cuba e Coreia do Norte. China vem liberalizando economicamente seu mercado nas últimas décadas e veja o que aconteceu. Agora a Índia, convivendo com um sistema socialista que perdurou desde a independência britânica, tenta caminhar da mesma forma. O capitalismo verdadeiro liberta, meu caro.

      Abraço.

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