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Os roubos no seu salário (1) - O FGTS e o confisco do seu dinheiro

Como o FGTS é roubado de seu salário através de seus parcos rendimentos, sustentando os burocratas do governo.
FGTS: poupança é o que ele não é

Veja uma simulação de como ocorre o roubo do FGTS de seu salário, usado para sustentar os burocratas do Estado.


Suponha que a empresa que paga seu salário ofereça a você o seguinte acordo: “veja, eu vou reter parte do seu salário que ficará guardado em uma conta especial. Você só poderá usar esse dinheiro se a empresa o demitir ou em outras condições muito especiais. Mas olha, nós não vamos lhe entregar o seu dinheiro corrigido pela inflação, muito menos com juros. Na verdade, quando você o receber, ele valerá muito menos do que valeria se você o tivesse investido por si próprio”.

Você toparia?

Todos os assalariados já vivem obrigatoriamente esse acordo. É o que acontece com parte do seu salário que vai para o FGTS. O ponto de destaque aqui é a aceitação dos brasileiros com essa infame situação. São conformados em receber seu dinheiro desvalorizado no futuro e nunca demandam ao Estado a abolição do FGTS.

É mais um dos casos do que se vê e do que não se vê, pensamento criado por Frédéric Bastiat há mais de 150 anos. Aqui os leitores que se interessarem podem ler uma síntese de suas ideias, enquanto aqui está o texto integral.

A ideia de que a abolição desse benefício levaria aos patrões a não incorporarem o percentual de 8% no salário dos funcionários está arraigada no senso comum, e faz com que as pessoas aceitem passivamente essa exploração governamental. Não há lógica nesse pensamento. O custo que o empregador tem com um funcionário já lhe é sabido desde o começo, e inclui não só seu salário, mas sim de todos os seus encargos, incluindo o valor de 8% da alíquota do FGTS que é obrigado a depositar ao governo.

Uma vez que esse depósito já está embutido no cálculo do retorno financeiro do empregador, quem na verdade paga o FGTS não é este último, mas sim o empregado, pois todas as despesas já estão incluídas na avaliação do retorno da produtividade que o mesmo proporciona para a empresa. Assim, para o empregador nada mudaria se ele pagasse esses 8% diretamente ao funcionário ou ao governo. Essa ideia de proteção governamental é na verdade um embuste que cega a maioria das pessoas.

O aspecto ético e moral desse roubo também é fator importantíssimo de consideração. O Estado embute uma ideia na mente das pessoas de que ele as está protegendo e “disponibilizando” um prêmio compulsório em momentos difíceis como uma demissão ou momentos felizes como a compra de um novo imóvel.

Mas o que não se vê é justamente que ele tomou esse dinheiro mensalmente dos salários dessas mesmas pessoas. Ou seja, o Estado as qualifica continuamente de incompetentes por duvidar de sua capacidade de cuidar do que é naturalmente delas. Muitas aceitam. Muitas não querem responsabilidades de realizar um simples depósito mês a mês para formar uma reserva no futuro. Mas nessa renúncia, não imaginam o quanto transferem de dinheiro de seus próprios bolsos para o governo.


FGTS é seu dinheiro roubado. Veja os números.


O governo utiliza esse dinheiro roubado dos assalariados para a realização de empréstimos no setor imobiliário, e auferiu nessas operações um lucro de 938% em 11 anos, enquanto o retorno para os “donos” reais do dinheiro foi de 69%, conforme pode ser visto aqui. Enquanto isso, a inflação no mesmo período pelo INPC foi de 103%.

Assim, o assalariado perde muito dinheiro com o FGTS, auferindo rendimentos inferiores à inflação, enquanto o Estado lucra horrores com esse dinheiro em empréstimos a terceiros (muitas vezes destinados ao próprio assalariado – a típica situação de quem usa o seu desvalorizado FGTS para dar a entrada em um imóvel contraindo um financiamento com juros muito maiores do que recebeu na remuneração do seu próprio dinheiro, cujo governo confiscou).

Pensa em comprar um imóvel? Sugiro ler esse artigo antes: Alugar ou comprar um imóvel: minha experiência, opinião e bobagens diversas.

Utilizando os últimos 5 anos (2009 a 2013) como comparação, a inflação (IPCA) alcançou 30,04%, enquanto o rendimento da poupança ficou em 39,1% (Fonte: Cálculo Exato) e o rendimento do FGTS, calculado pela taxa de 3%+TR ficou em 19,44% (Fonte: Portal Brasil). Ou seja, o rendimento do FGTS corresponde à metade da poupança.

Fazendo um simples exercício financeiro, atribuindo-se para facilitação de cálculo um rendimento anual de 3% para o FGTS, uma pessoa que ganha R$2.000,00 por 35 anos terá na sua aposentadoria, como saldo no FGTS, um valor de R$105.154,00. Parece bom, mas quando comparamos com a situação em separar voluntariamente esse dinheiro e aplicar numa caderneta de poupança (6% ao ano), essa mesma pessoa teria um saldo de R$221.748,00.

Na aposentadoria o trabalhador não recebe a tal multa rescisória, e o valor resultante da aplicação na poupança é mais do que o dobro do montante depositado obrigatoriamente no FGTS. E percebam que considero um investimento conservador como a poupança, cuja baixa rentabilidade é bem conhecida. Se o funcionário decidisse aplicar no Tesouro Direto, poderia ter o dobro do valor da poupança. No momento que escrevo, os títulos de renda fixa do governo estão pagando de 12 a 13% ao ano.

Agora, mesmo se considerarmos a situação de recebimento da multa rescisória de 40% ao saldo (cujo valor atingiria R$147.215,00), repare que nem assim há a compensação para esse descalabro: o empregado SEMPRE vai receber muito menos do que poderia com o FGTS, com multa ou sem multa, enquanto o governo lucra absurdamente com seu dinheiro.

E aqui não estamos considerando o que não se vê de fato: essa multa de 40% que o empregador “paga” já está incluída em suas provisões contábeis. Isso é, se ele não tivesse essa despesa, o salário do empregado seria ainda maior, e o montante que poderia separar para a poupança seria ainda mais generoso.

O que faz toda essa massa de trabalhadores não se revoltar contra esse roubo governamental? 

Os assalariados, aceitando que políticos e burocratas iluminados podem dar um destino ao seu dinheiro melhor do que eles próprios acabam enfim, legitimando esse contrassenso. Parece cômodo aceitar a justificativa do governo de que ele está fazendo uma poupança compulsória para momentos difíceis e fechar os olhos para os altos ganhos que obtém com o dinheiro alheio.

Mas mesmo que o governo seja bonzinho e acreditássemos na primeira hipótese, como aceitar que o Estado lhe devolva correções menores do que a inflação? Mesmo com a mídia expondo atualmente os milhares de recursos na justiça contra os baixos rendimentos do fundo, como entender que as pessoas insistem que devemos simplesmente exigir que o governo cuide bem de nosso dinheiro e não resistir veementemente que ele o tome da gente?

E mesmo que o governo um dia venha a corrigir o FGTS (o que não acredito) pela inflação, como aceitar o rótulo de incompetência própria em gerir seu próprio dinheiro? Como aceitar a falta de liberdade de usá-lo da forma que desejar e quando quiser?

Será que ao invés de protestar contra passagens de ônibus, contra discriminações que não existem (rolezinhos?), não seria melhor organizar um protesto organizado para a extinção do FGTS, que drena muito mais recursos do trabalhador? Mistérios dos modelos mentais existentes no mundo atual… Que faxina interna precisamos!

Veja aqui as próximas postagens relacionadas aos roubos de seu salário:

Os roubos no seu salário (2) - O INSS e a falência do sistema
Para ler mais sobre Liberdade, veja esse link.



10 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado Azul. O intuito é tentar mostrar que existe um outro lado que sempre é negligenciado na formação de conceitos.

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  2. Tenho uma dúvida com relação ao Fgts. Eu sou funcionário público de uma prefeitura, sou concursado, a prefeitura tem o regime de providência própria. Nunca vi no meu contra cheque o desconto de 8 por cento do FGTS. A MINHA PERGUNTA é: as prefeituras também descontam esses 8 por cento do FGTS em nossos salários? Ela tem que demonstrar esse desconto no meu contra cheque? Nunca tinha me dado conta desse desconto
    Obrigado

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    1. Acildo, o valor do FGTS referente ao seu salário é enviado pela empresa (no caso a Prefeitura) para a CEF. Ele não aparece no seu contra-cheque. Mas ela deixa de pagar a você para colocar na CEF. E lá ele vai render muito menos do que renderia se você o aplicasse na poupança.

      Espero que tenha ficado claro.

      Obrigado pelo comentário.

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  3. Se o regime de contratação dele for estatutário ele não terá FGTS como informado.

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  4. E digo mais. Acredito sinceramente que grande parte da população brasileira não teria capacidade de gerir melhor os recursos do FGTS. Acho que a remuneração não esta correta, mas pelo menos muita gente consegue ou dar entrada com esta reserva em um imóvel ou amortiza-lo.(meu caso)..Pode ter certeza que o déficit habitacional seria muito maior se não houvesse o FGTS (pensando na coletividade e não só em mim).

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  5. E mais. Achei muito boa sua publicação, muito bem escrita e embasada.

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    1. Sim. Djha, eu me pautei pela imensa maioria dos trabalhadores. Estatutários têm regras próprias que dependem do empregador. Já o regime CLT é o amplamente utilizado.

      Sua segunda observação pode ser verdadeira, mas em curto prazo. A ideia aqui é promover a competência das pessoas através de sua liberdade. É um processo. Em uma geração, por exemplo, pode - e deve, ocorrer o que vc menciona. Mas depois dela, as pessoas que surgirem nessa liberdade terão mais conhecimento e liberdade de tomar suas próprias decisões.

      Obrigado pela crítica!

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    2. Não foi uma crítica, apenas compartilhei contigo meu modo de pensar. Nao acho que estou correta, longe disso - respeito a tua opniao e mais que isto, sou fa~ dos teus artigos - não perco um. Estamos na mesma comunidade do g+.

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    3. Crítica no bom sentido, construtiva! As próximas serão muito bem vindas! :)

      Obrigado pelas leituras!

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