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A poupança e o investimento asfixiados pela carga tributária (e bônus)

A acumulação de capital, via poupança, é essencial para os investimentos em bens de capital e ao progresso da sociedade, mas sufocada pela carga tributária.

A acumulação de capital, via poupança, é essencial para os investimentos de bens de capital e ao progresso da sociedade e é constantemente sufocada pela sanha arrecadatória do Estado.


Os três artigos anteriores mostraram exemplos da enorme e constante transferência de riqueza de uma parte da sociedade para outra. Em geral, da parte que trabalha e produz, para a parte que vive de ditar regras para a primeira. Mesmo sem produzir, este setor improdutivo arrecada fortunas que são desviadas, mal geridas e devolve apenas alguns trocados para o setor produtivo, alimentando assim a fraude intelectual da necessidade de dependência do Estado. 

Como comentei na postagem “A diferença básica entre liberais e estatistas”, esses últimos eternizam uma esperança que não chega e perpetuam a dependência na medida exata para sua manutenção no poder. E nesse discurso, angariam grande apoio da população.

O ponto fundamental nessa estrutura reside na transferência de riqueza para o governo, que por sua vez diminui a poupança interna e prejudica os investimentos que poderiam ser realizados pelas pessoas. Já citei na postagem “4 formas de ganhar dinheiro”, expondo as ideias de Milton Friedman, que o governo é um péssimo agente como investidor, uma vez que ele gasta um dinheiro que não é dele, com terceiros. Não há incentivo para a eficiência e produtividade, situação agravada enormemente com a corrupção inerente dos burocratas.

A contra-argumentação econômica na eficácia dessa estrutura repousa na ideia de que se mais recursos ficarem nas mãos das pessoas, naturalmente teremos uma maior poupança e investimentos em bens de capital. O que é um bem de capital? São quaisquer ferramentas que auxiliarão a produtividade de um trabalho. Podemos produzir bens de capital para serem vendidos (criando empresas) ou comprar um bem de capital usando-o diretamente em nossa atividade. No primeiro caso, quanto mais livre é o mercado, mais empresas estarão concorrendo pela venda de seu produto, ou seja, aliando baixo custo com qualidade, beneficiando o consumidor. No segundo caso, a pessoa estará sendo mais eficiente em sua atividade, aumentando sua produtividade ou prazer pessoal. Repare que em ambos os casos, o investidor estará usando o seu dinheiro consigo próprio e estará assim alocando-o da forma mais eficiente possível, pois tem a motivação do lucro. Como também dizia Mises, os recursos aplicados naturalmente pelas pessoas, – e não por um planejamento central, resultarão em uma melhor eficiência e eficácia na sua alocação.

E esse ciclo virtuoso só é possível quando temos disponibilidade de capital (poupança) para investimento, que é a condição primária para a produção e a existência de bens de capital. Nossa sociedade, estimulada e saqueada pelo Estado, infelizmente é uma sociedade de consumo, não de poupança. O investimento não é estimulado, nem economicamente nem moralmente. A iniciativa de um indivíduo em acumular um montante, abrir uma empresa e contratar funcionários para a produção, normalmente é rotulada como um ato de desejo de exploração capitalista, e toda a estrutura arrecadatória do Estado parte para cima dele. A acumulação de capital que gera o investimento, ao invés de ser incentivada, é punida. A inveja impera e é recompensada entre as pessoas incapazes. Bonito mesmo nesse país é viver de assistencialismo. Ou de burocracia, como os sindicalistas. Ou ainda viver de vento ou de manifestações, como a geração nem-nem.

Assim, tributar o capital, uma vez que prejudica a poupança interna, o investimento e a produção de bens de capital que beneficiam a todos, é desestimular o desenvolvimento de toda a sociedade. Tributar o capital e redistribuí-lo significa tirar oportunidades de investimento e direcioná-lo para o consumo. Ah, mas você clama para uma maior igualdade de renda entre as pessoas? Será o tema do próximo artigo…

Os artigos citados no primeiro parágrafo do texto são:

Os roubos no seu salário (2) - O INSS e a falência do sistema
Os roubos no seu salário (3) - Sindicatos e associações de classe


Bônus: um diálogo para entender a imoralidade das críticas aos empresários, visto há tempos atrás aqui.


“- Ah, Arake. Do jeito que você está pintando o quadro, parece que os empresários são bonzinhos e querem o bem de todos, mas TODO MUNDO SABE que o que eles querem é DINHEIRO!

Ah, tá. E você não?

- Como assim?

Você vive sem dinheiro?

- É, mas eu TRABALHO por ele! É fruto do meu próprio esforço. Esses empresários EXPLORAM seus funcionários e clientes pra encher a burra de dinheiro sem nenhum esforço.

Ah… então por que VOCÊ não faz isso?

- Faço o que?

Abre uma empresa, ué! Junte uma grana, abra uma empresa, trate bem seus funcionários e cuide bem de seus clientes! Pensa que legal! Numa talagada só, você: a) gera valor pra sociedade fornecendo um produto/serviço de qualidade; b) contribuirá para gerar uma cultura de respeito aos clientes, que não serão explorados pelos “vis empresários”; e c) criará novos postos de emprego com bons salários, o que ajudará a reduzir a disparidade de renda que assola o País! Quer ajuda???

- Anh… er…

O que foi?

- Não tenho muito jeito pra isso…. além do que é arriscado demais.

Ué, risco do que?

- Ah, vai que não dá certo. Vai que não dá clientes. Vai que a economia muda. Vai que demora pra dar retorno. Vai que…

Hmmm…

- Além do que, eu não conheço ninguém de confiança pra administrar a empresa pra mim. Então sabe Deus se terei folga, feriado ou mesmo férias…

Hmmm…

- Fora que manter uma empresa aberta é uma burocracia sem fim. As leis são muito confusas e tem muito imposto!

Hmmm…


- E ainda tem o investimento inicial e capital de giro pra manter esse troço aberto… não, isso não é pra mim (…)"


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