Liberdades restritas através das intenções e práticas do Estado

Exemplos da redução gradual de nossas liberdades, restritas e impostas pelo estado em sua tática da tomada total do poder pela Revolução Gramsciana.

Contradições e incoerências

Como estar ciente de que sua liberdade não está sendo tolhida nesse ambiente cada vez mais inóspito em nosso Estado babá?

Como pensar diferente da ditadura da maioria?



A história se repete. Mudam-se apenas as máscaras, os filtros. Nos anos de ascensão nazista, Martin Niemöller, pastor luterano alemão perseguido pelo Estado, escreveu:
"Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar."
Mais tarde, Eduardo Alves da Costa, escritor e poeta fluminense, na luta contra o Estado militar brasileiro, generalizou:
"[...] Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. [...]"
Apesar de ambos possuírem tendências de esquerda, seus escritos continuam atuais para antagonizar o próprio Estado progressista, de esquerda, travestido com a roupagem da democracia que ocorre em alguns países latino-americanos. Suas frases, talvez não intencionalmente, refletem a gradual perda de liberdade e ocultam o real objetivo da Revolução Cultural Gramsciana que se amalgamou na nossa sociedade desde a década de 70 do século passado, iniciando-se no meio universitário.

Como um sapo na água fervente, como os sujeitos dos poemas acima, vamos aos poucos aceitando isso, aceitando aquilo, e quando tentarmos gritar por liberdade, já será tarde demais. O Estado já terá tomado conta de nossas ações, nossos desejos, nossas livres escolhas.

É tentador imaginarmos que temos uma entidade que cuida da gente. Que nos mostra as regras. Que nos cobre as taxas. Que nos apresenta o caminho da correção. Embora esse caminho, para os atentos, assemelha-se cada vez mais ao caminho da servidão.

E assim como a maioria dos personagens de Admirável Mundo Novo, que satisfazem-se plenamente com as drogas que nos impede de percebermos o mundo real, como Cypher, de Matrix, que preferia a benção da ignorância á realidade, nossa maioria também dá um "viva" à democracia coletivista.

Exemplos da redução gradual de nossas liberdades, restritas e impostas pelo estado em sua tática da tomada total do poder pela Revolução Gramsciana.
A relação com o estado tem um quê de amor bandido, como essa foto no blog de Marcos Campos

A lista de liberdades restritas, restringidas pelo Estado babá é extensa...


Se sou um jovem saudável, já não posso escolher um Plano de Saúde que cubra apenas acidentes, pois as empresas são obrigadas pelo Estado a cobrir mil coisas cuja probabilidade de eu utilizar é mínima. Como não posso pagar mais de cinco vezes do que pretendia, fico sem um seguro de emergência e se acontecer algo, caio no SUS. Não tenho essa liberdade de escolha.

Se sou um solitário aposentado, analfabeto, mas quero trabalhar para complementar minha aposentadoria, fazer um círculo de amigos e aceito receber R$ 800,00 pelo meu trabalho não especializado de, digamos, empacotador no supermercado, a empresa não pode me contratar. O Estado exige um salário-mínimo de R$ 937,00, alto para minha baixa qualificação, uma vez que os encargos pagos ao mesmo Estado pelo empregador, são absurdos. Fico então, desempregado, sozinho e com menos dinheiro na minha casa. Não tenho essa liberdade de escolha.

Se eu trabalho por um tempo, e poupo para fazer uma viagem à Disney, enfrentando aumentos de IOF e altas taxas de passaporte impostas pelo Estado, eu não posso comprar, sem impostos absurdos, produtos que lá fora custam até 5 vezes menos, uma vez que não sou rico e não tenho dinheiro para comprar esses produtos no Brasil. Não tenho essa liberdade de escolha.

Se eu tenho um capital, e quero comprar um ônibus novo e contratar 3 motoristas para atender uma linha carente de transporte público na minha cidade (ou concorrer em uma linha com preço mais baixo), eu não posso, pois a licitação que a empresa ganhou é exclusiva e o Estado não permite. Bom para os amigos do rei. Não tenho essa liberdade de escolha.

Se eu me graduei com boas notas, e quiser trabalhar na minha área sem pagar a mensalidade da associação de classe da minha profissão, eu não posso, pois o Estado legitima a obrigação do pagamento. Isso vale também para os trabalhadores que pagam obrigatoriamente seus sindicatos (1). Não tenho essa liberdade de escolha.

Se sou analista financeiro de um banco, mesmo privado, não posso manifestar-me contra a política econômica do governo e alertar os clientes para possíveis perdas financeiras, uma vez que posso ser demitido sem direito e defesa, para que os banqueiros mantenham seu status quo e interesses junto ao governo. O governo não admite a expressão de opiniões divergentes. E assim, não tenho essa liberdade de escolha.

E essa lista de liberdades restritas, ou liberdades negativas pelo conceito de Isaiah Berlin, ações sem coerção que não interferem em nenhum direito de outrem, pode ser ampliada com muitos outros exemplos, alongando demais o texto.

Muito pode ser comentado sobre a situação dos empresários, como a tirinha que ilustra o início da postagem. Muito pode ser citado a respeito do direito às verdadeiras informações e intenções dos governos, que nos são ocultadas.

Toda essa condição foi aprofundada pela esquerda política no Brasil, Cuba, Argentina e Venezuela (2). Até o governo cubano, na sua imensa cara de pau, tenta varrer a sujeira embaixo do tapete, assumindo todas as besteiras que fizeram. Argentina e Brasil, embora com ainda graves problemas tentam agora sair do atoleiro com novos governos.

Mas e a Venezuela hein? Onde a esquerda ainda tem o poder? Nem a liberdade para protestos existe mais. Cadê os caras de pau que defendiam esse governo há poucos anos?  Cadê os fanboys do Safatle, Sakamoto, Fernando Moraes? Cadê os assinantes e compartilhadores das matérias da Carta Capital, Carta Maior, Brasil247, Pragmatismo Político?

Silêncio...



Veja também:

(1) Os roubos do seu salário: a máfia dos sindicatos e associações de classe
(2) Esse ano vote no PT e conquiste uma Venezuela só para você

Link para mais pensamentos sobre Liberdade e Estado.

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Comentários

  1. Como sempre, seus textos são ótimos (me sinto suspeita por falar, mas sabe o quanto sou crítica tbm), porém, surge um questionamento: a liberdade real, e total, é possível? Sabemos que no nosso país e em outros, como citados, não. Mas essa tão sonhada liberdade total, não seria uma certa utopia?

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    1. ;)

      Um primeiro ponto é não confundir liberdade com libertinagem. São coisas diferentes. Mas se vc pensa em uma liberdade individual, mas com respeito às liberdades e direitos dos outros, por que não seria possível? O que impediria?

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    2. Você já ouviu falar em Anarquismo, estado de natureza, guerra de todos contra todos? Um país sem Estado implica em se estabelecer um estado de anarquia absoluta e a prevalência da lei do mais forte. Se a vaca tem carrapatos devemos exterminar os carrapatos, não a vaca. Devo esclarecer que sou capitalista tradicional, ortodoxo e anticomunista. E este discurso neo-liberal de extinção do Estado em muito se assemelha ao Comunismo que transforma o Estado em Feudo.
      Cada país precisa ter leis adequadas ao seu povo. As leis brasileiras não seriam adequadas para o Japão e vice versa. Da mesma forma, seria um pesadelo imaginar um sistema político sem Estado, onde cada um faz suas leis para um povo como o brasileiro. Somos um povo bárbaro, selvagem. Uma terra onde tudo se resolve pelos extremos, extremo da violência ou extremo da submissão em todas as classes sociais. Temos que pensar em um Brasil bom para os brasileiros e segundo nossa ótica e não segundo filosofias importadas da Europa.

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    3. Boby, eu não sou anarquista. Em nenhum momento eu defendi isso no texto. Associar anarquismo ao conceito de neo-liberal também não está correto. Concordo com você que o Estado é necessário em algumas áreas, principalmente como mantenedor da ordem, seja jurídica (assegurar cumprimento de contratos) e de segurança (internamente e externamente).

      Para entender como seria esse arranjo, sugiro assistir a série de vídeos de Milton Friedmann, cujo link eu disponibilizei nesse artigo: http://www.viagemlenta.com/2014/01/4-formas-de-gastar-dinheiro.html.

      Obrigado pelo comentário! Abraço!

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    4. Me perdoem por qualquer cegueira. Mas não vejo o estado cumprindo nenhuma das funções descritas acima. Ao invés disso temos políticas econômicas fracas, corrupção aberta (Podemos chamar de crime organizado) e somado a isto tudo uma consolidada incompetência que sempre é escondida para que nos faça pensar que está tudo bem. A questão não é ausência do estado como solução e sim dos governos fraudulentos, hipócritas e irrelevantes. Talvez para animais a chibata seja a única forma de aprender mas nem todos são integrantes da tal selva. Quem aprende a baixar a cabeça para tudo jamais olhará para o horizonte.

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    5. De fato não cumpre, Paulo. Por isso que insisto que o papel do Estado tem de ser o mínimo possível, nas áreas que citei acima. Não creio em um governo que não seja fraudulento. O poder corrompe e é ele quem precisamos eliminar do sistema, como escrevi em outros textos.

      Muitas pessoas pensam em uma sociedade sem Estado nenhum. É uma ideia tentadora, mas eu vejo algumas dificuldades, principalmente nos dois aspectos que comentei. É uma escolha do mal menor. Mas isso ainda está muito distante do modelo mental das pessoas. Infelizmente, moramos na mesma selva. Já ouviu falar que a democracia é um tipo de "ditadura" da maioria hehe? Obrigado por comentar! Abraço!

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    6. Exatamente André, esta é a ótica. Anarquia destoa completamente do sentido do texto nem sequer está embutido como mensagem subliminar (rsrs). É impressionante como algumas pessoas aprendem a mudar bruscamente o sentido de um texto tal como o nosso atual governo o faz com bastante sucesso diante de cidadãos mais desprovidos de "curiosidade".

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    7. Esse "sucesso" eles podem comemorar hehe.

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  2. Muito bom ! Vivemos isso o tempo todo ! Uma nação de cordeiros...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Nosso direito de escolha está sendo cerceado aos poucos. Onde estão as leis inteligentes,conscientes,que visam o progresso e a prosperidade sem podar a capacidade de cada cidadão contribuir com algo realmente edificante? No Brasil só leis absurdas são aprovadas. Ótimo texto,amigo. Disse tudo,não podemos confundir liberdade com libertinagem. A liberdade sem disciplina torna-se uma prisão. A grosso modo,vivemos numa prisão sem muros. O Estado (contaminado pelo comunismo velado) esforça-se por anular as boas iniciativas,as leis que melhorariam a condição sociocultural do país. Só leis absurdas são aprovadas,e quando uma escapa do crivo dos donos do poder,esta é arruinada por emendas parlamentares até se tornar uma sombra do que era no início. Lamentável.

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    2. Obrigado! Quanto às leis, precisamos apenas tomar cuidado em relação ao pensamento das leis. Existe um livro curto, de Bastiat (A Lei), que resume bem a ideia de que a lei sempre pode ser usada como instrumento de espoliação.

      As leis deveriam existir apenas para garantir os direitos fundamentais do indivíduo, com algumas muito pequenas exceções. Um ponto que me marcou no livro é que as leis não devem ser feitas para a justiça reinar, mas sim para a injustiça não reinar.

      Abraço.

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