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Dias 134 a 137 da viagem: Nha Trang, balneário "russo" do litoral do Vietnã

Relato de viagem à Nha Trang, no litoral do Vietnã, a grande presença russa, belas praias e uma aurora boreal?
Nascer do sol ao norte da cidade de Nha Trang

Relato de viagem à Nha Trang, no litoral do Vietnã, a grande presença russa, belas praias e uma aurora boreal?


A chegada na cidade a partir de Hoi An ocorreu durante o nascer do sol, antes das 6 horas da manhã, e percebemos in loco a diferente rotina de horário que os vietnamitas possuem em relação a nossa cultura ocidental. Eles acordam muito cedo e dormem bem cedo também. A praia é muito cheia no horário das 5 e meia da manhã até às 8:00hs, e volta a encher novamente após às 17:00hs. Fogem do sol, indubitavelmente. Quando acrescentamos o fato de que muitos se mumificam no dia a dia, usando máscaras no rosto e roupas compridas mesmo embaixo do sol, percebemos que existe talvez algo mais além do que simplesmente uma manutenção da saúde da pele.

Ouvi comentários (posteriormente confirmados) que aqui, assim como nos países mais a leste da Ásia, beleza significa pele clara, além de traduzir uma posição social melhor, em oposição às pessoas de pele mais escura que necessitam trabalhar dia a dia no sol. Totalmente diferente da cultura ocidental, onde um bom bronzeado é o desejo da maioria. Mais um dos grandes exemplos das diversidades culturais de cada região desse planeta Terra.
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Dias 131 a 133 da viagem: Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos por scooter

Relato de viagem à pacata e agradável cidade de Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos em uma scooter.
Camisa da GAP e tudo!

Relato de viagem à pacata e agradável cidade de Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos em uma scooter.


A distância de Da Nang para Hoi An é de apenas 25km, o que resultou no menor tempo de viagem que fiz até agora no Vietnã. De uma cidade nova, grande e em crescimento, fui a uma cidade antiga, pequena, mas com crescente movimentação turística em função de sua atribuição pela UNESCO de Patrimônio Cultural da Humanidade (mais uma). Hoi An, de qualquer forma, merece muito ser visitada. Apesar de ser uma cidade fundamentalmente turística, possui uma harmonia entre a beleza de suas antigas casas e construções chinesas e japonesas, muitas delas atualmente restauradas. Na atmosfera entre a funcionalidade dos inúmeros e aconchegantes hotéis espalhados pelas suas ruas, na maior parte estreitas e de trânsito limitado para automóveis e entre seus inúmeros restaurantes, que embora cobrem valores maiores, possuem uma atmosfera agradável e o convida à refeição. Para aumentar o leque de opções, fica a 3km da praia mais próxima, possibilitando prazerosos banhos de mar com um conforto de uma razoável infra-estrutura. E se a aventura for além, permite a visitação de várias vilas locais baseadas na pesca e a aproximação mais forte com a cultura do país.

A história da cidade é complexa, em função da interação de muitos comerciantes de diversas partes do mundo, que usavam o porto de Hoi An como principal ponto comercial de seus produtos. Japoneses e chineses deixaram profundas marcas, especialmente os últimos. Árabes e europeus também colaboraram para o mix cultural, sendo que Hoi An foi uma das primeiras cidades expostas ao Cristianismo no Sudeste Asiático. Essa herança torna a pequena cidade única e partilha as diversas construções de época, muitas delas renovadas e bem conservadas, que podem ser visitadas.
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Dias 129 a 130 da viagem: Da Nang, modernidade no centro do Vietnã

Relato de viagem à Da Nang, porto e moderna cidade na região central do Vietnã. Visita ao templo Cao Dai.
Nessa ponte o dragão ficava colorido e soltava fogo pela boca

Relato de viagem à Da Nang, porto e moderna cidade na região central do Vietnã e a visita ao templo Cao Dai.


Em geral, a maioria das pessoas que viajam de norte a sul pelo Vietnã, ou seja, de Hanói para Saigon, vão após Hue, para Hoi An. Eu resolvi fazer uma parada em Da Nang. A cidade fica no caminho e estava na rota dos ônibus turísticos, tinha praia e era uma cidade com um grande crescimento no país. Além disso, eu havia conhecido duas moradoras da cidade pelo Couchsurfing que me convidaram para mostrar a cidade e não queria perder a oportunidade dessa interação. Eu acredito que é dessa forma que conhecemos melhor o país: através das pessoas e não através das atrações turísticas. Comentei algo sobre isso no post Turismo de Culpa. O primeiro dia foi rico justamente em função dessa interação. Conversamos sobre a vida delas na faculdade, da moradia distante dos pais, das possibilidades de futuro, de viagens, enfim, como o dia a dia do outro lado do mundo pode ser tão diferente, mas ao mesmo tempo as dificuldades podem ser tão semelhantes das que vivem os estudantes no nosso país.
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Dias 126 a 128 da viagem: Hue, região central do Vietnã e sua cidadela

Relato de viagem à cidade de Hue, região central do Vietnã e sua grande cidadela da dinastia Nguyễn  às margens do Rio Perfume.
Visões externas da cidadela de Hue

Relato de viagem à tranquila cidade de Hue na região central do Vietnã. O destaque fica por conta de sua grande cidadela da dinastia Nguyễn às margens do Rio Perfume.


O ônibus noturno vindo de Hanói chegou na cidade de Hue por volta das 8 horas da manhã. As estradas no Vietnã, ao menos as principais, parecem um pouco melhores do que as do Camboja e Laos, fato que me permitiu dormir bem no ônibus. Não havia reservado hotel na cidade, e aceitei o convite de um grupo canadense para checar o único hostel da cidade, que elas haviam feito reserva. Decidi ficar por lá mesmo. Como o check-in ocorreria apenas às 11 horas e o sinal de internet estava péssimo, saí para andar um pouco pelas adjacências e deparei-me com uma cidade bem menor do que Hanói, com menos pressa e pessoas mais gentis, mesmo na técnica de abordagem dos turistas pela rua. 

Sendo uma cidade mais voltada para os estrangeiros, existem menos locais que caracterizam os hábitos do país, como as mesas e cadeiras de bonecas, principalmente na parte turística, recheada com restaurantes de todos os tipos e bem mais caros que a média local. Mas mesmo assim, é difícil encontrar algum prato por mais de 6 ou 7 reais. E esses são os mais caros, com camarões ou frutos do mar. Viver no Vietnã de fato é muito barato.
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Dias 122 a 125 da viagem: Hanói, capital do Vietnã e Halong Bay, sob chuva.

A viagem para Hanói e Halong Bay, no norte do Vietnã. Fantástica beleza mesmo em chuva e as atrações da capital.
Seu conceito de carga em duas rodas muda após conhecer o Vietnã.

A viagem para Hanói e Halong Bay, no norte do Vietnã. Muita beleza mesmo em tempo chuvoso da baía e as atrações da capital do país..


A chegada no Vietnã lembrou-me um pouco a Índia. Após uma longa viagem de ônibus de Luang Prabang, onde ficamos esperando mais de uma hora a fronteira do país abrir e mais uma hora pela lerdeza dos funcionários em providenciar nossas entradas (e olha que todos já tinham visto – não existem meios de conseguir vistos nas fronteiras terrestres do país), cheguei de noite em Hanói e rapidamente abordado por centenas de taxistas e mototaxistas implorando para me levar no hotel. A visão indiana permaneceu na mente quando deparei-me com o trânsito, sem regras, barulhento, caótico, onde 90% dos veículos são de duas rodas. Devem ter aprendido a buzinar com os indianos, formando uma sinfonia que desnorteia seu juízo. Para ajudar a chegada, o motorista que me levou cobrou posteriormente a mais do que o preço combinado. Depois de uma discussão de 5 minutos, dei um trocado a mais, deixei ele falando sozinho e entrei no hostel. Chegada nada positiva no país.

O dia seguinte foi dedicado à cidade, e meu planejamento era usar os dois próximos dias em Halong Bay. Hanói é a capital do país, embora o posto de maior cidade do Vietnã seja de Saigon, renomeada cidade de Ho Chi Minh após a vitória das forças comunistas do norte, bem ao estilo do ridículo culto de personalidade que rege os governos (ditos) vermelhinhos. Digo “dito”, porque o estado sofre, como Laos e Camboja, de uma falta de auto-afirmação ideológica tremenda ao afirmar-se comunista-socialista, mas incentivando o capitalismo em toda a parte, de forma a promover o crescimento da economia e a diminuir a pobreza.
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Ciclos e procrastinação: as armadilhas do calendário

Ciclos - as armadilhas do calendário e a procrastinação
O calendário, com seus ciclos, pode tornar-se uma armadilha

Os ciclos em nossa vida são legitimados pelo conceito do calendário e podem ser grandes pretextos para o triunfo da procrastinação.


Na minha viagem ao Sudeste Asiático fui presenteado com visões sem fim de campos de arroz, principal cereal utilizado na alimentação desses países. Memórias de um livro lido trouxeram à mente informações de que a cultura do arroz não possui ciclos no plantio, isso é, a terra mantém-se permanentemente em uso. Diferentemente, na Europa, com a cultura predominante do trigo e cevada, existia um intervalo, um período para descanso do solo e uma recuperação para a (re)mineralização do solo, como aprendemos no colégio nas aulas de Idade Média (cultura de “pousio”, lembram-se?). E esses fatos históricos influenciaram historicamente o trabalho da sociedade humana nos extremos desse planeta. Na Europa e posteriormente na América colonizada, a ideia de “férias anuais”, da necessidade de recuperação do indivíduo, está muito mais amalgamada na rotina do que no Oriente, que possui férias mais curtas, tanto para o trabalho como para o estudo. O objetivo aqui não é tentar definir o que é  mais produtivo, mas exemplificar como os ciclos da da natureza pode influenciar toda uma sociedade.

É o típico caso do Rio Mekong, influência respeitável no Sudeste Asiático. É impressionante a variação de nível que o mesmo apresenta entre os períodos seco e chuvoso, observado principalmente no Laos e comentado nas postagens de Don Det e Vientiane. A definição desses ciclos pela natureza faz com que toda uma população viva em função de sua cheia, construindo casas elevadas, escavando açudes e aproveitando margens férteis para plantar culturas temporárias, como a batata e o tomate.

Possuir uma vida em função dos ciclos ditados pela natureza, onde sofreremos consequências caso não nos adaptemos é algo natural, e ocorre em diversas partes do mundo. Mas e quando nós decidimos que devemos agir em função de um ciclo que não está diretamente ligado às nossas decisões?
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Dias 118 a 121 da viagem: Luang Prabang, monges e almsgiving, Laos.

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
Monges reparando o telhado de um templo ao final da  tarde

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos, em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo!


Após uma viagem que durou toda a noite em um bom ônibus leito, mas que não faz milagre em proporcionar algum conforto em função da péssima conservação da estrada, cheguei em Luang Prabang, antiga capital do antigo reino de Lan Xang (desde 1353) e possui importante papel na resistência laosiana frente aos franceses no século XX. Hoje é uma cidade pacata, com seus parcos 50mil habitantes e provê uma importante renda através do turismo.

A cidade é Patrimônio Cultural da UNESCO. Ainda vou entender melhor como funcionam essas atribuições da UNESCO, pois vários lugares que visito fazem parte desse patrimônio. Com tanta gente no time, não dá mais para analisar a real riqueza do lugar apenas por esse título. Não sei até que ponto interesses políticos e econômicos influenciam essas escolhas. Apesar de eu ter gostado do ambiente da cidade, com uma influência arquitetônica francesa muito forte nos casarões, bonitos templos e cercada por montanhas e muito verde, construindo uma personalidade única e charmosa apesar de estar localizada em um dos países mais pobres do mundo, não sei até que ponto merece estar classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Bom, mas por comparação, se até Brasília está… Luang Prabang merece sim estar na lista…
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Dias 114 a 117 da viagem: Pakse e Vientiane, capital do Laos

Relato da viagem de passagem por Pakse e a visita a Vientiane, capital do Laos. Belas avenidas e templos na praça do Pha That Luang e o COPE.
Comércio de oferendas nas margens do Mekong

Da calma das ilhas de Don Det para a calma capital do país, Vientiane, passando por Pakse. Belas avenidas, templos na praça do Pha That Luang e o COPE.


Saí de Don Det meio zen, com uma sensação fantástica de relaxamento mas sentindo também que nos últimos 3 dias a vida passou e eu não acompanhei. Mas conclui também que necessitar estar a par de tudo é uma consequência da vida contemporânea, algo como uma doença moderna, e isso pode não ser bom. E considerei dar uma desacelerada nas leituras, nos trabalhos, no blog e no facebook. Porém, a capital do país, Vientiane não ajudou muito. É uma cidade agradável, mas não tem muitas atrações. Além disso, o calor não permitia aproveitar a caminhada de uma forma prazerosa. Acabei ficando mais tempo no ar condicionado do que imaginei. Mas por outro lado, algumas amizades que fiz no hostel ajudaram-me a manter parcialmente meu compromisso nessa desaceleração! E com uma cervejinha barata (e bem razoável) toda noite! :-)

Na viagem de ônibus de Don Det a Vientiane, passamos por Pakse, e tivemos que esperar por mais de cinco horas o novo ônibus que nos levaria à capital do Laos. Andamos um pouco pela cidade, passamos por um templo bem interessante, com pinturas da vida de Buda que eu ainda não tinha visto (e percebi posteriormente que aqui nos templos do Laos essas pinturas são comuns), mas foi só.
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Dias 110 a 113 da viagem: ilhas Don Det e Don Khon, rio Mekong, sul do Laos

Viagem para Don Det e Don Khon - arquipélago Si Phan Don ou 4000 ilhas, localizadas no meio do rio Mekong, ao sul do Laos.
Adolescentes voltando da única escola da ilha pela "avenida" principal

Relato de viagem para as isoladas ilhas de Don Det e Don Khon, localizadas no meio do rio Mekong, no arquipélago fluvial Si Phan Don - ou 4000 ilhas) ao sul do Laos.


A visita a essas ilhas é um exemplo de mudanças de planos ocasionadas pelas sugestões de colegas durante a viagem. Meu plano inicial era ir direto para a capital do Laos, possivelmente através da Tailândia novamente, pois o caminho é mais curto. Mas resolvi fazer um outro caminho, através da fronteira do Camboja para alcançar um lugar conhecido como "4000 islands", ou Si Phan Don, um grande arquipélago fluvial no meio do Rio Mekong. Dentre todas as ilhas, as mais visitadas são as ilhas de Don Det e Don Khon. Foi o lugar mais remoto e longe da civilização que visitei até agora. Uma simples verificação no Google Maps demonstra do que estou falando. É o meio do nada.

A viagem de ônibus desde Siem Reap, que começou às 05 da manhã, durou 14 horas. Embora o ônibus “VIP” fosse bem razoável, a má condição da estrada, principalmente na fase final de chegada na fronteira, não permitiu nenhum conforto durante a viagem; parecia que estávamos no lombo de um burro… Para os procedimentos burocráticos na fronteira, praticamente todos os passageiros delegaram ao funcionário da companhia de ônibus a tarefa de providenciar a saída do país, a emissão do visto e a chegada ao Laos. Não esperamos nem uma hora, e nem vimos a cara dos agentes laosianos. Ele voltou e entregou os passaportes todos carimbados e com o visto. Claro que recebeu uma boa comissão por isso. Mais uma prova que visto só serve para encher o bolso do governo e remunerar alguns funcionários através de propinas.