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Dias 46 a 50 da viagem: Rishikeshi, ioga e Haridwar, norte da Índia

Relato de viagem à Rishikeshi, aulas de ioga, rafting e Haridwar, norte da Índia, próximas à cordilheira do Himalaia.
Cenas humanas e o Ganges ao fundo

Uma pausa para descansar: Rishikeshi, aulas de ioga, rafting e um lugar muito zen no norte da Índia, próxima às cordilheiras do Himalaia.


O trem 12017 partiria às 06:50hs da Estação de Nova Delhi. Cheguei meia hora mais cedo para não ter problemas em encontrar a plataforma correta. Na ida a Agra, havia percebido que a estação é imensa, porém naquela situação estávamos com o guia para nos mostrar o local correto. Agora era comigo mesmo. Porém, não houve complicações. Apesar de andar um tantinho, as plataformas são bem anunciadas. Para andar de trem na Índia, você, já com a passagem na mão, não precisa parar em nenhum lugar e sim ir direto ao trem, em seu vagão e assento corretos. Já havia visto na internet para evitar malandros no caminho que dizem que você precisa de boarding pass. Mas não vi nada do tipo. Talvez eles não estivessem acordado ainda.

A viagem foi tranquila, e foi servido um razoável café da manhã, com pão, geleia, manteiga, leite e uns bolinhos salgados com batata e queijo. A primeira parte da viagem foi bem lenta em função da neblina que nessa época é normal na região de Nova Delhi. Em função da neblina, cheguei em Haridwar com uma hora de atraso e, como o primeiro destino seria Rishikeshi, fui direto à estação de ônibus para mais uma viagem de quase 1 hora. Durante o percurso, passamos por alguns diques artificiais do Rio Ganges, onde em um deles existia uma pequena central hidrelétrica e, em algumas travessias, as pontes cruzavam apenas um vale, praticamente seco, mas o indiano ao meu lado confirmou que na época chuvosa a água preenche todo aquele espaço vazio.


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O relativismo cultural como sanção para incoerentes tolerâncias sociais

Como defender o relativismo cultural frente às práticas de inferioridade da mulher, do sistemas de castas indiano e do infanticídio indígena?


Quando fiz a conexão em Riyad na Arábia Saudita, presenciei de uma forma mais abrangente alguns aspectos mais marcantes na religião islâmica, principalmente tratando-se da submissão da mulher ao homem. Na Turquia, a prática (ainda) é desestimulada e os poucos casos passam despercebidos. Na Arábia Saudita não. As cenas de mulheres totalmente cobertas de preto com apenas a faixa dos olhos visível e andando sempre atrás de seus maridos impressiona. Não é um ambiente agradável. Transcende submissão, mesmo quando o costume é consentido pela mulher. E, uma vez que recebem esses ensinamentos desde cedo, é difícil exercer, tanto psicologicamente quanto fisicamente, seu livre-arbítrio nessa situação, pois em função da educação em condições sociais particulares, submete-se cegamente aos valores absorvidos, perdendo a consciência do absurdo da situação. Acredito que esse meu mal estar já foi inconscientemente pressentido, fazendo com que eu evitasse a visita aos países islâmicos, tanto pela rigidez de alguns aspectos religiosos quanto pela situação política que em geral, não permite a livre liberdade de expressão. Essa última, um tema para outro post.

Essa situação não se encerra na religião islâmica, pois há religiões pentecostais que também colocam a mulher em uma situação inferior, assim como na Índia, onde a situação é ainda potencializada pelo sistema de castas, diferenciando as pessoas desde o nascimento. Circunstâncias ainda presentes hoje, cultivando obscuramente o pesadelo da ficção de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Dizem que religião não se discute, assim como política (deixo de lado o futebol pois é um tipo de discussão que não acrescenta nada a ninguém), mas acredito que o ponto da igualdade de gênero deve ser sim, posto na mesa. Seus direitos e deveres deveriam estar acima de qualquer preceito religioso, assim como sua liberdade de exercer suas próprias opiniões. Para quem não sabe, até hoje na Arábia Saudita as mulheres são proibidas de votar politicamente.
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Dias 42 a 45 da viagem: Nova Delhi e Agra, na Índia e o belo Taj Mahal

Relato da viagem de Nova Delhi, capital da Índia e Agra com seu belíssimo Taj Mahal e Agra Fort.
O sistema de rotatórias em Nova Delhi

Em Nova Delhi, região administrativa da Índia e Agra, e as belas construções do Taj Mahal e Agra Fort.


O vôo de Kochi a Nova Delhi fez uma escala em Hyderabad, e foi pontual. A companhia Spicejet é uma companhia low-cost na qual até a água é paga. E a passagem nem foi tão barata assim (US$ 185) para um vôo de 4 horas. Cheguei no aeroporto e aguardei  um grupo de turistas brasileiros. Participaríamos juntos de dois passeios nos próximos dois dias: a viagem a Agra e um city-tour na cidade de Nova Delhi. Eu não havia reservado hotel, mas sabia que existe uma grande área na cidade com uma enorme concentração de hotéis com preços razoáveis, boa infra-estrutura e próximo à Estação Ferroviária, a qual eu iria utilizá-la para continuar a viagem dentro de poucos dias. Fiquei no hotel Chanakya, com uma boa estrutura geral, mas em um  quarto que  deixava a desejar um pouco na  conservação do mobiliário e paredes. Porém, tinha um bom sinal de wi-fi ao qual não tinha dificuldade de acesso, mesmo no quarto, e isso pesou na escolha. Não ter que procurar lan-house já é um grande avanço nos hotéis low-cost da Índia.

No dia seguinte, encontrei o grupo no hotel em que se hospedaram e fomos juntos de trem a Agra, onde um ônibus nos esperava para visitarmos o Taj Mahal e o Agra Fort. Agra foi a capital do império islâmico Mughal durante mais de 100 anos nos séculos XVI e XVII. Grandes construções foram realizadas no período, como o Agra Fort (construído por Akbar) e o Taj Mahal (por Shah Jehan). O Taj Mahal foi algo que impressionou pelos ricos detalhes da construção e por estar permeado por uma grande história de amor, pois é um mausoléu feito em função da morte da esposa favorita do imperador Shah Jehan, Mumtaz Mahal.
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Dias 40 e 41 da viagem: Kochi, litoral sudoeste da Índia

Relato de viagem à cidade de Kochi e seu forte, ex-colônia de Portugal, no litoral oeste da Índia.
Uma cidade indiana com um "quê" ocidental

Relato de viagem à cidade de Kochi e seu forte, ex-colônia de Portugal, no litoral oeste da Índia.


A cidade de Kochi desde seus primórdios teve a vocação para o comércio portuário, o que atraiu, além dos habitantes da região, sírios cristãos e judeus nos séculos passados. Com a colonização européia, iniciada na Índia através de seu porto pelos portugueses, foi palco de batalha entre esses, holandeses e ingleses. Vestígios da colonização européia são vistos pela cidade, principalmente na área do Forte Kochi e arredores, que hoje é a área turística da cidade e foi o local onde limitei minha visita. Minhas impressões da cidade limitam-se à essa região. Viajei em um ônibus noturno privado a Kochi, partindo de Madurai. A utilização desse meio de transporte entre cidades na Índia mostrou-se uma opção interessante. Apesar de bem mais caro (5 vezes o valor de uma passagem nos ônibus normais), é barato para os padrões brasileiros (24 reais), vai bem mais rápido e não possui conexões. Porém, o que mais chama a atenção é o conforto. O valor que paguei é de uma cama literalmente, dentro do ônibus acima das poltronas, que também são confortáveis. Sim, viajar de ônibus na Índia pode ser uma experiência positiva.

Na cidade fiquei pela primeira vez em um hostel na Índia, que durante a minha estadia foi frequentado apenas por estrangeiros, na maioria europeus. Recomendo o local para futuros viajantes, pois é confortável, possui ar condicionado e um padrão de limpeza mais ocidental, além de possuir wi-fi, embora sem grande qualidade. A presença de papel higiênico nos banheiros denuncia que o objetivo do estabelecimento é mesmo turistas ocidentais (Hostel Verdanta Wake-up).

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Dias 37 a 39 da viagem – cidade de Madurai, ainda no sul do continente indiano

Viagem à Madurai, Índia e seu templo Meenakshi
Crianças sorrindo: abundância em Madurai 

Uma visita à segunda maior cidade do estado de Tamil Nadu na Índia, habitada continuamente há mais de 2.300 anos e local do grandioso templo de Meenakshi.


Na manhã do 36º dia saí do hotel em Trichy e fui à rodoviária para pegar um ônibus a Madurai. Mantendo a tradição nas viagens de ônibus da Índia, assim que cheguei tinha um veículo de saída. E vazio. Consegui um lugar logo na frente para percorrer visualmente a estrada, coloquei o fone de ouvido e me embalei ao som do rock Brasil da segunda metade dos anos oitenta. Nunca mais tivemos tantas boas bandas em um curto período de tempo. Tínhamos que contar o dinheiro para decidir em qual LP investir entre tantas opções. Uma pena que novas tendências da música brasileira ocorreram em detrimento ao rock nacional. Nesse ponto, precisamos resgatar o passado, não há outro jeito... E foi uma viagem de 3 horas tranquilíssima, embora a velocidade média não ultrapasse 50km/h. Lenta, novamente.

Chegando em Madurai, precisei pegar um outro ônibus para a estação Periyar, mais central e próxima ao Templo Meenakshi, principal atração turística da cidade e local que abriga vários hotéis. No primeiro que chequei eu não gostei do quarto, mas na minha segunda tentativa eu fechei com o atendente por duas noites. Deixei as coisas no hotel e fui procurar como eu iria sair da cidade em direção ao próximo destino, Kochi, já de saída do Estado de Tamil Nadu. Eu decidi fazer uma mudança no meu planejamento original em função do tempo e logística disponível. Após Madurai eu tinha me planejado ir ao Parque de Periyar, onde poderíamos estar em contato com animais. Acredito que seja algo como era o Simba Safari em SP, através de comentários que vi na internet. Porém, o transporte para lá é meio complicado e no fundo, não me animei em gastar meu tempo na Índia com isso.
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Dias 35 e 36 da viagem: cidades de Thanjavur e Trichy, Índia

Relato de viagem ao sul da Índia: Thanjavur e Trichy e seus incríveis monumentos como o templo Bridhadesswara, Rockfort e Sri Ranganathaswamy.
Decorações na entrada das casas em Trichy

Relato de viagem ao sul da Índia: Thanjavur e Trichy e seus incríveis monumentos como o templo Bridhadesswara, Rockfort e Sri Ranganathaswamy.


Acordei bem cedo em Pondcherry para o próximo destino, que ainda estava em aberto entre as duas cidades-título dessa postagem. Havia recebido informações conflitantes dos horários de ônibus e iria pegar o primeiro que aparecesse, para qualquer uma delas. Chegando no terminal, veio uma outra informação: Domingo não havia ônibus direto para nenhuma delas. Deveria pegar um ônibus para Viluppuram e de lá procurar esses destinos. O ônibus saiu pouco antes das 6 da manhã e levou uma hora até a cidade. Esses dois dias foram excelentes na convivência com os indianos. Já nesse ônibus, conheci um senhor que me ajudou a localizar, em Viluppuram, o ônibus para Trichy (assim que cheguei já estava saindo, e fiz minha escolha de destino na hora).

Como cheguei em cima do horário peguei o ônibus lotado e me espremi por lá. Conheci uns indianos que gostavam de conversar. Rapidamente alguns se espremeram para dar uma beirada do banco para eu sentar. Uma beirada de cerca de 20 centímetros... E ficamos batendo papo a viagem toda, de quase 4 horas de duração. A noção de espaço deles é diferente da nossa. Antes do meio do caminho, muitas pessoas desceram e o aperto diminuiu. Conheci mais um pouco da Índia, dicas de pontos para visitar, dos hábitos das pessoas e etc. E passei algo do Brasil também, que eles sempre são curiosos em saber. Um deles escreveu em tamil no meu caderno de notas todos os nomes das cidades que eu iria, para eu poder localizá-las na frente de cada ônibus. É estranho sentir-se um completo analfabeto frente a um alfabeto tão natural a eles. Para uma ideia de preços de ônibus, gastei 105 rúpias nessa manhã, em uma viagem (lenta) de 5 horas. Isso mesmo: 2 dólares!
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Dias 33 a 34 da viagem: Auroville e Pondcherry, sul da Índia

Relato de viagem à Auroville (The Mother e Sri Aurobindo e Matrimandir) e Pondcherry, ex-colônia francesa, quase no extremo sul da Índia.
A Matrimandir, em Auroville

Relato de viagem à Auroville e Pondcherry, ex-colônia francesa, quase no extremo sul da Índia.


Após um período de adaptação nesse singular país, mais precisamente na cidade de Mahabalipuram, saí cedo da cidade em direção à Pondcherry. Como acordei meio tarde, peguei um tuk-tuk (rickshaw) para o local do ônibus, prevendo como seria minha primeira viagem de ônibus pela Índia. Impressionava-me algumas fotos que circulam na Internet e alguns que vi passeando ao nosso redor, caindo aos pedaços e amontoados de gente. Mas a viagem foi muito positiva. O ônibus (60 rúpias), embora não seja do nível que vi na Turquia ou mesmo do Brasil, era razoável, super enfeitado e bem cuidado (embora velho), interior todo estofado até o teto e estava incrivelmente vazio. A estrada, considerada como uma das melhores da Índia, não prejudicou a viagem, mas mesmo assim, em função do trânsito, demoramos 1 hora e meia para percorrer 96km.

Cheguei em Pondcherry por volta das 11:00hs, e com a ajuda do GPS pude dispensar a horda de motoristas de tuk-tuks que me abordaram quando desci do ônibus e fui na região central procurar um local para ficar. Dispensei o primeiro hotel, uma espelunca com cheiro de mofo, mas acertei um quarto privativo no segundo (Mother´s Guest House). Deixei rapidamente o mochilão e fui procurar um local para alugar uma bike (40 rúpias) para ir à Auroville. Havia motocicletas disponíveis, mas resolvi não arriscar. Primeiro pelo trânsito louco da Índia. Com a bike posso andar nos acostamentos por segurança. Segundo, por eu ter ouvido que as motocicletas são mal conservadas e podem pifar a qualquer momento (fotografei um gringo empurrando a sua na volta para a cidade). Terceiro, a distância era de apenas de 10km de pista plana, feita facilmente em meia hora e ajudando a manter um mínimo de tônus muscular nos membros inferiores, ao menos. Frustei-me apenas porque a buzina da minha bike não estava funcionando. Queria poder participar da sinfonia sem intervalo do trânsito indiano… Enfim, ao meio-dia já estava em Auroville.
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Investimentos: uma viagem lenta para a liberdade e independência?

Kronos ou Kairós - influências para o investimento e sua vida
Preocupados com o Kronos ou Kairós? - Pintura de Monet
Os conceitos de kronos e kairós podem ajudar nossa viagem lenta com destino à liberdade e independência financeiras e intelectuais?

O texto abaixo não é de minha autoria e tive contato com ele há alguns anos atrás. Ele foi postado por Allan Arantes em um fórum de investimentos chamado “O Investidor Agressivo”.

Em uma busca na web, não pude concluir com veracidade seu autor, uma vez que já foi postado por uma outra pessoa (1).

De qualquer maneira, Independentemente do autor, o texto convida à reflexão, e foi-me bem útil para nortear alguns fundamentos da minha vida.

Esse texto possui uma relação íntima com as premissas desse blog. A proposição em seu cabeçalho mostra que busco uma maior independência e liberdade, sejam intelectuais ou financeiras. Sempre com responsabilidade com ênfase em nossa ação humana individual.

E investir também faz parte dessa viagem. Normalmente lenta, pois o que vem rápido muitas vezes é efêmero. E no fundo, buscamos objetivos sólidos, não? Enfim, investir é deixar você com liberdade para empreender todas as demais viagens que você desejar na vida. 

Tempo é uma palavra que aparecerá muito no texto abaixo. E aqui vai o meu pitaco para refletirmos um pouco sobre ele. Os gregos foram mestres em nos dar significados diferentes para as mesmas palavras, exercitando e ampliando nossas possibilidades de compreensão.

O tempo kronos  significa o tempo decorrido, que se estende, o tempo cronológico. É esse significado que está mais em contato conosco no dia a dia. Já o tempo kairós é o tempo oportuno, o seu momento, onde algo especial para você acontece.

O kronos é necessário para o seu planejamento, para sua conquistas. O kairós é o momento em que você desfruta-as. Mesmo que essa conquista seja somente sua paz interna ou incrementos de sabedoria. Ambos coexistem e vivê-los com equilíbrio e propósitos justos torna a vida mais satisfatória, sem dar importância aos excessos e às vergonhas que a sociedade nos impõe.

Leia até o final. Simples e muito didático.
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Dias 29 a 32 da viagem: Sul da Índia - Chennai e Mahabalipuram

Relato da viagem ao sul da Índia: Chennai e Mahabalipuram - Shore Temple, dinastia Pallava, Five Rathas, Krishna´s butterball.
Mahabalipuram, próximo a Shore Temple

Relato da viagem ao sul da Índia: Chennai e Mahabalipuram - Shore Temple, dinastia Pallava, Five Rathas, Krishna´s butterball.


Após a longa escala em Riyad, na Arábia Saudita, partimos para a Índia, em Chennai. A cidade foi escolhida por ser a porta de entrada internacional do sul do país, ou mais especificamente, do Estado de Tamil Nadu, o primeiro local a visitar nesse complexo país. Uma região que, por estar mais distante das rotas de comércio da antiguidade e das batalhas no Norte com outros povos, sofreu menos influência de outras religiões e possui uma largo legado das civilizações primitivas indianas, que já professavam o hinduísmo a mais de 20 séculos a.C., o que a torna, documentalmente, a mais antiga religião ainda seguida no mundo.

Em Chennai, eu reservei pela internet um hotel próximo ao aeroporto, pois iria encontrar uma amiga cujo vôo chegaria logo na manhã seguinte. A ideia no dia da chegada seria apenas descansar um pouco da viagem. Porém, a experiência não foi boa. O local, a rua eram terríveis. Imagine a Índia maluca que você vê em filmes. Era assim. Com muita dificuldade de encontrar um supermercado decente, de entrar na internet (no hotel, embora no booking.com mostrava a existência de wi-fi, ele estava com problemas), e de se fazer uma simples refeição com segurança. O barulho de buzinas ensurdecedor, mesmo dentro do quarto. Lá fora, ruas sem calçadas, disputa de espaços com pessoas (milhões), motos (milhares), tuktuks e carros (centenas) e vacas (dezenas). O alento foram as pessoas, sempre gentis na tentativa de ajudar, porém com um inglês bem difícil de entender. Enfim, esse primeiro dia foi um choque cultural enorme, que aliado ao cansaço da viagem, me deixou meio em transe. Precisava me recompor em outro local. E foi para esse local que fui com essa amiga no dia seguinte junto com um grupo de viagem: Mahabalipuram.
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Uma viagem com a Saudia Airlines e escala em Riyad, Arábia Saudita

Relato da viagem com a Saudia Airlines da Turquia à Índia, passando pela capital da Arábia Saudita, Riyad

A viagem da Turquia à Índia passando pela Arábia Saudita pela Saudia Airlines - um post para o site Melhores Destinos.


O site Melhores Destinos tem uma seção onde os seus leitores avaliam vôos em diferentes companhias aéreas. Como eu nunca havia visto nenhuma avaliação da companhia aérea Saudia Airlines, resolvi fazer a minha e enviar para o site, cujo editor publicou nesse link. Deixarei aqui como mais um post acrescentado ao blog.

Como comentei no post de Istambul, comprei uma passagem para a Índia com a Saudia Airlines, em função basicamente do preço (US$385,00). Logo na compra pelo website e contato com o atendimento online, fui informado que havia um problema com os cartões VISA e que a operação não podia ser completada. Tive de ir no dia seguinte no escritório da empresa em Istambul, onde tudo foi resolvido da melhor forma possível, com imensa cordialidade da funcionária. Dois dias depois, chegando no aeroporto de Atatürk, que segue a paranoia turca de máquinas magnéticas e raios-X (assim como shopping centers e algumas atrações turística) e cria uma fila imensa apenas para entrar no aeroporto, fui direto ao guichê C-17 e fui rapidamente bem atendido para fazer o check-in. Posteriormente, passei pela imigração e à sala de embarque, sendo necessária uma nova vistoria magnética.
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Dias 22 a 28 da viagem: Istambul, Turquia - Europa e Ásia tudo junto

Relato da viagem em Istambul, uma incrível cidade, europeia e asiática, e maravilhosas construções como a Hagia Sophia, a Mesquita Azul e o Palácio Topkapi.
A Mesquita Azul

Uma viagem à incrível, meio europeia, meio asiática, e suas maravilhosas construções como a Hagia Sophia, a Mesquita Azul e o Palácio Topkapi.


Da Capadócia e passando pela capital Ankara, cheguei a Istambul. É uma metrópole complexa, geográfica e historicamente falando. Geograficamente pelo seu relevo irregular, divisões de terra através do estreito de Bósforo e pelo seu tamanho – sua região metropolitana rivaliza com Londres em população. E é a única cidade do mundo pertencente a dois continentes. Historicamente, pelas suas origens na antiguidade, ainda com o nome de Bizâncio e como capital de impérios culturalmente opostos, como o Império Romano-Bizantino (com o nome de Constantinopla) e Otomano. Em um período de 500 anos, foi a  cidade que deu suporte ao avanço do cristianismo pelo mundo e posteriormente, após alguns séculos de decadência, foi conquistada pelos otomanos e posteriormente tornou-se uma cidade islâmica. A história da cidade é épica, vale conhecer! Mas não vou me empolgar muito, pois em função do que comentei em Relatos de Viagem, aqui não é o espaço para a extensão do assunto. A internet já possui informações demais. :-)

A chegada em Istambul ocorreu pela manhã, e da rodoviária, peguei um metrô à estação Aksaray (3 liras). Eu deveria fazer uma conexão para a linha de tram, mas como eu iria realizar check-out no hostel apenas ao meio-dia, resolvi ir andando para sentir a cidade no último dia do ano. O tempo estava nublado e no caminho que percorri, percebi uma cidade semelhante a uma metrópole qualquer do Brasil. Algumas belas construções, mas com sujeiras nas ruas, um trânsito absurdo com motoristas que ignoram completamente os pedestres e alguns pedintes nas calçadas (iria achar isso um paraíso depois que cheguei na Índia). Uma visão de um maior tradicionalismo na cidade surgiu na forma de dezenas e dezenas de pescadores nas duas pontes que cruzam o canal do Chifre Dourado, que divide a porção ocidental da cidade. O principal peixe pescado aqui é o Hashi, o mesmo que comi em Bodrum, soube depois.
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A expressão dos locais nas viagens: tempo e espaço

A expressão dos locais nas viagens: tempo e espaço
Vendedor de castanhas em Istambul

Como a expressão dos locais modifica-se no tempo e espaço durante uma viagem?


Como expressar um local por meio de uma fotografia ou de um texto? Ou como um local se expressa para o viajante? A resposta não é óbvia. O fato é que a expressão está longe de ser única. Ela é uma função do tempo e do espaço, e pode não ser bem traduzida nas viagens onde nossa presença em um mesmo local seja efêmera, sem um tempo dedicado à uma maior incorporação da sensação de pertencer a aquele momento específico. Kant chamava o tempo e o espaço de "formas de sensibilidade", e como vemos o mundo através de "lentes" diferentes, percebemos as coisas no tempo e espaço conforme nossa característica inata, ou seja, eles não existem fora de nossas próprias percepções. São sobretudo propriedades de nossa consciência e não simplesmente atributos do mundo físico. Assim, essas percepções serão únicas para cada indivíduo.

Uma região pode expressar várias facetas diferentes, e quanto maior o desejo e as possibilidades de exploração, sem restrições físicas de determinados espaços, maior a descoberta dessa diversidade. Em continentes históricos, várias épocas estão presentes nas cidades, como presenciei na cidade de Bodrum. Construções de 2500, 1000 e 500 anos atrás misturam-se na cidade, e clamam por uma exploração mais cuidadosa. A mesma cidade exala sensações diferentes quando exprime seu presente na marina atual, repleta de iates refletindo o estilo de vida de seus usuários. A exploração física, com tempo, faz-se imprescindível para a absorção da região de forma mais abrangente, tornando o espaço, uma função complementar e direta dessa expressão.
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Dias 18 a 21 da viagem: Capadócia, Turquia e passeio de balão

Relato de viagem à Capadócia, com estadia em Goreme, na Turquia e passeio de balão, visitas à cidade subterrânea de Derinkuyu, hiking no Ihlara Valley...
Vale do Pingeon e Goreme ao centro

Viagem à Goreme, nos vales da Capadócia, suas cidades subterrâneas, hiking, tour de bike e claro, passeio de balão.


Fiquei na Capadócia 4 dias e 3 noites. Escolhi a cidade de Goreme como base e não me arrependo. A estrutura é boa para passeios e sedia o principal ponto de saída dos balões. Como citei no post anterior de Éfeso, peguei um ônibus noturno para Goreme e cheguei na cidade às 07:30hs da manhã, já vendo bem de perto os balões subindo pelo horizonte. O check-in do hotel ocorre somente meio-dia, e aproveitei para tomar um café da manhã, ver preços de passeios e zanzar um pouco na cidade, que me pareceu turística demais para mim. Mais turistas do que habitantes locais. E esses sempre com a atenção voltada para os turistas. Muitas lojas de souvenirs, muitas agências de turismo, muitos restaurantes com preços dobrados em relação às duas cidades anteriores da Turquia que estive. Mas isso faz parte por estar localizada em uma das regiões únicas no mundo!

Cheguei no Coco Cave Hotel duas horas depois e após a negociação do quarto e passeios, Ekrem, o dono, permitiu que eu entrasse antes no quarto. Para quem vai se aventurar por lá, vou resumir o negócio que fiz com ele. Existem passeios mais baratos e mais curtos de balão, com companhias sem credenciamento e sem seguro, que podem custar até 80 euros. Mas no hotel ele fazia apenas com companhias credenciadas, cujo preço inicial pedido foi de 125 euros (ainda assim, menos do que eu havia visto na internet; talvez seja a temporada de inverno, com menos procura). Acabei fechando por 100 euros, pois incluí a compra do “Green Tour” por 90 liras. E como o hotel estava relativamente vazio, negociamos um quarto privativo no valor do dormitório, por 7 euros à noite e com um (bom) café da manhã. Acho que foi bom. Já no quarto, liguei imediatamente o aquecedor (quando cheguei a temperatura externa marcada no ônibus era de 2ºC) e só desliguei quando fiz o chek-out 3 dias depois. Tomei um banho e deitei para descansar da viagem noturna. Apaguei. Acordei só à noite para jantar. Deixei marcado o passeio de balão já no dia seguinte, onde eu teria que acordar às 05 da manhã. Primeiro dia na Capadócia se foi…