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Por que viajar?

Impressões do meu grande amigo e xará sobre o prazer de viajar, sobre a necessidade de banir (eventualmente ou definitivamente) os padrões de nossa consciência.(texto enviado pelo meu grande amigo André Luís Martins Pinto)

Porque viajar pode mudar sua vida!



A ideia de viagem pode estar profundamente ligada às experiências humanas de fuga e exílio. Mais além disso - como na história cristã, em que o jovem Jesus vai para o deserto aos 12 anos e "reaparece" já na fase adulta, como o"Walkabout" - a tradição das tribos aborígenes australianas onde os jovens de 16 anos devem sobreviver por 6 meses na solidão do deserto para voltar para a tribo como "homem", a viagem de Dante na Divina Comédia, Homero na Odisseia, os Lusíadas e etc... - pode remeter este encontro com o desconhecido um ritual de passagem, um momento de crescimento espiritual e de renovação.

Eu me lembro que antes de começar a viajar como "viajante", não como "turista"*, um dia na empresa em que eu trabalhava, um funcionário me contava como sua viagem para o deserto do Atacama tinha sido maravilhosa. Ele comentou algo que me fez pensar muito a respeito mesmo anos depois: “Eu não passo um dia de minha vida sem que pelo menos por alguns segundos eu não me lembre daquela viagem”.

Anos depois saberia o que ele queria dizer com isso, mas ainda estou amadurecendo uma ideia do porquê isso acontece: como podem algumas horas ou alguns minutos em algum certo local marcar nossa vida de maneira tao cabal durante tanto tempo? Na verdade nunca seria apenas pelo local, mas pela "construção" até chegar naquele local: os dias de preparação, todas as outras tantas coisas que se viu até chegar, o encontro com você mesmo... tudo sendo canalizado justamente para o céu mais azul que já viu na vida, alguma pessoa que você observou em seu dia a dia longe de casa, o vento de algum deserto, a composição de paisagem que fez você lembrar de uma foto de calendário que adorava quando tinha 5 anos de idade e etc.

Impressões do meu grande amigo e xará sobre o prazer de viajar, sobre a necessidade de banir (eventualmente ou definitivamente) os padrões de nossa consciência.
Esse encontro consigo mesmo pode acontecer neste momento, aí em frente desta tela luminosa que te espreita, durante aulas de meditação, através de sua religião ou em algum outro "momento de epifania". O que eu percebi há alguns anos após começar a pegar a estrada a pé, de carro, de carona, trem, ônibus, é que certas situações ficam mais propícias de acontecer quando se está longe da proteção do lar, da segurança da zona de conforto, em momentos mágicos e às vezes de tensão mesmo.

O afastamento da nossa zona de conforto, tao comentado no blog Viagem Lenta do André e a perda momentânea de nossos vínculos de família, amigos e circulo social, nos reaproxima da nossa própria subjetividade e nos leva a descobrir mais a nosso respeito simplesmente porque nos vemos de outros pontos de vista, sem pré-conceitos e sem nossa história anterior (ou seria preconceito e pré-história na forma de pensar também?).

Almyr Klink, praticamente um viajante profissional diz isso, e uma das frases que eu mais gosto e repito em todo lugar sobre o assunto é  "Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Ao voltar depois de 58 dias de uma viagem de carro pela América do Sul, de Itu/SP até Porto Velho/RO de carro, daí de barco até Manaus/AM e de volta de carro entrando no Peru e dirigindo até o extremo sul do continente, Ushuaia, passando pelo Chile e Argentina,  a conclusão ao chegar em casa foi de que preciso viajar mais. 

Aliás, quando voltei pra casa, a sensação é de que eu tinha passado uns 2 ou 3 anos fora. Não reconhecia minha sala, meu quarto e meu sofá! Parecia algo irreal ter de ir trabalhar na segunda-feira. É como se nestes quase 2 meses de tempo rodando tantos km (+ de 21.800km por terra, + de 1.100km de barco) me tivessem feito alterar a minha relação espaço-tempo com o mundo e eu tivesse me adiantado alguns anos no futuro. Obviamente isso não acontecera senão em conhecimento e maturidade, mas foi uma das sensações mais estranhas da viagem. Parecia que vivera uma outra vida.

Impressões do meu grande amigo e xará sobre o prazer de viajar, sobre a necessidade de banir (eventualmente ou definitivamente) os padrões de nossa consciência.
Ventos na Patagônia de vc não conseguir parar em pé (um casal de amigos tombou um auto-home nesta região por causa do vento), quase ficar sem gasolina no deserto do Atacama, ser acordado por um terremoto em Nazca no Peru, atravessar a floresta Amazônica de barco durante 3 dias dormindo em redes, sair do nível do mar para mais de 4000m de altitude em um dia e vice versa em outro, conhecer Cânion del Colca no Peru, verde, com condores, com terraços incas e 2 vezes mais profundo que o aclamadíssimo Grand Cânion e entender como é raro um Glaciar de cima de um dos mais bonitos do mundo (Perito Moreno, Argentina), me fizeram definitivamente entender que não conheço NADA deste mundo. Isso porque até o Brasil eu descobri que não conheço nada, assim como nossos países vizinhos e da América do Sul. Tao maravilhosos, tantas belezas naturais, tanta história... e nunca ouvimos falar, mesmo com tanta informação disponível hoje em dia.

É a afirmação do Klynk acima: nossa arrogância de nos fazer professores do que não vimos. Muito importante para nos mantermos medíocres e pobres de espírito, focados no nosso mundinho de alguns metros quadrados. E bem quadrados mesmo...

O que a felicidade é além de um estado de espírito?
Todos os textos que leio de "como ser feliz" dizem aquelas coisas que todos nós sabemos, que fazemos mal, não fazemos ou simplesmente não começamos. Aliás, esta é época é ótima pra isso! Eu vou fazer tal coisa no.... ano novo!

Não caiu a ficha de verdade que é possível mudar nossa situação imediatamente se QUERERMOS passar a agir e ver as coisas de forma diferente. O último texto que li a respeito disso (**) coloca da seguinte forma: pra ser feliz você tem que DESENCANAR da sua necessidade de estar sempre certo, de culpar os outros, de ter crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. DESENCANAR de reclamar, criticar, resistir à mudança, rotular, julgar, ter medos, inventar desculpas, ficar apegado ao passado e o principal: parar de viver a sua vida para impressionar ou segundo as expectativas das outras pessoas.

Parece tudo muito óbvio, mas se observarmos nossas próprias ações no dia a dia nos veremos caindo constantemente nas mesmas situações, nestas nossas particulares armadilhas deste circulo sem fim. Um bom treinamento para seu cérebro sair deste correr atras do rabo é simplesmente sair pra viajar. Vc encontrará situações o tempo todo em que para aproveitar e curtir a viagem, vai ter que fazer um super exercícios de desapego, fazer amigos, aceitar diferenças e culturas diferentes. Hoje as pessoas estão vivendo a "tirania da aparência" onde é bem mais interessante parecer do que ter ou ser. Isso é de outro artigo (***) que está circulando por estas semanas na rede,de uma entrevista com Roberto Shinyashiki.

Juntando tudo isso com: 
a) A frustração das pessoas do final da geração X e a grande parte da geração Y (****), que tinham expectativas diferentes da realidade em que vivem 
b) A Matrix perfeita das redes sociais que mostram apenas pessoas felicíssimas, descoladas e inteligentes 
c) Livros contando as histórias de vencedores e só as historias de sucesso 
d) Mais de 50 anos de Hollywood mostrando histórias de ascensões e heróis e etc...

...restam às pessoas quando, de volta ao mundo real, desejarem TER alguma coisa para serem felizes; seja outra mulher, outro carro, outro chefe, outro Smartphone e assim vai. O problema é que a grama do vizinho vai ser sempre mais verdinha, o melhor brinquedo para gente grande ainda vai ser lançado - coincidentemente logo depois da compra de um novo, o novo chefe é mais mala que o anterior... nada vai mudar em um passe de mágica, e assim perpetuam-se as pessoas nesse círculo maluco que impede simplesmente de aproveitar as coisas mais importantes da vida, e que não são compráveis ou "trocáveis".

Impressões do meu grande amigo e xará sobre o prazer de viajar, sobre a necessidade de banir (eventualmente ou definitivamente) os padrões de nossa consciência.


Quando vc vai viajar, é mais fácil vc ser vc mesmo. Vc não conhece as pessoas, pode ser que passe muito rápido por elas e assim elas não precisam te julgar. Você pode ser você mesmo e desapegar de tudo o que te frustra sem perceber. Suas necessidades passam a ser mais básicas.
 
O autor comenta ainda na entrevista que a sociedade atual possui 4 grandes loucuras, que é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais, que você tem de estar feliz todos os dias, você tem que comprar tudo o que puder e fazer as coisas do jeito certo. Não é possível seguir "as loucuras da sociedade" em uma viagem do estilo mochilão, por exemplo. Não tem como tudo como sair conforme o script, muitas vezes acontecem situações inesperada e erradas, mas sempre encontra-se uma solução. Estar na estrada com uma mochila nas costas é um treinamento espetacular para abandonar o que não é importante para trás e manter sua mochila sempre leve. Conforme você vai se desapegando das "coisas", vai aprendendo também a se desapegar de situações que ficarão bem melhor longe de você, em um outro lugar, em um outro tempo.

Estes 2 artigos a seguir mostram de forma bem direta e simples porque viajar te melhora como ser humano.

É isso aí pessoal. Viajar é preciso.

* No livro " A teoria da viagem: poética da geografia", Michael Onfray faz a oposição entre "viajante e o turista". Fazer turismo seria a opção protegida, a cadeira do espectador “militante de seu próprio enraizamento”, a constatação dos lugares-comuns ensinados pelos guias da agência de turismo, a “paixão comparatista”. Viajar seria a recusa dos clichês e “dos instrumentos comparativos que imponham a leitura de um lugar com os referenciais de um outro”, o que subentende em se integrar plenamente ao novo ambiente em que você se encontra.
** https://osegredo.com.br/2013/08/15-coisas-que-voce-precisa-abandonar-para-ser-feliz/

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