Dias 138 a 145 da viagem: Ho Chi Minh, ex-Saigon: a big city do Vietnã

Relato da viagem à Ho Chi Minh, maior cidade do Vietnã, Túneis de Cuchi, museus, guerra, rock e muitos scooters!
Não tem semáforo não! Vai e reza!

Relato da viagem à Ho Chi Minh, maior cidade do Vietnã, Túneis de Cuchi, museus, guerra, rock e muitos scooters!


Cheguei em Ho Chi Minh com o dia amanhecendo, repetindo a condição de Nha Trang. Estava estabelecido na cidade que me forneceria a última experiência no Vietnã, uma vez que meu vôo para Bali sairia daqui. A estadia na maior cidade e centro econômico do país ocorreu em duas etapas. Após 3 noites na cidade, adquiri um pacote turístico para o Delta do Mekong, com duração de dois dias. Na sequência, voltei à cidade para as despedidas finais. Esse post trata de ambos períodos em Ho Chi Minh. No próximo post, regredirei um pouco no tempo e comentarei sobre o Delta do Mekong.

Ho Chi Minh proporciona todas as diversas sensações que uma grande cidade pode oferecer, como o contraste entre o moderno e o novo, experiências culturais, diversos museus, milhões de locais para compras e principalmente, o teste mais radical para desenvolver sua experiência em atravessar ruas e avenidas inundadas de scooters nos muitos cruzamentos sem semáforos. Como andei  muito a pé, acho que tirei meu diploma de Ph.D nessa área de conhecimento.

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Crianças cavando trincheiras na guerra
Ainda viajando com a brasileira que conheci na região central do Vietnã, fizemos a maioria dos programas juntos. Elegemos alguns pontos a serem visitados na cidade, como o Museu da cidade de Ho Chi Minh, que possui um arsenal de objetos, pinturas, vestimentas, mapas, moedas e muitos mais artefatos que construíram, ao longo da história, a história do sul do Vietnã. Estivemos no Museu da Guerra, cuja amostra de fotos mostra sem disfarces os horrores que uma atividade desencadeada por Estados pode causar; fotos de pessoas mutiladas, queimadas por agentes químicos e com mal formação após o nascimento em função desses agentes. Muitas delas, crianças. Algumas áreas da realidade sempre chocam. Permite ainda o contato próximo de armas, bombas e, inclusive, aviões, helicópteros e tanques, que estão expostos na área externa do museu. O museu cobre principalmente a Guerra Vietno-americana, mas possui algumas informações e peças da Guerra pela Independência da França. Claro, sempre vista sob uma perspectiva vietnamita, que não exclui as (reais) atrocidades ocidentais, mas omite sempre suas próprias atrocidades. Outro ponto visitado foi o Palácio da Reunificação, símbolo de poder do Vietnã do Sul que foi tomado pelo Vietnã do Norte em 1975, colocando um fim na guerra interna do país. É apresentado como um motivo de orgulho nacional, como uma demonstração da superioridade das forças comunistas sobre as demais, exibindo em seus jardins, o primeiro tanque soviético que entrou no palácio encerrando o conflito. O palácio, apesar de ser apresentado por um bom guia, não oferece muito para se admirar, exceto pela visita ao seu bunker, construído na década de 60 para proteger o então impopular chefe de estado de seus inimigos.

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Armadilha usada pelos vietcongs
Visitamos em um dia os famosos túneis de Cuchi, que foi um dos grandes campos de batalha da recente guerra. O heroísmo dos vietnamitas é apresentado como uma virtude e causa da construção de inúmeros túneis na região, que chegaram, segundo eles, a estender-se por 200km e eram usados para o combate de guerrilha contra os norte-americanos. O que está aberto para visita (ou o que existe; é fácil falar do que existiu sem mostrar) são pequenos túneis de cerca de 1 metro de altura, mas sem adjacências, ou seja, toda a estrutura que pudesse manter os vietcongs por tempos sem contato com o mundo da superfície, não é mostrada. O que vi do túnel que atravessei não me impressionou, até porque fiz relação com os túneis que os cristãos viveram nas cidades subterrâneas que visitei na Capadócia. Aqueles sim, são fantásticos, de alta tecnologia envolvida. Sem comparação. O que vi de mais interessante em Cuchi foi o mostruário das armadilhas que os vietcongs usavam na floresta para sua guerra de guerrilha. Fotos dos norte-americanos mortos e e mutilados por essas armadilhas não estavam no Museu da Guerra. Mas, ok, um desconto pode ser dado pois eles eram, afinal, os invasores…

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Igreja com elementos arquitetônicos asiáticos
A cidade possui muitas pagodas, muito frequentada pelos vietnamitas, embora a religiosidade no país não esteja tão incorporada quanto no Camboja ou Laos. A pagoda mais interessante foi a Jade Pagoda, que, apesar de não impressionar muito na sua apresentação inicial, possui um interior riquíssimo de estátuas, imagens e um grande público local, que lotava seu recinto, acendendo incensos e tornando seu interior um teste de resistência à asfixia. Apesar de o budismo Mahayana ser a principal religião do Vietnã, o catolicismo possui um percentual grande de adeptos. Existem muitas igrejas católicas na cidade e em muitas delas, percebia-se um número grande de fiéis em seu interior. Algumas construídas com forte influência da cultura arquitetônica local. Menos comum, o islamismo é praticado por grupos locais e em nossas andanças encontramos apenas uma mesquita na cidade.

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Surpreendente Vietnã: rock de alto nível!
Ho Chi Minh, da mesma forma que as demais cidades visitadas no país, acorda muito cedo. No meu último dia da cidade tive que sair do hotel às 5 e meia da manhã e muitas pessoas, dentro de uma ampla faixa etária, corriam, se exercitavam, e até jogavam (principalmente peteca). E, embora hajam exceções, a maioria, mesmo jovens, não costumam ficar até muito tarde na rua. Por três noites, tivemos a privilégio de sair com amigos locais, conhecidos através do Couchsurfing, e em todas elas voltamos cedo. Uma delas foi um jantar básico em um restaurante, outra um jantar com extensão de comida de rua acompanhada de cerveja estilo Bia hoi e a outra em um barzinho animado com um show de rock de alto nível. Nessa última, de umas 200 pessoas presentes, contei, além de mim e da brasileira, dois estrangeiros que estavam com suas namoradas vietnamitas. E só! Duas bandas vietnamitas se apresentaram e a primeira era muito boa; a vocalista arrasou! Detalhe: o show começava às 08:30hs, bem cedo para os padrões ocidentais. Com uma hora cada grupo, às 10:30hs o som ao vivo havia acabado.

Acho que fiz bem de dividir o post. Se comentasse aqui também do Delta do Mekong, ficaria muito extenso :)

Mais fotos no Google+ e no Pinterest.

Próximo post: Delta do Mekong.

Comentários

  1. André, muito bom os relatos do Vietnã! Vou para la em novembro mas tenho pouco tempo, possivelmente fique so em hanoi, ha long bay e ho chi ming, vou acabar deixando hoi an e hue de fora, perde-se muito? Se tiver que escolher uma das duas qual é a essencial para conhecer o vietnã? Obrigado pela ajuda!

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  2. Fábio, obrigado!

    Mas é um pouco difícil responder, pois não sei o que você procura. Se eu fosse escolher entre as duas, escolheria Hoi An, mas Hue tb tem suas atrações, como comentei no post. Pelo seu circuito, entendo que vc vá de avião de Hanói para HCM, certo? Nesse caso, ficaria bem mais caro fazer um stop em uma delas. Mas se vc for de ônibus, a distância é muito longa e acho que não vale a pena. Aí sim valeria parar uns dois ou trÊs dias nessas cidades até para dar uma descansada. Se tiver alguma informação que não está nos posts e falte a vc, escreva novamente. E boa viagem!

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    1. André é isso mesmo, tenho 16 dias e vou fazer os 4 países (tailandia, cambdoja, vietnã e laos) Como quero fazer o passeio da Ha long bay isso vai me tomar quase dois dias completos. Vou acabar ficando so nessas duas cidades senão vou passar tão rapido por hoi an que nem vai valer a pena...
      Muito obrigado pela resposta!

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    2. Pois é, vai ser correria! Uma boa viagem para você!

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