Dias 118 a 121 da viagem: Luang Prabang, monges e almsgiving, Laos.

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
Monges reparando o telhado de um templo ao final da  tarde

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos, em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo!


Após uma viagem que durou toda a noite em um bom ônibus leito, mas que não faz milagre em proporcionar algum conforto em função da péssima conservação da estrada, cheguei em Luang Prabang, antiga capital do antigo reino de Lan Xang (desde 1353) e possui importante papel na resistência laosiana frente aos franceses no século XX. Hoje é uma cidade pacata, com seus parcos 50mil habitantes e provê uma importante renda através do turismo.

A cidade é Patrimônio Cultural da UNESCO. Ainda vou entender melhor como funcionam essas atribuições da UNESCO, pois vários lugares que visito fazem parte desse patrimônio. Com tanta gente no time, não dá mais para analisar a real riqueza do lugar apenas por esse título. Não sei até que ponto interesses políticos e econômicos influenciam essas escolhas. Apesar de eu ter gostado do ambiente da cidade, com uma influência arquitetônica francesa muito forte nos casarões, bonitos templos e cercada por montanhas e muito verde, construindo uma personalidade única e charmosa apesar de estar localizada em um dos países mais pobres do mundo, não sei até que ponto merece estar classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Bom, mas por comparação, se até Brasília está… Luang Prabang merece sim estar na lista…

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
A cerimônia de "almsgiving"
Cheguei na cidade por volta das 06 horas da manhã, e guiado pelo GPS, decidi ir a pé para o hostel e fiquei na esperança de encontrar alguns monges na cerimônia de almsgiving dos devotos budistas. Esse rito ocorre diariamente e os moradores da cidade oferecem alimento aos monges mas não por caridade em si, e sim por respeito a pessoas espiritualmente mais desenvolvidas. Demonstra ainda humildade e uma ligação para o reino espiritual, além de ser uma oportunidade para os leigos em fazer o mérito, possivelmente para expiação de culpa por algo. Tive sorte, embora não tenha conseguido boas fotos, pois os monges andam em um passo acelerado. Com sono e carregando quase 15Kg fiquei para trás... Mas consegui acompanhar duas devoções e ouvir por um bom tempo a canção que eles entoam durante sua caminhada. Ficou por um bom tempo na minha cabeça.

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
Artesanatos em Luang Prabang
Estabelecido na cidade em um hostel bem agradável, foi minha vez de peregrinar. Algumas caminhadas agradáveis encontram-se na colina Phou Si, cercada de vários templos, sendo um deles inclusive dentro de uma pequena gruta com a imagem de Buddha (sempre ele), além de estar representado em vários pontos da rota por várias estátuas. Uma pena que a cidade estava com o céu completamente nebuloso e a vista da cidade do topo da colina não foi tão impressionante assim. O circuito termina em um monastério budista, onde vários jovens monges estavam saindo de um de seus encontros de meditação. Ao final dessa caminhada, em direção à parte leste da cidade e fazendo o retorno pela avenida que margeia o rio, pode-se observar vários dos mais belos templos de Laos, ruas bem cuidadas, arborizadas e com bonitas construções europeias. Dessa margem do rio a visão para o pôr do sol é privilegiada, mas com a má condição atmosférica infelizmente, ele deixou muito a desejar.

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
Formações fantásticas durante as quedas
A cidade possui um grande mercado noturno, que sempre tínhamos de atravessar para alcançar os pontos para jantar. Vende-se de tudo e na área de alimentação, os famosos baguetes franceses roubam a cena, embora hajam várias barracas de comida laosiana sendo oferecida como buffet por 10.000 kips (US$1,30) o prato (pequeno, mas você podia fazer uma montanhinha razoável). Encontrei na cidade duas colegas que havia conhecido em Don Det, uma espanhola e uma holandesa. E jantamos juntos uma noite antes da espanhola deixar a cidade. No dia seguinte, fomos visitar as cachoeiras Kuang Si, a cerca de uma hora da cidade por tuktuk. Nele, acabamos conhecendo um alemão que nos acompanhou no passeio. As cachoeiras são um espetáculo, com diferentes níveis de quedas, onde cada nível guarda uma grande piscina natural, com águas azuis esverdeadas que poderiam ser ainda mais impressionante se o tempo não estivesse meio nublado. Caminhando cada vez mais nível acima, chega-se na cachoeira “mãe”, com 50 metros de altura e que alimenta todo o fluxo de água e tanta beleza. A área também guarda um centro de preservação de ursos negros asiáticos, que são caçados na região. Existiam cerca de 8 ursos no parque. Mas apesar de ser da mesma linha ancestral que nossos queridos cães, não eram muito amistosos… Não dão a mínima para você!

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
O mercado noturno da cidade
Alimentada pelo turismo, Luang Prabang oferece algumas atrações noturnas também. Em uma noite fomos num barzinho de nome Utopia, ambiente muito agradável, maior parte sem cobertura e iluminação por velas, que toca muito rock dos anos 90, embora de vez em quando aparecia uma Adele no meio da “playlist”. Em outra noite fomos ver um filme oferecido nas instalações de um hostel, gratuitamente. Ou mais ou menos. Você precisava fazer ao menos um pedido, em um menu com preços bem inflados em relação à cidade. Mas está valendo. Pagamos também pelo ambiente e é assim que tem de ser. O problema é que faltando uns 20 minutos para o final o DVD travou e foi impossível continuar. Soubemos do final consultando a internet hehe. No dia seguinte, adiantei algumas coisas nas minhas leituras e fui no final da tarde pegar o ônibus para o Vietnã. Seriam 24 horas de viagem. E, já sabia, de estrada péssima. Bom, para quem se aventura a viajar no interior do Laos não se pode esperar muita coisa…

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