Dias 106 a 109 da viagem: Siem Reap, Camboja, berço do Angkor Wat

Relato de viagem à Siem Reap, interior do Camboja e Angkor Wat, uma maravilha da antiguidade: uma das maiores cidades do mundo da Idade Média ocidental.
Crianças cambojanas treinando um recital

A viagem à Siem Reap, interior do Camboja e ao Angkor Wat, uma maravilha de sítio arqueológico: uma das maiores cidades do mundo da Idade Média ocidental.


De Phnom Pehn fui a Siem Reap de van com uma irlandesa que conheci no hostel. A viagem deveria demorar 5 horas, mas levou 6. Muito melhor do que o esperado para os notórios atrasos na Ásia. De qualquer forma, como saímos bem cedo, chegamos após o almoço na cidade e conseguimos descansar um pouco. Na chegada, pegamos um tuktuk ao novo hostel e posteriormente já agendamos com ele para ser nosso motorista nos templos de Angkor Wat no dia seguinte. O calor estava muito forte e a princípio, apenas tomei um banho e fiquei no ar condicionado. No final da tarde, com a temperatura um pouco mais baixa, vimos alguns templos, uma apresentação de um recital em uma escola infantil (por acaso) e fomos jantar. O dia seguinte começaria cedo, pois escolhemos a visita do nascer do sol em Angkor, isso é, o motorista passaria no hostel às 05 e meia da manhã.

O parque arqueológico de Angkor Wat abriga o que restou de uma das maiores cidades do mundo nos séculos IX e XV. Inicialmente construído por povos hindus do reino Khmer, passou a ser modificado para o budismo após a conversão religiosa de um rei no ano de 1200 AD. Seu sucessor porém, retomou o hinduísmo como religião principal do reino e iniciou um processo de destruição de todas as imagens de Buda. Muitas estátuas sem cabeça estão bem preservadas para a visitação. Da mesma forma que os muçulmanos possuem uma história negativa na Índia, pela destruição dos templos hindus, os hindus também fizeram o mesmo nessa área tempos atrás.

Relato de viagem à Siem Reap, interior do Camboja e Angkor Wat, uma maravilha da antiguidade: uma das maiores cidades do mundo da Idade Média ocidental.
Os templos de Angkor Wat ao amanhecer
O complexo é enorme e é impossível visitar todos os locais em apenas um dia. O motorista do tuktuk, que recebeu 15 dólares pelo dia conosco, passou no horário combinado e nos levou ao portão Oeste das ruínas de Angkor Wat após passar pelo imenso fosso de 200 metros de largura. Essa grande quantidade de água era necessária para manter a umidade do solo constante durante os meses de seca e de monções, evitando rachaduras e a consequente implosão das construções. Assistimos ao nascer do sol por trás das gopuras, refletindo suas sombras no lago em frente às construções. Começar cedo ajudou a enfrentar melhor o calor intenso que fazia em Siem Reap nesses dias e tivemos um bom aproveitamento até umas 10 horas da manhã. Após esse horário o rendimento caiu e acabamos voltando para o hotel antes das 16 horas. De qualquer forma, foram quase 12 horas de visita, suficiente para visitar os templos principais do sítio.

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A bela simbiose que destrói a história
Outra interessante área visitada foi o templo de Ta Prohm, onde após seu abandono pela civilização khmer (o abandono da cidade ainda é um mistério), a natureza formou complexos onde grandes árvores cresceram abraçadas às construções, formando hoje uma harmonia meio duvidosa, pela destruição que está sendo causada aos templos históricos. Já na cidade de Angkor Thom, o templo de Bayon impressiona pelas grandes faces de pedra esculpidas em suas torres e o templo Baphoun, construído em forma de pirâmide, permite a subida do visitante e proporciona uma linda vista do alto. Durante a visita, percebe-se algumas áreas bem conservadas, em geral apadrinhadas por organizações estrangeiras (com uma boa publicidade), mas muitas outras construções estão literalmente desabando. É permitido ao visitante quase tudo, e são poucas áreas cuja visitação é proibida. Muitas construções, se não receberem manutenção o mais rápido possível, não resistirão ao tempo, infelizmente.

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Como qualquer cidade da Ásia, cheia de tuktuks
Os dias seguintes à visita do complexo foram gastos para conhecer a cidade e seu dia a dia, bem como mais alguns templos e o agitado mercado noturno. Siem Reap é uma cidade bem menor do que Phnom Penh e conta com uma infraestrutura razoável, mas certamente bem  pior do que a capital. Já demonstra um pouco mais a pobreza do país, embora conte com lugares agradáveis para percorrer (exceto pelo calor que fez nesses dias), como a avenida ao longo do rio e a praça em frente à residência real. As caminhadas são mais tranquilas, em função do trânsito menos intenso. E com uma frequência bem maior do que Phnom Penh, avista-se pré-adolescentes, na faixa de 10 a 12 anos, pilotando os pequenos scooters que pipocam por todo o lado que você anda, com uma liberdade gostosa de se pilotar em baixa velocidade sem capacete. Já arquitetonicamente a cidade não possui muitas atrações, exceto pelos grandes hotéis de luxo, numerosos em função das visitas de turistas para o Angkor Wat.

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Típicas construções do interior do Camboja
Mais do que conhecer a cidade, visualizei muito do interior do Camboja pela estrada, tanto na ida a Siem Reap quanto no prosseguimento da viagem até o Laos. Quando passávamos nas pequenas vilas, a impressão positiva do país através da capital desvanecia, pois a pobreza é mais escancarada. Algumas visões remetem às visões da Índia e do Nepal. A infraestrutura também é precária; as estradas, simples, possuem trechos em que seria melhor tirar todo o asfalto que sobrou e deixar apenas o caminho de terra. O país, assim como todo o Sudeste asiático, possui um período de chuvas muito forte anualmente, as monções. E todas as construções vistas da estrada são construídas elevadas, da mesma forma que as palafitas na região amazônica, e em sua frente ou nas laterais são escavados pequenos açudes para armazenamento da água nesse período. Como passei no final do período de seca, a maioria deles já estava vazio. Por toda a estrada são comuns os campos de arroz, base da alimentação da região e também usado como matéria-prima para as cervejas locais. E não vi nenhum prejuízo para a qualidade das mesmas na troca do nosso querido gritz (milho desengordurado) pelo arroz. As cervejas aqui são tão refrescantes quanto as brasileiras!

Mais fotos no Google+. e no Pinterest, no fututo.

Próximo post: Don Det e Don Khon, Laos.

Comentários

  1. Tudo muito interessante e lindo, mas essas árvores abraçadas as construções, não parece real, se tivesse visto em uma foto na internet, diria que era montagem, ,lugares inesquecíveis...

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