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Dias 55 e 56 da viagem: Varanasi, Índia, e as atividades no Ganges

Sim, eles também jogam "bets" (ou taco)

Varanasi, também uma cidade sagrada a beira do Ganges, impressiona pela devoção religiosa e pela incrível quantidade de sujeira nas ruas.


E chegamos ao final dessa “inacreditável” Índia, com mais uma vivência da extrema devoção religiosa de uma parte dos indianos e infelizmente, muita, mas muita sujeira. Cheguei em Varanasi pela manhã, com cerca de uma hora de atraso. Conheci um sul-coreano no trem e fomos procurar um hotel juntos. Como o quarto era duplo, resolvemos rachar a diária, e nesse meu dia e meio de Varanasi fizemos juntos o tour pela cidade. Ficamos na Vishnu Guest House por falta de opção. A cidade estava cheia de turistas e não havia vagas nos dois primeiros locais que procuramos. Como eu ia ficar apenas uma noite, não exigi muito. O quarto era ruim, apesar de possuir sacada e ter uma tamanho razoável. Mas mesmo assim, não recomendo essa guest house para ninguém. 

A cidade de Varanasi é famosa na Índia pelos seus funerais e cremações de corpos à beira do Rio Ganges, além da massa de indianos que fazem seus votos religiosos mergulhando os corpos na água poluída. Sim, é mais uma cidade sagrada (mais uma, o que torna o sagrado não uma exceção, mas quase um padrão), e uma das cidades mais antigas continuamente habitadas no mundo. As ruelas próximas ao rio são extremamente estreitas e carros e tuk-tuks são proibidos de circular. Isso porém, não garante um trânsito é fácil, pois motocicletas e bovinos sempre estão no caminho. As motocicletas com a buzina sempre travada no “on” e os bichinhos sempre obrigando-nos a manter o olho no chão em virtude de seus resíduos digestivos. Não é fácil e tampouco agradável andar na cidade.

Devoções extremas aos deuses no Ganges
A cena dos hindus banhando-se no rio impressiona. A devoção religiosa é forte para se submeterem a entrar no rio gelado e extremamente poluído, onde o guia nos informou que não é raro corpos em putrefação surgirem na superfície. No raiar do sol do segundo dia na cidade, pegamos um bote com mais dois japoneses e fizemos um tour pela margens por duas horas. Paramos na outra margem, com uma grande faixa de areia que impede a vista da outra parte da cidade. Passamos em um dos gaths (escadarias que levam ao rio) de cremação onde estava um corpo esperando sua vez. Para os indianos de casta inferiores, a cremação ocorre próximo à areia, sem nenhuma base de sustentação do corpo. Para os indianos de casta superiores, existem uma área mais recuada onde o corpo é suspenso durante a cremação. Mais um dos flashs que mostram a ridícula segregação social existente e que comentei parcialmente na postagem sobre o relativismo cultural. A cidade possui vários templos, mas não os visitei, uma vez que não eram muito diferentes dos templos-padrão que existem em todas as cidades indianas. Gastei o resto do pouco tempo na cidade percorrendo suas vielas e aproveitando para comer bem, uma vez que aqui os preços são bem mais em conta do que as cidades chamadas turísticas da Índia. Mas precisamos ter coragem e escolher um local adequado.

A sujeira é o padrão da cidade
A sujeira é o padrão da cidade. Achei que não ia ver algo pior do que já vi na Índia, mas Varanasi se superou. A cidade é incrivelmente imunda. A quantidade de bovinos, cachorros e macacos andando pelas vielas é absurda. Foi a primeira vez que vi uma manada de bois subindo escadas. Grandes escadas. Mas eles não são os únicos responsáveis pela sujeira. Os indianos jogam continuamente lixos nas vielas. Vendem alimentos no chão, ao lado de excrementos, animais e todos os demais tipos de resíduos. E isso faz o cheiro da cidade tornar-se insuportável. Gostaria de terminar os relatos da Índia com uma visita positiva, mas seria falso se narrasse algo diferente. Varanasi foi a pior cidade que conheci na Índia e as fotos no Google+ (link abaixo) mostram cenas adicionais. A energia positiva que muitos sentem por aqui não incorporou-se em mim. A sujeira, o cheiro, o ambiente em si impediram qualquer outra sensação ou manifestação.

Express Airport Metro em Delhi: 1º mundo
No retorno o trem para Nova Délhi atrasou uma hora para sair, mas manteve esse atraso até a chegada. Fui direto ao aeroporto, pois não queria correr riscos de perder o vôo. A infraestrutura da Índia é complicada e não sei o que poderia acontecer. Quedas de eletricidade eram comuns em todas as cidades que fiquei, o que poderia prejudicar o metrô. Ir por superfície seria complicado pelo trânsito caótico. E não me arrependi, pois o novo terminal 3 do aeroporto (e a linha expressa do metrô que liga a estação ferroviária até ele) são primorosos. Visão de primeiro mundo, a primeira que tive na Índia. Foram construídos em virtude da Copa Commonwealth dois anos atrás para receber as delegações e turistas. E ficaram como um bom legado para o país. E para o Brasil, qual será o legado que ficará com a Copa e com as Olimpíadas? Provavelmente, apenas estádios elefantes brancos… Nada de melhoria significativa de infraestrutura está sendo feita até agora. O pouco que está sendo feito vem da iniciativa privada, com alguns aeroportos privatizados. O que depende do governo possui um andar paquidérmico. Sempre. Não será o título ou as medalhas que deveriam ser motivo de orgulho, mas o que poderia-se fazer pelo país com a realização desses mega-eventos, embora a história mostra que o país-sede quase sempre sai perdendo. Mas poderíamos perder menos.

Nascer do sol em Varanasi
Bom, mas retornando a esse sub-continente… A Índia realmente possui muitos contrastes e para gostar do país, o viajante precisa fechar os olhos para muitas coisas. Muitas mesmo. A não ser que faça uma viagem basicamente “turística”, não passando pelas mesmas situações em que a maioria dos indianos passariam, o viajante experimentará várias situações em que tenho certeza que ele dirá a si mesmo: “nunca mais”. Mas existem compensações. Como comentei anteriormente (Khajuharo), o povo em geral, lhe recebe muito bem. Claro que a maioria está interessada em algo, mas eu acredito que genuinamente, muitos têm interesse em conhecê-lo como pessoa, assim como os costumes do seu país. Em nenhum país do mundo vi tamanha recepção, tantas perguntas e vontade de bater papo. A Índia possui também cidades melhores e piores. Se Varanasi estava em um extremo, Mahabalipuram e Rishikeshi estavam em outro, com Khajuharo logo a seguir. São todas cidades menores, com menos lixo, menos barulho e aparentemente, pessoas mais amistosas. Porém, isso não seria suficiente para eu, um dia, pensar em viver no país. Acredito que aqui falta muita coisa para se ter um mínimo de conforto na sua vida. Não penso em conforto material, mas sim em conforto vivencial. O dia a dia aqui cansa demais. Não só a sujeira, o cheiro, as intermináveis buzinas... Mas também a falta de encontrar algo gostoso para se comer, algum lugar tranquilo para descansar, visões bonitas para descongestionar a visão. Fico imaginando como seria no verão, com um calor escorchante. Beiraria o insuportável.

Problemas bizarros: como passar?
Enfim, existem muitas formas de enxergar essas situações e eu respeito todas. Não faço nenhum julgamento de opinião. Mas eu respeito principalmente a opinião das pessoas que passaram por tudo isso que passei. Não vale adorar a Índia sem ter posto os pés por aqui. Não vale adorar a Índia ficando só em hotel 5 estrelas e andado de ônibus turístico com ar condicionado (embora alguns turistas nessas condições – e eu presenciei, aproveitam para uma vivência maior no dia a dia do país, e isso já é positivo). Se você encontra-se em um desses dois grupos, sua opinião pode ser tendenciosa. Faça uma visita real. No meio do povo. Você poderá se decepcionar, e muito. Ou amar de vez. Existem milhares de pessoas no segundo grupo.

E vamos para o Nepal!

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Próximo post: Kathmandu.

2 comentários:

  1. Você está certíssimo André que para saber ou mesmo apreciar a cidade ou do país em que vamos visitar é necessário estar bem próximo do povo e um pouco longe dos lugares turísticos.
    Se o viajante fechar os olhos para as coisas não muito agradáveis como relatou acima, com certeza, encontrará algo de positivo. Pode ser um lindo nascer do sol, uma planta ou uma flor diferente, pois, mudando o foco, gera também uma mudança de perspectiva.
    Beijos

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  2. Obrigado Nina! Compartilhamos das mesmas opiniões! Bjus!!!

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