01/01/2013

Dia 18 a 21 – Capadócia

Goreme - Capadócia
O Vale do Pigeon e Goreme ao fundo
Fiquei na Capadócia 4 dias e 3 noites. Escolhi a cidade de Goreme como base e não me arrependo. A estrutura é boa para passeios e é ao lado do ponto de saída dos balões. Como citei no post anterior de Éfeso, peguei um ônibus noturno para Goreme e cheguei na cidade às 07:30hs da manhã, já vendo bem de perto os balões subindo pelo horizonte. O check-in do hotel ocorre somente meio-dia, e aproveitei para tomar um café da manhã, ver preços de passeios e zanzar um pouco na cidade, que me pareceu turística demais para mim. Mais turistas do que habitantes locais. E esses sempre com a atenção voltada para os turistas. Muitas lojas de souvenirs, muitas agências de turismo, muitos restaurantes com preços dobrados em relação às duas cidades anteriores da Turquia que estive. Mas isso faz parte por estar localizada em uma das regiões únicas no mundo!

Cheguei no Coco Cave Hotel duas horas depois e após a negociação do quarto e passeios, Ekrem, o dono, permitiu que eu entrasse antes no quarto. Para quem vai se aventurar por lá, vou resumir o negócio que fiz com ele. Existem passeios mais baratos e mais curtos de balão, com companhias sem credenciamento e sem seguro, que podem custar até 80 euros. Mas no hotel ele fazia apenas com companhias credenciadas, cujo preço inicial pedido foi de 125 euros (ainda assim, menos do que eu havia visto na internet; talvez seja a temporada de inverno, com menos procura). Acabei fechando por 100 euros, pois incluí a compra do “Green Tour” por 90 liras. E como o hotel estava relativamente vazio, negociamos um quarto privativo no valor do dormitório, por 7 euros à noite e com um (bom) café da manhã. Acho que foi bom. Já no quarto, liguei imediatamente o aquecedor (quando cheguei a temperatura externa marcada no ônibus era de 2ºC) e só desliguei quando fiz o chek-out 3 dias depois. Tomei um banho e deitei para descansar da viagem noturna. Apaguei. Acordei só à noite para jantar. Deixei marcado o passeio de balão já no dia seguinte, onde eu teria que acordar às 05 da manhã. Primeiro dia na Capadócia se foi…

Passeio de balão, Capadócia
Preparação do balão para a subida
A van, quase cheia, passou atrasada para me pegar às 05:40hs e nos levou ao local do café-da-manhã (bem fraquinho), onde juntaram grupos vindos de várias vans da mesma empresa (Ürgup Baloons). Começamos a receber um adesivo com cores diferentes, que representavam o “cesto”, ou balão, que subiríamos. Contei 6 cores diferentes. Achei que perdemos tempo demais no local, pois o dia já estava começando a clarear, prejudicando a visão que tanto falam do horizonte com os primeiros raios de sol. E, de fato, fomos, mas foi um prejuízo coletivo, pois, entre todas as empresas, nosso balão foi um do primeiro grupo a subir ao céu. Perguntei ao “capitão” sobre o fato e ele disse que realmente houve um atraso de meia hora em função do vento. Bom, nesse quesito não fomos muito felizes, mas como sempre tentamos buscar saídas para uma melhor conformação aos fatos, aí vai a minha: o nascer do sol não seria muito bonito, pois o céu estava um tanto nublado no início. Além disso, deixar para o dia seguinte não seria uma boa ideia, pois garoou de manhã, e poderia ter sido pior…

Passeio de balão, Capadócia
Uma viagem lenta
Mas de qualquer forma, foi um show à parte. A expectativa do balão levantar, a entrada nos cestos (capacidade de 18 pessoas em cada balão) e a sensação da subida é fantástica. O vôo do balão é muito suave, vagaroso, uma verdadeira viagem lenta, no melhor sentido da expressão. No passeio, o capitão comanda algumas descidas perto das formações rochosas típicas da região e sobe novamente para uma visão mais panorâmica, sempre com o ruído e com o calor do fogo subindo pertinho de nossas cabeças. O altímetro marcou até 800m e em um mesmo momento, contei 78 balões no céu. Imaginem no verão como que isso fica! As fotos e o vídeo no YouTube falam por si só. O passeio durou 1h10’'. Descemos em uma caçamba, com o balão ainda em pé, que nos levou para uma clareira onde tomamos champagne, tradição local dedicado aos balonistas do passado, e recebemos um “certificado”. Após isso, nos levaram ao hotel. Deu tempo de tomar outro café da manhã, esse sim bem melhor, e precisei trabalhar um pouco nesse último dia útil do mercado financeiro do ano, para acertar alguns pontos. Saí só de noite para jantar um prato de cordeiro. E assim finalizou o segundo dia.
Passeio de balão, Capadócia
O horizonte do inverno na Capadócia

No terceiro dia, fizemos o passeio que é conhecido como “Green Tour”, e foi o meu escolhido através de análise de várias opiniões da internet. O passeio, que durou das 09:30hs às 18:00hs, custou 90 liras, e acho que foi razoável, pois inclui um bom almoço, as entradas de dois locais que somam 23 liras, o custo de deslocamento (calculo que andamos cerca de 250km) e a guia que falava um inglês meio estranho. Se eu fosse fazer todo o passeio individualmente, não iria conciliar horários de transporte dentro de um dia apenas. O passeio, que recomendo, incluiu a o Pingeon Valley, a cidade subterrânea de Derinkuyu, o pequeno hiking no Ihlara Valley, o monastério de Selime, palco de filmagem de Star Wars e uma visita em uma fábrica  de produtos de ônix.

Cidade subterrânea de Derinkuy
A cidade subterrânea de Derinkuyu
A primeira parte do passeio, o Pingeon Valley, é logo ao lado de Goreme, e eu já tinha avistado na andadinha da cidade do primeiro dia. Apenas a localização para as fotos foi um pouco melhor. A seguir, fomos na cidade subterrênea de Derinkuyu, que compôe-se realmente de uma cidade imensa, com igreja, salões de reunião, inúmeros quartos, cozinhas e até estábulos para animais, todos comunicados através de uma forma bem peculiar, com redes de ventilação e ligações subterrâneas com outras cidades semelhantes. Nessas cidades, podiam viver milhares de pessoas, que fugiam das perseguições anti-cristãs dos romanos. Apesar de possuir 12 andares, foi possível a descida até o 8º e segundo a guia, a 50m de profundidade, uma altura-padrão por andar alta em comparação aos edifícios residenciais… De qualquer forma, é surpreendente como em necessidades extremas, a capacidade de adaptação de uma sociedade pode ser desenvolvida. A necessidade de sobrevivência nos impõe uma saída da zona de conforto, e é interessante vivenciarmos essa capacidade de mudança, nem que por opção, algumas vezes na vida, tornando-nos mais flexíveis e maleáveis em condições adversas.

Ihlara Valley
Vista do Ihlara Valley
Depois da cidade subterrânea, fomos à Ihlara Valley, o maior cânion da região da Capadócia, e que concentra muitas igrejas esculpidas na rocha, como a igreja Ihlara, a principal que visitamos, com afrescos originais ainda realtivamente preservados. Fizemos um hiking de 4km ao longo do rio Melendiz. A caminhada é agradável e fácil, belas paisagens e ao final, um bom peixe de almoço em um restaurante ao lado do rio. Posteriormente, fomos ao complexo religioso em Selime, construído nas rochas no século 13 pelos monges, com afrescos ainda preservados. É o maior complexo religioso da região, composto, além das igrejas, de salões, residencias e locais de criação de 
Monastério de Selime
Monastério de Selime
animais dos antigos habitantes da região. Por fim, já com o dia escurecido e voltando à Goreme, paramos em uma fábrica que produz objetos a partir do mineral ônix, um dos minérios mais abundantes da região e principal fonte econômica, além do turismo e indústria da cerâmica. O dono explanou sobre a matéria-prima de seu negócio e mostrou a fabricação de uma peça com o material. E é claro, nos apresentou sua loja para possíveis compras.  There is no free lunch! Assim terminou o terceiro dia, indo à estação de ônibus para comprar a passagem a Istambul na noite seguinte (55 liras) e voltando para o hotel com a temperatura chegando a 0ºC.

Goreme, arredores
A magrela na estrada
No quarto dia, aluguei uma bike. Queria fazer um dos roteiros dedicados a hiking, mas não teria tempo de fazer a pé. Além disso, mudar um pouco o estímulo muscular é bom, como rege o Princípio da Variabilidade do Treinamento Físico. E alternar sensações também pode fazer bem! Bom, começando o passeio a uns 4ºC, conheci uma boa parte das redondezas de Goreme, porém, em alguns pontos, precisei recuar em algumas trilhas, em função da dificuldade de levar a bike comigo. Além da estrada enlameada, alguns trechos começaram a ficar estreitos demais para eu passar com a bike do lado e algumas subidas tornaram-se pesadas demais. Assim, acabei não subindo nos maiores platôs. Para compensar o 

DSCF3345
O roteiro empreendido
fato, fiz o retorno por uma estrada também dedicada a hiking, meio sem saber o que encontraria na frente. Caso a situação ficasse complicada eu teria que voltar tudo de novo, alongando uns 10km a distância de volta. Até complicou um pouco sim: em muitos locais, só empurrando foi possível a travessia, com o pior ocorrendo em degraus onde tiver que carregar a bike para poder subir. As fotos mostram as sensações vivenciadas, incluindo os inúmeros túneis escavados nas rochas que precisei atravessar. A Capadócia, a “terra dos belos cavalos”, realmente possui formações únicas. Eu calculei pelo gps que rodei cerca de 40km, sendo uns 25km em estrada de asfalto, outros 10km em trilha pedalando e outros 5km em trilha mais fechada, empurrando ou carregando a bike. Levei 6 horas no percurso. Para esse tempo de bike, o gasto foi de 15 liras.

As agências de Goreme oferecem muitos mais passeios para explorar a região. Eu havia pesquisado algo pela internet, e percebi que os demais locais guardam muitas semelhanças com os lugares que visitei. Existem mais cidades subterrâneas, mais vales, mas o padrão visual e a historicidade são praticamente os mesmos. Cabe o viajante decidir e escolher o que e quanto deseja conhecer. Ou pelos pacotes das agências, ou alugando uma moto, um quadriciclo ou um cavalo. Tem para todos os gostos!

Voltei ao hotel para descansar um pouco na recepção e escrever o rascunho desse post. O ônibus para Istambul sairia às 19hs. Voltei assistindo “P.S. I love you” em turco.

Próximo post: Istambul.

4 comentários :

  1. Oi André!
    Quanta história interessante!!! E sempre muito bem escrita; importante também são os detalhes e suas interpretações!!!
    A Débora disse que está acompanhando seu blog e que o Guto está encantado...
    Sabe dizer mais ou menos quantas pessoas vivem nesta cidade subterrânea de Derinkuyu? Ou é só para visitação turística? Beijos

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    1. Oi Nina! Obrigado pelas palavras! E que bom que eles estão gostando! Viajamos juntos!

      A cidade hoje é desabitada. Existem histórias que são habitadas há milhares de anos - existem referências dos antigos gregos sobrem essas cidades, mas foram os cristãos perseguidos pelos romanos que edificaram e melhoraram as instalações. Veja no Google que tem bastante informação. Foi uma opção minha não repetir informações que já estavam na net. O tempo não seria suficiente!

      Bjus e obrigado pelos comentários!

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  2. Leitura gostosa... está bem divertido acompanhar. Espero que esteja bem tranquilo para vc atualizar tb.

    Cara, minha professora respondeu o meu email meio q tarde demais... Disse q valeria a pena ir p Romenia sim, mas não senti mta firmeza se vc encontraria mesmo algo imperdível. Não entrou em detalhes, mas perguntou o q vc gostaria de ver e q natureza eh o forte.... Vou avisar q vc qria matar o Drácula, mas q agora já seguiu viagem.rsrs

    Estou curioso pra saber como foi o seu ano novo Eurasiano. E por falar nisso, excelente 2013 p vc! Abração

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    1. Que bom que está gostando Kbç! Você é um referencial perfeito, pois aprofunda nos assuntos, entende de tudo, reflete e emite sua própria opinião! E não é da família hahaha! Receber um elogio seu é motivo de orgulho! Mas espero que continue sendo o crítico de sempre!

      Cara, Romênia já era mesmo... Já comprei a passagem para a Índia e vou manter a programação da viagem... Não quero que deixe de ser uma Viagem Lenta!

      O ano-novo foi numa festa do Couchsurfing! Foi um barato! Só pessoal maluco! Mudar de vez em quando é bom!

      Abração!

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