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Por que viajar?

Impressões do meu grande amigo e xará sobre o prazer de viajar, sobre a necessidade de banir (eventualmente ou definitivamente) os padrões de nossa consciência.(texto enviado pelo meu grande amigo André Luís Martins Pinto)

Porque viajar pode mudar sua vida!



A ideia de viagem pode estar profundamente ligada às experiências humanas de fuga e exílio. Mais além disso - como na história cristã, em que o jovem Jesus vai para o deserto aos 12 anos e "reaparece" já na fase adulta, como o"Walkabout" - a tradição das tribos aborígenes australianas onde os jovens de 16 anos devem sobreviver por 6 meses na solidão do deserto para voltar para a tribo como "homem", a viagem de Dante na Divina Comédia, Homero na Odisseia, os Lusíadas e etc... - pode remeter este encontro com o desconhecido um ritual de passagem, um momento de crescimento espiritual e de renovação.

Eu me lembro que antes de começar a viajar como "viajante", não como "turista"*, um dia na empresa em que eu trabalhava, um funcionário me contava como sua viagem para o deserto do Atacama tinha sido maravilhosa. Ele comentou algo que me fez pensar muito a respeito mesmo anos depois: “Eu não passo um dia de minha vida sem que pelo menos por alguns segundos eu não me lembre daquela viagem”.
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Socialismo e emoção: o exemplo do Sudeste Asiático

Motivos da dominância da mente socialista: infância cultural, baixo IDP ou ineficiência dos discursos liberais? Socialismo e emoção no Sudeste Asiático.
"Invasão" capitalista brasileira em um shopping no Vietnã

Quais os motivos da dominância da mente socialista? Infância cultural, baixo IDP, apego sentimental ou ineficiência dos discursos liberais? Ou tudo junto? Socialismo e emoção no Sudeste Asiático.


Minha passagem aos três países da península da Indochina reforçou na minha mente uma das muitas ideias e características relacionadas ao socialismo e aos seus defensores: a impossibilidade de aceitar que durante todo o tempo eles estiveram (e estão) equivocados em sua visão de sociedade ideal, cuja viabilidade em tempos atuais é facilmente desconstruída apenas pela observação histórica e um mínimo de bom senso na observação do mundo atual.

Comecemos a análise pelos nomes oficiais dos países da península da Indochina: República Socialista do Vietnã, República Popular do Camboja e República Democrática Popular do Laos, denominações claramente socialistas/comunistas. Os governos, ostentam o orgulho de sua “revolução” na década de 70 e 80, exibem em inúmeros locais fotos dos seus líderes (o culto à personalidade já característico do sistema) e das bandeirinhas vermelhas da foice e do martelo, símbolo arcaico e ridículo de um sistema que já foi responsável pela morte de milhões e milhões de pessoas direta e indiretamente ao redor do mundo, e que, incrivelmente, ainda atrai seguidores, muitos deles por aqui… Como Millor Fernandes disse uma vez, “uma ideologia quando fica velhinha vem morar no Brasil” – e nos nossos vizinhos da América do Sul. Arrebatados desde o período escolar, infelizmente a grande maioria de seus discípulos desconhece o real significado e as consequências históricas desses movimentos, como a gradual perda de liberdade de cada indivíduo.
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205 dias fora de casa - uma reflexão sobre a viagem

Pensamentos finais da viagem de 205 dias - Ásia e Europa. O equilíbrio entre o real e virtual, o Couchsurfing, a exposição no blog e objetivos alcançados.

Pensamentos e reflexões finais da viagem de 205 dias - Ásia e Europa. O equilíbrio entre o real e virtual, o Couchsurfing, a exposição no blog e os objetivos alcançados.


Fim de viagem! Ao menos a viagem física. No pensamento ela ainda está presente, criando asas nas inevitáveis comparações que fazemos com a nossa rotina, com as pessoas e com o nosso país. Nesses 205 dias, foram 18 países, sendo 15 novos para mim. Das 88 cidades visitadas, passei a noite em 58 delas, seja em hotéis, hostels ou com companheiros do Couchsurfing (CS). A grande maioria dos percursos foram rodoviários - carros, ônibus, motocicletas, bikes e muitas caminhadas, mas pelo caminho também estiveram presentes 14 viagens de avião, 15 de trem e 9 percursos de navios, com "caronas" eventuais em balão, cavalos, botes e lanchas.

Na apresentação do blog coloquei meus objetivos quando decidi compartilhar a viagem e meus pensamentos. Digamos que, em parte, eles foram atingidos. As postagens relativas à viagem em si foram inicialmente mais específicas para os futuros viajantes, com muitos auxílios para suas novas viagens. Porém, no decorrer das postagens, comecei a escrever de uma forma menos particularizada, sem colocar muitos nomes de locais e valores de gastos, deixando a leitura mais fluida. Talvez porque no início a maioria dos feedbacks foram de pessoas próximas que buscavam apenas compartilhar as sensações da viagem, sem interesse em informações que poderiam estar em um guia turístico. Afinal, elas não tinham um planejamento de repetir a aventura. Porém, acredito que com a constante indexação das páginas do google, o público em geral começou a encontrar o blog na web e invariavelmente, me procuravam para perguntar algo mais detalhado. E muitas dessas perguntas eram justamente sobre as informações que eu estava omitindo nas postagens subsequentes. Porém, eu já estava nessa tendência de produção de texto e preferi mantê-la, me disponibilizando sempre, entretanto, para responder todas as dúvidas que me eram enviadas.
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Dias 196 e 201 a 205 da viagem: França, Áustria (Salzburg) e Bahia!

Relato da viagem à região da Alsácia, na França - castelo Haut-Koenigsbourg em Sélestat, e Salzburg, terra de Mozart, na Áustria.
Centro comercial da cidade de Riquewihr, França

O final da  viagem com a visita à região da Alsácia, na França - com destaque ao castelo Haut-Koenigsbourg em Sélestat, e Salzburg, terra de Mozart, na Áustria. E o grand finale em Alagoinhas, na Bahia!


No post anterior, comentei que, do sul da Alemanha, fomos até a França de carro. A Alsácia é uma região que já pertenceu a Alemanha anteriormente e fica localizada muito perto da cidade de Bräulingen. Na ida, sob um calor de quase 30ºC, não pegamos auto-estradas e as paisagens das estradas vicinais – para usar um termo brasileiro, eram magníficas. Na fronteira, nada de fiscalização, assim como ocorreu na fronteira da Suíça com a Alemanha: passagem livre. Os governos europeus não gastam mais dinheiro com funcionários nesses locais. Mas na operacionalização do estado de bem estar social, devem estar fazendo volume – e consumindo dinheiro do contribuinte, em outros locais.

O ponto alto do passeio foi o castelo de Haut-Koenigsbourg, próximo à cidade de Sélestat. O castelo fica no alto de uma montanha de 755m e permite uma visão incrível do vale da Alsácia, além de seus próprios encantos. O castelo foi construído no século XII e passou por grandes melhorias no século XV, fortificando-o para a guerra mas caiu na Guerra dos 30 anos e foi abandonado.
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Dias 192 a 200 da viagem: Sul da Alemanha: Nuremberg, Freiburg, Bräulingen e arredores

Relato de viagem do sul da Alemanha (Bräulingen, Freiburg e Nuremberg), uma região de qualidade de vida impensável aos padrões que nos acostumamos a aceitar.
Visão da janela do quarto que dormia

Relato de viagem do sul da Alemanha (Bräulingen e arredores, Freiburg e Nuremberg), uma região de qualidade de vida impensável aos padrões que nos acostumamos a aceitar.


Esse post e o subsequente não estão em uma ordem cronológica, pois enquanto eu estava no sul da Alemanha, vindo de carona da Suíça, eu também fui um dia à França. Decidi, porém, escrever um post sobre o sul da Alemanha primeiro e posteriormente, escrever sobre as visitas na França e na Áustria, dividindo assim, os relatos por países. Na Alemanha, fiquei hospedado todos os dias, exceto em Nuremberg, na casa de um grande amigo meu e sua esposa, que me proporcionaram excelentes dias de comilança, muitas cervejas especiais, altos papos e incríveis passeios. Fiquei em Bräulingen, mas visitei de bicicleta cidades vizinhas e, de carro, Freiburg durante uma noite. Noite em relação ao horário, pois aqui nessa época o sol se põe somente às 22:00hs. Não sentimos o tempo passar. Fiquei também uma noite em Nuremberg aproveitando uma carona, pois meu trem para a Áustria sairia de lá.

Bräunlingen é uma cidade com menos de 6.000 habitantes espalhados por todo o município, que possui extensas áreas rurais. Possivelmente, a região central da cidade tenha bem menos que isso. De bicicleta, é possível andar em volta de toda a área urbana em 15 minutos. Bairros, casas e jardins de sonhos: as famílias parecem que competem qual delas tem o melhor jardim e as mais bonitas flores.
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Dias 190 a 191 da viagem: de volta ao ocidente em Zurique, Suíça

Viagem à Zurique, Suíça. De volta ao ocidente e novamente à Europa. Visitas à igreja Fraumünster, São Peter e Uetliberg.
E é verão na Suiça!

Viagem à Zurique, Suíça. De volta ao ocidente e novamente à Europa. Visitas à igreja Fraumünster, São Peter, Museu de Artes e um hiking em Uetliberg.


Viajei da Ásia - Cingapura para a Europa com a Qatar Airways e vale o registro: essa companhia é show! As refeições, o sistema de entretenimento do avião (de Doha para Zurique vim no belo e moderno Boeing 787 Dreamliner) é incrível e a equipe de bordo, amabilíssima. Ajudou com que as 16 horas de viagem, incluindo a hora e meia que passei em Doha, não fosse tão monótona. Mas o melhor mesmo foi o lugar que consegui reservar no primeiro voo fazendo o check-in antecipado pela internet: as poltronas da fileira 10 são as primeiras da classe econômica e como não há assentos na frente, o espaço para as pernas é fantástico. Além disso, o banco reclina também a parte inferior para apoio das pernas. Ainda não era uma classe executiva, mas foi muito melhor que o padrão.

Em Zurique, meio atordoado com as 6 horas de jetlag, um colega me esperava no aeroporto para irmos ao seu apartamento, onde eu ficaria nesses dois dias pela cidade. Não o conheci pelo CS dessa vez, mas sim através de uma amiga em comum, e ele me proporcionou um excelente apoio, visto que morava na região central, o que possibilitou que eu visitasse praticamente toda a cidade nesses dois dias de Suíça.
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Dias 185 a 189 da viagem: o fantástico capitalismo de Cingapura

A viagem à Cingapura: capitalismo e liberdade econômica a serviço das pessoas. Visitas à Marina Bay, arborismo, Fort Canning e o fantástico Jardim Botânico.
Quadras de tênis no meio da cidade do capitalismo "opressor"

A viagem à incrível Cingapura: capitalismo e liberdade econômica a serviço das pessoas. Visitas à Marina Bay, arborismo em MacRichtie Treetop, Fort Canning e o formidável Jardim Botânico.


A cidade-estado seguinte a ser visitada após Hong Kong e Macau seria também a última visita da Ásia: Cingapura. Por ela me despediria dessa viagem por culturas totalmente diferentes e sentiria a falta de muitas sensações e amizades que pipocaram no meio do caminho. Já sentia um mistura de prévia saudade desses últimos 6 meses, mas também uma ansiedade de volta para casa, apesar de ainda possuir mais de duas semanas pela frente. De qualquer forma, a última estadia na Ásia me proporcionou antecipadamente esse sentimento de início de desfecho da viagem. Sentimento confuso, onde já não sabemos qual o tipo de vivências e pensamentos que preenchem mais, ou deveriam preencher, o nosso ocupado tempo. Mas como esse não é um post de filosofia – o qual estou devendo há tempos a mim mesmo, vamos então à Cingapura.

O estado de Cingapura balança, em termos de liberdades, por dois lados. Na área da economia, o país é uma potência. A cidade é fantástica, tanto pelo lado arquitetônico quanto urbanístico. Toda pessoa que gosta de arquitetura e urbanismo deveria passar uns dias nessa cidade.
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Dias 180 a 184 da viagem – as chinesas capitalistas Hong Kong e Macau

Relato da viagem à Hong Kong e Macau, experiências capitalistas chinesas exemplares. Passeios em Kowloon, ilha de Victoria, cassinos e Mount Fort.
Baía de Victoria e ilha de Hong Kong

Relato da viagem à Hong Kong e Macau, experiências capitalistas chinesas exemplares. Passeios em Kowloon, ilha de Victoria, cassinos e Mount Fort, entre outros.


Após as Filipinas, chega a vez das cidades-estado: Hong Kong, Macau e Cingapura. Para os dois primeiros entretanto, uma meia-verdade, pois desde o final do século passado estão sob a administração chinesa. Mas de qualquer forma, ainda possuem sua própria legislação e gozam de liberdades que o povo da China continental ainda não sonha possuir, como por exemplo, a internet livre. A cultura ocidental é bem presente nesses dois enclaves asiáticos, frutos da administração britânica (Hong Kong) e portuguesa (Macau) nos últimos séculos. Com superfícies pequenas e uma população considerável, possuem uma das maiores concentrações demográficas do planeta, e surpreendentemente, com organização, bom planejamento e muito capitalismo e liberdade econômica, permanecem como lugares incríveis e agradáveis para se visitar, com muitas áreas verdes e recreação.

Hong Kong, apesar de possuir uma área bem menor do que a cidade de São Paulo, ainda é quase 40 vezes maior do que Macau (Macau é um dos 5 menores estados do mundo, junto com Tuvalu, Nauru, Mônaco e Vaticano) e por isso, possui uma facilidade maior para possuir uma boa infra-estrutura de lazer, como parques nacionais, parques temáticos (Disneyland) e grandes resorts ao longo da costa.
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Dias 168 a 179 da viagem: Metro Manila e Anilao, nas Filipinas

Relato de viagem a região metropolitana de Manila e a área Intramuros e bairro Guadalupe e à praia de Anilao, nas Filipinas.
Crianças e quadra de basquete, paixão nacional

Relato de viagem a região metropolitana de Manila, área Intramuros, bairro Guadalupe, a incrível Basílica de aço São Sebastião e à praia ao sul da ilha em Anilao, nas Filipinas.


Após um intenso networking na Indonésia, viajei às Filipinas, com muito do meu trabalho atrasado e precisando colocar algumas coisas em dia. Na maioria desses dias, reservei cerca de 3 a 4 horas para atualizá-lo, assim como esse blog, que estava com quatro postagens atrasadas (e no momento que escrevo, ainda está com duas…). Assim, não viajei para as ilhas do sul, até pelo pouco tempo que tinha no país, e fiquei na região metropolitana, que oferece muito mais para conhecer a cultura e os costumes dos filipinos, bem como sua vida real.

Os principais pontos em sítios históricos, os quais gosto de visitar, estão na região também. Para não ficar com gostinho de não ter conhecido uma praia filipina, viajei ao sul da ilha de Luzon, e visitei a pequena vila de Anilao, próximo a Batangas. Aqui também conheci muitas pessoas do Couchsurfing, sendo que nesses 11 dias, dividi as noites em hostel (e adiantando o que estava atrasado), mas também na casa de 3 pessoas. Ainda saí com mais amigos que dividiram seu tempo comigo durante algumas andanças e refeições na cidade.
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Dias 162 a 167 da viagem: Indonésia, Java Oeste - a capital Jacarta

Relato da viagem na capital Jacarta, oeste de Java, Indonésia: Monas, Istiqlal, Couchsurfing, museus e corrida pelas ruas da cidade.
Desfile colorido de bicicletas no Sábado

Relato da viagem na capital Jacarta, oeste de Java, Indonésia: Monas, Istiqlal, Couchsurfing, museus e corrida pelas ruas da cidade.


A capital do país seria minha última parada na Indonésia e ponto de partida para Filipinas. De Yogyakarta, cheguei a Jacarta de ônibus, em virtude de uma combinação desfavorável de preços e horários de trens. Novamente, o ônibus até que é bom, mas as estradas… o que impede qualquer sono razoável. Cheguei na cidade amanhecendo e esperei uma colega que me buscaria no terminal rodoviário. Jacarta não é só a maior cidade da Indonésia, mas também de todo o Sudeste Asiático. Tem fama de ter um dos piores tráfegos do mundo e sofre por não possuir metrô ou trens elevados semelhantes às demais grandes cidades da região, como Kuala Lumpur e Bangkok. Recentemente, a cidade implantou corredores exclusivos de ônibus (que muitos motoristas não respeitam), aliviando um pouco a caótica situação, mas ainda assim, muito aquém do aceitável.

Porém, por outro lado, a cidade, cosmopolita, oferece algumas agradáveis praças de lazer, esbanja opções de compras – dezenas e dezenas de shopping-centers, e uma vibrante vida noturna. Sua história data do século XII com os reinos hindus, e os primeiros europeus a chegarem na cidade foram os portugueses, em 1522. Retomada posteriormente por reinos muçulmanos, entrou sob controle holandês, mantido, com circunstanciais perdas para os franceses e ingleses, até 1949, quando a Indonésia conquistou sua independência, libertando-se do jugo dos antigos colonizadores que não são vistos com bons olhos, em virtude do processo de escravidão e limitações diversas impostas à população, como, por exemplo, sua proibição de frequentar escolas.
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Dias 158 a 161 da viagem: Indonésia, Java Central - Yogyakarta e Borobudur

Viagem à região central da ilha de Java, Indonésia, nas cidades de Yogyakarta e em Borobudur e o maior templo budista do mundo.
Rua Malioboro e suas charretes, Yogyakarta

A viagem à região central da ilha de Java, Indonésia, nas cidades de Yogyakarta e em Borobudur e o maior templo budista do mundo.


O trem de Surabaya para Yogyakarta viaja rápido para os padrões asiáticos, completando 330km em menos de 5 horas, apesar das paradas no meio do caminho. Estava nesse momento na área central da ilha de Java, na cidade que é considerada a capital cultural do país, onde as inúmeras universidades compõem um ambiente jovem e mais liberal aos costumes das leis islâmicas. Yogyakarta, carinhosamente chamada de Yogya (pronuncia-se Djógia) por seus moradores, é uma cidade que tem um histórico frequente de erupções vulcânicas e abalos sísmicos (em 2010 a erupção do Mount Merapi matou 353 pessoas e em 2006, mais de 6000 pessoas foram mortas em um terremoto), foi capital do país por três anos, antes da expulsão definitiva dos holandeses de Jakarta, e exerce um importante papel como pólo de atração turística, em virtude de seus próprios atrativos, mas principalmente pela proximidade da atração turística mais visitada da Indonésia: Borobudur, o maior templo budista do mundo.

Junto com um colega do Couchsurfing, visitei na cidade suas duas principais atrações: o Kraton e o Water Castle. O Kraton é um complexo de palácios, templos, residências e jardins onde o sultão vivia com sua família e seus empregados. Esse tipo de construção é muito comum nos países islâmicos, mas já vi em outras cidades algo bem mais suntuoso, embora isso em si não seja em todo positivo, pois toda construção destinada aos governantes sempre vêm do dinheiro da taxações impostas à população.
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Dias 152 a 157 da viagem: Indonésia, Leste de Java - Probolinggo, Malang e Surabaya

A viagem no leste de Java, Indonésia: Probolinggo, Malang e Surabaya: vulcões  (Mount Bromo, Batok, Semeru) e grandes amigos.
A impressionante boca da cratera do Bromo

A viagem no leste da ilha de Java, Indonésia: Probolinggo, Malang e Surabaya. Vulcões  (Mount Bromo, Batok, Semeru) e grandes amigos


A ilha de Bali deixaria saudades, mas a viagem tem de continuar… De ônibus, fui a Java, a mais populosa ilha da Indonésia e seu centro econômico. Minha parada inicial foi em Probolinggo, onde um colega do Couchsurfing me ofereceria apoio para minha ida ao Mount Bromo, um vulcão ativo na ilha. Após uma “meia” noite, onde tive que acordar às 3 horas da manhã, saí em direção ao local, no intuito de alcançá-lo a tempo do nascer do sol, situação muito comentada como belíssima por vários locais e turistas. Eu não achei grande coisa. Um nascer do sol é sempre bonito, mas nada fez sê-lo espetacular. Algumas fotos que vi na internet mostravam a área do vulcão cheia de pequenas nuvens, mas isso só acontece durante poucos dias do ano. Não tive essa sorte. Com os primeiros raios do sol, entretanto, pude ver com mais detalhes onde estávamos. O lugar em si era mais interessante que o nascer do sol propriamente dito. A visão do vale onde o vulcão descansava era impressionante. Em meio a um terreno lunar, conhecido como Sea of Sand, com areia negra e muito pedregoso, jazem vulcões extintos, como o Mount Batok e ativos, como a grande cratera do Bromo e a alta montanha do Mount Semeru. 

Chegar na cratera foi uma aventura de moto, pois a areia preta estava úmida e muitas vezes quase ficamos atolados. A caminhada em direção a cratera tem um quê de solene, quando, em meio ao solo rochoso, escuro e vulcânico, nos damos conta que estamos em frente a um protagonista que é responsável por uma das maiores demonstrações de força da natureza. Comentei um pouco disso no artigo "Os nobres desafios". Estar na boca da cratera esfumaçante a sensação é ainda mais intensa, é imaginar uma viagem ao interior de nosso planeta e todas as condições internas, estáveis ou não, que nos mantém aqui no lado externo. E como tudo pode acabar de uma hora para a outra, cabendo à humanidade apenas o seu monitoramento e nada mais.
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Dias 146 a 151 da viagem: Bali, a ilha hindu da Indonésia

Viagem à ilha hindu de Bali, na Indonésia, com praias, templos, vulcões e cachoeiras e um voluntariado em um orfanato.
Um dos milhares de templos em  Bali

A viagem à ilha hindu de Bali, na Indonésia, que teve, além de praias, templos, vulcões e cachoeiras, um voluntariado em um orfanato.


Minha ida à Bali, primeiro local na minha visita a Indonésia, criou uma expectativa considerável, em virtude da mistura de misticidade da ilha com um dos spots mais badalados do mundo, presença de diversas paisagens diferentes como praias, montanhas, vulcões e cachoeiras, e uma grande diferenciação religiosa dentro de um mesmo país, pois a grande maioria dos balineses são hindus, ao invés da maioria muçulmana no resto da Indonésia. E mesmo assim, praticam um hinduísmo particular, com elementos de animismo, presentes desde o início do povoamento da ilha que data de muitos séculos atrás, anteriormente ao ano 3.000 a.C. A diversidade linguística está presente, assim como em toda a Indonésia.

Esse tipo de diversidade, presentes em outros países da Ásia, talvez seja um dos pontos mais intrigantes de toda minha viagem, pois a experiência que temos do Brasil, um país sem história antes dos portugueses (estou falando de história escrita, civilização, o que nunca tivemos com as tribos indígenas), colonizado de forma homogênea por todo território, é completamente diferente. Aqui em Bali, em um espaço territorial muito menor, convivem centenas de linguagens bem diferentes uma das outras, e o governo central encampa grandes movimentos para unir os indonésios em uma linguagem nacional, o Bahasa. Leva a pensarmos muito em todas as facilidades culturais, sociais e naturais que nosso país possui, e como não conseguimos tirar vantagem disso, promovendo nossa liberdade e melhorando nosso padrão de vida.
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Dias 141 a 142 da viagem: Delta do rio Mekong, ao sul do Vietnã

Relato da viagem à região do Delta do rio Mekong, baseada na cidade de Cantho, no sul do Vietnã; noite em uma homestay local e o mercado de Cai Rang.
Chegando na homestay ao final da tarde

A viagem à fantástica região do Delta do rio Mekong, no sul do Vietnã. Baseada na cidade de Cantho, com noite em uma homestay local e o grande mercado de Cai Rang.


Em Ho Chi Minh comprei um pacote de uma operadora local para a visita do Delta do Mekong, com a duração de dois dias, passando uma noite na região dentro de uma homestay mantida por uma família local (hotel era outra opção). Fiquei em dúvida como seria essa homestay, e desconfiei de ser algo meio turístico. Mas mesmo assim arrisquei, e essa escolha nos proporcionou um dos melhores momentos da viagem, narrados a seguir. O delta do rio é, apesar das condições geográficas peculiares – em todo lugar há rios, igarapés, formando milhares de ilhas, uma das áreas mais populosas do país, em uma economia baseada na pesca e no cultivo do arroz, beneficiado justamente por essa abundância de umidade.

A viagem teve uma parada inicial na cidade de My Tho, onde paramos para ver a bela Pagoda Vinh Tragn, com uma das estátuas mais divertidas de Buda. Após essa parada, pegamos um barco e até o dia seguinte o transporte principal seria aquático! Paramos em uma ilha um passeio de charrete (?...). Coisas de pacote turístico, sem comentários… E almoçamos, junto com um espanhol e uma colombiana, na ilha Tortoise, um um bonito local com pontes de bambu atravessando igarapés.
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Dias 138 a 145 da viagem: Ho Chi Minh, ex-Saigon: a big city do Vietnã

Relato da viagem à Ho Chi Minh, maior cidade do Vietnã, Túneis de Cuchi, museus, guerra, rock e muitos scooters!
Não tem semáforo não! Vai e reza!

Relato da viagem à Ho Chi Minh, maior cidade do Vietnã, Túneis de Cuchi, museus, guerra, rock e muitos scooters!


Cheguei em Ho Chi Minh com o dia amanhecendo, repetindo a condição de Nha Trang. Estava estabelecido na cidade que me forneceria a última experiência no Vietnã, uma vez que meu vôo para Bali sairia daqui. A estadia na maior cidade e centro econômico do país ocorreu em duas etapas. Após 3 noites na cidade, adquiri um pacote turístico para o Delta do Mekong, com duração de dois dias. Na sequência, voltei à cidade para as despedidas finais. Esse post trata de ambos períodos em Ho Chi Minh. No próximo post, regredirei um pouco no tempo e comentarei sobre o Delta do Mekong.

Ho Chi Minh proporciona todas as diversas sensações que uma grande cidade pode oferecer, como o contraste entre o moderno e o novo, experiências culturais, diversos museus, milhões de locais para compras e principalmente, o teste mais radical para desenvolver sua experiência em atravessar ruas e avenidas inundadas de scooters nos muitos cruzamentos sem semáforos. Como andei  muito a pé, acho que tirei meu diploma de Ph.D nessa área de conhecimento.
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Dias 134 a 137 da viagem: Nha Trang, balneário "russo" do litoral do Vietnã

Relato de viagem à Nha Trang, no litoral do Vietnã, a grande presença russa, belas praias e uma aurora boreal?
Nascer do sol ao norte da cidade de Nha Trang

Relato de viagem à Nha Trang, no litoral do Vietnã, a grande presença russa, belas praias e uma aurora boreal?


A chegada na cidade a partir de Hoi An ocorreu durante o nascer do sol, antes das 6 horas da manhã, e percebemos in loco a diferente rotina de horário que os vietnamitas possuem em relação a nossa cultura ocidental. Eles acordam muito cedo e dormem bem cedo também. A praia é muito cheia no horário das 5 e meia da manhã até às 8:00hs, e volta a encher novamente após às 17:00hs. Fogem do sol, indubitavelmente. Quando acrescentamos o fato de que muitos se mumificam no dia a dia, usando máscaras no rosto e roupas compridas mesmo embaixo do sol, percebemos que existe talvez algo mais além do que simplesmente uma manutenção da saúde da pele.

Ouvi comentários (posteriormente confirmados) que aqui, assim como nos países mais a leste da Ásia, beleza significa pele clara, além de traduzir uma posição social melhor, em oposição às pessoas de pele mais escura que necessitam trabalhar dia a dia no sol. Totalmente diferente da cultura ocidental, onde um bom bronzeado é o desejo da maioria. Mais um dos grandes exemplos das diversidades culturais de cada região desse planeta Terra.
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Dias 131 a 133 da viagem: Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos por scooter

Relato de viagem à pacata e agradável cidade de Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos em uma scooter.
Camisa da GAP e tudo!

Relato de viagem à pacata e agradável cidade de Hoi An, Vietnã, e seus vilarejos em uma scooter.


A distância de Da Nang para Hoi An é de apenas 25km, o que resultou no menor tempo de viagem que fiz até agora no Vietnã. De uma cidade nova, grande e em crescimento, fui a uma cidade antiga, pequena, mas com crescente movimentação turística em função de sua atribuição pela UNESCO de Patrimônio Cultural da Humanidade (mais uma). Hoi An, de qualquer forma, merece muito ser visitada. Apesar de ser uma cidade fundamentalmente turística, possui uma harmonia entre a beleza de suas antigas casas e construções chinesas e japonesas, muitas delas atualmente restauradas. Na atmosfera entre a funcionalidade dos inúmeros e aconchegantes hotéis espalhados pelas suas ruas, na maior parte estreitas e de trânsito limitado para automóveis e entre seus inúmeros restaurantes, que embora cobrem valores maiores, possuem uma atmosfera agradável e o convida à refeição. Para aumentar o leque de opções, fica a 3km da praia mais próxima, possibilitando prazerosos banhos de mar com um conforto de uma razoável infra-estrutura. E se a aventura for além, permite a visitação de várias vilas locais baseadas na pesca e a aproximação mais forte com a cultura do país.

A história da cidade é complexa, em função da interação de muitos comerciantes de diversas partes do mundo, que usavam o porto de Hoi An como principal ponto comercial de seus produtos. Japoneses e chineses deixaram profundas marcas, especialmente os últimos. Árabes e europeus também colaboraram para o mix cultural, sendo que Hoi An foi uma das primeiras cidades expostas ao Cristianismo no Sudeste Asiático. Essa herança torna a pequena cidade única e partilha as diversas construções de época, muitas delas renovadas e bem conservadas, que podem ser visitadas.
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Dias 129 a 130 da viagem: Da Nang, modernidade no centro do Vietnã

Relato de viagem à Da Nang, porto e moderna cidade na região central do Vietnã. Visita ao templo Cao Dai.
Nessa ponte o dragão ficava colorido e soltava fogo pela boca

Relato de viagem à Da Nang, porto e moderna cidade na região central do Vietnã e a visita ao templo Cao Dai.


Em geral, a maioria das pessoas que viajam de norte a sul pelo Vietnã, ou seja, de Hanói para Saigon, vão após Hue, para Hoi An. Eu resolvi fazer uma parada em Da Nang. A cidade fica no caminho e estava na rota dos ônibus turísticos, tinha praia e era uma cidade com um grande crescimento no país. Além disso, eu havia conhecido duas moradoras da cidade pelo Couchsurfing que me convidaram para mostrar a cidade e não queria perder a oportunidade dessa interação. Eu acredito que é dessa forma que conhecemos melhor o país: através das pessoas e não através das atrações turísticas. Comentei algo sobre isso no post Turismo de Culpa. O primeiro dia foi rico justamente em função dessa interação. Conversamos sobre a vida delas na faculdade, da moradia distante dos pais, das possibilidades de futuro, de viagens, enfim, como o dia a dia do outro lado do mundo pode ser tão diferente, mas ao mesmo tempo as dificuldades podem ser tão semelhantes das que vivem os estudantes no nosso país.
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Dias 126 a 128 da viagem: Hue, região central do Vietnã e sua cidadela

Relato de viagem à cidade de Hue, região central do Vietnã e sua grande cidadela da dinastia Nguyễn  às margens do Rio Perfume.
Visões externas da cidadela de Hue

Relato de viagem à tranquila cidade de Hue na região central do Vietnã. O destaque fica por conta de sua grande cidadela da dinastia Nguyễn às margens do Rio Perfume.


O ônibus noturno vindo de Hanói chegou na cidade de Hue por volta das 8 horas da manhã. As estradas no Vietnã, ao menos as principais, parecem um pouco melhores do que as do Camboja e Laos, fato que me permitiu dormir bem no ônibus. Não havia reservado hotel na cidade, e aceitei o convite de um grupo canadense para checar o único hostel da cidade, que elas haviam feito reserva. Decidi ficar por lá mesmo. Como o check-in ocorreria apenas às 11 horas e o sinal de internet estava péssimo, saí para andar um pouco pelas adjacências e deparei-me com uma cidade bem menor do que Hanói, com menos pressa e pessoas mais gentis, mesmo na técnica de abordagem dos turistas pela rua. 

Sendo uma cidade mais voltada para os estrangeiros, existem menos locais que caracterizam os hábitos do país, como as mesas e cadeiras de bonecas, principalmente na parte turística, recheada com restaurantes de todos os tipos e bem mais caros que a média local. Mas mesmo assim, é difícil encontrar algum prato por mais de 6 ou 7 reais. E esses são os mais caros, com camarões ou frutos do mar. Viver no Vietnã de fato é muito barato.
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Dias 122 a 125 da viagem: Hanói, capital do Vietnã e Halong Bay, sob chuva.

A viagem para Hanói e Halong Bay, no norte do Vietnã. Fantástica beleza mesmo em chuva e as atrações da capital.
Seu conceito de carga em duas rodas muda após conhecer o Vietnã.

A viagem para Hanói e Halong Bay, no norte do Vietnã. Muita beleza mesmo em tempo chuvoso da baía e as atrações da capital do país..


A chegada no Vietnã lembrou-me um pouco a Índia. Após uma longa viagem de ônibus de Luang Prabang, onde ficamos esperando mais de uma hora a fronteira do país abrir e mais uma hora pela lerdeza dos funcionários em providenciar nossas entradas (e olha que todos já tinham visto – não existem meios de conseguir vistos nas fronteiras terrestres do país), cheguei de noite em Hanói e rapidamente abordado por centenas de taxistas e mototaxistas implorando para me levar no hotel. A visão indiana permaneceu na mente quando deparei-me com o trânsito, sem regras, barulhento, caótico, onde 90% dos veículos são de duas rodas. Devem ter aprendido a buzinar com os indianos, formando uma sinfonia que desnorteia seu juízo. Para ajudar a chegada, o motorista que me levou cobrou posteriormente a mais do que o preço combinado. Depois de uma discussão de 5 minutos, dei um trocado a mais, deixei ele falando sozinho e entrei no hostel. Chegada nada positiva no país.

O dia seguinte foi dedicado à cidade, e meu planejamento era usar os dois próximos dias em Halong Bay. Hanói é a capital do país, embora o posto de maior cidade do Vietnã seja de Saigon, renomeada cidade de Ho Chi Minh após a vitória das forças comunistas do norte, bem ao estilo do ridículo culto de personalidade que rege os governos (ditos) vermelhinhos. Digo “dito”, porque o estado sofre, como Laos e Camboja, de uma falta de auto-afirmação ideológica tremenda ao afirmar-se comunista-socialista, mas incentivando o capitalismo em toda a parte, de forma a promover o crescimento da economia e a diminuir a pobreza.
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Ciclos e procrastinação: as armadilhas do calendário

Ciclos - as armadilhas do calendário e a procrastinação
O calendário, com seus ciclos, pode tornar-se uma armadilha

Os ciclos em nossa vida são legitimados pelo conceito do calendário e podem ser grandes pretextos para o triunfo da procrastinação.


Na minha viagem ao Sudeste Asiático fui presenteado com visões sem fim de campos de arroz, principal cereal utilizado na alimentação desses países. Memórias de um livro lido trouxeram à mente informações de que a cultura do arroz não possui ciclos no plantio, isso é, a terra mantém-se permanentemente em uso. Diferentemente, na Europa, com a cultura predominante do trigo e cevada, existia um intervalo, um período para descanso do solo e uma recuperação para a (re)mineralização do solo, como aprendemos no colégio nas aulas de Idade Média (cultura de “pousio”, lembram-se?). E esses fatos históricos influenciaram historicamente o trabalho da sociedade humana nos extremos desse planeta. Na Europa e posteriormente na América colonizada, a ideia de “férias anuais”, da necessidade de recuperação do indivíduo, está muito mais amalgamada na rotina do que no Oriente, que possui férias mais curtas, tanto para o trabalho como para o estudo. O objetivo aqui não é tentar definir o que é  mais produtivo, mas exemplificar como os ciclos da da natureza pode influenciar toda uma sociedade.

É o típico caso do Rio Mekong, influência respeitável no Sudeste Asiático. É impressionante a variação de nível que o mesmo apresenta entre os períodos seco e chuvoso, observado principalmente no Laos e comentado nas postagens de Don Det e Vientiane. A definição desses ciclos pela natureza faz com que toda uma população viva em função de sua cheia, construindo casas elevadas, escavando açudes e aproveitando margens férteis para plantar culturas temporárias, como a batata e o tomate.

Possuir uma vida em função dos ciclos ditados pela natureza, onde sofreremos consequências caso não nos adaptemos é algo natural, e ocorre em diversas partes do mundo. Mas e quando nós decidimos que devemos agir em função de um ciclo que não está diretamente ligado às nossas decisões?
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Dias 118 a 121 da viagem: Luang Prabang, monges e almsgiving, Laos.

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo.
Monges reparando o telhado de um templo ao final da  tarde

Relato de viagem à cidade de Luang Prabang, norte do Laos, em meio a centenas de monges. Almsgiving e cachoeiras Kuang Si, um espetáculo!


Após uma viagem que durou toda a noite em um bom ônibus leito, mas que não faz milagre em proporcionar algum conforto em função da péssima conservação da estrada, cheguei em Luang Prabang, antiga capital do antigo reino de Lan Xang (desde 1353) e possui importante papel na resistência laosiana frente aos franceses no século XX. Hoje é uma cidade pacata, com seus parcos 50mil habitantes e provê uma importante renda através do turismo.

A cidade é Patrimônio Cultural da UNESCO. Ainda vou entender melhor como funcionam essas atribuições da UNESCO, pois vários lugares que visito fazem parte desse patrimônio. Com tanta gente no time, não dá mais para analisar a real riqueza do lugar apenas por esse título. Não sei até que ponto interesses políticos e econômicos influenciam essas escolhas. Apesar de eu ter gostado do ambiente da cidade, com uma influência arquitetônica francesa muito forte nos casarões, bonitos templos e cercada por montanhas e muito verde, construindo uma personalidade única e charmosa apesar de estar localizada em um dos países mais pobres do mundo, não sei até que ponto merece estar classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Bom, mas por comparação, se até Brasília está… Luang Prabang merece sim estar na lista…
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Dias 114 a 117 da viagem: Pakse e Vientiane, capital do Laos

Relato da viagem de passagem por Pakse e a visita a Vientiane, capital do Laos. Belas avenidas e templos na praça do Pha That Luang e o COPE.
Comércio de oferendas nas margens do Mekong

Da calma das ilhas de Don Det para a calma capital do país, Vientiane, passando por Pakse. Belas avenidas, templos na praça do Pha That Luang e o COPE.


Saí de Don Det meio zen, com uma sensação fantástica de relaxamento mas sentindo também que nos últimos 3 dias a vida passou e eu não acompanhei. Mas conclui também que necessitar estar a par de tudo é uma consequência da vida contemporânea, algo como uma doença moderna, e isso pode não ser bom. E considerei dar uma desacelerada nas leituras, nos trabalhos, no blog e no facebook. Porém, a capital do país, Vientiane não ajudou muito. É uma cidade agradável, mas não tem muitas atrações. Além disso, o calor não permitia aproveitar a caminhada de uma forma prazerosa. Acabei ficando mais tempo no ar condicionado do que imaginei. Mas por outro lado, algumas amizades que fiz no hostel ajudaram-me a manter parcialmente meu compromisso nessa desaceleração! E com uma cervejinha barata (e bem razoável) toda noite! :-)

Na viagem de ônibus de Don Det a Vientiane, passamos por Pakse, e tivemos que esperar por mais de cinco horas o novo ônibus que nos levaria à capital do Laos. Andamos um pouco pela cidade, passamos por um templo bem interessante, com pinturas da vida de Buda que eu ainda não tinha visto (e percebi posteriormente que aqui nos templos do Laos essas pinturas são comuns), mas foi só.
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Dias 110 a 113 da viagem: ilhas Don Det e Don Khon, rio Mekong, sul do Laos

Viagem para Don Det e Don Khon - arquipélago Si Phan Don ou 4000 ilhas, localizadas no meio do rio Mekong, ao sul do Laos.
Adolescentes voltando da única escola da ilha pela "avenida" principal

Relato de viagem para as isoladas ilhas de Don Det e Don Khon, localizadas no meio do rio Mekong, no arquipélago fluvial Si Phan Don - ou 4000 ilhas) ao sul do Laos.


A visita a essas ilhas é um exemplo de mudanças de planos ocasionadas pelas sugestões de colegas durante a viagem. Meu plano inicial era ir direto para a capital do Laos, possivelmente através da Tailândia novamente, pois o caminho é mais curto. Mas resolvi fazer um outro caminho, através da fronteira do Camboja para alcançar um lugar conhecido como "4000 islands", ou Si Phan Don, um grande arquipélago fluvial no meio do Rio Mekong. Dentre todas as ilhas, as mais visitadas são as ilhas de Don Det e Don Khon. Foi o lugar mais remoto e longe da civilização que visitei até agora. Uma simples verificação no Google Maps demonstra do que estou falando. É o meio do nada.

A viagem de ônibus desde Siem Reap, que começou às 05 da manhã, durou 14 horas. Embora o ônibus “VIP” fosse bem razoável, a má condição da estrada, principalmente na fase final de chegada na fronteira, não permitiu nenhum conforto durante a viagem; parecia que estávamos no lombo de um burro… Para os procedimentos burocráticos na fronteira, praticamente todos os passageiros delegaram ao funcionário da companhia de ônibus a tarefa de providenciar a saída do país, a emissão do visto e a chegada ao Laos. Não esperamos nem uma hora, e nem vimos a cara dos agentes laosianos. Ele voltou e entregou os passaportes todos carimbados e com o visto. Claro que recebeu uma boa comissão por isso. Mais uma prova que visto só serve para encher o bolso do governo e remunerar alguns funcionários através de propinas.
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Dias 106 a 109 da viagem: Siem Reap, Camboja, berço do Angkor Wat

Relato de viagem à Siem Reap, interior do Camboja e Angkor Wat, uma maravilha da antiguidade: uma das maiores cidades do mundo da Idade Média ocidental.
Crianças cambojanas treinando um recital

A viagem à Siem Reap, interior do Camboja e ao Angkor Wat, uma maravilha de sítio arqueológico: uma das maiores cidades do mundo da Idade Média ocidental.


De Phnom Pehn fui a Siem Reap de van com uma irlandesa que conheci no hostel. A viagem deveria demorar 5 horas, mas levou 6. Muito melhor do que o esperado para os notórios atrasos na Ásia. De qualquer forma, como saímos bem cedo, chegamos após o almoço na cidade e conseguimos descansar um pouco. Na chegada, pegamos um tuktuk ao novo hostel e posteriormente já agendamos com ele para ser nosso motorista nos templos de Angkor Wat no dia seguinte. O calor estava muito forte e a princípio, apenas tomei um banho e fiquei no ar condicionado. No final da tarde, com a temperatura um pouco mais baixa, vimos alguns templos, uma apresentação de um recital em uma escola infantil (por acaso) e fomos jantar. O dia seguinte começaria cedo, pois escolhemos a visita do nascer do sol em Angkor, isso é, o motorista passaria no hostel às 05 e meia da manhã.

O parque arqueológico de Angkor Wat abriga o que restou de uma das maiores cidades do mundo nos séculos IX e XV. Inicialmente construído por povos hindus do reino Khmer, passou a ser modificado para o budismo após a conversão religiosa de um rei no ano de 1200 AD. Seu sucessor porém, retomou o hinduísmo como religião principal do reino e iniciou um processo de destruição de todas as imagens de Buda. Muitas estátuas sem cabeça estão bem preservadas para a visitação. Da mesma forma que os muçulmanos possuem uma história negativa na Índia, pela destruição dos templos hindus, os hindus também fizeram o mesmo nessa área tempos atrás.
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Dias 102 a 105 da viagem: Phnom Penh, surpresa na capital do Camboja

Relato da viagem a Phnom Penh, capital do Camboja, uma das piores vítimas da loucura dos ditadores. Mas uma cidade que surpreendeu!
Cena de Phnom Penh ao entardecer

Relato da viagem a Phnom Penh, capital do Camboja, uma das piores vítimas da loucura dos ditadores. Mas uma cidade que surpreendeu!


A ida ao Camboja foi planejada sobretudo para a visita do complexo de Angkor Wat, em Siem Reap, que será comentada no próximo post. Porém, conhecer sua capital fez-me rever alguns pré-conceitos que eu tinha desse país. Foi, provavelmente, o primeiro país que eu não imaginava ser como é. Ao menos em relação aos lugares em que passei. Para quem sempre gostou de geografia econômica, o Camboja é conhecido por ser um dos países mais pobres do mundo, com renda per-capita da mesma magnitude da África subsariana, e um IDH que o coloca na 138º em um total de 189 países. Além disso, o país é um dos recordistas em percepção de corrupção no mundo, ocupando a 157º posição em uma lista de 174 países. Eu esperava encontrar muitas situações que ilustrem essas condições, principalmente após o choque de modernidade que recebi em Kuala Lumpur. Mas não foi exatamente o que ocorreu.

A capital possui sim seus problemas, como qualquer cidade brasileira, mas também mostra o desenvolvimento de  um bom planejamento urbanístico, preservação e cuidados que não imaginava encontrar em um país com indicadores tão ruins. Existem muitas avenidas largas, bem asfaltadas, arborizadas e com belas praças entre as pistas. Em muitas delas, muitas estruturas de lazer para as crianças. As calçadas, embora usadas praticamente como estacionamento de carros, são bem preservadas e na região central, muitos restaurantes e dois razoáveis shopping centers.
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Dias 95 a 101 da viagem: Kuala Lumpur, a moderna capital da Malásia

Viagem à moderna e cosmopolita capital da Malásia, Kuala Lumpur. Um exemplo de administração, limpeza e organização.
Mesquita e as torres gêmeas em KL

Viagem à moderna e cosmopolita capital da Malásia, Kuala Lumpur. Um exemplo de administração, limpeza e organização. Um exemplo de capitalismo para o Brasil.


A chegada em Kuala Lumpur no final da tarde prenunciou como seria toda a semana: grandes pancadas de chuva à tarde. Lembrou-me um período em que fiquei em Belém onde toda a tarde, praticamente no mesmo horário, chovia. A cidade impressionou logo na chegada. Altíssimos edifícios, amplas avenidas e dezenas de gruas revelam uma cidade que se moderniza muito rápido, e está em pleno processo de desenvolvimento. O transporte público, recheado de opções além dos ônibus, como metrô, trens elevados e trens suburbanos mostram a aposta correta: o trânsito, apesar do fluxo enorme de veículos, não é caótico. A miséria aparente é muito menor do que vi nos países anteriores, incluindo a Grécia e a Turquia, e muitos espaços de lazer, como imensas praças com jardins muito bem cuidados florescem pela cidade.

Assim como relatei em Penang, Kuala Lumpur reflete um país que, apesar da corrupção (muito comentada aqui mas ainda menos endêmica que nosso país – está na 54º posição no índice de percepção de corrupção [1] contra o 69º lugar do Brasil, avança a passos largos para integrar logo o rol dos países desenvolvidos. Seu PIB per capita (PPP) que na década de 90 era menor do que o brasileiro, já é hoje cerca de 40% maior [2]. E na lista de liberdade econômica, o país está em 56º em uma lista de 177 países. O nosso país está em 100º [3]. Talvez isso explique boa parte da diferença. Mesmo no IDH também está mais de 20 posições na frente do Brasil, e avançando bem mais depressa [4]. A mentalidade socialista e o viés ideológico que reina em nosso país nos qualificará a ser o eterno país do futuro que não chega.
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E chega a metade da viagem! 100 dias!

Sentimentos, estados, superações e pensamentos após 100 dias de viagem.

Sentimentos, estados, superações e pensamentos após 100 dias de viagem...


… de saudades de pessoas que lhe faz feliz

… de vontades e confortos “home sweet home”, como um pássaro longe do ninho

… de ausência de estabilidade mental – tudo muda o tempo todo e muito rápido

… de ausência de exercícios anaeróbicos, de presença de muita "junk food" e diminuição de massa muscular

… sentindo-se um analfabeto em boa parte das simples situações, como comprar algo no supermercado

… de muita humildade e perseverança em ter de descobrir infinidades de coisas sozinho

… presenciando inusitadas ações, comidas, diversões e artes que provavelmente nunca verei no Brasil
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Dias 91 a 94 da viagem: Georgetown, ilha de Penang, Malásia

Relato da viagem à bela ilha de Penang, capital Georgetown, na Malásia. Trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII.
Pinturas de rua em Penang

Relato da viagem à bela ilha de Penang, cidade de Georgetown, na Malásia. Pontos altos do passeio: trilha no Parque Nacional e a herança inglesa do século XVIII. 


E vamos ao sexto país da viagem: Malásia! Como comentei no post de Krabi, fiz uma opção para uma viagem mais sossegada e sem preocupação, pagando um assento em uma van particular. A viagem a partir de Krabi passou pela cidade de Hat Yai, onde almocei com um sérvio que vim conversando no caminho e onde também trocamos de van. A passagem na fronteira ocorreu sem problemas. Tanto na Tailândia quanto na Malásia brasileiros não precisam de vistos, o que facilita o trâmite. As estradas de ambos os países estão muito bem conservadas, tornando a viagem rápida e confortável, embora a longa distância e a parada para o almoço fez com que gastássemos no total quase 8 horas. Decidi na Malásia fazer uma parada em Penang, uma grande ilha que abriga a capital do estado de mesmo nome e uma das mais importantes cidades do país: Georgetown. O nome Penang refere-se normalmente tanto à ilha quanto ao estado, e vou usá-lo para ambas as regiões no relato.

Penang, além de ser conhecida no país como a capital e paraíso da alimentação, tem uma rica história de imigração de povos e em função de possuir um importante porto e centro comercial controlado pelos ingleses desde 1786, desenvolveu-se muito no século XIX a ponto de ser conhecida no século XIX como a “Pérola do Oriente”. Hoje o estado é um das mais importantes economias do país e sedia grandes empresas de informática e é o único onde a etnia chinesa é maioria entre todas as demais, embora em geral, não haja grande miscigenação, como no Brasil; em geral, as famílias são formadas entre pessoas da mesma etnia.
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Dias 87 a 90 da viagem: Krabi, Au Nang e Koh Phi Phi, Tailândia

Relato de viagem a Krabi, Au Nang e ilhas de Koh Phi Phi. Cenários paradisíacos dignos de total relaxamento.
Rio de Krabi e as rochas Khao Kanab Nam

Relato de viagem a Krabi, Au Nang e ilhas de Koh Phi Phi. Cenários paradisíacos  na Tailândia, dignos de total relaxamento.


Após ter conhecido Koh Samui, uma das ilhas do lado leste da Tailândia, fui a Krabi, uma cidade que fica na margem oeste do litoral do país banhada pelo estuário do Rio Krabi e do Mar de Andaman. Krabi é a capital de uma província que inclui o vilarejo de Au Nang (onde fica a melhor praia da cidade) e das ilhas de Koh Phi Phi, imortalizadas no filme “The Beach”. A cidade é bem organizada, bonita e possui uma ótima infraestrutura, apesar de possuir menos de 30mil habitantes. Possui um grande e bonito templo na área central da cidade, e mescla grandes oportunidades de compras e alimentação junto aos locais, como também um razoável shopping center no centro. Não possui, porém, uma praia para passar um período do dia. Praia decente, apenas em Au Nang, um subdistrito da cidade. Cheguei no final da tarde e jantei no Mercado Noturno, em frente ao rio. Experimentei uma típica panqueca de banana e aproveitei para começar a fazer uns experimentos de preços nas agências turísticas para um pacote para Koh Phi Phi e a ida de van para a Malásia. Para finalizar a Tailândia, decidi pagar algo mais em um transporte para turistas ao invés de ficar pegando ônibus locais. Ter um pouco mais de conforto e não usar tanto do meu tempo em trocas de transportes.
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A saída e a ampliação da zona de conforto - e um quiz sobre o rock brasileiro

Sair da zona de conforto nos traz liberdade para apreciar a zona de aprendizado e fortalecer nossos ideais
Expressar ou não essa liberdade de escolha?

Como uma viagem solo nos impele a sair da zona de conforto, ampliá-la através da sabedoria e ao mesmo tempo, trazer uma potencial liberdade nesse confronto?


Desde a nossa infância, por influências familiares, escolares e religiosas, criamos fronteiras onde o permitido e o proibido estão claramente definidos. Onde a maioria das consequências de nossas ações podem ser previstas e onde as nossas atitudes não desejam ser causa de nenhuma situação incômoda.

Essas delimitação de fronteiras pode ser entendida como uma construção pessoal, inconsciente, invisível que denominamos de “zona de conforto”: um lugar que caminha paralelamente com a realidade do nosso dia a dia e que oferece uma resistência muito grande para ser transpassado.

A zona de conforto confunde os mapas mentais da nossa realidade (como as coisas são) com os mapas de nossos valores (como as coisas devem ser). Está em um território que impede que sua liberdade real seja expressa. Uma região que deixa você com tantos motivos para deixar tudo como está, nem desistir e nem tentar.

A proteção de uma zona de conforto não é necessariamente prejudicial à nossa vida, pois precisamos de alguma segurança para a estabilidade emocional necessária para a tomada de grandes decisões. O importante é estarmos conscientes de sua existência. 

O ato de ver não é algo natural, já dizia Rubens Alves, assim como de ouvir o que a vida sopra em nossa vida. Quando se sabe ouvir não precisam muitas palavras, mas muito tempo a gente leva para entender que nada sabemos sobre a existência, real e abrangente.

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Dias 84 a 86 da viagem: a ilha de (Koh) Samui e Surat Thani, Tailândia

Relato da viagem à ilha (Koh) Samui, no golfo ao sul da Tailândia, próximo à praia de Chaweng. Sol, lindas praias e paisagens.
Koh Samui: águas verdes e cristalinas

Relato da viagem à ilha (Koh) Samui, no golfo ao sul da Tailândia, próximo à praia de Chaweng. Sol, lindas praias e paisagens.


Como relatei no post de Chiang Mai, a viagem até Koh Samui foi muito cansativa, e o cansaço impediu de certa forma a apreciar essa travessia norte-sul do país, com mais de 1.400 km de distância. A interferência desse cansaço foi um elemento adicional nesses dias, bem como escrevi no post “Viagens: o elemento esquecido”. Talvez deveria ter ido contra meus critérios de viajar lentamente e ir pelo ar, estrada rápida que estou deixando apenas para distâncias maiores ou travessias oceânicas (até agora foram “apenas” 7 vôos e existe uma programação de mais 7 até eu chegar na Europa de novo). O fato é que, em Koh Samui eu estava em uma das ilhas com algumas das praias mais belas da Tailândia, e precisava escolher entre conhecer muita coisa e não curtir (a ilha é relativamente grande – uma volta completa pela estrada de carro levaria umas 3 horas, sem paradas) ou manter-me em um pequeno trecho e relaxar a mente desfrutando de algumas de suas belezas naturais. Escolhi a segunda opção, propondo-me ficar duas noites antes de partir para o lado oeste do litoral da Tailândia.

Koh Samui é uma das ilhas no Golfo da Tailândia e possui uma estrutura urbana bem desenvolvida, totalmente voltada para o turismo. Os preços praticados na área de serviço, como hotelaria e restaurantes são ao menos o dobro de Bangkok ou Chiang Mai. Mas ainda aceitáveis para os padrões brasileiros. Cheguei na ilha através da cidade de Surat Thani, servida pela malha ferroviária do país. No ticket que comprei na estação ferroviária de Bangkok, estavam incluídos o ônibus até o pier (mais de uma hora de viagem) e o ferry (mais uma hora e meia). E na ilha, até chegar à badalada praia de Chaweng, mais uma hora de viagem. Mas não pensei no cansaço. Era hora do almoço, deixei as coisas no hotel (o hotel mais caro que paguei até agora desde a Europa), comi uma besteira no 7-eleven e fui conhecer a praia caminhando para o norte, devagar e com direito a alguns mergulhos. Passei ao largo da ilha privada de Koh Matlang, chegando quase ao extremo norte de Koh Samui.
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Dias 79 a 83 da viagem: Chiang Mai, Tailândia, em longas horas de trem

Relato da viagem a Chang Mai, retorno a Bangkok e ida a Surat Thani e Koh Samui, em longas horas de trem.
ใช่, eles também jogam futebol!

Relato da viagem à velha cidade de Chiang Mai, retorno a Bangkok e ida a Surat Thani e Koh Samui, em longas horas de trem.


Esses dias de viagem foram um pouco conturbados… Andar de trem na Tailândia é um exercício de paciência, pois são muito vagarosos além de não cumprirem horários. A viagem de Ayutthaya a Chiang Mai, que deveria durar 14 horas, durou duas horas a mais. Quebra qualquer um. Apesar de estar imerso na minha viagem lenta, alguma vezes eu boto a cabeça para fora e penso com todas minhas forças: vaaaaaamos, quero chegar logo! Mas daí repenso minhas prioridades, internalizo que o caminho também é importante, pode ser agradável e passo a pensar um pouco sobre ele. A paisagem não é digna de apreciação, então penso em escrever e ler um pouco no laptop. Não, impossível... não há tomadas para carregar a bateria e a havia esgotado na estação de Ayutthaya. Penso em ouvir música, mas a bateria do celular também está fraca, e quero guardar algo para o GPS. Ok, sim, eu quero chegar logo… Não fui capaz de apreciar esse caminho. Fraquezas acontecem!
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Dias 73 a 78 da viagem: Bangkok, capital e Ayutthaya, antiga capital da Tailândia

Relato de viagem à capital Bangkok e à antiga capital Ayutthaya, na Tailândia. Muitos Budas, Muay-thai e Couchsurfing!
Templos, imagens de elefantes e da família real
se misturam no dia a dia de Bangkok

A viagem à capital Bangkok e à antiga capital Ayutthaya, na Tailândia. Muitos Budas, Muay-thai e a primeira experiência completa com os amigos do Couchsurfing.


Em Bangkok passei pela primeira vez pela experiência do “couchsurfing”, grupo formado por pessoas que disponibilizam suas casas para a hospedagem de viajantes. Em geral, o anfitrião limita-se a hospedar uma ou duas pessoas, mas aqui, meu anfitrião em particular agia de forma diferente e curiosa. Ele possui uma casa de dois andares com quatro quartos disponíveis e várias camas e colchões. E fazia da casa dele um hostel. Em uma noite dormiram 9 pessoas lá dentro. Sim, é um caso especial, mas achei bom, pois pude conhecer várias pessoas simultaneamente e mais sobre o couchsurfing nesse intervalo em Bangkok. Há relatos de experiências positivas em sua maioria, embora algumas pessoas tivessem passado por algumas situações meio desagradáveis em outros locais. De qualquer forma, a experiência valeu a pena e abriu novos horizontes para o futuro.

A cidade de Bangkok assemelha-se muito a uma grande cidade brasileira e foi um marco para a volta à civilização após os últimos 45 dias na Índia e Nepal. Não comento isso em tom depreciativo em relação aos últimos países, mas sim pela presença de algum conforto a qual estamos acostumados no Brasil. A energia elétrica está sempre presente, não existe ruas de terra e poeira nas regiões centrais (embora há considerável poluição veicular), em todo lugar existem supermercados e padarias onde pode-se comprar coisas gostosas para beliscar e lugares bonitos e agradáveis para descansar.
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Dia 72 da viagem: Um voo do Nepal para a Tailândia sobre o Himalaia

Relato da viagem do Nepal à Bangkok sobrevoando o Himalaia, com a empresa Jet Airways.
Himalaia: a maior cadeia de montanhas do mundo

Relato da viagem do Nepal à Bangkok sobrevoando o Himalaia, com a empresa Jet Airways.


Esse post segue a mesma ideia do post da viagem pela Saudia Airlines que foi publicado no site "Melhores Destinos" nesse link. Nos próximos dias, esse novo post também deverá ser publicado.

No dia do meu vôo de saída de Khatmandu, ocorreu um irrompimento de greve geral na cidade. Não havia ônibus e eram poucos os taxistas que se arriscavam a trabalhar. As ruas estavam lotadas de policiais, assim como a segurança no aeroporto estava reforçada. O número de revistas que precisamos nos submeter para entrar em um avião na Ásia fez história. Nesse dia, existiu uma revista para entrar no aeroporto, outra para entrar na área de embarque, outra para sair da área de embarque imediatamente antes de entrar no ônibus que levava ao avião e outra para entrar no avião, em uma estrutura de metal acoplada à escada de acesso da aeronave. Surreal… Placas de proibição de fotografias existem em vários lugares e, com a enorme segurança que estava no dia, resolvi nem tirar a minha câmera do bolso. Assim, comecei a fazer as fotos apenas dentro do avião.

O aeroporto de Kathmandu é pequeno, velho e feio.  O check-in foi realizado normalmente e os funcionários, mesmo que não tão simpáticos, foram eficientes, polidos e rápidos. Na área de embarque queimei minhas últimas rúpias em dois salgados, cujo preço era suficiente para uns 4 jantares em restaurantes locais. Eu não consigo entender como podem explorar tanto os viajantes em aeroportos. Aliás, consigo sim… É porque as pessoas compram. Se todos conscientizassem em não consumir em aeroportos, os preços baixariam. Eu evito ao máximo, mas fiquei na dúvida se iria conseguir trocar facilmente rúpias nepalesas na Tailândia. E entrei na dança… O embarque começou mais de meia hora antes da saída, e com essa antecipação, mesmo com todos os processos de revistas conseguimos sair no horário.
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Dias 64 a 71 da viagem: Khatmandu, Pathan e Bhaktapur, Nepal

Relato da viagem à Khatmandu - Nepal, uma cidade surpreendente sob vários aspectos e suas vizinhas Pathan e Bhaktapur e as Durbar Squares.
Cochilo no rickshaw

Uma semana em Kathmandu, Pathan e Bhaktapur e suas incríveis Durbar Squares, no Nepal.


Esse post refere-se ao período em que passei em Kathmandu e nos arredores da cidade, visitando, além dos principais pontos turísticos da cidade, as cidades de Pathan e Bhaktapur. Emenda também os comentários de Durban Square, que visitei no dia 57, como comentei aqui, antes do post de Pokhara. Nesse último post comentei as principais características do país, e essa percepção não mudou após esses dias em Khatmandu. Estendendo um pouco as observações, acrescento que para o andarilho, as cidades nepalesas são muito inóspitas. Ruas sem calçadas e mal pavimentadas, trânsito confuso, muita, mas muita poeira e poluição (muitos habitantes andam apenas de máscaras) tornam as visitas aos locais um pouco desconfortáveis. E em tempo chuvoso, que presenciei nos últimos dias, a poeira assenta-se, mas como consequência forma-se muita lama pelas ruas. No hotel, o racionamento de energia do país também atrapalha muito seu conforto e faz com que acabemos mudando nossa rotina para nos adaptarmos à falta de energia elétrica.

Porém o Hotel Silver Home proporcionou um ambiente agradável, com uma equipe muito boa e estrutura necessária para uma agradável hospedagem. O público, quase exclusivamente europeu e norte-americano, tornou o ambiente descontraído e divertido. Voltaria ao hotel novamente caso retorne ao país. Enfim, o Nepal tem seus encantos, mas também possui características as quais eu considero negativamente determinantes para passar um longo período por aqui. Positivamente, e ainda mais intensamente do que os indianos, as pessoas em geral são muito solícitas e gentis. Mas ao contrário da maioria dos indianos, em geral não pedem algo em troca ao final de uma conversa.
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Os nobres desafios e a nossa transitoriedade

Nobres desafios: o Annapurna ao amanhecer, na sua face sul
O Annapurna ao amanhecer, na sua face sul

Os nobres desafios das grandes cordilheiras no Nepal nos mostram que não somos a medida de todas as coisas.


Como comentei no post de Pokhara, fiz um curto trekking na região próxima à face sul do Annapurna. Apesar de curto, ele exigiu um razoável preparo físico em virtude de elevados graus de subidas e descidas, principalmente em função do peso carregado nas costas. O cansaço porém, é muito bem recompensado quando atingimos nosso objetivo, principalmente quando consideramos que as dificuldades impostas provém de algo que cuja nobreza é imensurável.

Enfrentar a natureza expõe esse sentimento. Seja para um trekker amador como eu ou para os profissionais. É o desafio e o desejo de superação dos nobres obstáculos forjados através da força e da idade do Universo que nos promove esse prazer. Quando suas incontáveis dimensões são confrontadas à fraqueza humana, cria-se um sublime encontro que nos estimula a sair da zona de conforto, da conveniente rotina, e se aventurar em locais incômodos, com condições climáticas na maioria das vezes desconfortáveis e com dificuldades físicas que nos impõem um peso tanto físico como emocional.

Muitas vezes consideramos que as inadequações do dia a dia nos fornecem apenas vis obstáculos, que não julgamos nobres o suficiente para receber o nosso confronto. Isso nos motiva a sair do consolo do lar, das sequências convenientes e previstas, para se aventurar em meio a paisagens provocadoras, onde a temperatura, a umidade e as dificuldades físicas impõem a você um peso muito maior do que uma mochila nas costas.
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Dias 59 a 63 da viagem: Pokhara, Nepal e o trekking próximo ao Annapurna

Relato da viagem à Pokhara, seu lindo lago Phewa, no interior do Nepal e o trekking, às margens do Monte Annapurna, na cordilheira do Himalaia.
Uma das paisagens na estrada para Pokhara

Relato da viagem à Pokhara, seu lindo lago Phewa, no interior do Nepal e o trekking, às margens do Monte Annapurna, na cordilheira do Himalaia.


Após esse dia em Khatmandu, peguei o “tourist bus” para Pokhara. O local de saída é o mesmo para todas as companhias e bem próximo ao Thamel, o bairro turístico da cidade. Todos os ônibus saem juntos, às 07:00hs. Seriam apenas 200km, mas, pasmem, percorridos em 7 horas. Se eu fosse de ônibus local, seriam 12 horas. Algo impensável em qualquer lugar com um mínimo de infraestrutura de transportes. A estrada realmente é muito ruim, sinuosa e perigosa. Atravessa na maior parte do caminho, margens montanhosas e profundos vales. E os motoristas também não são um primor em segurança defensiva. Os ônibus chacoalham absurdamente devido à má condição do asfalto, e a poeira se faz presente de forma demasiada. Percebi isso principalmente no retorno, quando o tempo estava mais seco. O ônibus pára por duas vezes para lanche e almoço antes de chegar em Pokhara. O terminal era bem próximo do meu hotel, mas em função do peso e cansaço, rachei um táxi com um alemão com quem vim conversando no ônibus.

O Hotel Yeti é um bom hotel. Ambiente agradável, bonito, bom quarto com banheiro, água quente nos horários pré-programados, mas sofre como qualquer outro com a falta de energia elétrica constante no país: são cerca de 10 a 12 horas de racionamento diário. Eles possuem uma rede alternativa de energia que mantém algumas funções ligadas (interessante é que a wi-fi participa dessa rede), mas as tomadas para recarregar o laptop e celular não estão incluídas nesse “pacote”. E esse padrão é o mesmo tanto para o hotel que fiquei em Kathmandu, em Pokhara e nos locais do trekking. Não fico sem wi-fi, mas fico sem energia no laptop… Pela tarde andei na avenida em frente ao bonito lago Phewa. Essa área da cidade é bem agradável, o lago com seus espelhos d'água refletem com uma beleza incomum as montanhas e as nuvens no céu. O tempo não ajudou, estava com uma leve garoa, mas o próximo dia seria seco.