Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilha grega e a cidade medieval

Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilhas grega e a cidade medieval
Um dos portões de entrada para a cidade medieval

Rodes, uma ilha grega no mar Egeu e sua bem preservada cidade medieval.


Depois de uma noite dentro de um saco no ferry, cheguei a Rodes no sábado antes do almoço. Após encontrar um hotel, planejava visitar a cidade, focando no interior da cidade medieval. Eu havia anotado uns endereços anteriormente e foi fácil encontrá-los pelo GPS. Não precisei andar muito: no primeiro já fechei negócio. O Star Hotel me forneceu a percepção inicial mais negativa dos hotéis que fiquei até agora, superada posteriormente pela amabilidade do dono, que conheci à noite. O quarto do hotel é espaçoso, possui uma boa varanda e limpo mas, possui uma mobília old-fashion mal-cuidada, e durante a noite, tive problemas no ar-condicionado para aquecimento e depois de 15 min a luz apagou de forma definitiva. Foi nesse ínterim que conheci o dono, ausente na minha chegada. E ele se dispôs imediatamente a trocar o meu quarto e assegurar que estivesse tudo certo para minha noite. Essa boa disposição, aliada a uma ótima wi-fi, tornou minha avaliação do hotel no dia seguinte positiva, valendo o custo de 17 euros.

Durante a tarde, com o tempo nebuloso e alguns momentos de sol, aproveitei para passar pela faixa de litoral que une o hotel ao centro e fui conhecer a maior atração que me informei sobre Rodes: a cidade medieval. E foi algo inédito para mim. A cidade medieval fica dentro de uma rede de muralhas que datam do século XI e grande parte das construções ainda estão preservadas. Sua entrada é feita através de seis bem preservados portões ao redor, e o viajante pode observar o antigo poço de segurança da cidade ao seu redor, bem como as fortificações em suas entradas.

 Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilhas grega e a cidade medieval Um dos portões de entrada para a Cidade Medieval Vielas na cidade medievalOcupando uma área central e relativamente extensa da cidade, não é simplesmente uma atração turística: a cidade medieval é usada como área residencial e comercial de Rodes e cumpre uma função produtiva na cidade. Assim, uma caminhada pelas suas ruas transfigura-se num retorno ao passado de uma forma muito mais intensa do que a visitação de um sítio arqueológico, pois lá existe vida. Pelas vielas, observam-se pessoas dentro de suas casas, mercados, restaurantes e bancos, em construções típicas medievais. Seus meios de transporte, claro, mudam com o tempo: muitas motos circulam pelas ruelas e carros são usados nas ruas um pouco mais largas.


 Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilhas grega e a cidade medieval Um dos portões de entrada para a Cidade Medieval Vielas na cidade medieval
Muro desabado no dia seguinte devido às chuvas
Mas o charme de época das construções toca o passado. Uma pena que no dia seguinte, após chuvas intensas, uma parte de um dos muros desabou, quando eu estava no meu caminho para a região portuária. Uma parte da história que vai sumindo a olhos vistos. Existe também o castelo principal, atração paga para visitação e onde cheguei atrasado: no sábado fecha às 15h. Iria ficar para uma próxima vez. Em Rodes presenciei os primeiros fortes sinais da influência turca nos seus períodos de dominação. Afinal, a Turquia está a poucos quilômetros daqui. Pela primeira vez vi minaretes e construções com a típica abóbada otomana.

No final da tarde, quando estava voltando ao hotel, esfriou e começou a cair uma chuva fraca, que não parou durante toda a noite. Estava na região central e consegui jantar e voltar rapidamente, não me importando com a situação, pois a cidade estava totalmente vazia em pleno sábado. Aliás, em Rodes foi o único local até agora da viagem em que não vi nenhum turista. Nenhum. Porém, fiz meus votos para que a chuva não continuasse no dia seguinte, quando pretendia ir à uma praia mais ao sul antes de embarcar novamente para o mar.

Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilhas grega e a cidade medieval Um dos portões de entrada para a Cidade Medieval
Vielas na cidade medieval
Meus votos não serviram para a nada. No Domingo acordei sob chuva forte e a previsão do tempo ao longo do dia não animava. Aproveitei para sair do hotel quando a chuva deu um pequeno intervalo e inicialmente fui comprar um guarda-chuva, pois queria andar e não ir a um lugar específico direto, usando ônibus e táxi. Comprei um guarda-chuva em um mercado chinês, e pedi proteção aos deuses. Nada de proteção: após passar pelo cemitério e uma bonita igreja no meio do cemitério, começou a ventar e chover copiosamente quando cheguei na praia, e a qualidade chinesa do guarda-chuva denunciou o pequeno preço de 3 euros. Para pegar minha mochila no hotel passaria no mercado de novo e troquei o guarda-chuva. Quase pedi o dinheiro de volta, mas achei que, mesmo péssimo, ele poderia ser útil, ao menos sem vento.


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O guarda-chuva chinês
Segui para a região central passando novamente pela cidade medieval e ia até o centro moderno da cidade, para almoçar e ir ao porto. Foi aí que uma tempestade caiu e não teve guarda-chuva que aguentasse novamente. Estava numa regiao da cidade medieval que não passava táxi. Aliás, não passava carro nenhum. E a chuva, plena e contínua. Esperei quase uma hora embaixo de uma proteção, mas o vento fazia seu papel de me encharcar todo. 

E conforme o tempo foi passando, tinha de tomar uma decisão, pois precisava embarcar no ferry à tarde. E decidi sair da proteção até atingir uma avenida e, de abrigo a abrigo, caminhei para uma praça central indicada no mapa e onde podia ter um ponto de táxi. Mas até esse momento eu já estava todo ensopado. Além da chuva e vento em si, drenagem das ruas de Rodes são péssimas, acumula-se muita água e enfiei o tênis na água muitas vezes.

 Dias 13 e 14 da viagem: Rodes, a ilhas grega e a cidade medieval Um dos portões de entrada para a Cidade Medieval Vielas na cidade medieval Muro desabado no dia seguinte devido às chuvas
Encurralado
Procurei presença de espírito para tirar ainda mais fotos dessa parte da cidade nessas condições. Estou eu agora no ferry, sem tênis, sem meias, com a calça molhada escrevendo esse post. Mas como comentou um amigo pelo face ontem quando protestei da chuva: “Olha a história que você pode contar: tomando chuva em uma ilha grega!”. Sim, chuva é bom, mas sem roupa, sem frio e sem mochilão… :-)

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